Woman of the Year

A iemenita Nojood Mohammed Ali fez furor há algum tempo atrás quando conseguiu obter a dissolução de um casamento forçado com um homem de 30 anos que a maltratava. Descrita como “a mais famosa divorciada do mundo”, a menina de 10 anos foi agora distinguida com o prémio Women of the Year, atribuído pela revista Glamour.

A cerimónia realizou-se em Nova Iorque, contando com a presença de Nojood e da advogada que a ajudou,
Shada Nasser, também distinguida.

No Iémen, a grande maioria das meninas abaixo de 18 anos são casadas antes de atingirem a maioridade (muito por causa da pobreza e por questões de “honra”), algumas com a tenra idade de 6 ou 8 anos. A própria amiga que serviu de tradutora (uma vizinha com 18 anos) contou a sua experiência pessoal, tendo sido casada aos 13 e com 4 filhos na presente data. Referiu ainda que “não tem tempo para ser uma mãe carinhosa”.

Nojood foi retirada da escola pelo pai e casada com um carteiro vinte anos mais velho. Adorava a escola e em particular as cadeiras de Matemática e Corão quando, aos nove anos de idade e apesar da promessa do pai de não a tirar da escola, lhe arranjaram um marido. Como uma das suas irmãs foi violada e outra raptada, assim que o pai soube que o suposto raptor andava atrás de Nojood (interessante esta sociedade), pensou que o casamento seria a melhor maneira de a proteger.

Tendo-lhe sido dito que não haveria consumação antes de ela ser adulta, ficou encantada com o dote do casamento (vestidos, um anel de $20, perfumes, escovas para o cabelo,…), mas tudo mudou nos tempos seguintes. O marido vendeu o anel para comprar roupas para si próprio, perseguia-a em casa, batia-lhe e “levava-a para o quarto”, segundo palavras da jovem.

Após dois meses de inferno Nojood fugiu, arranjando como pretexto a visita a uma irmã. Conseguiu chegar a um tribunal, passando algo despercebida no meio da multidão. Um juíz, movido pela curiosidade, aproximou-se da jovem e perguntou o porquê da sua presença, obtendo a resposta “Eu vim pedir o divórcio“. Foi então que o magistrado Mohammed al-Qadhi a levou para sua casa, mandando deter o marido e o pai no Sábado seguinte. Shada Nasser soube do caso e ofereceu-se para a representar.

Desde então a advogada tem acumulado outros processos de meninas na mesma situação, havendo pressões da sociedade para que se imponha uma data mínima (18 anos) para o casamento, com a não surpreendente oposição dos islamitas do “Comité da Sharia” local.

Graças à coragem desta criança deu-se, possivelmente, um grande passo em frente. Pode ser que se despertem consciências entre as sociedades muçulmanas que, desde o médio oriente à África subsariana, maltratam e encaram a mulher como um ser desprezível e com dever de obediência. Não se pode ter respeito por uma sociedade assim.

São as mulheres que vão mudar o Islão.

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