O meu Deus (II)

(Continuação do texto do nosso leitor António. Nesta parte, debruça-se sobre os exemplos históricos que demonstram que crença e racionalidade nem sempre andam de costas voltadas. Ler primeira parte)

Einstein, contudo, descreve este Sentimento, de forma que reputo eloquente, ao dizer:

“Todos podem atingir a religião num último grau, raramente acessível em sua pureza total. Dou a isto o nome de religiosidade cósmica; mas não posso falar dela com facilidade, já que se trata de uma noção muito nova à qual não corresponde conceito algum de um Deus antropomórfico. Notam-se exemplos desta religião cósmica nos primeiros momentos da evolução em alguns salmos de David ou em alguns profetas. Em grau infinitamente mais elevado, o Budismo organiza os dados do cosmos… Ora, os génios religiosos de todos os tempos distinguiram-se por esta religiosidade ante o cosmos. Ela não tem dogmas nem um Deus concebido à imagem do homem, portanto nenhuma Igreja ensina a religião cósmica. Tenho também a impressão de que os hereges de todos os tempos da história humana se nutriam com esta forma superior de religião. Contudo, os seus contemporâneos muitas vezes os tinham por suspeitos de ateísmo, e às vezes, também, de santidade. Considerados deste ponto de vista, homens como Demócrito, Francisco de Assis e Espinosa assemelham-se profundamente”

O conceito monoteísta de Deus, como Criador do Universo, instalou-se na Humanidade, desde tempos imemoriais. No Egipto, cerca de 1.300 a.c., o faraó Akhenaton instituiu uma religião de cunho monoteísta, sendo-lhe atribuída a autoria de vários hinos a Aton, dos quais se destaca o Grande Hino, onde reverencia a existência de um Deus único:

“Quão numerosas são as tuas obras!
Apesar de ocultas à vista, ó Deus Único ao lado do qual não há outro!
Tu criaste a terra ao teu desejo, quando tu estavas só,
Com os homens, as manadas, e as revoadas dos pássaros.
Tudo o que há sobre a terra e anda sobre seus pés,
Tudo aquilo que está no céu e que voa sobre suas asas.”

Um dos mais brilhantes pensadores da Antiguidade, o matemático e filósofo Pitágoras, crente na ideia de reencarnação e na imortalidade da alma, foi também monoteísta, sendo-lhe atribuído o seguinte pensamento:

“A melhor maneira que o homem dispõe para se aperfeiçoar, é aproximar-se de Deus. A Evolução é a Lei da Vida, o Número é a Lei do Universo, a Unidade é a Lei de Deus.”

Um incontável número de personalidades, do maior relevo na História da Humanidade, nos mais diversos domínios da Ciência, da Arte, da Cultura, foram teístas. Neste número indeterminado, também Einstein figura como crente monoteísta, embora na sua particular concepção pananteísta:

“Eu quero saber como Deus criou este mundo. Não estou interessado neste ou naquele fenómeno, no espectro deste ou daquele elemento. Eu quero conhecer os pensamentos Dele. O resto são detalhes.”

A História da Humanidade está, pois, repleta de expoentes superiores da Inteligência e da Racionalidade que foram e são teístas e não vejo como a Teoria Evolucionista se oponha intrinsecamente à existência de um Princípio Absoluto da Origem do Universo. Não conheço ninguém que perca o seu precioso tempo existencial a ocupar-se filosoficamente da indagação sobre “grendelskals” ou elefantes com 365 patas.
Mas não teria tempo para enumerar todas as grandes personalidades da Humanidade que incorporam logicamente Deus na Origem do Universo e da Vida. Porque será ?…

(continua)

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