Eluana Englaro

Eluana Englaro vai fazer história em Itália. Ontem o Supremo Tribunal Italiano autorizou o fim da alimentação artificial que mantém viva a italiana de 37 anos, em coma irreversível desde 1992 devido a um acidente de viação. Tinha 19 anos na altura.

A batalha legal já dura há cerca de 10 anos. O seu pai e actual tutor Beppino Englaro teve uma das maiores vitórias quando, no ano passado, ganhou um recurso, conseguindo a repetição do julgamento cuja sentença “negou a suspensão da alimentação assistida” a Eluana (o que a mantém viva).

«”Desligai as máquinas, deixai morrer minha filha, tende um pouco de dignidade”, vem repetindo Beppino Englaro, que escreveu a todas as autoridades italianas pedindo que acabem com a agonia de Eluana e de todas as demais pessoas que se encontram nesta mesma situação.»

Apesar da eutanásia ser ilegal em Itália, foi tida em consideração a irreversabilidade do coma e o facto da jovem antes do acidente ter declarado que preferia a morte a uma vida numa situação vegetativa.

A Igreja Católica já nessa altura contestou ”o inaceitável o relativismo dos valores, sobretudo quando estes se referem à conservação da vida“, classificando a repetição do julgamento como ”uma sentença orientada ao relativismo“. Também houve contestação da parte dos grupos mais conservadores da classe política italiana.

O Cardeal Javier Lozano Barragan (cuja presença neste espaço começa a ser assídua) já lançou as suas farpas, afirmando que se irá cometer um assassínio “monstruoso e desumano”, levando a uma morte “terrível, por sede e por fome”. Mais hilariante é a intervenção do presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Rino Fisichella, afirmando que “É uma derrota para Eluana, uma jovem que vive, que respira de maneira autónoma, que desperta (???) e dorme, que tem vida».

Não seria de esperar outra coisa da parte de uma instituição que indica que a vida e a morte são da exclusiva responsabilidade das entidades abstractas que procuram impingir a toda a gente, independemente das leis em vigor no pais ou do sofrimento alheio. Mas claro que, para o caso da pena de morte, é poupado algum trabalho a essas mesmas entidades abstractas sabe-se lá porquê.

Uma jovem cuja vida acabou em 1992 ficou presa ao seu corpo durante 16 anos. Depois de anos de sofrimento será devolvida alguma dignidade a esta pessoa, à sua família e quem sabe, a futuros casos.

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