Luke! I’m your fatherrrrrrrrr!

Da Inglaterra continuam a chegar notícias interessantíssimas.

“O Reverendo Patrick O’Donoghue, Bispo de Lancaster, afirmou que pessoas com formação académica espalham cepticismo e insurreição. No lugar de seguir os ensinamentos da Igreja, essas pessoas são “hedonistas”, “egoístas” e “egocêntricas”.

Em particular, o Bispo queixou-se de alguns Católicos influentes que em politica e na imprensa tentam minar o trabalho da Igreja. O Bispo sugeriu que essas pessoas foram corrompidas pela sua educação, que tem “um lado negro, devido ao pecado original”.

O Bispo publicou recentemente um relatório onde apresenta como renovar o Catolicismo no Reino Unido, onde argumenta que “educação em massa levou causou uma doença na Igreja e na Sociedade”.

“O que observámos na sociedade ocidental depois da Segunda Grande Guerra foi o desenvolvimento de educação em massa, que resultou em crescimento económico, avanços científicos e tecnológicos, assim como enriquecimentos culturais e sociais para milhões de pessoas, no entanto, qualquer feito humano tem o seu lado negro, devido ao pecado original. No caso da educação, podemos ver uma distorção devido à disseminação de cepticismo radical, positivismo, utilitarismo e relativismo”.”

Ver aqui.

Ahhhhh. Nada como os continuados apelos ao obscurantismo religioso, e ao regresso à teocracia totalitária e medieval por parte de “líderes religiosos”. Isto da educação académica, do conhecimento, do espírito crítico, do cepticismo é coisa indesejável. O ideal era o regresso a tempos mais simples, com os camponeses na doce ignorância, e os religiosos com o saber fechado a sete chaves.

É de esperar que estas pessoas se sintam amarguradas e façam estes apelos. Mas reparem, para acompanhar os tempos, há que o fazer com um toque de modernidade.

“O lado negro dos feitos humanos”. Fantástico!

Só falta mesmo é o Darth Vader ser o novo Satanás, a bradar aos céus de Bespin: “feitos da humanidade… eu sou o vosso pai!”

Terra (e pior, Reino Unido, um pais civilizado e sofisticado), século 21.

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9 Comentários

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  1. Depois de tanto rir com as palavras do bispo, vou ver se ainda consigo dizer alguma coisa. O bispo “não bate bem da cabeça”. Ele acha, realmente, que a educação das sociedades é uma coisa má. E a palavra chave é mesmo REALMENTE!!! Usando palavras muito religiosas, até sou capaz de dizer que isto “é de bradar aos céus”. Senão vamos lá ver:

    1- a educação em massa trouxe crescimento económico, avanços científicos e tecnológicos e o enriquecimento social e cultural de milhões de pessoas por todo o mundo;

    2- essa mesma educação levou e tem levado à disseminação do cepticismo, do positivismo, do utilitarismo e do relativismo;

    3- tudo isso junto faz com que as pessoas cada vez mais ignorem deus e vivam sem se preocuparem com isso;

    E no fim disto tudo ele ainda diz que o mundo está mal. Muito pelo contrário!! Cada vez está melhor e melhor ficará, quando mais gente tiver acesso à educação.

    Mas eu sei (porque indirectamente ele faz referência a isso) porque é que ele está realmente preocupado. As estatísticas apresentadas no artigo, relativamente às assistências nas missas, é que são a sua grande preocupação. É certo e sabido que, embora tendo muitas outras fontes de rendimento, uma das principais é o dinheiro angariado pelas pessoas que frequentam essas e outras cerimónias. Ou seja, no fundo a preocupação dele é legítima – estão a ir-lhe ao bolso. Pior que isso é pensar que as pessoas, em vez de darem o dinheiro a parasitas sociais, vão investir-lo em alimentação, vestuário, cultura ou até em educação dos próprios ou dos filhos, tornando-os por isso mais inteligentes e menos dependentes de crenças e crendices. Ora também é certo que depois destas minhas palavras, alguém vai aparecer a dizer que mais inteligência não significa menos crença porque temos pessoas muito inteligentes e cheias de cursos e diplomas que são crentes. Mas pelo menos agora já tenho um Bispo britânico, que neste aspecto, pensa como eu.

    Obrigado pelo artigo

    Marco

  2. Foi uma sorte ele não ter lançado uma campanha contra as escolas e universidades.

  3. O progresso, a educação, a investigação técnico-científica não é, de maneira nenhuma “apedrejada” pela Igreja! O que a Igreja condena é, de facto, essa sede de conhecimento insaciável que desrespeita os princípios e direitos mais básicos, como o da vida… Não é lícito, por exemplo, que, em nome do conhecimento e do progresso, mesmo que seja para medidas farmacológicas, desrespeitar e destruir uma vida humana, pois sacrifica-se um bem maior!

    A inteligência mal aplicada, a investigação e o conhecimento que, numa procura desenfreada pelo conhecimento, não tem por base a Ética e a Moral não serve para nada senão para destruir a sociedade, caindo-se num relativismo em que é o jogo do “vale tudo”…

  4. Obrigado pelo comentário, Marco.

  5. Eu acho que incomoda realmente o Mr. Bishop é o facto do pecado original ter a ver com a procura da sabedoria… Realmente isso é de uma extrema dignidade por parte da igreja: considerar o saber como um pecado. Mas pronto, ignorante quem se deixa levar…

  6. Draconus, só mostra a sua ignorância no que respeita à Doutrina Católica. Quem não sabe do que está a falar, abstém-se de opinião. Mas, se me permitir, vou explicar a relação entre o pecado original e a procura da sabedoria (afinal de contas o saber não ocupa lugar ;) ):

    No contexto bíblico, o pecado original instalou-se no mundo devido à sede de conhecimento, desrespeitando e desobedecendo às Leis de Deus. Ou seja, Adão e Eva cairam em tentação, uma vez que tinham ordens explicitas de Deus para não comer o fruto da árvore do conhecimento. A serpente, tentou-os dizendo (não tenho aqui à mão as palavras exactas mas a ideia é esta): “Deus nao quer que comais desse fruto porque, no dia em que o comerdes sereis semelhantes a Ele, conhecedores do Bem e do Mal”. Isto despertou uma ânsia e uma sede de sabedoria extrema: o Homem querer compreender (Gnos, doutrina herética) e igualar-se a Deus.

    Ora, a que isto levou? À expulsão do Jardim do Éden. E porquê? (Agora aqui gostava que visse a analogia com o mundo actual): A sede de conhecimento, sabedoria, espírito crítico é intriseca ao homem, ou não fosse ele dotado de inteligência e espírito reflexivo. No entanto, esta procura de conhecimento, de sabedoria, quando vai pelo caminho da desobediência às Leis de Deus é ilícita e por isso, o pecado original instaurou-se no mundo.

    Não é o saber que é pecado, Draconus. O pecado existe quando, em nome do conhecimento, da sabedoria, se desrespeitam as Leis do Criador e o progresso vai pelo caminho meramente técnico, tornando a humanidade escrava do progresso e não o progresso ao serviço da humanidade (como deveria ser…)

  7. Caro João C,

    é claro que toda aprocura de conhecimento leva a que, por vezes, esse conhecimento seja aplicado de formas que não nos agradam. Assim como é claro que algumas vezes a procura não é feita de maneira a agradar a todos e muitas vezes o que é ético para uns não o é para outros. Toda a gente sabe que evoluções na área da física e da química, por exemplo, podem ser usadas para fins bélicos, que muitas vezes não agradam até aos próprios investigadores. Mas pensar que isso não aconteceria seria pura demagogia. A maldade existe desde sempre, assim como a busca pelo conhecimento. É lógico que ninguém aqui, defende que se matem seres humanos, outros não defendem que se matem animais, outros ainda, não defendem o uso de células estaminais para se descobrir o que quer que seja. Todos somos livres de pensar o que quisermos sobre isso ou de não o fazer. Um dos problemas está na própria definição de ser humano. Quando é que um ser se pode considerar humano ou não. Se me perguntar a mim, digo-lhe sinceramente que não sei. O que sei é que é uma questão muito polémica e que provavelmente nunca reunirá consenso.

    Em minha opinião, os estados individualmente ou em conjunto, devem criar regras para não se ultrapassarem determinados limites impostos por esses mesmos estados. E devem ser criados limites! Digo e volto a dizer: criem-se limites éticos e morais para o caminho da evolução. Mas criem-se através dos governos porque esses é que são eleitos pelo povo. Se for preciso referendar, façam-se referendos. Não é isso que está aqui em questão.

    O que me custa realmente ouvir e é disso que se trata aqui, é um bispo (que quer agrade ou não, a mim ou a outros ateístas, tem algum poder na sociedade), falar como se quisesse voltar ao tempo em que só alguns tinham acesso ao conhecimento. Conhecimento esse que era usado para manietar a maioria do povo inculto. Se ler bem o artigo, e acredito que o fez, notará que ele é contra o facto da maioria da população ter acesso à informação e ao conhecimento entre outra coisas porque isso tirou-lhe fiéis da igreja. O homem é louco!

    Respeitosamente,

    Marco

  8. Eu tinha razão e os meus pais não, não deveria ter estudado tanto… Malditos por me obrigarem a estudar tanto, vão certamente para o inferno… Vou garantir a minha salvação e não termino a licenciatura, esse grau académico demoníaco…

  9. Para um ditador não há nada melhor do que um povo burrinho e iletrado…

    «educação em massa levou causou uma doença na Igreja e na Sociedade»

    Um raro momento de lucidez por parte de um bispo (apenas para a parte da Igreja, pois para a Sociedade creio que estará algo desfasado) . Resta saber quanto tempo demorou a chegar a esta conclusão. Provavelmente 60 anos, desde o pós-guerra.
    Acrescente-se que o populismo é a próxima arma a usar pelos clérigos, tal como se pode ler no excerto:

    «pessoas com formação académica espalham cepticismo e insurreição. No lugar de seguir os ensinamentos da Igreja, essas pessoas são “hedonistas”, “egoístas” e “egocêntricas”»

    Mas que raio de arrogância é esta de pensar que toda a gente tem de seguir os ensinamentos da igreja, com toda a treta associada?

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