Eluana Englaro

Eluana Englaro vai fazer história em Itália. Ontem o Supremo Tribunal Italiano autorizou o fim da alimentação artificial que mantém viva a italiana de 37 anos, em coma irreversível desde 1992 devido a um acidente de viação. Tinha 19 anos na altura.

A batalha legal já dura há cerca de 10 anos. O seu pai e actual tutor Beppino Englaro teve uma das maiores vitórias quando, no ano passado, ganhou um recurso, conseguindo a repetição do julgamento cuja sentença “negou a suspensão da alimentação assistida” a Eluana (o que a mantém viva).

«”Desligai as máquinas, deixai morrer minha filha, tende um pouco de dignidade”, vem repetindo Beppino Englaro, que escreveu a todas as autoridades italianas pedindo que acabem com a agonia de Eluana e de todas as demais pessoas que se encontram nesta mesma situação.»

Apesar da eutanásia ser ilegal em Itália, foi tida em consideração a irreversabilidade do coma e o facto da jovem antes do acidente ter declarado que preferia a morte a uma vida numa situação vegetativa.

A Igreja Católica já nessa altura contestou ”o inaceitável o relativismo dos valores, sobretudo quando estes se referem à conservação da vida“, classificando a repetição do julgamento como ”uma sentença orientada ao relativismo“. Também houve contestação da parte dos grupos mais conservadores da classe política italiana.

O Cardeal Javier Lozano Barragan (cuja presença neste espaço começa a ser assídua) já lançou as suas farpas, afirmando que se irá cometer um assassínio “monstruoso e desumano”, levando a uma morte “terrível, por sede e por fome”. Mais hilariante é a intervenção do presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Rino Fisichella, afirmando que “É uma derrota para Eluana, uma jovem que vive, que respira de maneira autónoma, que desperta (???) e dorme, que tem vida».

Não seria de esperar outra coisa da parte de uma instituição que indica que a vida e a morte são da exclusiva responsabilidade das entidades abstractas que procuram impingir a toda a gente, independemente das leis em vigor no pais ou do sofrimento alheio. Mas claro que, para o caso da pena de morte, é poupado algum trabalho a essas mesmas entidades abstractas sabe-se lá porquê.

Uma jovem cuja vida acabou em 1992 ficou presa ao seu corpo durante 16 anos. Depois de anos de sofrimento será devolvida alguma dignidade a esta pessoa, à sua família e quem sabe, a futuros casos.

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42 Comentários

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  1. Eu dou total razão a Sr Fisichella: ainda ontem a Eluana me ligou ao telefone a dizer que se sentia maravilhosamente bem, e que ia ter um jogo de voleibol à tarde.

    E ainda vou ter de perceber esta do “relativismo”. Para os crentes, tudo é relativismo, é o relativismo de valores, da moral, da sociedade, da teoria da relatividade.

    A senhora é um tomate!! (como se diria no South Park): “uma morte horrível de sede e fome”. Que raio! Esta gente precisa de pegar num compêndio de neurobiologia e de fisiologia. A senhora não vai sentir nada, porque já não há nada para sentir!!!

    Na cabecinha destes senhores há uma alma aprisionada dentro do corpo da Eluana que grita sem ninguém a ouvir “dêem-me um bife grelhado com molho de natas, e uma coca-cola light, se faz favor!”

    Ridículo, patético, triste.

  2. Em poucas palavras, mais um assassínio “legal”, na batalha da cruzada contra os valores, contra a moral, contra a vida (se esta continua a ser relativizada nem quero imaginar onde iremos para… e, acima de tudo, contra Deus.

    Enfim, triste, ridículo e patético…

  3. Caro fundamentalista João C,

    Não será esta situação concreta uma caso de “DISTANÁSIA” do que veemente “EUTANÁSIA”????????

  4. João C.

    Sobrepor a ideia de Deus e os valores de um determinado sector da sociedade à dignidade humana e à escolha pessoal, preferir o totalitarismo teocrático à liberdade e à individualidade é que é triste, rídiculo e patético.

    Por muito que isso entristeça a igreja, cada pessoa é responsável pelas suas escolhas, não nos vergamos a uma arrogância de autoridade.

    É muito triste uma vida acabar tão cedo.Nem consigo imaginar o sofrimento dos pais e dos familiares que testemunharam e viveram toda esta tragédia; Não há de ser de ânimo leve que a irão desligar da alimentação.

    Penso que estas declarações histéricas da igreja são uma falta de respeito para com a família de Eluana e uma falta de decência e de moral gigantescas. Instrumentalizar uma morte desta maneira demonstra uma falta de humanidade incompreensível.

    Da minha parte, as condolências vão para a família e para os amigos. E subscrevo completamente a última frase do Ru Janeiro.

  5. A conservação da vida (nem que seja à força) tornou-se uma causa muito bonita à qual é quase politicamente incorrecto opor-se.

    Que eles têm o direito à opinião, têm. O que mais irrita é que as barbaridades vociferadas pela classe clerical não tenham o devido tratamento pelos media. Tudo passa quase despercebido. As declarações de Rino Fisichella (cujo primeiro nome deve ser abreviatura de um certo quadrúpede que habita a savana africana) são dignas de figurar no livro dos recordes da demagogia.

  6. Olá João

    “Sobrepor a ideia de Deus (se Deus não está acima de todas as coisas, o que estará?) e os valores de um determinado sector da sociedade à dignidade humana e à escolha pessoal, preferir o totalitarismo teocrático à liberdade”. Depende do que entender por liberdade. Ser livre não é fazer o que nos parece ser o melhor ou o que muito bem entendermos…

    “Por muito que isso entristeça a igreja, cada pessoa é responsável pelas suas escolhas”. E também somos [e muito mais] responsáveis pelo que fazemos aos outros. Matar uma pessoa à fome e à sede implica muitas responsabilidades, incluindo o alto preço que se poderá pagar, não aqui, mas na Vida futura… “não nos vergamos a uma arrogância de autoridade.” Já para não falar na aversão às autoridades, às regras e à obediência que hoje em dia se observa, apenas faço referência que a Dourina da Igreja é milenar, de origem divina, enquanto a regras, leis, ideias, modas e modinhas humanas passam conforme os tempos e conforme as ideias das pessoas… Acho que é óbvio decidir qual será a mais coerente e estável… Mas enfim, como tudo vai de modas, é o jogo do vale tudo, porque amanhã pode já não valer…Enfim, triste, ridículo e patético…

    “Penso que estas declarações histéricas da igreja são uma falta de respeito para com a família de Eluana e uma falta de decência e de moral gigantescas. Instrumentalizar uma morte desta maneira demonstra uma falta de humanidade incompreensível.” Falta de decência e de moral? Então agora em nome da “decência” e “moralidade” de alguns (cai-se novamente no relativismo, essa ditadura em que a maioria da população mundial vive…) acaba-se com uma vida, mata-se uma pessoa à fome e à sede? Não me venha falar de falta de moral… Disse instrumentalizar uma morte desta maneira demonstra uma falta de humanidade incompreensível.. Incompreensível é a sua posição. Vocês sim, instrumentalizam a vida, não a morte, relativizando-a ao limite mais baixo… Chama falta de humanidade ao facto de matar uma pessoa à fome e à sede? Não me venha com histórias de que a dita jovem já não sente fome nem sede… Mesmo que assim fosse, o simples facto de não se lhe dar de comer e beber é monstruoso… mais uma vez, é triste, ridículo e patético…

  7. Eis uma vitória da dignidade Humana, espero que muitas mais se sigam. E que os rinocerontes e morram bem longe do Homem.

  8. Caro João C

    Só vou pegar numa das suas afirmações porque as outras nem vale a pena falar (só ia sobrepor o que já foi dito por outros). O Sr diz que a “doutrina da igreja é milenar e de origem divina” – pegue num livro de história e veja o que essa doutrina tem feito pela humanidade. Nem me vou dar ao trabalho de especificar. Não vale a pena.

    Marco

  9. Bom Dia João C.

    Primeiro, tenho relativa certeza que deus não está acima de todas as coisas, além de que não acho necessário , nem acho que haja, alguma coisa além do mundo real.

    E, ao contrário do que o João C. afirma, ser livre é exactamente ser capaz de decidir só por si. Se decidirmos,por nós, atermo-nos a uma qualquer autoridade, isso é liberdade, mas sermos obrigados a isso é justamente o contrário.

    Obviamente que também somos responsáveis pelo que fazemos aos outros. Mas ,neste caso, estava a referir-me ao desejo de Eluana Englaro de preferir a morte a uma situação vegetativa.:”…e o facto da jovem antes do acidente ter declarado que preferia a morte a uma vida numa situação vegetativa.”

    Agora quanto às acusações de relativismo e à ideia de castigo e de vida futura:
    Uma das muitas coisas boas de se ser ateu e naturalista é poder derivar o nosso código ético de decisões fundamentadas e pessoais, e não do medo de castigos e represálias de um qualquer ente ou autoridade.

    É ser bom por amor ao bem, de uma certa maneira,e não por medo.

    “Já para não falar na aversão às autoridades, às regras e à obediência que hoje em dia se observa, apenas faço referência que a Dourina da Igreja é milenar, de origem divina, enquanto a regras, leis, ideias, modas e modinhas humanas passam conforme os tempos e conforme as ideias das pessoas…”

    Digo-lhe que muito me deixa contente que as pessoas não se verguem perante as autoridades, as regras e a obediência. A história e a evolução do Homem só se faz através do questionamento e do pensamento crítico. Baixar-nos perante uma qualquer autoridade tem sido, ao longo dos tempos, um sinal de desgraça. Não se esqueça que a obediência incondicional às autoridades rendeu-nos várias ditaduras.

    A obediência cega faz do Homem um fantoche. E , lá por ser milenar, isso não confere à igreja nenhum poder sobre as pessoas. Quanto ao divina, já entendeu a minha opinião.

    Para mais, a moral e a ética não são uma moda. São um conjunto de comportamentos e de condutas, que, obviamente, variam com a pessoa, mas cujo objectivo é a sobrevivência e o respeito necessário para viver em sociedade. Obviamente que não são regras desinteressadas, não existem só por existir.Mas não vejo como pode ser maior o mérito de seguir regras apenas com medo de um criador qualquer, do que ater-nos por essas regras de uma forma racional e clara. Não há nenhum relativismo em querer viver e criar laços, inseridos numa sociedade e numa família que nos ama e a que amamos.

    Como é que nós podemos reduzir a vida ao limite mais baixo, se pensamos que a vida é tudo o que temos?
    Não vivemos para agradar a um criador, segundo um código moral que nos há de dar outra vida.Aproveitamos esta porque não vamos ter outra. Mas reconhecemos o direito de cada um de dispor da vida como quiser e de , em plena consciência ,terminá-la.Não deixar uma pessoa morrer quando quer, principalmente nas circunstâncias em que está Eluana, é o mesmo que manietá-la , é privá-la da liberdade que deveria ter.Uma vida não pode ser vivida a contragosto.

    Além disso, uma cessação da actividade cerebral significa que Eluana já não sente nem sede, nem fome , nem dor. Não se está a matá-la, apenas a cumprir o desejo dela de o coração deixar de bater mais depressa. Porque, se já está em morte cerebral, a vida dela já acabou.

    E sim, isso é instrumentalizar uma morte, usá-la para puxar os próprios interesses,sem ter qualquer respeito pela vítima e pelos seus parentes.

  10. Caro Bruno Resende,

    Vou colocar a questão de forma muito simples: “Eis uma vitória da dignidade Humana”, disse o Bruno.
    Ou seja, querer morrer é uma vitória da dignidade Humana?

    Vou tentar inteligir esta sua frase:

    - a dignidade humana sai vitoriosa quando se quer morrer

    ou melhor

    - a vida humana atinge o seu melhor com a morte voluntária

    ou ainda

    - se eu quiser morrer, então aí a minha dignidade sai vitoriosa

    Eu, sinceramente, não vejo uma grama de vitória em querer morrer. Acho que toda a pessoa doente que quer morrer está a dar um sinal de que quer alguma coisa: o fim das dores, amor de outras pessoas, companhia, conforto, alegria, etc.

    Ninguém “saciado” de humanidade quererá morrer.

    Eu gostava mesmo de compreender mentes como a do Bruno.
    Mas sinto-me incapaz. Não consigo fazer sentido daquilo que o Bruno afirma.

    Querer morrer é uma vitória da dignidade?
    Por muitas voltas que dê às palavras, a coisa não me entra.

    Se calhar, o Bruno poderia ter pena de mim, e dignar-se a escrever um simples silogismo, no qual ficasse mais clara a lógica e a força do seu argumento.
    Obrigado.

  11. Caro Marco,

    «pegue num livro de história e veja o que essa doutrina tem feito pela humanidade»

    Viremos o pedido ao contrário, Marco.
    Que livros tem para nos sugerir, a nós, católicos ignorantes?

    Por favor, não fuja ao meu pedido: se o Marco escreveu esta frase é porque tem certamente em sua casa vários desses livros que relatam o que “essa doutrina tem feito pela humanidade”. Por isso, deve ser fácil para si tirar um livro da prateleira e dar-nos o prazer de um autor, de um título.

    «Nem me vou dar ao trabalho de especificar. Não vale a pena.»

    Não! Vale! Vale sempre a pena!
    Por favor, diga-nos em que livro ou livros é que leu acerca do que a Igreja terá feito (de mau) à Humanidade.
    Eu, como católico, vejo que a Igreja fez e faz imenso bem à Humanidade. Mas isso sou eu: se calhar, nunca li os livros certos. Por favor, ajude-me.

    Obrigado.

  12. Meu caríssimo Bernardo,

    qualquer enciclopédia de história, lhe dirá quantas das guerras “santas” ou não santas foram travadas em nome da religião. Mas nem vou por aí. Pegue na sua sagrada bíblia e veja quantas referências são feitas à xenofobia, extremismo, discriminação sexual, ao incitamento à guerra contra os infiéis, entre outras coisas muito, muito boas que lá são pregadas. Nem lhe digo para ir ao antigo testamento porque dir-me-á você que, Jesus veio ao mundo para corrigir isso. Mas só a título de curiosidade, dê uma “vista d’olhos”. Por falar nele (JC) leia a história laica baseada em textos da altura incluindo os testamentos, se bem que tem sempre alguma interpretação pessoal do autor (que por acaso é Teólogo) “Jesus o Galileu armado” – Jose Montserrat Torrents. Vai notar que talvez o homem não fosse tão santo ou divino como o fizeram mais tarde. Se quiser pode também consultar o site http://www.ateus.net e vá à secção de ebooks, exemplos não faltarão concerteza. Se preferir uma leitura mais demorada mas bastante ilucidativa, aconselho “A desilusão de deus” – Richard Dawkins. Este expõe todas as maldades criadas pelas religiões, pela crença e pela crendice. Mas se quiser algo mais actual, e porque a sua religião não é melhor que a dos outros, veja simplesmente o Telejornal.

    Já agora, quanto à questão dos católicos ignorantes, só lhe tenho a dizer que essas palavras são suas. Da minha boca, ou escrita no caso, não as ouviu. Até posso pensar nisso ou não. Mas nunca aqui as escrevi dessa forma ampla. Até posso pensar que este ou aquele, católico ou muçulmano, crente ou não crente, o é. Mas nunca o apliquei nem vou aplicar nesse sentido lato que você lhe deu. Nem tão pouco acho, que você o deva fazer. Se se considera católico ignorante, isso são questões pessoais suas e se quiser, o que não falta por aí são psicólogos que o ajudarão a ultrapassar esse sentimento de inferioridade que nutre por si próprio. Agora, acho que não devia falar de forma geral porque estará concerteza a ofender católicos que de ignorantes não têm nada, simplesmente crêm. Penso que isto é um fórum de discussão aberta, em que várias opiniões são debatidas, não um campo de batalha.

    Respeitosamente,

    Marco

  13. Caro Bernardo, começou a sua festa sozinho com a seguinte pergunta:

    “querer morrer é uma vitória da dignidade Humana?”

    Espera retóricas elaboradas em crendices ou simplesmente percebe o que os seus fantasmas lhe dizem?
    Nada daquilo que referiu posteriormente se alude ao meu comentário, o seu erro de criar absolutismos permanece, inconscientemente ou não é a dúvida.
    Falou-se no espectro particular do suicídio assistido, não noutro qualquer contexto, logo a sua descontextualização é em si mesmo descontextualizada. Mas se prefere algo mais abrangente eu forneço-lhe essa abrangência. O maior dono da vida Humana é o próprio. O indivíduo. É ele quem decide as suas liberdades pessoais, é ele que decide os caminhos das suas vidas e das suas mortes, ninguém é dono da vida de ninguém, e aparecendo tais parasitas que surjam predadores que os aniquilem. Quem tiver vontade de finalizar a sua vida em plena consciência dos actos que o faça, ninguém é mais que ninguém, muito menos os amigos imaginários oriundos de lunatismos supersticiosos. Quem se decidir pelo suicídio em plena racionalidade e consciência que o faça, é essa a sua vontade, quem não conseguir os recursos necessários que tenha a sociedade como meio de atingir os fins, aliás, é para isso que serve uma sociedade. Seguir as vontades de parasitas sociais viscosos sedentos de poder pelo miserabilismo e decadência induzida ou deduzida? Não.

    A base para a compreensão da humanidade não é complexa, embora seja excessivamente profunda no âmago humano, se uma pessoa lunática em islamismos se quiser rebentar sozinho no meio do deserto que o faça, seja feita a sua vontade! Que use e abuse da liberdade pessoal! Se um cristão se quiser pregar a uma cruz nas Filipinas que o faça! Cada um que faça as suas vontades, e as vontades que os outros possuem em parasitar Humanos por não terem vida própria nem discernimento mínimo da realidade sejam atirados para o esgoto que tanto apreciam.

    O suicídio é a única cura para todos os males.

    Cumprimentos.

  14. Bruno, repara-se que neste caso foi uma decisão da liberdade humana. Foi ela que decidiu ficar em coma e foi ela que decidiu morrer….

    Eluana só precisava de ser alimentada, mas a família decidiu que ela não o devia ser. O mundo chama suicidio assistido. Mas para isso é preciso que ela tivesse decidido, coisa que não o fez.

    Não é verdade que o homem seja dono da sua vida. Diga-me lá se toda a sua vida é como quer? Como o Bruno decidiu?

    Como última questõa tenho que perguntar, se o suícido é a cura de todos os males, porque razão o Bruno n se suicida? (a pergunta n é provocadora, mas queria mesmo saber)

  15. Mais um comentário do bruno no seu estilo… Enfim, triste, ridículo e patético…

  16. “O suicídio é a única cura para todos os males.” Achas mesmo Bruno?? Que visão tão limitada é essa, vindo de ti, uma suposta “mente aberta” ?!…

  17. Bruno a sua mente ficou tão aberta que lhe caiu o cérebro….

  18. Este é um tópico deveras complicado. Reconheço nesta matéria coerência intelectual na igreja católica que é pela vida. Seja na sua oposição ao aborto, como à pena de morte, como ao suicidio. Acho que aqueles, como eu, que permitem o direito ao aborto e são contra a pena de morte, sendo que o suicidio assistido ainda suscita em mim dúvidas profundas, é que podem ser acusados de relativismo, o que me causa algum desconforto moral – admito.

    No suícido assistido, sendo que sou a favor das liberdades pessoais e acho que cada um deve fazer com o seu corpo o que quiser desde que não influencie outros seres conscientes, ajuda-me passá-lo pelo filtro do imperativo categórico moral do Kant: algo só é correcto e moral quando estamos dispostos a torná-lo uma lei universal. Concretamente, só posso defender esta posição éticamente se estiver disposto a que todas as pessoas que achem que não têm razão de viver possam ser legalmente assistidas a morrer. Não estou preparado para aceitar esta proposição.

    Aliás tenho a certeza que se uma testemunha de jeová recusa-se uma tranfusão de sangue, como dita a sua denominação religiosa, em caso de hemorragia extrema este fórum incendiar-se-ia com indignações a respeito da ingerência da fé pessoal em questões de saúde.

  19. A questão da recusa das transfusões prende-se com o caso particular dos menores de idade.

    Claro que pôr a vida em risco ao se recusar assistência médica invocando os motivos religiosos é algo que deve ser respeitado, independentemente das suas consequências. Mas não esqueçamos que é uma irresponsabilidade, nomeadamente quando se tem obrigações, desde familiares às profissionais. Não sei o que os empurrará para o inferno, a transfusão ou o legado que deixam à família.
    Tal pode ainda dar outros problemas, considerando que podem ser discriminados se fizerem um crédito à habitação (por causa dos seguros de vida). E não me admirava se viessem queixar-se das companhias de seguros!

  20. Caro Luís Nascimento, penso não ser tão díficil quanto isso colocar as coisas como lei universal, a partir do momento em que a liberdade de um indivíduo não coloca nada nem ninguém em perigo deve ser respeitada. Sobre a questão de indivíduos acharem que não possuem razões para viver, isso já entra em questões de diálogo, boas doses de racionalidade fazem sempre bem à saúde, opiniões, e quando os assuntos forem claros sim, fazer a vontade do indivíduo. Não é uma questão de absolutismo, mas sim de parâmetro, ou bom-senso, não me parece que uma pessoa com uma unha encravada queira assistência no suicídio por causa desse mesmo problema. Também existem muitas outras questões que devem ser colocadas em debate e em conhecimento geral antes de qualquer decisão, tais como a incapacidade ou capacidade da medicina lidar com determinadas doenças, o que hoje não é curável pode amanhã não o ser. Em casos como o abordado nesta notícia a perspectiva é clarividente, a vontade do indivíduo era a morte em caso de “vegetatismo” sem cura, o caso era esse, a solução era essa.

    Sobre a seguinte afirmação:
    “Aliás tenho a certeza que se uma testemunha de jeová recusa-se uma tranfusão de sangue, como dita a sua denominação religiosa, em caso de hemorragia extrema este fórum incendiar-se-ia com indignações a respeito da ingerência da fé pessoal em questões de saúde.”

    Falando a nível pessoal, de nada me importa que uma testemunha de jeová morre ou deixa de morrer pelos seus dogmas, aliás, até acho coerente com a doutrina e um bem social maior deixar esse bem precioso da vida, o sangue, para pessoas que dele necessitem, desde que a vontade desses indivíduos não interfira na dos restantes que morram à vontade. Da mesma forma que se um islâmico se rebentasse sozinho não opinaria sobre o assunto, ou mesmo aplaudiria a atitude, se ele tivesse vontade de rebentar bem fazia em rebentar-se, desde que não interfiram na liberdade alheia pessoas dogmáticas que morram à sua boa vontade pelas suas nobres causas. O mesmo não é coerente quando se trata por exemplo de menores, ou de pessoas que se encontram oprimidas por vontades externas. Deixar crianças morrer por paranóias religiosas é parte dos assuntos que podem incendiar opiniões.

    Vida ou morte, cada um que escolha consoante a sua vontade e racionalidade.

    Cumprimentos.

  21. Bruno, fez um comentário acima, cheio de belas frases, mas que ainda n explicou. Aliás, já no último comentário em que lhe fiz pergutas n respondeu.

  22. Caro Marco,

    «qualquer enciclopédia de história, lhe dirá quantas das guerras “santas” ou não santas foram travadas em nome da religião.»

    1. Essas guerras santas foram conduzidas por todas as camadas da sociedade
    2. Essas guerras santas não fazem parte da doutrina cristã: foram actos de cristãos, o que é bem diferente
    3. As pessoas que conduziram essas guerras já cá não estão: no entanto, a doutrina cristã permanece, e repito, ela não manda matar ninguém em nome de Cristo

    «Mas nem vou por aí.»

    Devia ir. Porque se não vai a fundo, os seus raciocínios não colam.

    «Pegue na sua sagrada bíblia e veja quantas referências são feitas à xenofobia, extremismo, discriminação sexual, ao incitamento à guerra contra os infiéis, entre outras coisas muito, muito boas que lá são pregadas.»

    Seria tão melhor se partíssemos de trechos em concreto. Você não especifica. Como sugere que eu o corrija nas suas afirmações? Mais uma vez, sugiro o seguinte: se o Marco não conhece a Bíblia, não vá em propaganda. Se conhece a Bíblia, dê-me casos concretos para os analisarmos.
    Sempre que falamos do que não conhecemos, estamos a veicular propaganda.

    «Nem lhe digo para ir ao antigo testamento porque dir-me-á você que, Jesus veio ao mundo para corrigir isso.»

    Eu diria que Cristo veio completar a Antiga Aliança, fazendo uma Nova. Não diria que o Antigo Testamento é mau ou está errado: note-se que a Igreja Católica sempre usou o Antigo Testamento, tanto para a sua teologia como para a sua liturgia.

    «Mas só a título de curiosidade, dê uma “vista d’olhos”.»

    Como imagina, ao longo da minha vida, tenho dado mais do que uma vista de olhos.

    «Por falar nele (JC) leia a história laica baseada em textos da altura incluindo os testamentos, se bem que tem sempre alguma interpretação pessoal do autor (que por acaso é Teólogo) “Jesus o Galileu armado” – Jose Montserrat Torrents.»

    Não conheço. Vou procurar.

    «Vai notar que talvez o homem não fosse tão santo ou divino como o fizeram mais tarde. Se quiser pode também consultar o site http://www.ateus.net e vá à secção de ebooks, exemplos não faltarão concerteza»

    Ah, claro. Vou aprender cristianismo e história da Igreja no site ateus.net.
    Que me sugere a seguir? Que aprenda história de Israel num livro nazi?

    «Se preferir uma leitura mais demorada mas bastante ilucidativa, aconselho “A desilusão de deus” – Richard Dawkins.»

    Já li. Custou-me imenso. É complicado meter tanta água num tema. Dawkins é um autor brilhante em Biologia. É um autor péssimo em Teologia ou Religião. É fácil ver que ele não estudou o tema da religião com o mesmo afinco com que estuda biologia, o que é pena.

    «Se se considera católico ignorante, isso são questões pessoais suas e se quiser, o que não falta por aí são psicólogos que o ajudarão a ultrapassar esse sentimento de inferioridade que nutre por si próprio.»

    Note que isso é muito relativo. Eu não me sinto particularmente inferior. Aliás, a minha fé cristã dá-me a satisfação intelectual que só a exigência de verdade pode dar a alguém desejoso de compreender a realidade. O que tenho é a noção dos meus limites.

    Cumprimentos,

    Bernardo

  23. Olá Bruno!

    Tudo bem?

    «Caro Bernardo, começou a sua festa sozinho com a seguinte pergunta:»

    Ui… Tenho formas mais normais de festejar…

    «Espera retóricas elaboradas em crendices ou simplesmente percebe o que os seus fantasmas lhe dizem?»

    Espero clareza de ideias e de linguagem. Pode ser?

    «Falou-se no espectro particular do suicídio assistido, não noutro qualquer contexto, logo a sua descontextualização é em si mesmo descontextualizada. Mas se prefere algo mais abrangente eu forneço-lhe essa abrangência. O maior dono da vida Humana é o próprio. O indivíduo.»

    Porque razão diz isso?
    Foi o indivíduo que se fez a si mesmo? Ou seja, cada um de nós deu à sua chave de ignição?

    Mas não vamos longe, para isto se manter simples.
    Para já, dou de graça ao Bruno que nós somos donos de nós mesmos. Ora, o suicídio é a suprema estupidez. Porquê? Porque se tirarmos a nossa vida deixamos de existir. Se eu tirar um braço, continuo eu. Se tirar um olho, continuo eu. Se eu tirar a minha vida, deixa de existir dono dessa vida. Compreende o absurdo?

    Se eu administro vários bens, posso dispor deles: deitá-los fora, se quiser.
    Ora se o administrador deita fora o próprio administrador, o que fica?

    Eu acho esta defesa do suicídio o grau supremo da irrazoabilidade, o fruto último da perda da razão.
    Chesterton dizia que os ateus iluminados, na ânsia de arrancarem a mitra da cabeça do Homem, arrancaram também a cabeça. É o que se constata.
    O ateu iluminado quer tanto uma liberdade à revelia de Deus que até a quer manifestar na auto-destruição.

    É a suprema rebelião do filho contestatário: “se não fazes a minha vontade, mato-me”. Bela solução…

    «ninguém é dono da vida de ninguém»

    Se concorda com o desfecho do caso Eluana, o Bruno tem que admitir que o pai de Eluana e o Tribunal foram donos da vida da própria, decidindo que ela morreria.

    Quem tiver vontade de finalizar a sua vida em plena consciência dos actos que o faça»

    O Bruno teima em não ver a realidade olhos nos olhos: responda-me: porque razão alguém quereria “finalizar” a sua vida? Já agora, em vez de “finalizar”, que é um belo jargão moderno, eu sugiro um ainda mais moderno e mais fresco: que tal “interromper voluntariamente” a sua vida? Está bem mais na moda!

    «Quem se decidir pelo suicídio em plena racionalidade e consciência que o faça»

    Bruno: esta frase acima é impossível. Decidir pelo suicídio em plena racionalidade é impossível. O suicídio é irracional, porque destrói o administrador da razão. Qual é a razoabilidade de matar o ser racional? Que ser racional se mataria, dizendo que isso era razoável?
    Entende o que quero dizer?
    Vou tentar explicar de outra forma.

    Imagine que eu faço um programa de computador. Esse programa seria razoável se fosse capaz de se auto-destruir? O primeiro pilar da consistência racional consiste em proteger o ser racional. O primeiro instinto dos seres vivos, mesmo dos irracionais, está em salvaguardar a própria vida. Com mais razão ainda, o ser humano, que é racional (o que tenta sê-lo!), nunca pode racionalmente optar por se auto-destruir, pois isso é a implosão da razão. Nunca nenhum raciocínio coerente pode conduzir, num cérebro humano, à opção pelo suicídio. É a suprema asneira. É a suprema imbecilidade. É um ultraje à razão humana.

    «O suicídio é a única cura para todos os males.»

    Ora aí está a frase na qual o Bruno se dá a conhecer como puro espírito niilista e anárquico. A solução para todos os problemas é uma pistola, idealmente apontada à nossa cabeça. Então porque não premir o gatilho?

    Ah, Razão, Razão, por onde andas?

  24. “Vida ou morte, cada um que escolha consoante a sua vontade e racionalidade.”

    Embora os textos do Bruno não terem ponta por onde se lhe pegue, esta frase mostra a sua auto-louvável “coerência”.

    Bruno, primeiro que tudo, a vida e a morte não são escolhas. Sim, não são escolhas, livra-te lá da tua utopia, porque nunca ninguém será “livre” para ser senhor da vida e da morte (mesmo das suas) e para se auto-destruir. Assim, como não te auto-criaste, não te podes auto-destruir, porque tu não és teu. Não foste tu que te adquiriste.

    Segundo, ninguém quer a morte na sua racionalidade. Se se decide por termo à vida, esta nunca é uma decisão racional, por muito tempo e por muito bem planeado que seja este acto.

    Terceiro, no texto em causa, nbem sequer foi a jovem que pediu para morrer. Simplesmente mataram-na á fome e à sede. Em nome da “dignidade” (estranha, essa dignidade) da pessoa. Incompreensível.

    Enfim, todo um discurso distorcido, cheio de prepotência, perfumado com eufemismos de liberdade. Palavras giras, que lavam o cérebro a muitos.

    E posto isto, o irracional aqui já nem sei quem é…

  25. Em que te fundamentas para dizer o seguinte: “Se se decide por termo à vida, esta nunca é uma decisão racional, por muito tempo e por muito bem planeado que seja este acto.” Porque razão não poderá ser uma decisão racional?

    Uma coisa bem diferente será procurar saber se foi um bom ou mau argumento racional…

    Dizes que “tu não és teu”… então é de quem? Uma outra pessoa pode possuir-me, fazer de mim um objecto para o eu não ser meu? Mas será isto certo?

    Sabes o que é a “Distanasia”? será que é o mesmo que “eutanásia”?

    Será racional prolongar a vida a todo o custo e a toda a força quando já não é possivel para a pessoa ter uma qualidade mínima de vida?
    Quando poderemos declarar uma pessoa morta? Se nunca se desligarem as máquinas a pessoa que tiver ligada a elas terá uma vida eterna, mas será sequer que tem vida?

    Isto não é assim tão simples!

  26. Por acaso falas com alguém que lida diariamente com estes termos e sei perfeitamente o q cada uma desses conceitos quer dizer.

    O que tu falas é a obstinação terapêutica, ou seja, “certas intervenções médicas já inadequadas à situação real do doente, porque não proporcionadas aos resultados que se poderiam esperar ou ainda porque demasiado gravosas para ele e para a sua família.” (da Encíclica Evangelium Vitae).

    E ela continua: “Nestas situações, quando a morte se anuncia iminente e inevitável, pode-se em consciência «renunciar a tratamentos que dariam somente um prolongamento precário e penoso da vida, sem, contudo, interromper os cuidados normais devidos ao doente em casos semelhantes«”. Mas para isto é necessário uma avaliação rigorosíssima da equipa médica, pois não é fácil fazer o contra-balanço entre o prolongamento da agonia o acelerar da morte. Não é fácil!

    No entanto, oponho-me firmemente ao homicídio de doentes terminais (mesmo quando é da sua vontade), em nome da “dignidade” da pessoa e do “direito de morrer”. Assim como me oponho firmemente contra todas as decisões que destruam ou ponham em causa a vida humana.

  27. Concordo contigo João,

    E talvez uma das melhores soluções são os cuidados paliativos.

  28. Claro.. Só por curiosidade, trabalho numa e lido diariamente com essas situações ;)

  29. De facto deve ser uma experiência humanamente enriquecedora.
    Como afirma Lévinas, nós temos a responsabilidade infinita de não deixar o outro morrer sozinho e na solidão…

  30. Precisamente… É coisa com a qual nunca me deixei de preocupar, mesmo enquanto aluno. Não deixar ninguém morrer sozinho, num quarto escuro, alegando “deixar morrer em paz”. Repudia-me esse pensamento! Dar o máximo de conforto, físico e psicológico (e porque não espiritual) são as minhas principais prioridades… Não concebo a ideia de, em nome do não-sofrimento, provocar um mal maior: a morte. Sei que para muitos, esse será o remédio para os males dos doentes terminais e eles têm o direito de não sofrer. Apesar da minha (ainda) curta experiência profissionalm sei que há tantas e tantas maneiras de minimizar o sofrimento humano! Sem perder um pingo da dignidade, pois essa dignidade também se engrandece quando o sofrimento é vivido como uma experiência enriquecedora… Mas é apenas a minha opinião..

    Abraços

  31. João C,

    Morrer em paz não é o mesmo do que morrer sozinho e às escuras. Até pode ser o oposto.

    Nem toda a gente valoriza o sofrimento (arrisco-me a dizer que quase todos o tentarão evitar, a menos que sejam masoquistas). E quando o sofrimento não é uma “experiência enriquecedora”? É necessário obrigar toda a gente a sofrer, mesmo contra a sua vontade (para os casos de doentes terminais)? Quem quer engrandecer a sua dignidade com o sofrimento tem todo o direito, mas que deixe os outros decidir o que querem para a sua vida (neste caso, a morte).

  32. Rui, de facto morrer em paz não é o mesmo que morrer sozinho e às escuras. Concordo.

    Nem toda a gente valoriza o sofrimento e é lógico e racional que se evite o mesmo. Mas quando é impossível evitá-lo, ele deve ser minimizado. Ninguém gosta de sofrer. Niguém quer sofrer. Mas quase sempre quando há uma manifesta vontade de morrer, no fundo é com o sofrimento que se quer acabar, não com a vida em si. Num momento de desespero, de fraqueza, em que se experimenta um sentimento de impotência face ao sofrimento, diz-se “quero morrer!”. Porque se vê aí uma cura para maior dos males. Mas a morte não é a solução. Pode parecer a solução para o sofrimento exacerbado que se sente. No entanto, ninguém tem o direito de acabar com a vida de outro, mesmo a pedido. O alívio da dor física, o bem-estar psicológico, a diminuição da ansiedade e dos medos é o melhor caminho, a meu ver, para lidar com os doentes terminais. Mesmo inconscientes. Tantas investigações a ser realizadas no sentido de minimizar o sofrimento (não só dos doentes, mas também das famílias!).

    A morte chega a todos, a seu tempo. Como diz o povo “cada um na sua vez”.

  33. Na prática, acabar com a vida acaba por ser a única solução para algumas pessoas.

    Não se consegue acabar com a dor em absoluto, seja física, seja psicológica. A uma pessoa que perdeu a vontade de viver e que chega a um estado irreversível, que só pode piorar, deve ser dado a opção de morrer. E não esqueçamos que em muitos casos a situação é arrastada durante muito tempo, às vezes décadas, pelo que não me parece uma decisão precipitada mas sim de plena consciência.

  34. Rui,

    “Na prática, acabar com a vida acaba por ser a única solução para algumas pessoas.”

    Acabar com a vida nunca é solução. Que solução se tem quando se acaba com uma vida?

    “Não se consegue acabar com a dor em absoluto, seja física, seja psicológica.”

    Não se consegue fazer muita coisa em absoluto e acabar com a dor é uma delas. Temos de apredender a viver com as limitações que temos e não arranjando uma falsa saída para esses problemas e limitações. Mata-se e pronto, problema resolvido…

    Prestar o máximo de apoio e conforto físico, psicológico, espiritual, moral… E este máximo apoio não termina com o assassínio de alguem em fase terminal, em nome de uma “boa morte”, “um acot de misericórdia, “dignidade humana”. Há alguma dignidade matar um ser humano inocente, mesmo a pedido e mesmo com a intenção de não o fazer sofrer? Se não fosse para sofrer, nem sequer teríamos nascido. Vai contra toda a natureza humana matar alguém apenas “porque sim”, alegando os eufemismos que descrevi atrás. Em vez de se apostar numa formação especializada para lidar com doentes paliativos e respectivas famílias, usa-se a escapadela dos países “desenvolvidos”. Invocar “direitos humanos” para uma “morte digna”.. Vergonhosos e incoerente. Não há direitos para quem está morto. Logo, os direitos humanos só se aplicam aos vivos. Invocar “direitos humanos” para promover a cultura da morte e o assassinato, seja de embriões, seja de velhinhos de 90 anos é inconcebível. Como profissional de saúde, e acima de tudo como pessoa humana, é assim que penso.

    “A uma pessoa que perdeu a vontade de viver e que chega a um estado irreversível, que só pode piorar, deve ser dado a opção de morrer.”

    Não há opção de morte. Como é possível escolher entre a vida e a morte? Muitos o podem verbalizar, mas ninguém quer morrer. Apenas sofrer menos e, se possível, não sofrer. A estes doentes, deve, sim, ser dado todo o conforto, auxílio, toda a atenção, mas nunca a opção de morrer. Não está nas mãos do Homem o dia da vida e da morte. Assim como não programamos nascer, não podemos programar morrer e muito menos colaborar para o assassínio de alguém, mesmo ás portas da morte. Isso sim, é ser digno do ser humano.

    Ninguém em plena consciência deseja morrer. Muito menos esta jovem. Muito se diz sobre o que ela diria ou o que ela escolheria se adivinhasse a situação em que se viria a encontrar. Mesmo que ela decidisse morrer, não é lícito a ninguém matá-la, nem á família, nem aos profissionais de saúde.

    Enfim, um assassínio aplaudido por muitos e do qual muitos se orgulham. Triste e vergonhosamente.

  35. o igreja contesta desligar as maquinas, porem no meu ponto de vista há um contradicao. se deus achar que a garota nao deve morrer ao dsliga as maquias ela sobrivivera, afinal as maquinas estao burlando o caminho natural de DEUS

  36. Alexandre, o que está aqui em causa não é o “desligar uma máquina”. Não há administração de terapêutica inutilmente nem manutenção de vida artificialmente. O que está em causa é o assassínio de uma pessoa por desnutrição e desidratação. E fala-se de “direitos humanos” para matar alguém, quando se desrespeita o direito (básico) a uma necessidade (básica), que é a alimentação…

  37. Mais uma vez infelizmente a banalização da vida humana ganha pontos…
    Essa ideia de matar por piedade ou de morrer com dignidade é um dos conceitos mais absurdos do mundo moderno.

    Na verdade a eutanásia é apenas um dos muitos conceitos hoje em dia que se querem implementar para fujir-mos às nossas responsabilidades para com os nossos doentes e enfermos.

  38. Olá João C,

    “Acabar com a vida nunca é solução. Que solução se tem quando se acaba com uma vida?”

    Vale mais a pena obrigar as pessoas a sofrer até ao fim? E se é a única solução que as pessoas vêem, independentemente da boa vontade alheia?

    “Não se consegue fazer muita coisa em absoluto e acabar com a dor é uma delas. Temos de apredender a viver com as limitações que temos e não arranjando uma falsa saída para esses problemas e limitações. Mata-se e pronto, problema resolvido…”

    Quando a vida passa apenas a ser uma dor permanente (física e psicológica) acaba tudo para algumas pessoas, mesmo que as limitações e dor sejam atenuadas. “Aprender a viver” parece-me algo imposto contra a vontade das pessoas. E se elas já estão fartas de aprender a viver ou continuam a “chumbar de ano”?
    Tentar impor toda aquela máxima católica do sofrimento como virtude soa a masoquismo puro (ou melhor, sadismo). Os mais devotos ou os mais masoquistas que façam o que bem entenderem, mas deixem as outras pessoas em paz.

    “Prestar o máximo de apoio e conforto físico, psicológico, espiritual, moral… E este máximo apoio não termina com o assassínio de alguem em fase terminal, em nome de uma “boa morte”, “um acot de misericórdia, “dignidade humana”. Há alguma dignidade matar um ser humano inocente, mesmo a pedido e mesmo com a intenção de não o fazer sofrer? Se não fosse para sofrer, nem sequer teríamos nascido. Vai contra toda a natureza humana matar alguém apenas “porque sim”, alegando os eufemismos que descrevi atrás. Em vez de se apostar numa formação especializada para lidar com doentes paliativos e respectivas famílias, usa-se a escapadela dos países “desenvolvidos”. Invocar “direitos humanos” para uma “morte digna”.. Vergonhosos e incoerente. Não há direitos para quem está morto. Logo, os direitos humanos só se aplicam aos vivos. Invocar “direitos humanos” para promover a cultura da morte e o assassinato, seja de embriões, seja de velhinhos de 90 anos é inconcebível. Como profissional de saúde, e acima de tudo como pessoa humana, é assim que penso.”

    Não chame assassinato (apesar de poder ser algo subjectiva a definição). Vai-me dizer que toda a gente que é assassinada um pouco por todo o mundo pediu para ser morta? E se esse apoio não for suficiente ou se as pessoas, em plena consciência não querem continuar a viver daquela maneira? Acha que as pessoas querem continuar a sofrer e a ser um fardo para os outros? Se viver é sofrer, aqui aplica-se mais “ir sobrevivendo a sofrer”.

    “Não há opção de morte. Como é possível escolher entre a vida e a morte? Muitos o podem verbalizar, mas ninguém quer morrer. Apenas sofrer menos e, se possível, não sofrer. A estes doentes, deve, sim, ser dado todo o conforto, auxílio, toda a atenção, mas nunca a opção de morrer. Não está nas mãos do Homem o dia da vida e da morte. Assim como não programamos nascer, não podemos programar morrer e muito menos colaborar para o assassínio de alguém, mesmo ás portas da morte. Isso sim, é ser digno do ser humano.”

    Se acha que apenas está nas mãos de Deus o dia da morte como é que acha que se sentem as pessoas que não partilham da sua opinião?

    “Ninguém em plena consciência deseja morrer. Muito menos esta jovem. Muito se diz sobre o que ela diria ou o que ela escolheria se adivinhasse a situação em que se viria a encontrar. Mesmo que ela decidisse morrer, não é lícito a ninguém matá-la, nem á família, nem aos profissionais de saúde.”

    O instinto de sobrevivência é comum a todos os seres. A rapariga enquanto viva manifestou essa vontade de morrer caso se encontrasse num estado vegetativo. Neste caso nem se trata de a matar, mas sim a cessação da alimentação que a vai mantendo viva. Conceitos que não são exactamente iguais.

    Claro que cada cidadão até pode manifestar formalmente a sua vontade ou não de continuar com o coração a bater em caso de morte cerebral. E se uma lei destas for para a frente será uma opção a ter em conta.

    Lembro que a igreja diz que uma pessoa está viva enquanto o coração bater, não para o centro de tudo que é o cérebro. Gente em estado vegetativo terão o corpo vivo, mas o que chamam “alma” já pereceu há muito tempo…

    José,

    Não creio que as pessoas invoquem a eutanásia para fugirem à responsabilidade de cuidar dos “doentes e enfermos”. Para isso já chegam os abandonos sazonais nas urgências dos hospitais. E não me parece que os idosos em causa peçam para serem deixados à porta das urgências.

  39. Caro Rui

    A verdade é que é isso mesmo que acontece (fuga das responsabilidades) e cada vez mais à medida que a medicina evolui e teremos cada vez mais doentes crónicos e com necessidades especificas com os quais não queremos perder o nosso tempo…

    Se a eutanásia for aceite ela acabará sempre por se tornar uma imposição da sociedade para com os mais vulneráveis (o que se passa na holanda com eutanásias realizadas a torto e a direito prova isso mesmo, que não podemos delimitar de forma rigorosa em termos legais quando é que é lícito matar uma pessoa..).

    E é muito fácil uma pessoa aproveitar-se dessa vulnerabilidade de quem sofre e convence-la a morrer já não é tão fácil ter de dedicar o nosso tempo e abdicar do nosso bem estar e prazer em favor de quem precisa de nós e às vezes uma palavra de conforto faz mais do que os tratamentos em si mas claro isto exige tempo que não temos…

    A sua ultima frase no seu artigo dizendo que a vida dessa muher acabou em 1992 ilustra essa visão do relativismo moral que suporta a defesa da eutanásia.

    É uma visão da vida numa prespectiva de intresses se a vida não é produtiva e não proporciona todo o prazer não merece ser vivida é a ideia de que o sofrimento é algo de indigno de feio algo que deve ser eliminado e afastado algo com o qual não devemos conviver, como se a morte e o sofrimento não acompanham o ser humano desde sempre…

    A eutanásia é isso mesmo furtar-nos à dor alheia e à responsabilidade social para com quem sofre pois nada pode interromper a nossa realização pessoal.

    Claro que um dia também seremos todos velhos e débeis e colheremos o que hoje semeamos…

    Cumprimentos

  40. José,

    Uma lei como esta terá de ter mecanismos de defesa para os afectados, como uma declaração em vida de como querem ser “desligados” em caso de morte cerebral. Claro que casos como esses serão possíveis, mas não me parece que haja assim tanta gente maléfica a esse ponto.

    E o interesse dela era mesmo ser desligada em caso de coma/estado vegetativo. Eu não quereria ser um fardo para ninguém, tal como ela não o quis. Não interessa o factor produtivo da vida mas a vontade e a auto-determinação das pessoas.

    A vida dela acabou em 92. Nunca mais voltaria a ser a mesma. E morreu hoje…

  41. Rui

    Tais mecanismos de defesa nunca poderiam na minha opinião ser implementados há simplesmente muitas questões que a eutanásia coloca a que a lei podia não dar resposta por mais qualidade que tivesse tal projecto-lei.

    Podia pôr aqui n exemplos mas um dos mais óbvios é este: Como é que o Legislador definine claramente quais são as circunstãncias que qualificam uma pessoa para o direito a pedir ou não eutanásia?

    Um dos argumentos dos defensores da prática é de que esta é um meio de abreviar o sofrimento tudo bem mas em termos legais agora é que a porca torce o rabo por exemplo se duas pessoas com cancro em fase terminal tiverem um nivel de dor similar como é que a lei define claramente o direito à morte de uma em deterimento de outra?

    Outra situação: suponhamos agora que uma dessas pessoas entrava em coma e a outra não, se a eutanásia fosse como defendem a maioria dos seus apoiantes um acto médico com que argumento se matava a pessoa consiente e se negava o mesmo à pessoa inconsiente? Apenas a expresão da vontade?

    O problema é que a partir do momento em que admitimos que ao matar uma pessoa estamos a fazer algo de bom por ela não nenhuma justificação moral isto na minha opinião para negar-mos esse mesmo “bem” a quem se encontra em situação similar apenas porque não se pode pronunciar…

    Cumprimentos

  42. José,

    Não é a questão de ser algo de bom para a pessoa para o caso dos conscientes. É a sua auto-determinação em não querer continuar a viver naquelas condições. Não se elimina uma pessoa que não o quer.

    Mas quando o manifestam a coisa é diferente.
    A lei pode ser baseada na expressão de vontade do paciente quando sofre de uma determinada patologia crónica ou irreversível.

    Cumprimentos

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