Patto com laranja

Este é um texto de um tal Pedro Vaz Patto e que se pode encontrar no sítio da Agência Ecclesia.

“A propósito de várias questões controversas, é frequente ouvir pôr em causa a legitimidade ou a oportunidade de tomadas de posição da Igreja em questões de política legislativa.

(…)

A Igreja (a hierarquia e os leigos) tem, no entanto, o dever de se pronunciar sempre que a política legislativa envolva opções de alcance e relevância éticos (não, pois, quanto a questões de ordem técnica). E deve fazê-lo à luz da sua doutrina social.

(…)

Não se trata de pretender impor, em qualquer dos âmbitos, uma visão especificamente cristã numa sociedade pluralista. Trata-se de propor caminhos que conduzam à realização do bem comum (o bem de crentes e não crentes), à luz da razão e da lei natural, aquela lei inscrita no coração humano, independentemente de qualquer fé religiosa. Não estão em jogo opções morais de alcance puramente individual, mas de alcance social, que envolvem a tutela dos direitos de outrem. É o que sucede com o aborto, que atinge o mais elementar dos direitos de outrem.

No que se refere ao ordenamento jurídico da família, também não é a imposição de uma concepção especificamente católica que está em causa. Também aqui releva a consideração do bem comum. Foi Tony Blair quem disse, num congresso do Labour Party, que «uma Nação que pretenda ser forte não pode ser neutral em relação à família (…)”.

Ver aqui.

Vamos novamente ver quais as argumentações dos defensores das religões organizadas, neste caso, do catolicismo.

A igreja tem o “dever” de se pronunciar. Não há aqui qualquer espécie de contenção verbal ou mesmo filosofica. Não, a “igreja tem o dever”. O que significa que a validade ou a importância da sua “pronunciação” de pouco interessa. O que interessa é que tem o dever de se pronunciar.

E “não se trata de pretender impor uma visão especificamente cristã”. Pois… mas não diz o mesmo escriba que as pronunciações da igreja serão à luz da sua doutrina social”?

E que bonita a frase “Trata-se de propor caminhos que conduzam à realização do bem comum (o bem de crentes e não crentes), à luz da razão e da lei natural, aquela lei inscrita no coração humano” e que é ao mesmo tempo totalmente hipócrita e vazia de concórdia. O bem comum é o “bem comum” que a igreja defende, e não o resultado de um debate alargado entre crentes e não crentes. E cada vez que os religiosos utilizarem o argumento da “lei natural” só mostram mais uma vez o ridículo e a falácia dos seus argumentos, e que faz exactamente os não crentes duvidarem da certeza e da validade das suas posições.

E porque? Vejam o que o senhor diz a seguir.

“É o que sucede com o aborto, que atinge o mais elementar dos direitos de outrem.” De outrem? Quem? Qual outrem? Do “ser humano, completo e com alma” que as vossas cabecinhas continuam a imaginar que é um embrião sem um sistema nervoso completo? Esse é mais um exemplo da “lei natural” que dizem ser importante para a tomada de decisões a este nível?

E claro, a referência pouco surpreendente à recente figura pública que é agora parte do “grupo dos salvos”. Agora o que o Blair diz já interessa como um “pronunciar” de ideias valiosas. Enquanto o senhor “jogava por outras equipas” já não dizia nada de tão interessante. Certo?

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