Este é um texto de um tal Pedro Vaz Patto e que se pode encontrar no sítio da Agência Ecclesia.
“A propósito de várias questões controversas, é frequente ouvir pôr em causa a legitimidade ou a oportunidade de tomadas de posição da Igreja em questões de política legislativa.
(…)
A Igreja (a hierarquia e os leigos) tem, no entanto, o dever de se pronunciar sempre que a política legislativa envolva opções de alcance e relevância éticos (não, pois, quanto a questões de ordem técnica). E deve fazê-lo à luz da sua doutrina social.
(…)
Não se trata de pretender impor, em qualquer dos âmbitos, uma visão especificamente cristã numa sociedade pluralista. Trata-se de propor caminhos que conduzam à realização do bem comum (o bem de crentes e não crentes), à luz da razão e da lei natural, aquela lei inscrita no coração humano, independentemente de qualquer fé religiosa. Não estão em jogo opções morais de alcance puramente individual, mas de alcance social, que envolvem a tutela dos direitos de outrem. É o que sucede com o aborto, que atinge o mais elementar dos direitos de outrem.
No que se refere ao ordenamento jurídico da família, também não é a imposição de uma concepção especificamente católica que está em causa. Também aqui releva a consideração do bem comum. Foi Tony Blair quem disse, num congresso do Labour Party, que «uma Nação que pretenda ser forte não pode ser neutral em relação à família (…)”.
Ver aqui.
Vamos novamente ver quais as argumentações dos defensores das religões organizadas, neste caso, do catolicismo.
A igreja tem o “dever” de se pronunciar. Não há aqui qualquer espécie de contenção verbal ou mesmo filosofica. Não, a “igreja tem o dever”. O que significa que a validade ou a importância da sua “pronunciação” de pouco interessa. O que interessa é que tem o dever de se pronunciar.
E “não se trata de pretender impor uma visão especificamente cristã”. Pois… mas não diz o mesmo escriba que as pronunciações da igreja serão à luz da sua doutrina social”?
E que bonita a frase “Trata-se de propor caminhos que conduzam à realização do bem comum (o bem de crentes e não crentes), à luz da razão e da lei natural, aquela lei inscrita no coração humano” e que é ao mesmo tempo totalmente hipócrita e vazia de concórdia. O bem comum é o “bem comum” que a igreja defende, e não o resultado de um debate alargado entre crentes e não crentes. E cada vez que os religiosos utilizarem o argumento da “lei natural” só mostram mais uma vez o ridículo e a falácia dos seus argumentos, e que faz exactamente os não crentes duvidarem da certeza e da validade das suas posições.
E porque? Vejam o que o senhor diz a seguir.
“É o que sucede com o aborto, que atinge o mais elementar dos direitos de outrem.” De outrem? Quem? Qual outrem? Do “ser humano, completo e com alma” que as vossas cabecinhas continuam a imaginar que é um embrião sem um sistema nervoso completo? Esse é mais um exemplo da “lei natural” que dizem ser importante para a tomada de decisões a este nível?
E claro, a referência pouco surpreendente à recente figura pública que é agora parte do “grupo dos salvos”. Agora o que o Blair diz já interessa como um “pronunciar” de ideias valiosas. Enquanto o senhor “jogava por outras equipas” já não dizia nada de tão interessante. Certo?
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Caro Ricardo,
Permita-me apontar uma fragilidade no seu raciocínio, aparentemente legitimador do aborto:
«Do “ser humano, completo e com alma” que as vossas cabecinhas continuam a imaginar que é um embrião sem um sistema nervoso completo? Esse é mais um exemplo da “lei natural” que dizem ser importante para a tomada de decisões a este nível?»
Discussões de alma à parte (porque me parecem desnecessárias), custa-me a entender a relevância do desenvolvimento neurológico para a questão do direito a viver.
Eu sempre achei que o ser humano tinha direito a viver. Penso que o Ricardo não o nega.
No entanto, pasmo-me quando vejo defensores do direito ao aborto recorrer a esta questão do desenvolvimento embrionário: será que o Ricardo supõe que esse sistema neurológico surge por magia?
Tenho a certeza que não. Tenho a certeza de que o Ricardo não gosta de “magia” em processos naturais e científicos, pelo que eu me atreveria a dizer que o Ricardo confia no genoma humano para o desenvolvimento neurológico.
Logo, a causa desse mesmo desenvolvimento é genética. Tudo o que é preciso está no genoma. O que é que queremos proteger? O ser humano, ou apenas uma fase do seu desenvolvimento?
Sem qualquer insulto ou desrespeito, eu acho muito triste que se feche os olhos á biologia elementar, à genética, aos avanços da ciência, e se tente entrar em sofismas estranhos, invocando desenvolvimentos neurológicos para procurar arrastar a fronteira do direito à vida para um momento artificial, quase mágico, algures a meio do desenvolvimento embriológico (já agora, quando?), só porque isso dá jeito para abortar aquelas gravidezes que não se planearam…
É inegável que dá jeito a muita gente poder abortar. Isso não torna o aborto num acto lícito.
É que, desde a fertilização, não existe qualquer fronteira, qualquer momento mágico, no qual um ser humano ganhe o direito à vida. Quando, Ricardo, quando é que lhe sai essa lotaria? Quando é que um ser humano em desenvolvimento está a salvo de ser morto?
É duro, muito duro, ter que ser coerente com o erro do aborto: abortar é sempre um erro, porque matar um ser humano é sempre um erro. O sistema nervoso é muito importante para um ser humano, mas não aparece por magia. Não é lícito abortar antes de o sistema nervoso estar totalmente desenvolvido, porque qualquer cientista lhe sabe dizer que o sistema nervoso já lá está, codificado nos genes, e que nada de mágico é adicionado ao embrião, a meio do processo, para que ele adquria um cérebro, um cerebelo e uma espinal medula!
O sistema nervoso, e tudo o que constitui um ser humano, está contido nesses 26 + 26 cromossomas. Não proteger isto, não ver nisto um ser humano, é um erro crasso, cuja consequência está na morte ilícita de seres humanos inocentes.
Um abraço
Bernardo
Olá Bernardo
Concordo que um embrião já é um ser humano quer tenha sistema nervoso desenvolvido ou não, o seu direito à vida é inegável. Como pai, nunca imaginei a vida sem as minhas filhas e já me considerava como pai delas ainda a minha esposa estava grávida, acho que qualquer pai ou qualquer mãe sente isso pelos seus filhos muito precocemente. Mas imagine agora uma mãe que não vai poder dar a melhor vida possível aos seus filhos e, por consequência, resolve não os ter. Acha que ele toma essa decisão de ânimo leve? Não é dever do estado apoiar uma interrupção involuntária da gravidez (IVG) a uma mulher que a vai fazer de qualquer maneira, de uma forma clandestina, com graves riscos para a sua saúde ou mesmo para a sua vida? O estado deverá ter, antes de mais o papel de conselheiro, designar apoio psicológico e social para evitar essa perda, caso a mulher seja irredutível, deverá zelar pela sua saúde e bem estar e promover a IVG em ambiente controlado.
A igreja não aceita este ponto de vísta acabando assim por promover o enriquecimento de parteiras e a morte de mulhres que se viram discriminadas pela sociedade.
Olá Bernardo
Obrigado pela cordialidade do seu comentário. Permita-me algumas respostas.
Primeiro o meu artigo não tinha como seu fundamento a questão das IVG, mas sim da “validade” que a igreja dá a si mesma para achar que tem o “dever” de se pronunciar sobre o que quer que seja que se encontre no âmbito das “questões éticas”.
Mas que está a falar nesse assunto em particular, não me escudo de (re)iniciar consigo uma das nossas tertúlias e que tanto me dão gosto ter.
1. Quem lhe disse que eu sou defensor da IVG? De facto, moralmente não sou a favor de haver essa opção, mas não por questões religiosas: tendo para uma oposição por questões sociais, e principalmente de responsabilidade pessoal. Se existe a informação de como evitar uma gravidez, e alguém prefere ignorar essa informação, e de uma forma irresponsável correr o risco de acontecer, incomoda-me que essas pessoas tenham uma forma “simples” de sair dessa situação, ainda mais porque não há nada de simples nesse procedimento, que pode acarretar imensos problemas biológicos e fisiológicos para a mulher. Mas por outro lado, como sempre haverá gente irresponsável, e exactamente por causa desses problemas que mencionei, antes as IGV serem feitas em locais com qualidade, do que no vão de uma escada.
2. Se é por genética, toda as células no corpo humano têm a capacidade de serem potenciais seres humanos. Basta uma manipulação laboratorial, e tem um ser humano se quiser. Como tal, o argumento da “carga genética” que se encontra num blastocisto não chega, para mim, para justificação para tal histeria que é um ser humano em potencial (quando não é que vemos os religiosos a dizer que já é um ser humano “completo”).
3. Um embrião nas primeiras semanas de formação visto já como um “ser humano” é paranóia religiosa. São um conjunto de células que se estão a diferenciar, como muitas outras no corpo humano que fazem o mesmo. É um complexo orgânico que pode não se concretizar durante esse período, desagregando-se. É um fenómeno biológico que acontece de uma forma automática mas sem qualquer pressuposto que não seja a da informação codificada. Em suma, é um conjunto de divisões mioticas que nada tem de extraordinário quando se olha para a natureza num todo.
4. Concordo com o Bernardo quando se fala de seres humanos. Mas também não deixo de reparar na curiosa ironia que um “ser humano” (no caso dos embriões) como aqueles que vocês defendem tem quase mais direitos que outros seres humanos que já estão totalmente formados, e que já tem toda uma vida por detrás que justifica essa humanidade. Tão preocupados que os religiosos são com o “ser humano” que é um embrião, e a necessidade de proteger essa vida, para depois, quando essa pessoa está viva e pede para ser morta, quererem lhe retirar essa humanidade. A vossa posição “dogmática” que a vida é uma dádiva de deus obscurece esta discussão e as conclusões. Não há quaisquer intervenções divinas, Bernardo, nem que dê autorização a um religioso para tentar impedir uma IGV, nem para impedir a eutanásia. A vida é o que é, um sistema biológico que teve a sorte de ser consciente.
A Igreja Católica é uma organização com milhares de fiéis. Obviamente, que tem o dever de se pronunciar na política legislativa. Caso o Ricardo não saiba a Igreja é constituída por pessoas. Qual é o problema de um grupo de pessoas manifestar a sua opinião? Que não quiser ouvir não é obrigado.
“A vida é o que é, um sistema biológico que teve a sorte de ser consciente.” Que pobreza de espírito Ricardo!… Quase que me sinto “insultado” na qualidade de pessoa humana. Não acha que a sua afirmação reduz toda a complexidade, beleza e mistérios que fazem parte da existência humana a um produto de sorte?… Uma visão muito pouco dignificante de defender a espécie… Pessoalmente, considero muito, mas muito mais irracional a ideia de sermos como somos (assim como todo o Universo) meramente pelo factor “sorte”. Já imaginou a (falta) de probabilidade de tudo ser consequência do factor sorte?…
A vida é um valor absoluto que não pode ser relativizado, quer se fale de um zigoto, de uma mórula ou de um velhinho na sua fase terminal… São fases de desenvolvimento diferentes, mas com o mesmo valor: uma vida que uma vez iniciada, na concepção, apenas é legítimo que termine a seu tempo, ou seja, naturalmente.
Caro Rodrigues,
Antes de mais, obrigado pelo seu comentário.
«Mas imagine agora uma mãe que não vai poder dar a melhor vida possível aos seus filhos e, por consequência, resolve não os ter. Acha que ele toma essa decisão de ânimo leve?»
Em muitos, muitos casos, a decisão não é tomada, certamente de ânimo leve.
Agora façamos o paralelo a outros crimes: imagine alguém que vai matar uma pessoa por vingança. Não estamos a falar de um malfeitor ou de uma pessoa perversa. Estamos a falar de alguém, desesperado de raiva, com boas razões (julga ele) para se vingar de uma pessoa que lhe arruinou a vida (ou que lhe matou um familiar). Essa pessoa, em condições normais, não mataria ninguém. Mas está desperado, e quer fazer justiça pelas suas mãos. Por muito que ele pense na decisão, e que não a tome de ânimo leve, estará ele certo em se vingar, matando?
O ânimo leve ou pesado com que se aborta não muda uma vírgula à gravidade do acto.
«Não é dever do estado apoiar uma interrupção involuntária da gravidez (IVG) a uma mulher que a vai fazer de qualquer maneira, de uma forma clandestina, com graves riscos para a sua saúde ou mesmo para a sua vida?»
Não, não é.
Vamos a outro exemplo, para se ver a falácia da sua frase: imagine que eu me quero matar. Vou matar-me quase de certeza, e tenho tudo preparado. Só que quero uma morte indolor, e um “kit” de suicídio assistido é caro. O Estado deve apoiar-me financeiramente, e quem sabe dar-me uma sala digna para eu me matar, com música a tocar e tudo, ou por outro lado, deve o Estado “abandonar-me” sem financiar o meu suicídio, e deixar-me escolher uma via qualquer mais barata, e “clandestina” para me matar?
Por outras palavras: deve o Estado colaborar num crime que alguém vai praticar, seja de que forma for?
Veja a tontice desta ideia…
Deve o Estado tornar um crime clandestino num crime legal e financiado publicamente?
«O estado deverá ter, antes de mais o papel de conselheiro, designar apoio psicológico e social para evitar essa perda, caso a mulher seja irredutível, deverá zelar pela sua saúde e bem estar e promover a IVG em ambiente controlado.»
Repito: o Estado não pode colaborar num crime, mesmo que seja para que esse crime decorra em “ambiente controlado”. Eu acho sinceramenete que raciocínios como o seu só são defendidos por várias pessoas porque essas pessoas ainda não se convenceram que abortar é matar.
«A igreja não aceita este ponto de vísta acabando assim por promover o enriquecimento de parteiras e a morte de mulhres que se viram discriminadas pela sociedade.»
Quem está a falar da Igreja?
Estou a falar de direitos humanos fundamentais. Sucede que a Igreja os defende, é claro, como é sua natureza, visto que a Igreja interessa-se pelo Homem. A questão do aborto não é religiosa. É, isso sim, muito triste que, numa sociedade como a nossa, já só quase existam os católicos para afirmar o óbvio e para defender os direitos humanos mais elementares.
Cumprimentos
Caro Ricardo,
«Primeiro o meu artigo não tinha como seu fundamento a questão das IVG, mas sim da “validade” que a igreja dá a si mesma para achar que tem o “dever” de se pronunciar sobre o que quer que seja que se encontre no âmbito das “questões éticas”.»
É ou não um direito que lhe assiste, à Igreja e aos seus membros, pronunciar-se publicamente sobre quaisquer questões? Acho indefensável essa sua posição, Ricardo, porque o mais elementar direito à liberdade de expressão coloca a Igreja a salvo de críticas nessa matéria. A Igreja, ao invés do Parlamento, não legisla. Recorre a meios perfeitamente legais para difundir e defender as suas ideias.
É, por exemplo, muito mais grave que os políticos eleitos em sufrágio usem desse poder que lhes foi conferido, não para governar o país e ajudar os portugueses, mas sim para executar manobras ideológicas de gosto e alcance duvidoso. Antes de se criticar a Igreja (porque razão se criticaria?), é bem mais criticável que se tomem certas decisões políticas, cujo efeito é bem mais nocivo do que qualquer discurso ou palavra dita em uso da liberdade de expressão.
Evocando um exemplo extremo: tenho uma repulsa imensa pelos dirigentes do PNR e por muitos dos ideais que eles veiculam. No entanto, nunca lhes negaria o direito a se expressarem publicamente, e acho anti-democrático tomar decisões de censura oficial nessa matéria. Por outro lado, é bem mais grave uma má lei para o país, do que mil palavras saídas da boca dos trogloditas dos movimentos “skin”.
«Mas que está a falar nesse assunto em particular, não me escudo de (re)iniciar consigo uma das nossas tertúlias e que tanto me dão gosto ter.»
Obrigado!
«1. Quem lhe disse que eu sou defensor da IVG? De facto, moralmente não sou a favor de haver essa opção, mas não por questões religiosas: tendo para uma oposição por questões sociais, e principalmente de responsabilidade pessoal. Se existe a informação de como evitar uma gravidez, e alguém prefere ignorar essa informação, e de uma forma irresponsável correr o risco de acontecer, incomoda-me que essas pessoas tenham uma forma “simples” de sair dessa situação, ainda mais porque não há nada de simples nesse procedimento, que pode acarretar imensos problemas biológicos e fisiológicos para a mulher.»
Totalmente de acordo. Acrescentaria “problemas psicológicos” para a mulher que aborta. A mulher é uma das duas vítimas de qualquer aborto.
«Mas por outro lado, como sempre haverá gente irresponsável, e exactamente por causa desses problemas que mencionei, antes as IGV serem feitas em locais com qualidade, do que no vão de uma escada.»
Penso que o Ricardo incorre na mesma falácia que apontei atrás: o Estado não deve ajudar a praticar um crime, transformando-o de clandestino em legal. Isso é a perversão do papel do Estado como garante do bem comum e público. Se o próprio Ricardo diz que há graves consequências para a mulher, deve o Estado apoiar tais práticas, mesmo que em ambiente controlado?
E insisto nisto: se abortar é matar, deve o Estado matar?
Se uma mulher aborta no SNS, quem mata? É a mulher, que assina o papel? É o médico do SNS? É o responsável do hospital? É o Ministro da Saúde?
Logo se vê que, se abortar é matar (e é), o Estado, ao meter-se nesse processo, “suja” literalmente as mãos de sangue.
«2. Se é por genética, toda as células no corpo humano têm a capacidade de serem potenciais seres humanos. Basta uma manipulação laboratorial, e tem um ser humano se quiser.»
Não é verdade, Ricardo.
A clonagem por essa via obriga sempre à existência de um ovo, com membrana e citoplasma, e respiração celular em funcionamento, e só com a remoção do núcleo desse ovo e a colocação de um novo núcleo é que se dá a clonagem. O zigoto, ovo humano, é único e geneticamente autónomo.
«Como tal, o argumento da “carga genética” que se encontra num blastocisto não chega, para mim, para justificação para tal histeria que é um ser humano em potencial (quando não é que vemos os religiosos a dizer que já é um ser humano “completo”).»
Eu digo que se trata de um ser humano completo, e penso não ser histérico. Pelo menos, não sou sempre histérico!
E porque é que digo que se trata de um ser humano completo?
É simples:
a) por um lado, o ovo fertilizado, logo após o bloqueio rápido da polispermia, já não pode ser penetrado por mais nenhum espermatozóide: está fechado: mais nenhum material genético será adicionado ao longo de toda a vida
b) eu distingo o que é ser humano COMPLETO (que ocorre logo na fertilização, devido à alínea anterior), do que é um ser humano DESENVOLVIDO
A palavra “desenvolvimento” não pressupõe a adição de coisas novas, mas sim o “desabrochar” de coisas existentes.
É aqui que eu marco a minha posição: o que dá o direito à vida é O QUE SE É, em termos de completude, e não uma qualquer fase do “desabrochar” das nossas capacidades inerentes.
O zigoto é um ser humano completo, mas não desenvolvido.
Gostava mesmo que isto ficasse claro, para evitar a confusão entre os conceitos.
«3. Um embrião nas primeiras semanas de formação visto já como um “ser humano” é paranóia religiosa.»
Não, Ricardo, é biologia.
«São um conjunto de células que se estão a diferenciar, como muitas outras no corpo humano que fazem o mesmo.»
É totalmente diferente: as restantes células de que fala são partes do património celular que já existe no zigoto.
O zigoto é COMPLETO e TOTIPOTENTE.
«É um complexo orgânico que pode não se concretizar durante esse período, desagregando-se.»
Por esse raciocínio, então nem eu nem o Ricardo seríamos humanos. A qualquer altura, o meu complexo orgânico pode desagregar-se, caramba! Chama-se “morte”!
«É um fenómeno biológico que acontece de uma forma automática mas sem qualquer pressuposto que não seja a da informação codificada. Em suma, é um conjunto de divisões mioticas que nada tem de extraordinário quando se olha para a natureza num todo.»
Para mim, é totalmente extraordinário, Ricardo!
Não consigo, nem conseguirei, perder a capacidade de me maravilhar com a vida animal, e com a vida humana em particular!
«4. Concordo com o Bernardo quando se fala de seres humanos. Mas também não deixo de reparar na curiosa ironia que um “ser humano” (no caso dos embriões) como aqueles que vocês defendem tem quase mais direitos que outros seres humanos que já estão totalmente formados, e que já tem toda uma vida por detrás que justifica essa humanidade.»
Não concordo com essa conclusão.
Um zigoto, no que toca ao direito fundamental à vida, tem tanto direito como eu ou o Ricardo, ou outro ser humano.
O que se passa é que o direito à vida do zigoto é mais forte (pois claro) que o direito à opção de vida que a mulher grávida terá. Não é que a mulher não tenha direito a procurar a vida que quer, e se quiser não estar grávida, até pode aspirar a isso. Mas esse direito não tem, nem de perto nem de longe, o mesmo peso que tem o direito a viver. O direito a viver é o pai de todos os direitos. Não há Direito sem esse direito. Porque os mortos não têm direitos, e só quando há vida se pode falar em direitos humanos.
«Tão preocupados que os religiosos são com o “ser humano” que é um embrião, e a necessidade de proteger essa vida, para depois, quando essa pessoa está viva e pede para ser morta, quererem lhe retirar essa humanidade.»
Ninguém saudável quer, realmente, morrer.
As pessoas podem querer várias coisas: menos dores, menos solidão, menos depressão, menos tristeza. Ninguém normal quer morrer. Morrer é como pagar: quanto mais tarde, melhor!
É provável que, se um dia eu vier a ter uma doença terminal grave e dolorosa, eu venha a gritar e a chamar pela morte. Isso não quer dizer que queira mesmo morrer em vez de viver, o que se passa é um grito de desespero porque se quer viver de maneira diferente.
«A vossa posição “dogmática” que a vida é uma dádiva de deus obscurece esta discussão e as conclusões. Não há quaisquer intervenções divinas, Bernardo, nem que dê autorização a um religioso para tentar impedir uma IGV, nem para impedir a eutanásia»
Nestas matérias, acho mesmo desnecessário invocar argumentos divinos. Parece-me que o aborto e a eutanásia são crimes, sempre, quaisquer que sejam as convicções de alguém. É matéria elementar de direitos humanos: é trasnversal a toda a humanidade.
«A vida é o que é, um sistema biológico que teve a sorte de ser consciente.»
A vida humana, talvez!
Há vida não consciente.
Como imagina, eu não vejo as coisas em termos de “sorte”. Isso da “sorte” não é nada científico, é sim a convicção necessária de um ateu que queira ser coerente.
Cá para mim, acho tão óbvio que tudo isto da vida, e da vida humana, é tão planeado e projectado, que não consigo invocar a sorte. Se calhar, é feitio! Nunca jogo na lotaria nem no Euromilhões!
Um abraço!
Bernardo, eu sei que as vossas doutrinas defendem o sexo só com fins reprodutivos mas não podemos negar que somos seres sexuais, logo, como não é viável para muitos casais ter um rebanho de filhos, há que adoptar a contracepção. Quero por este ponto chegar a um método contraceptivo específico: o Dispositivo Intra-Uterino (DIU). Este método impede a nidificação do zigoto no endométrio, levando à sua expulsão, logo, segundo a sua tese, é impedido o desenvolvimento de um ser humano completo. Não existe o mesmo teor criminal no impedimento da nidificação de um zigoto que existe na expulsão de um que já nidificou? Então a colocação de um DIU é tão criminosa como a IVG!
Rodrigues, de facto tem que aprender a não falar do que não sabe. O sexo para as católicos n tem como único fim a reprodução, mas tambem o amor entre os esposos. Os católicos podem recorrer aos meios contraceptivos naturais. Não devem a recorrer a nenhum meio que impeça o natural desenvolvimentos do acto sexual.
Quanto ao DIU, sim é abortivo. Contraceptivo, quer dizer que impede a concepção. Não é este o fim do DIU, mas sim não permitir a nidação.
Quanto a ser criminoso ou não, ou falar em graus de crminalidade, existem várias questões relevantes a pesar neste assunto. O direito n é uma ciência.
Rodrigues, sendo o DIU um meio de o ovo não realizar a nidação é, calaramente, um método abortivo, nunca contraceptivo porque a concepção já se fez! E se a vida humana começa na concepção, o DIU vai impedir essa vida inicial de passar para outras fases do seu desenvolvimento, destruindo-a. Logo, a utilização do DIU é legal, mas ilegítima.
Os únicos métodos contraceptivos que a Igreja permite são os naturais, sempre usados no contexto de família unida e edificada no matrimónio.
Z:
De facto há muito que não sei, no entanto sei que este é um portal aberto à exposição de ideias por mais estúpidas ou ignorantes que possam ser. Posso não conhecer todas as leis da igreja mas pelo que vejo não há muita abertura à contracepção seja por que método seja, no entanto a maioria dos casais que conheço não tem mais do que 2 ou 3 filhos. Será que não promovem o “amor entre os esposos”? Ou vão contra as suas crenças e fazem contracepção? Ou marcam na agenda os dias em que podem ter relações?
“Não devem a recorrer a nenhum meio que impeça o natural desenvolvimentos do acto sexual.” – Não percebo esta sua declaração, quer dizer que não devem usar métodos artificiais de contracepção? Nesse caso há sempre alguns dias por ciclo em que os esposos não se podem amar sob pena de mais uma gravidez… Felizmente que a minha esposa não é fundamentalista a esse ponto porque tratar duas filhas já é economicamente complicado… e não sou capaz de aguentar assim tantos dias seguidos…
Quanto à penalização criminal do aborto, o Bernardo, no seu ponto de vista, considera que é crime impedir o desenvolvimento de um ser humano que, a seu ver, já é completo embora não desenvolvido. O DIU faz isso mesmo e é um método ainda amplamente usado (até porventura por mulheres anti-aborto).
Rodrigues, um coisa são opiniões, outra coisa é dizer “a Igreja diz isto”. Isso n é dar uma opinião, é supostamente constatar um facto. Se o faz deve informar-se previamente.
Como o Rodrigues sabe, nem todas as vezes que se faz sexo há fecundação. O facto de haver católicos com poucos filho nada diz sobre se usam ou n métodos contraceptivos artificais ou sobre o número de vezes que fazem sexo.
Para acabar, se o Rodrigues usamos as palavras certas. O DIU n se limita a n permitir o desenvolvimento, acaba com uma vida humana. É abortivo. Podia ser usado por todas as pessoas pró-vida, que o continuaria a ser.
Z:
De facto devo assumir que os meus conhecimentos da sua religião não é dos mais aprofundados, mesmo quando era obrigado (mesmo em muito novo NUNCA fui de livre vontade à igreja) a comparecer nos espectáculos de bater com as mãos no peito e comer a bolacha maria, achava aquilo tudo muito disparatado e pouco ligava ao que o senhor de vestido dizia. No entanto neste país de opus dei levamos com informação que não procuramos e chegou-me aos ouvidos que vocês de FACTO são contra muita coisa e muito intolerantes.
Também de FACTO sei que muitas mulheres religiosas usam DIU (basta ouvir conversas de mulheres da minha família). Não afirmei que por elas o usarem que deixaria de ser abortivo, constato o FACTO que são hipócritas ao ponto de serem anti-aborto e usarem estes métodos.
Para concluir, sei ainda qualquer coisa de biologia e mecanismos reprodutivos para compreender que nem sempre o sexo representa fecundação, no entanto, caso o casal não pretenda mais filhos, o único método natural contraceptivo infalível que conheço é a abstinência (que para mim é inconcebível), já o método (natural) do calendário é de muito baixa segurança. Lanço-lhe o desafio de elaborar uma pequena sondagem entre católicos e os métodos contraceptivos que usam e diga-me em que percentagem usam exclusivamente métodos naturais.
Rodrigues, é pena que continue a falar do que não sabe. Porque é que não se informa antes de falar, custa assim tanto? Quando fala do método natural como sendo o método do calendário diz uma barbaridade do tamanho do mundo. O método do calendário hoje em dia não é usado (espero eu), e já não é há muito anos. E se for por alguém, não é por conselho da Igreja certamente.
Já fiz um curso sobre métodos naturais, que incluia também o estudo dos métodos artificiais. E os métodos naturais que já são usados há mais de 20 anos têm uma grande eficácia, que é maior do que a do preservativo e se aproxima da da pilula. Com a grande vantagem de fazer da “contracepção” um trabalho e um sacrifcio dos dois, e não apenas de um dos conjuges, quase sempre a mulher. Mas vá investigar, e descubra, aprenda, largue os preconceitos negativos que nascem das meias-verdades que lhe contam. Há um mundo muito grande aí fora, e os católicos que usam métodos naturais não o fazem porque são atrasados mentais, mas sim porque são de facto mais felizes dessa maneira. Tudo faz sentido!
Rodrigues, chegou-lhes aos ouvidos? Então já n discuto mais. Um homem de tal maneira informado sobre a religião de facto tem toda a razão para fazer os juízos dogmáticos, do género “todos os crentes são burros”, que o Rodrigues tanto gosta.
De resto, tambem posso ver quantos católicos mentem. Verei que são bastantes. Permanece pecado.
Obviamente os cristãos pecam. Não é por aí que nos definímos, mas pela misericórdia de Cristo.
mau…
De Bernardo
“É ou não um direito que lhe assiste, à Igreja e aos seus membros, pronunciar-se publicamente sobre quaisquer questões? Acho indefensável essa sua posição,”
e do Sá
“Caso o Ricardo não saiba a Igreja é constituída por pessoas. Qual é o problema de um grupo de pessoas manifestar a sua opinião”
Eu não me acho o mais opaco dos escribas nestas coisas de escrever sobre as questões do ateísmo e da religião. E acho que a minha argumentação neste post em particular não tem nada de denso ou de complicado.
É ridícula a insinuação (para uns) ou até mesmo a acusação (para outros) que eu quero “retirar o direito que assiste os religiosos e a igreja de dizer a sua opinião”. O facto de vocês poderem interpretar um texto como este como uma tentativa de vos silenciar ou reprimir, só mostra que alguns crentes não estão totalmente tranquilos quando lêem o que um ateísta pensa.
O artigo é sobre a “validade”, ou as “razões”, ou as “justificações” que a igreja dá a si mesmo para poder dar a sua opinião!
Se eu entendo que essas opiniões são sustentadas em pressupostos irracionais, ou convicções dogmáticas, ou exigências não razoáveis, assiste-me o direito igualmente de dizer que essas opiniões não deviam sequer ser proferidas na praça pública. E particularmente ainda mais incomodativo quando são proferidas para os centros de poder e de decisão da sociedade.
E não me venham, por favor, com o argumento de que “temos de ser tolerantes para com todas as opiniões”. Não temos não senhor. Eu tanto acho que o PNR devia engolir com os cereais do pequeno almoço os seus panfletos racistas, como acho que os crentes deviam manter para si a convicção que existe uma alma num zigoto, e não estarem os dois grupos a impingir as suas doutrinas ao resto das pessoas.
Fiz-me entender desta vez?
Have a nice day.
Ricardo,
Aqui tens a mensagem despreconceituosa e limpa da Igreja Católica; sem restrições, sem pudores, sem hipocrisias:
http://www.youtube.com/watch?v=ACm5BRK0OiA
A pergunta que fica a seguir a isto é a seguinte: será que alguém guardou os projectos do barquinho que o Marquês de Pombal mandou fazer para os Jesuítas?
Caro Rodrigues,
«Bernardo, eu sei que as vossas doutrinas defendem o sexo só com fins reprodutivos mas não podemos negar que somos seres sexuais, logo, como não é viável para muitos casais ter um rebanho de filhos, há que adoptar a contracepção.»
Não entendo essa “fatalidade” da contracepção. A mulher possui um ciclo de fertilidade. Há certas verdades científicas que já sabemos, e bastante bem, sobre a fertilidade humana, apesar de tanta propaganda em contrário, que quer enfiar a contracepção pelas gargantas das pessoas abaixo.
A visão cristã da sexualidade é simples, clara e atractiva. A sexualidade é muito boa, mas cumpre uma função biológica muito clara: gerar descendência. Os nossos órgãos sexuais não podem ser mais claros nesse aspecto. Uma analogia: o nosso sistema digestivo permite-nos apreciar belas artes gastronómicas, mas ninguém nega que o sistema digestivo tem como principal função a alimentação.
Apenas num regime esquizofrénico, como na Antiga Roma, é que se achava normal comer pelo prazer, e vomitar, para evitar que a comida chegasse a ser digerida, e assim se poderem passar belas horas em delícias gastronómicas “non stop”. A paranóia do sexo como exclusivamente prazer, totalmente desligado da fisiologia humana, é uma paranóia semelhante a essas orgias gastronómicas dos romanos.
É certo e sabido que o sexo não é apenas para procriar, mas também para unir marido e mulher. O que é certo é que o sexo não pode ser desvinculado da fisiologia humana. do mesmo modo que a melhor das gastronomias não pode ser desvinculada de uma quase certa (espera-se!) digestão.
O cristianismo é bom senso e realização pessoal em forma de religião: o melhor da sexualidade, tanto em prazer como em descendência, em fertilidade, em responsaibilidade, em exigência, em abundância.
«Quero por este ponto chegar a um método contraceptivo específico: o Dispositivo Intra-Uterino (DIU). Este método impede a nidificação do zigoto no endométrio, levando à sua expulsão, logo, segundo a sua tese, é impedido o desenvolvimento de um ser humano completo. Não existe o mesmo teor criminal no impedimento da nidificação de um zigoto que existe na expulsão de um que já nidificou? Então a colocação de um DIU é tão criminosa como a IVG!»
Não tenho quaisquer dúvidas de que o DIU é abortivo. Nem é possível ter tais dúvidas, pois o mecanismo está bem descrito: impede a nidificação do zigoto. Logo, destrói as hipóteses de sobrevivência do zigoto. Sobre criminalidade, devo evitar pronunciar-me, pois não sou criminalista. Mas parece-me importante frisar que, em Direito Penal, no pouco que sei da matéria, há uma diferença entre a gravidade objectiva de um acto, e a pena subjectiva que um Juiz lhe atribui. Num quadro legal justo, que criminalizasse o aborto (o que eu defendo), não faz sentido advogar pena máxima, por exemplo, para todo o tipo de abortos, como não faz também sentido advogar pena máxima para todo o tipo de homicídios. Se há discriminação na pena, com base na situação subjectiva em que se comete o crime, porque não seria o mesmo para o quadro legal do aborto?
Aliás, visto que a mulher que aborta é uma das vítimas dos seus próprios actos (uma característica peculiar do crime de aborto), eu acharia mais importante focar o quadro penal nos restantes agentes (donos de clínicas, “parteiras”, pessoal de enfermagem que é conivente, etc.), do que na pobre da desgraçada da mulher, que muitas vezes é forçada a essas situações indignas. No caso do DIU, eu acho que há mesmo desinformação. A maioria das mulheres que o usa não sabe o que o dispositivo faz. É parte da propaganda…
Cumprimentos
Rodrigues,
Antes de atalhar no seu outro comentário, quero deixar um aviso: apesar de a Igreja condenar o aborto, e promover a regulação dos nascimentos por métodos naturais, ou seja, rejeitando a contracepção artificial, DE FORMA ALGUMA se pode equiparar a gravidade moral de ambas as coisas. A gravidade moral do aborto é infinitamente superior à de um casal que recorre a métodos artificiais, conquanto não sejam abortivos.
Às vezes confundem-se as coisas. Evitar a concepção é uma coisa. Destruir o que já foi concebido é outra totalmente diferente, e muitíssimo mais grave.
«Para concluir, sei ainda qualquer coisa de biologia e mecanismos reprodutivos para compreender que nem sempre o sexo representa fecundação, no entanto, caso o casal não pretenda mais filhos, o único método natural contraceptivo infalível que conheço é a abstinência (que para mim é inconcebível), já o método (natural) do calendário é de muito baixa segurança.»
Sinceramente, dou por mim a pensar se estamos a falar da mesma coisa.
Tenho aqui mesmo à mão um manual comum de saúde familiar. Atenção, não falo de nada católico, mas sim de um vulgar manual de saúde, daqueles que algumas empresas internacionais oferecem aos seus empregados. Nesse manual, há uma tabela de métodos contraceptivos. Felizmente, os médicos autores do manual não optaram por entrar em parangonas ideológicas, e fornecem os números científicos tal como eles são. acima de 95% de taxa média de sucesso para os métodos naturais. Claro está, quando bem aplicados, e com o cuidado e informação que exigem.
Outro factor a não omitir: os métodos naturais, para funcionarem, obrigam a um conhecimento relativamente decente de algumas noções básicas de fertilidade humana. Enquanto que tomar uma pílula quase não exige conhecimentos (basta lembrar-se da toma diária), e por isso a esmagadora maioria da população que toma a pílula não percebe nada de fertilidade, por sua vez os métodos naturais pressupõem uma aprendizagem básica, pelo que, curiosamente, é da tal Igreja “obscurantista” que sai o apoio aos métodos de planeamento familiar mais exigentes em termos de informação concreta sobre fertilidade humana.
Eu não sei há quanto tempo o Rodrigues não tem contacto com estes temas, pois parece veicular o típico preconceito que anda sempre pela praça, o de que tais métodos “não são fiáveis”, o que qualquer médico desmente.
Atrás disse-se algo importante: que o uso regular da pílula por parte da mulher é muito cómodo para o homem, que só se preocupa, muitas vezes, com a sua satisfação sexual, e com a chatice de não ter os seus desejos satisfeitos quando quiser e à hora que quiser.
A sofisticação da sexualidade cristã está em que ela ensina que só se tira satisfação de uma prática quando se tem domínio sobre ela. Sem auto-domínio, o homem (e a mulher) desce à mais escrava das condições animais. Todo o artista só produz arte através de auto-controlo e de um perfeito domínio de si mesmo e dos materiais com que trabalha. O amor humano só se torna em arte, da mais profunda e sofisticada, quando há, ao mesmo tempo, uma plena dádiva de si ao outro, e só se pode dar o que se tem. O que se tem é o que se domina. Um homem que não se domina, não é dono de si mesmo, e portanto, não se pode dar à sua mulher. E vice-versa.
Isto parece-me mais que bom senso: parece-me verdade!
Cumprimentos
Bernardo:
in http://boasaude.uol.com.br/lib/showdoc.cfm?libdocid=3249&fromcomm=4&commrr=src
“Quais são as desvantagens?
O planejamento familiar natural tem várias desvantagens, inclusive:
- 20% a 30% de ineficiência (2 a 3 mulheres ficam grávidas durante um ano de uso)
- não ter relações sexuais durante os 3 a 6 primeiros meses de observação do ciclo menstrual
- não ter relações sexuais por quase duas semanas todo mês
- incoveniência para as mulheres que não têm ciclos regulares
- dificudade para evitar os períodos férteis
- não proteção contra doenças sexualmente transmissíveis, inclusive AIDS.”
Posso afirmar que as minhas filhas resultaram ambas de falhas de contracepção em parte devido à minha esposa ter ciclos irregulares, se fossem planeadas apenas agora optaríamos por as ter, depois de 4 anos de casamento e não logo após meio ano como foi o caso da mais velha. Tendo igualmente em conta o facto de a minha esposa ter um ciclo irregular seria impensável para nós optarmos por métodos naturais, por este andar já deveria ter 4 ou 5 filhos e não tenho capacidade económica para tal (senão posso garantir que os teria). Felizmente que a minha esposa não é assim tão religiosa quanto isso…
Ricardo,
«É ridícula a insinuação (para uns) ou até mesmo a acusação (para outros) que eu quero “retirar o direito que assiste os religiosos e a igreja de dizer a sua opinião”.»
É com alguma satisfação que leio isto. Prefiro, sinceramente, ter errado no meu juízo, Ricardo.
E sim, é normal estar de sobreaviso quando venho aqui ler textos!
Mas, no entanto, logo a seguir, o Ricardo escreve isto:
«Se eu entendo que essas opiniões são sustentadas em pressupostos irracionais, ou convicções dogmáticas, ou exigências não razoáveis, assiste-me o direito igualmente de dizer que essas opiniões não deviam sequer ser proferidas na praça pública.»
Que o Ricardo tem esse direito, é claro que tem. Todos temos o direito a expressar as nossas opiniões.
Mas note que esta sua opinião nunca deveria ter força de lei. É como a “pescadinha de rabo na boca”: se o Ricardo é pela liberdade de expressão, não pode, julgo eu, e em coerência, dizer que certas opiniões não deveriam sequer ser proferidas. Se defende a liberdade de expressão, essa é a frase que, para evitar contradição, não deveria dizer.
Claro que, em toda a liberdade, o Ricardo poderia não ser pela liberdade de expressão. Então, seria coerente dizer que certas opiniões não deveriam sequer ser proferidas na praça pública.
«Eu tanto acho que o PNR devia engolir com os cereais do pequeno almoço os seus panfletos racistas»
Ou seja, imporia censura obrigatória ao PNR e aos seus membros?
«como acho que os crentes deviam manter para si a convicção que existe uma alma num zigoto, e não estarem os dois grupos a impingir as suas doutrinas ao resto das pessoas.»
Nunca entendi este raciocínio: o que quer dizer com “impingir”? Afinal, defende ou não defende a liberdade de expressão??
De vez em quando, umas senhoras velhinhas, simpáticas, tocam-me à porta para me falar “do Reino de Deus”. São as Testemunhas de Jeová. Amigavelmente, digo-lhes que não estou interessado, porque sou católico. Eu creio que elas professam falsas doutrinas. Alguma vez me passaria pela cabeça sugerir uma lei para as impedir de fazer propaganda?
Será que falar na praça pública é “impingir”, Ricardo?
Impingir não é isso. Impingir é o que o Sócrates faz com o Magalhães, impingindo isso aos miúdos e aos pais. E impingindo aos contribuintes os custos dos portáteis comprados ao JP Sá Couto…
«Fiz-me entender desta vez?»
Eu acho que entendi uma coisa: o Ricardo defende limites para a liberdade de expressão. Eu não defendo limites, porque ou há liberdade ou não há. Há certas situações, nomeadamente calúnias ou injúrias, para as quais já há quadro penal, para que uma pessoa se possa proteger de usos abusivos da liberdade de expressão. No entanto, desde a propaganda gay, passando pela Cientologia, pelas Testemunhas de Jeová, pelos partidários do PNR, enfim, por tanta coisa com a qual eu discordo, não me passaria pela cabeça defender que tais pessoas deveriam estar caladas na praça pública.
Digam o que quiserem!
Se essas pessoas não disserem as asneiras que dizem, como podemos nós apontar-lhes erros?
Em relação à tolerância, mais uma vez…
É evidente que não devemos “tolerar” as asneiras dos outros, no sentido de as aceitarmos como verdadeiras: isso seria relativismo puro, e é detestável. Podemos e devemos refutá-las e contestá-las.
Mas, por outro lado, é evidente que devemos “tolerar” as asneiras dos outros, na medida em que devemos reconhecer-lhes direito à livre expressão.
A palavra “tolerar” tem estes dois significados, Ricardo.
Um abraço
Rodrigues:
- acho piada aos números de 20% a 30% de ineficácia, sabendo que é a ineficácia (teoricamente) na prática, mas claro que se os métodos são mal usados, a eficácia até pode ser 0%. A eficácia teórica é 97%, o que se aproxima da pílula, que anda pelo 98 ou 99%.
- normalmente os métodos são estudados antes do casamento, por isso não existe esse periodo de carencia de relações sexuais no casamento. Isso só acontece se decidiu que os métodos artificiais não compensam e decide mudar, mas nesse caso quem corre por gosto não cansa.
- não ter relações quase 2 semanas? Um pouco acima, nesse site dizia: “Ao utilizar este método, você constatará que não deve ter relações sexuais cerca de 8 a 11 dias ao mês”. De onde se conclui que as semanas no brasil têm de 4 a 5 dias e meio, os outros 3 devem ser o carnaval.
- não há inconveniencia nenhuma para mulheres com ciclos irregulares, esse é o método do calendário. O método sinto-termico é um método de observação, não de cálculo, e a observação não é regular nem irregular, vê o que existe.
- dificuldade para evitar os periodos férteis? Ao menos existem períodos férteis! Por isso este método é também usado para ter um filho, e não só para evitá-lo.
- não evita doenças sexualmente trasnmissiveis tal como não o faz a pilula, o método usado pela esmagadora maioria das mulheres. E sublinho mulheres, porque aos homens não é pedido rigorosamente nenhum sacrifício.
Por isso o método artificial mais usado, é um método machista, que põe sobre a mulher toda a responsabilidade da contracepção, e para isso a enche de químicos, destinados a tratar dessa doença infame, chamada fertilidade.
Além disso, ainda não foi referido que os métodos naturais são métodos que custam zero. Por isso não é de estranhar que os laboratórios que ganham milhares de milhões com as pílulas e preservativos, convençam os meios de comunicação social a mentir sobre os métodos naturais, o que claramente acontece no site que escolheu para tirar as suas estatísticas.
Eu ainda pensei em responder ao Rodrigues, ontem à tarde.
Mas ainda bem que não o fiz.
O Pedro Silva foi tão eficiente, tão limpo, tão completo, que não deixou nada para eu corrigir, nem acrescentar!
Ah, grande Pedro!
Um abraço
P.S. De facto, o lobby das farmacêuticas e fabricantes de preservativos é um dado importante. Mas, se calhar, somos nós os católicos conspiradores, que só vêem maldade em todo o lado… É evidente que essas empresas só querem o bem dos casais e das mulheres… E é quase certo que, caso concluíssem que os métodos naturais eram bons, essas empresas seriam as primeiras a dizê-lo abertamente, em nome da honestidade! Pois sim, pois sim…
Ai, ai Bernardo.
Vou lhe desculpar alguma confusão. Ainda não passei por isso, mas imagino que ser pai de um recém-nascido deva ser desgastante.
Não estamos de todo a falar a mesma linguagem.
O que disse sobre “certas opiniões não devem ser proferidas” não tem nada a ver com a liberdade de expressão (ou falta dela). Tem a ver com a estupidez que transportam, e com a figura triste que as pessoas fazem quando as proferem. Eu posso defender a liberdade de expressão (como faço), e ao mesmo tempo chamar a alguém de tolo por ter utilizado a sua liberdade de expressão para dizer algo realmente ridículo. Assim como posso dizer a alguém que “essas coisas nem devem ser ditas por serem totalmente sem sentido, apesar de defender o direito que tens de as dizer”.
O seu exemplo do PNR então é verdadeiramente paradigmático que não nos estamos a entender. Claro que eu não sou a favor de colocar censura (principalmente obrigatória – leia-se “Estatal”) sobre aquilo que esses senhores dizem, mas isso não me impede de dizer que na minha opinião deviam era estar calados. Não porque não tenham o direito a se manifestar, mas porque o que dizem é idiotice.
E o Bernardo faz o truque que é muito comum nos crentes: que é, não distinguir duas coisas muito importantes na questão da liberdade de expressão que assiste aos religiosos. Uma coisa é dizer as suas opiniões, e outra é tentar fazer passar essas opiniões como regras. Como é o caso dos “líderes espirituais “ em Portugal. O que chamo de “impingir”. As testemunhas de Jeová, os adventistas do 7º dia, não têm qualquer peso no tecido nacional. Enquanto que a Igreja Católica tem concordatas, e tem votos, e tem influência, e tem poder.
E termino com uma frase que me direcciona: “Ricardo defende limites para a liberdade de expressão.”.
Por favor não torne a escrever tal coisa. Não poderia estar mais longe daquilo que acredito.
Mas também acredito que certas opiniões expressas à luz dessa liberdade são contra producentes, irrisórias, obscurantistas, intolerantes e impeditivas do avanço civilizacional. E estarmos sempre a discutir as mesmas coisas, com as mesmas pessoas, sem avançarmos um metro que seja para um debate à luz do conhecimento e necessidades do século 21, não é um bom serviço que se preste à sociedade.
Se alguém defende que o Nazismo foi o melhor sistema social que já existiu, eu não devia estar a perder o meu tempo a explicar a essa pessoa, e a outras, que “porque defendo a liberdade o direito de expressão, deixe-me explicar mais uma vez o porque desta posição estar errada”.
No caso do sistema de crenças do Bernardo, até haver uma prova concreta, final e indisputável que existe um deus que controla os processos naturais, os crentes não devem estar a defender ad nauseam que devemos fazer o que esse deus acha que devemos fazer, ou que é a crença nesse deus que lhe dá o “dever” de dizerem as suas opiniões. Eu acho que o debate avançava muito melhor, se os crentes defendessem as suas posições não porque são “enviadas de cima para baixo”.
Olá Bernardo e Pedro,
De facto, existe sempre este perigo de reduzir a sexualidade da sua dimensão profundamente humana. Principal perigo reside sobretudo quando não se trata o outro como um TU, mas apenas como um ISSO (objecto) do prazer e caprichos individuais e egoístas.
O métodos chamados naturais tem muitas vantagens, e é um método que aprecio muito, tanto pela sua dinâmica como pela sua humanidade.
No entanto, até que ponto se pode absolutizar um método contraceptivo? Ao absolutizar apenas um, e somente, um método contraceptivo de certo modo estamos a afirmar que é o único lícito… mas será realmente assim? Será que um casal numa doação total de si ao outro e num encontro personalizante, ao utilizar um outro método contraceptivo (não abortivo), estará a desumanizar a relação de amor? Até que ponto poderá acontecer isso?
Penso que não devemos ditar uma regra absoluta sem ver contextos específicos… cada caso é um caso. Podem existir casais que estão a usar a pílula e estão a usar-se como objectos de egoismo, como também poderá acontecer o contrário. E também podem existir casais que usam os métodos naturais e podem estar do mesmo modo a desumanizar a relação pelo facto de usarem o outro como um objecto dos seus caprichos. Isto na realidade é muito mais complexo: até que ponto só o facto de um casal utilizar métodos naturais está concomitantemente a humanizar a relação? Não poderá existir um casal que utilize a pílula e tenha uma relação totalmente humanizadora??? Até que ponto será lícito absolutizar um e apenas um método contraceptivo (sabendo que todos têm defeitos)?
Termino com uma reflexão que considero interessante do professor “Daniel Serrão”: “Mas é consolador saber de quantos se empenham em difundir e ensinar os métodos naturais de controle dos nascimentos, em esclarecer quando o uso da pílula pode ser legítimo para regularização dos ciclos, em lutar para que as famílias numerosas sejam apoiadas pelos poderes públicos e pelas instituições da Igreja”. (In: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=62105&seccaoid=8&tipoid=212).
Saudações cordiais,
Caro Ricardo,
Não vou negar as dificuldades óbvias deste meio de comunicação.
Temos mesmo que combinar o tal café, e a bola está do meu lado!
Também não vou negar que tenho dormido muito pouco, e que leio os comentários nos poucos minutos livres!
Acho que entendi o seu ponto de vista.
E fico satisfeito, pois pelo menos os meus comentários inadequados terão servido para esclarecer esse ponto de vista.
Haveria muito a dizer sobre opiniões, regras e líderes espirituais. No entanto, e apesar da inegável (e descrescente) influência da Igreja na sociedade portuguesa, eu não deixo de ver toda e qualquer expressão verbal emanada da Igreja, ou dos seus membros, como convites, como sugestões de vida. É certo que o convite cristão não é uma treta subjectivista, estilo Feng Shui ou búzios, mas sim um convite para aceitar uma verdade objectiva. Mas, para mim, está-se muito longe de “impingir” alguma coisa.
Se calhar, o Ricardo ainda se irrita por termos um povo com uma fé simples, honesta, limpa e saudável. Isso sempre irritou os ateus com elevada formação académica. No entanto, evitemos paternalizar o povo. A falta de formação académica, que tem os seus defeitos, pode ter a virtude de manter intacto aquele bom senso que só tem quem vive uma vida ortodoxa, em todos os sentidos da palavra.
Isto não é um manifesto anti-intelectual. Vindo de mim, que tanto prezo a intelectualidade, isso seria absurdo.
É uma defesa descarada, da minha parte, de uma fé popular simples e devota, certamente obediente à Igreja (sobretudo no Norte), que se tem mantido imune aos disparates saídos da boca de muitos “intelectuais” e “académicos”, que querem matar e enterrar Deus, e destruir a Fé e a Igreja.
Um abraço!
Caro Mingos,
Entendo o que quer dizer. Dúvidas como as que levanta foram estudadas por uma comissão teológica há umas boas décadas atrás. Dessa comissão, passou-se a um processo de introspecção feita pelo Papa Paulo VI, que culminou nessa encíclica monumental e magnífica, que é a Humanae Vitae.
Se ler a encíclica, verá respondidas as suas dúvidas, e verá porque razão a contracepção artificial não é compatível com a fé cristã, numa abertura à vida e ao plano criador de Deus.
No ano em que a encíclica fez 40 anos, com espantoso silêncio por parte de muitos católicos (porque será?), é importante recordar esse belo testemunho que nos foi deixado pelo Papa Paulo VI, ele que se debateu tanto com estas questões, e que se deixou guiar pelo Espírito Santo, publicando uma encíclica que o fez ser odiado pelo Mundo. Mas um cristão não deve temer ser odiado pelo Mundo: deve é temer perder a Vida Eterna.
Um abraço
http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae_po.html
Pedro
Desconheço estatísticas com teor científico e imparciais (sem influências das farmacêuticas e afins) mas, assumindo que os seus valores são correctos, não poderiam ser complementados com meios artificiais? Talvez assim a eficácia subisse para 100%. Quando refere que as estatísticas (supostamente influenciadas pelas farmaceuticas) promovem os meios artificiais, os meios naturais não são promovidos por um sentimento de inveja dos padres, bispos e afins que (supostamente) são castos, algo do género “já que nós não podemos, vocês podem mas não disfrutam a 100%”? Como pode um casal viver a sua sexualidade de forma despreocupada com o medo de surgir uma gravidez inesperada? Para onde vai o romantismo? “Olha amor, hoje não podemos porque não tenho a temperatura adequada”, isto é romântico!
Eu neste momento teria que mudar radicalmente a minha vida se tivesse mais um filho, estou a concluir a minha licenciatura após o trabalho, teria que abandonar os estudos e arranjar um segundo emprego. Tem melhores prespectivas de vida um licenciado que alguém só com o 12º ano, logo estaria a comprometer o futuro das minhas filhas. Paga a igreja algum subsídio a quem foi traido pelos métodos naturais? Ou anda aí muita gente a desistir dos seus sonhos em prol da religião?
“Por isso o método artificial mais usado, é um método machista, que põe sobre a mulher toda a responsabilidade da contracepção, e para isso a enche de químicos, destinados a tratar dessa doença infame, chamada fertilidade.”
Porquê apelidar os métodos artificiais de machistas? Eu vivo a minha sexualidade a dois, com a minha esposa, ela toma obrigatóriamente a pílula caso contrário tem hemorragias constantes, no entanto tenho igualmente a preocupação de a lembrar da hora de a tomar, que há de machista nisto? Encher de químicos? Quando tem uma qualquer doença, apenas a combate de formas naturais? Ou enche-se de químicos? A pílula mostrou-se de facto profilática no aparecimento de determinados tipos de cancro! Que há de errado nisso?
Não considero de modo nenhum a fertilidade uma “doença infame”, graças a ela que tenho duas filhas lindas, mas não me posso dar ao luxo de ter um terceiro filho (não porque não queira).
Caro Mingos,
Não me parece que o trecho que citou do Prof. Daniel Serrão apoie a sua posição.
Por favor, explique porque razão escolheu esta citação.
A expressão “em esclarecer quando o uso da pílula pode ser legítimo para regularização dos ciclos”, não é sinónima de “em esclarecer quando o uso da pílula pode ser legítimo para regularização da natalidade”.
São coisas diferentes: parece-me que o Prof. Serrão se está a referir aos usos médico-terapêuticos da pílula, e não ao seu uso como contraceptivo.
Um abraço
Mais um texto para refletir…
Agora de um padre Jesuíta JUAN MASIÁ CLAVEL comentando o livro “A sexualidade, a Igreja e a Bioética”:
“Pone el dedo en la llaga de los tres grandes errores de la encíclica de Pablo VI: 1) confundir lo artificial con lo antinatural, 2) entender la ley moral de un modo fixista y naturalista, y 3) creer que es competencia de la iglesia el interpretar dicha ley e imponer su interpretación a la ética. Como consecuencia de esta encíclica, la iglesia pierde credibilidad hacia fuera y angustia dentro de ella a unas pocas personas (¡cada vez menos!) que la siguen a la letra, creyendo que está prohibido pensar.”
Artigo em: http://blogs.periodistadigital.com/vivirypensarenlafrontera.php/2008/10/30/sexualidad-iglesia-y-bioetica
Caro Bernardo,
A citação do prof. Daniel Serrão parece indiciar que os métodos-naturais não são absolutos. É legitima para regular os ciclos, mas se durante esse período se tem relações sexuais quer dizer que se está a desumanizar a pessoa???
Ainda não me respondeu às seguintes questões: “até que ponto se pode absolutizar um método contraceptivo? Ao absolutizar apenas um, e somente, um método contraceptivo de certo modo estamos a afirmar que é o único lícito… mas será realmente assim? Será que um casal numa doação total de si ao outro e num encontro personalizante, ao utilizar um outro método contraceptivo (não abortivo), estará a desumanizar a relação de amor? Até que ponto poderá acontecer isso? Penso que não devemos ditar uma regra absoluta sem ver contextos específicos… cada caso é um caso. Podem existir casais que estão a usar a pílula e estão a usar-se como objectos de egoismo, como também poderá acontecer o contrário. E também podem existir casais que usam os métodos naturais e podem estar do mesmo modo a desumanizar a relação pelo facto de usarem o outro como um objecto dos seus caprichos. Isto na realidade é muito mais complexo: até que ponto só o facto de um casal utilizar métodos naturais está concomitantemente a humanizar a relação? Não poderá existir um casal que utilize a pílula e tenha uma relação totalmente humanizadora??? Até que ponto será lícito absolutizar um e apenas um método contraceptivo (sabendo que todos têm defeitos)?”
O que você pensa do artigo do padre jesuíta JUAN MASIÁ CLAVEL?
http://blogs.periodistadigital.com/vivirypensarenlafrontera.php/2008/10/30/sexualidad-iglesia-y-bioetica
Saudações cordiais,
Caro Mingos,
Eu não conheço o jesuíta Clavel que refere.
Partindo do texto que citou, parece-me o seguinte:
«“Pone el dedo en la llaga de los tres grandes errores de la encíclica de Pablo VI»
À parte da aparente arrogância de elencar 3 erros numa encíclica de um Sumo Pontífice…
«1) confundir lo artificial con lo antinatural»
Não vejo onde está essa dita “confusão”. Acho que se trata de uma das encíclicas mais claras e compreensíveis do século XX. Por essa razão, talvez, lhe dirijam tanto ódio. Os métodos naturais aproveitam a própria estrutura fisiológica da fertilidade humana, enquanto que outros meios físicos (preservativo) ou químicos (pílula) procuram viciar a fertilidade humana, criando artificiais períodos de esterilidade temporária.
«2) entender la ley moral de un modo fixista y naturalista»
Ora essa!
É evidente que a lei moral é “fixista” no sentido em que é eterna. Obviamente, o que é errado é sempre errado, e o que é certo, é sempre certo. A moral aborda a esfera das decisões humanas, e o Homem é sempre Homem, independentemente do século ou era. Só numa caduca perspectiva relativizante é que se suporia que um acto errado ontem poderia ser certo hoje, ou vice-versa. Note-se que a Moral, assim, com “M” grande não pode ser confundida com “costumes”. Os costumes são um pouco como a moda, vão variando com o tempo, sem grande impacto de fundo. A Moral é algo mais profundo. Diz respeito às grandes questões: não matar, não roubar, não cobiçar, entre outras coisas. Supor que a moral da Igreja é apenas matéria de costumes, e que portanto, teria conteúdo que variaria com o tempo, é um insulto à moral cristã, cujo fundamento é Cristo.
«3) creer que es competencia de la iglesia el interpretar dicha ley e imponer su interpretación a la ética.»
Tem a certeza de que este senhor é católico?
É claro que é competência da Igreja interpretar a lei divina e estabelecer moral e doutrina. E, curiosamente, não só é competência, como tem ainda infalibilidade nessas matérias.
«Como consecuencia de esta encíclica, la iglesia pierde credibilidad hacia fuera y angustia dentro de ella a unas pocas personas (¡cada vez menos!) que la siguen a la letra, creyendo que está prohibido pensar.»
Que interessa ter credibilidade num mundo sem credibilidade?
A encíclica Humanae Vitae não proíbe pensar: antes pelo contrário, é o resultado de um raciocínio correcto e justo, diria mesmo, corajoso, assim como são corajosos os católicos que se aplicam a viver a vida do modo que o Papa recomenda.
Está na altura de muitas pessoas perceberem que o caminho de Cristo é um caminho de exigência, e não um caminho de banalidade. É um caminho de esforço e sacrifício, pois tudo o que é belo neste mundo exige esforço e sacrifício.
Fico com muita pena, caro Mingos, ao ver que recorre a textos de uma pessoa que, a ser católico, terá que ser necessariamente dissidente, pois pelas suas palavras, há muito que perdeu o rasto à catolicidade.
A sua questão: “até que ponto se pode absolutizar um método contraceptivo?”.
É que os métodos naturais não têm nada a ver com os restantes, como está bem claro na Humanae Vitae.
Porque razão não “absolutizar” esses métodos, se são métodos adequados e os restantes são errados?
Devolvo-lhe a pergunta: “porque não absolutizar os métodos que estão absolutamente adequados à fertilidade humana”?
Suponhamos que, com o avanço da ciência, se torna cada vez mais rigoroso o teste à fertilidade, e que cada vez com mais precisão, o casal conhe o momento fértil ou não fértil do ciclo. Isso seria uma afinação aos métodos naturais, e seria algo de perfeitamente legítimo. Nesse sentido, há um caminho tecnológico a percorrer nos métodos naturais, o que permite uma evolução, sem os erros morais da contracepção artificial.
«Não poderá existir um casal que utilize a pílula e tenha uma relação totalmente humanizadora?»
O Papa Paulo VI explica que não. Explica que, ao intervir de forma artificial, gerando uma infertilidade artificial, o casal que usa a pílula está a perverter o uso normal da sexualidade humana. Está a “aldrabar” a sua fisiologia. Ora, quando aldrabamos a nossa fisiologia, estamos a “mentir” com o corpo. Eu acho isso desumanizador e empobrecedor.
Um abraço
Caro Mingos,
«A citação do prof. Daniel Serrão parece indiciar que os métodos-naturais não são absolutos.»
Não vejo como.
«É legitima para regular os ciclos, mas se durante esse período se tem relações sexuais quer dizer que se está a desumanizar a pessoa???»
Como em todas as decisões humanas, é a intenção pessoal que confere a validade ao acto.
Se há uma prescrição médica, a indicar a pílula como reguladora do ciclo, trata-se de uma prescrição médica com um objectivo fisiológico, regulador do equilíbrio, que não deve ser prescrita tendo em vista a regulação dos nascimentos.
Se, no entanto, um casal usa continuamente a pílula para evitar nascimentos, mas se desculpa dizendo que a usa para “regular ciclos”, quando tal não é preciso para a saúde da mulher, então penso que não é uma atitude legítima.
Note-se que, no cristianismo, o pecado comete-se com alma, sempre, primeiro. O pecado ressalvado na Humanae Vitae tem a ver com o interferir num processo natural de fertilidade com vista a o anular ou inibir. Obviamente, o uso de um medicamento prescrito com um objectivo fisiológico de saúde, não tem mal algum moral.
Um abraço
Caro Bernardo,
Como afirma o Padre Anselmo Borges: “Uma razão fundamental do mal-estar em relação à Igreja provém da sexualidade. Desde o século XVIII, muitos terão iniciado o seu abandono, porque concretamente a confissão, patologicamente centrada no pecado sexual, esmiuçado até à exaustão, começou a ser sentida como invasão indevida da intimidade e ferindo inclusivamente os direitos humanos” (cf. http://dn.sapo.pt/2007/12/08/opiniao/a_igreja_catolica_labirinto_sexo.html). Parece que a Igreja ainda tem medo de tudo o que é sexual e prazer. E continua o Padre Anselmo Borges apelando para que “a Igreja tem de reconciliar-se com o corpo, a mulher e a sexualidade. Não confessa o cristianismo que Deus mesmo em Cristo assumiu a humanidade em corpo? O Papa não pode continuar, nas suas visitas pastorais, a ter de pedir constantemente desculpa pelos padres pedófilos. A pedofilia é um crime e é incompatível com o sacerdócio. A Igreja tem de ser uma instituição fiável, mas há quem pense que, neste domínio, enquanto se mantiver a lei do celibato obrigatório, ela estará sob o fogo da suspeita” (cf. http://dn.sapo.pt/2008/08/02/opiniao/quarenta_anos_depois_a_humanae_vitae.html).
Quanto à “Humanae Vitae” o padre Anselmo Borges fala do novo livro, Jerusalemer Nachtgespräche (Conversas nocturnas em Jerusalém), do cardeal Carlo Martini, onde este “reconhece que o facto de Paulo VI ter subtraído o tema aos Padres conciliares, para assumir “a solidão da decisão” de modo totalmente pessoal, “não foi um bom pressuposto”. À distância de 40 anos e face aos aspectos positivos da encíclica, mas também aos seus “estragos”, poderíamos ter “uma nova perspectiva”. “Estou firmemente convencido de que a direcção da Igreja pode mostrar um caminho melhor. A Igreja recuperará credibilidade e competência.” “É um sinal de grandeza e autoconsciência alguém confessar os seus erros e a sua visão estreita de ontem.” Assim, embora não seja provável que o Papa revogue a encíclica, o cardeal espera que possa escrever uma nova, que vá mais longe: “É legítimo o desejo de que o Magistério diga algo de positivo sobre a sexualidade.” O equívoco da encíclica é a sua concepção de uma natureza fixa e imóvel, centrada na biologia. Ora, por um lado, a sexualidade humana não se reduz à biologia, pois tem de integrar múltiplas dimensões – a biologia, a afectividade, a ternura, o amor, o espírito – e, por outro, a ética não tem um fundamento naturalista e biologista. Depois, é próprio da natureza do Homem ser histórico e cultural e intervir artificialmente, com responsabilidade, na natureza” (cf. Op. Cit.)
Amigo Bernardo, será que o cardeal Carlo Martini, o jesuíta Juan Messiá Clavel (professor universitário de ética), o padre Anselmo Borges, são anti-católicos? Ou são grandes católicos por estarem a fazer aquilo que “Gaudium et Spes” §4 pede, ou seja, “investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho”?
Quanto à questão dos métodos contraceptivos (caminho de regulação da natalidade – excluindo totalmente qualquer meio abortivo, e a esterilização directa), é importante analisando a sua eficácia, inocuidade, e aceitabilidade (psicológica, social, cultural). É de salientar que nenhum dos métodos realiza de forma optimal a eficácia, inocuidade, e aceitabilidade – por exemplo, os métodos de ritmo (chamados [indevidamente] “naturais”) têm o inconveniente de certa dificuldade de utilização, nomeadamente em pessoas de diminuto nível cultural, o que faz aumentar o número de falhas; do mesmo modo, este método pode não respeitar, nalguns momentos da vida em casal, a dinâmica do amor conjugal, com todas as consequências daí decorrentes para a harmonia dos esposos. Assim, não se pode absolutizar nenhum método; então, é só a quem vive a relação de amor (e só a eles) que cabe a decisão da escolha do método. (Cf. TRIGO, Jerónimo – “Paradigmas de ética sexual”. In: Communio (Fidelidade e Sexualidade), nº2, 1997, pp. 141-143; Cf. PINTO, J. R. Costa – Bioética para todos. Braga: Editorial A.O., 2006, pp. 59-62).
Você diz que é “evidente que a lei moral é “fixista” no sentido em que é eterna. Obviamente, o que é errado é sempre errado, e o que é certo, é sempre certo”. Então, diga-me porque é que durante séculos a Igreja dizia que a sexualidade era algo ERRADO e pecaminoso, tendo apenas uma visão generativa e genital da sexualidade, e porque é que havia um predomínio do procriativo sobre o unitivo, e porque é que se via a actividade sexual com cunho pessimista (S. Jerónimo, S. Agostinho, etc…) e porque é que durante séculos não se via a sexualidade como algo CERTO como nos diz as “Orientação Educativas Sobre o Amor Humano” §4, ou seja, uma “componente fundamental da personalidade, um modo de ser, de se manifestar, de comunicar com os outros, de sentir, de expressar e viver o amor humano”??? Não houve aqui uma mudança na lei moral da sexualidade por parte da Igreja??? Então como pode ser fixista???
Por fim, caro Bernardo, considero que invocar a lei natural não faz sentido em matéria sexual. Pois, não há métodos naturais. Toda a intromissão cultural na sexualidade é introduzir o artificial. Não é aceitável, na cultura moderna, imaginar que a fertilidade pode ser entregue, no ser humano, ao simples jogo das leis naturais. A fertilidade passou a ser um acontecimento cultural e, como tal, artificial, porque é o homem que cria a cultura e a cultura é artificial.
A separação entre coito e fecundidade, tornada possível pelo uso de uma anti-ovulação, é tão anti-natural como escolher, para o coito não procriativo, os dias seguramente inférteis da mulher, que só são conhecidos pela investigação científica. Quando os cônjuges, seleccionam estes dias para o coito estão, de facto, a separar o carácter unitivo e procriativo da relação sexual.
Penso que nenhuma religião aprendeu a lidar com este acontecimento formidável que é um homem e uma mulher se unirem sexualmente para terem prazer mútuo e gerarem filhos, por imposição biológica à qual o Homem, como ser inteligente, se pode opor, mas que não pode nunca eliminar.
Tal como comer é uma obrigação biológica, mas comer em excesso é gula, pecado…, a relação sexual é um impulso biológico, que os seres humanos são chamados biologicamente a cumprir, mas deve ser contido numa leitura cultural, humana e personalizante.
Às religiões deve competir, apenas, mostrar em que medida esta relação, de base biológica, pode ser integrada numa leitura transcendental da origem e destino do Homem.
Como dizia alguém, “não incomodemos Deus com assuntos de alcova”!!!
Um abraço em Cristo,
Rodrigues,
A eficácia dos métodos naturais aproxima-se da eficácia da pílula. Compreendo muito bem o facto que não querer/poder ter outro filho, pelo menos neste momento, mas essa é uma possibilidade, embora muito pequena, recorrendo tanto à pílula como aos métodos naturais. Conheço muitos casais que usam os métodos naturais, e no que diz respeito ao número de filhos em nada se diferenciam dos que usam métodos artificiais. Mas a união entre eles é maior, porque o planeamento familiar é um projecto a dois, que implica o sacrifício dos dois. Mesmo nos dias de em que a mulher está fértil, o casal tem que encontrar formas de exprimir o amor um pelo outro, resistindo ambos, em união, à dificuldade. Isto traz força ao casal para enfrentar as dificuldades, se for ler os testemunhos perceberá tudo isto e muito mais. Mas também não o quero convencer, só resolvi intervir quando começou a dizer que os métodos naturais eram pouco eficazes, o que não podia estar mais longe da verdade.
Mingos,
Apetecia-me refutar ponto por ponto a sua argumentação, que na realidade é quase toda do senhor padre Anselmo Borges, mas parece-me que o Bernardo o fará melhor do que eu. Só lhe quero dizer 3 coisas:
- claro que pode acontecer um casal que usa métodos naturais, usar mais o corpo do outro como instrumento, do que outro casal que usa métodos artificais, como disse o Bernardo, a intenção pessoal é que confere a validade ao acto. Isso realmente é possível, mas será provável? Não. Um marido espanca a mulher 5 vezes por semana, outro leva flores à mulher todos os dias, é possível que o primeiro ame mais a sua mulher do que o segundo? Sim. É provável? Não.
- o senhor Padre Anselmo, apoiante do sim à legalização do aborto, e com outras atitudes do mesmo género, já mostrou que não está a honrar a graça que lhe foi dada pelo sacerdócio. Um padre desses ofende muito mais a Cristo do que mil ateus militantes. A única coisa que posso fazer, mesmo na minha miséria, é rezar por ele, e por todos os que pertencendo à Igreja se recusam a aceitar o método instituído por Jesus.
- “não incomodemos Deus com assuntos de alcova”. Ou seja, a sexualidade é uma coisa tão pouco importante, que não devemos meter lá os critérios de Deus? Isso é um erro crasso, e para perceber porquê talvez não lhe fizesse mal ler a Teologia do Corpo, que é um conjunto de catequeses do Papa João Paulo II. Leia e veja se é verdade ou não. Se não for, terá sempre os Anselmos Borges, Bentos Domingues e Mários da Lixa, a quem seguir.
Olá Pedro,
você diz que eu tentei dizer o seguinte: “ou seja, a sexualidade é uma coisa tão pouco importante, que não devemos meter lá os critérios de Deus?”.
Não foi isso que disse, mas disse sim que: “Às religiões deve competir, apenas, mostrar em que medida esta relação, de base biológica, pode ser integrada numa leitura transcendental da origem e destino do Homem.”
Só acho que se está a ser um bocadinho fundamentalista quando estamos a absolutizar apenas um e somente um método contraceptivo, seja ele qual for. E ainda por cima, como defendi no final do último comentário, não há sequer métodos contraceptivos naturais, e todos eles têm as suas falhas…
Saudações em cristo
Caro Mingos,
«Como afirma o Padre Anselmo Borges: “Uma razão fundamental do mal-estar em relação à Igreja provém da sexualidade. Desde o século XVIII, muitos terão iniciado o seu abandono, porque concretamente a confissão, patologicamente centrada no pecado sexual, esmiuçado até à exaustão, começou a ser sentida como invasão indevida da intimidade e ferindo inclusivamente os direitos humanos”»
E o Mingos lê este trecho sem exercer espírito crítico?
Isto faz algum sentido? O que o Pe. Anselmo Borges nos está a querer dizer é que existe uma espécie de “memória colectiva” de cansaço da Humanidade face à Igreja? Ou seja, até ao séc. XVIII, as pessoas não se importavam de confessar pecados sexuais (que existem, e não são poucos), mas de repente, começaram a cansar-se a transmitir hereditariamente esse cansaço? E que por isso começaram a deixar a Igreja? Ou seja, a solução para a Igreja recuperar popularidade nas sondagens passaria por deixar de apontar certos pecados como tal? Dourar a pílula?
Já para não falar na forma como se trata a questão da confissão. A confissão é feita a Cristo, por intermédio do sacerdote! Como insinuar nesta matéria uma violação de direitos humanos? Quando leio coisas destas, fico com a sensação que seria difícil aos inimigos da Igreja fazer-lhe mais dano do que aquele que é feito por alguns “de dentro”.
Digo só uma coisa, Mingos: tenho pena, muita pena, dos dissidentes. Por eles mesmo, e por aqueles que eles arrastam consigo… Rezo por eles…
«Parece que a Igreja ainda tem medo de tudo o que é sexual e prazer.»
A Igreja tem medo do Mal. Todo o ser humano com juízo deve ter medo do mal. E o mal nasce em nós mesmos. Não nos enganemos com estes sofismas, caro Mingos, porque sabemos bem que há bons e maus usos da sexualidade e bons e maus usos do prazer. É preciso dar exemplos extremos? O violador está a exercer sexualidade, mas violenta e forçada. O violador está, provavelmente, a fazê-lo por prazer. “Sexualidade” e “prazer”, em si mesmos, são termos sem carga moral. Depende de muita coisa. A Igreja não tem medo da sexualidade entre cônjugues, nem tem medo do prazer sexual entre eles.
«E continua o Padre Anselmo Borges apelando para que “a Igreja tem de reconciliar-se com o corpo, a mulher e a sexualidade.»
Um sacerdote que escreve isto anda, de facto muito distraído, para não ter conhecimento dos textos da Teologia do Corpo, escritos pelo Papa João Paulo II, ou para não se ter dado conta de que Bento XVI introduziu o termo “eros” na sua encíclica sobre o amor, sem dar nenhum significado maligno ao erotismo, mas colocando-o no seu devido lugar.
Sobre o celibato e a sua presumida relação com a pedofilia, não falo.
Acho perverso, mesmo perverso, que se diga que a causa dos casos esporádicos de sacerdotes pedófilos é o celibato…
«Quanto à “Humanae Vitae” o padre Anselmo Borges fala do novo livro, Jerusalemer Nachtgespräche (Conversas nocturnas em Jerusalém), do cardeal Carlo Martini, onde este “reconhece que o facto de Paulo VI ter subtraído o tema aos Padres conciliares, para assumir “a solidão da decisão” de modo totalmente pessoal, “não foi um bom pressuposto”.»
Não foi um bom pressuposto?
Será que os prelados que cita ainda sabem o que significa ser Papa? Papa só há um!
Acho que isto quase raia o absurdo…
«À distância de 40 anos e face aos aspectos positivos da encíclica, mas também aos seus “estragos”»
Estragos? Quais estragos?
Sinceramente, Mingos, eu não consigo entender a sua posição.
Sei que há algumas pessoas que pensam assim, mas ainda não se deram conta de que há uma imensidão de católicos totalmente satisfeitos com a Humanae Vitae, porque a leram com abertura, com verdadeiro amor filial a Cristo e à Igreja.
«Assim, embora não seja provável que o Papa revogue a encíclica»
Mas porque o faria, Mingos?
Porque o faria?
A Humanae Vitae não só é uma encíclica brilhante, como ainda é corajosa, e sobretudo, profética. Ler a Humanae Vitae, com 40 anos de distância, faz-nos pensar e tremer ao verificar a precisão das previsões de Paulo VI sobre a banalização da contracepção, e os seus efeitos nefastos.
As suas palavras, permita-mo, estão totalmente em contra-ciclo. Hoje em dia, está-se a revalorizar a Humanae Vitae um pouco por todo o mundo. Portugal, como sempre, fica para trás. A nossa hierarquia não falou muito no assunto. Isso não quer dizer que, lá fora, o mundo pare. Hoje em dia, as críticas que o vejo a fazer são já consideradas preconceitos do passado. O Maio de 68 já lá vai, e muito do “espírito” da época, que tantos danos causou.
«O equívoco da encíclica é a sua concepção de uma natureza fixa e imóvel, centrada na biologia.»
Ah, ora por um lado, bate-se na Igreja porque ignora a Ciência. Como Paulo VI respeitou a Biologia, também leva por tabela? Que raio de forma de pensar, perdoe-me a sinceridade…
«Ora, por um lado, a sexualidade humana não se reduz à biologia, pois tem de integrar múltiplas dimensões – a biologia, a afectividade, a ternura, o amor, o espírito – e, por outro, a ética não tem um fundamento naturalista e biologista. Depois, é próprio da natureza do Homem ser histórico e cultural e intervir artificialmente, com responsabilidade, na natureza” (cf. Op. Cit.)»
O problema não está em intervir artificialmente na natureza. Quando um médico cura uma doença com uma nova vacina, etá a intervir artificialmente na natureza, quando usa quimioterapia ou radioterapia para combater um tumor, etc, etc… O problema, tão claro que a Humanae Vitae procura resolver, está em que muitos não compreendem a natureza do homem e a natureza da mulher. É um problema de antropologia, o que a Humanae Vitae procura resolver, e não um problema de “técnica” ou de intervenções artificiais na natureza.
«Amigo Bernardo, será que o cardeal Carlo Martini, o jesuíta Juan Messiá Clavel (professor universitário de ética), o padre Anselmo Borges, são anti-católicos?»
Voluntariamente anti-católicos, espero que não.
Involuntariamente católicos dissidentes, penso que é preciso ser cego para não o reconhecer.
«Ou são grandes católicos por estarem a fazer aquilo que “Gaudium et Spes” §4 pede, ou seja, “investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho”?»
Sinceramente, não os vejo nada como “grandes católicos”. Não me compete a mim julgar os outros: apenas vejo o óbvio, da parte dessas pessoas, uma cegueira ao próprio Evangelho que tanto afirmam procurar defender, uma contestação caduca, ultrapassada, preconceituosa, orgulhosa, arbitrária e não racional ao Magistério e ao Papa.
«É de salientar que nenhum dos métodos realiza de forma optimal a eficácia, inocuidade, e aceitabilidade – por exemplo, os métodos de ritmo (chamados [indevidamente] “naturais”) têm o inconveniente de certa dificuldade de utilização, nomeadamente em pessoas de diminuto nível cultural, o que faz aumentar o número de falhas»
O Mingos sabe que há aparelhos que se compram, aparelhos banais, que se metem na boca e apitam, com uma luzinha, a dizer se a mulher está no período fértil ou não?
Desculpe-me se tento refutar os seus argumentos convoluídos com contestações tão práticas, mas faz-me aflição que se estejam a dizer tantas coisas erradas e caducas em relação aos métodos naturais. É mais fácil usar um aparelho destes (que inclusive, não obriga a que se o use todos os dias), do que tomar a pílula todos os dias, com o consequente desequilíbrio hormonal que se lhe segue. O Mingos alguma vez leu a papelada que acompanha uma caixa de pílulas, as contra-indicações, os avisos, etc., etc.? Por favor, LEIA!
Compre uma caixa de pílulas só para ler a documentação médica. Por favor, faça isso…
«do mesmo modo, este método pode não respeitar, nalguns momentos da vida em casal, a dinâmica do amor conjugal, com todas as consequências daí decorrentes para a harmonia dos esposos.»
O único “inconveniente” dos métodos naturais é que há dias de abstinência, bem poucos por sinal. Se entender “dinâmica” como a tirania do “sexo aqui e agora porque eu quero”, então os métodos naturais não são para pessoas que não sabem lidar com abstinência sexual de poucos dias. Muito descontroladas, essas pessoas, e muito animalesca, essa “dinâmica de casal”, parece-me…
«Assim, não se pode absolutizar nenhum método; então, é só a quem vive a relação de amor (e só a eles) que cabe a decisão da escolha do método. (Cf. TRIGO, Jerónimo – “Paradigmas de ética sexual”. In: Communio (Fidelidade e Sexualidade), nº2, 1997, pp. 141-143; Cf. PINTO, J. R. Costa – Bioética para todos. Braga: Editorial A.O., 2006, pp. 59-62).»
Este trecho saiu na Communio?
Como é possível?…
Felizmente, essa moda da dissidência está a perder fiéis, pois as pessoas já perceberam que esse caminho de deturpação da doutrina, desde que se começou a distorcer o legado do Concílio Vaticano II, tem os dias contados, deu maus resultados, e já não está a mobilizar quase ninguém. O tal “espírito do Concílio”, esse fumo venenoso que procurou distorcer os próprios textos do Concílio, está a desvanecer-se. E já vai tarde… As pessoas de hoje estão SATURADAS de um cristianismo “morno”. Veja-se, por exemplo, e é só um exemplo, como as igrejas onde se celebra a liturgia com rigor e veneração, contrariando o abandalhamento das últimas décadas, estão a ficar, a cada dia, cheias de fiéis.
«Então, diga-me porque é que durante séculos a Igreja dizia que a sexualidade era algo ERRADO e pecaminoso, tendo apenas uma visão generativa e genital da sexualidade, e porque é que havia um predomínio do procriativo sobre o unitivo, e porque é que se via a actividade sexual com cunho pessimista (S. Jerónimo, S. Agostinho, etc…)»
Fico perturbado ao ler coisas como estas.
Como desembaraçar o novelo que o Mingos aqui deixou?
Parece que fala da “Igreja” como se fosse uma pessoa. A Igreja é feita das pessoas que a compõem, ontem, hoje a amanhã. Muitdas das coisas que o Mingos referem têm a ver com contextos sociais, com a influência do neoplatonismo (que menosprezava o corpóreo) e do gnosticismo (que considerava o corpóreo como maligno). Quanto disso é cristianismo? Quanto disso é Igreja enquanto tal? O Mingos esquece-se ainda de que há todo um tecido social: na Idade Média, por exemplo, a braços com pragas e pestes, com curta esperança de vida, achava-se que tais flagelos poderiam ser castigo divino por causa da imoralidade sexual. Como é que o Mingos não se digna a tomar em consideração que o mundo do século IX é difernente do mundo do século XII, do mundo do século XVI, do mundo do século XIX? Como é que não toma em consideração que a Igreja, em cada época, procurou ser fiel ao Evangelho, umas vezes bem, outras menos bem, outras mal. Mas nada disto implica que a moral da Igreja não seja constante. Apenas implica que a Igreja é militante, enquanto não for triunfante. Que a Igreja “vai a caminho”. É a Igreja que deve procurar adaptar-se, o melhor possível, a essa Moral Eterna, ao Livro da Lei de Deus. Pensará o Mingos que esse Livro muda de vez em quando?
Será o Livro de Deus, dos Seus Mandamentos, “fixista”?
Pois é, claro que é!
E ainda bem!
Parece quase que usa a palavra “fixista” como um adjectivo negativo.
A Igreja deve mudar, cada vez que estiver mal adaptada a essa Moral perene que é a Vontade de Deus.
Como por exemplo, a Igreja já está a mudar, a tentar resolver os erros do malfadado “espírito” do Concilio, tão contrário às decisões conciliares. Por isso se vê um regresso ao rigor litúrgico, um regresso a uma moral cristã genuínca, ao fim de um enganador “deslumbramento” com as asneiras da modernidade. A Igreja só pode estar bem consigo mesma se for fiel a Cristo, e não ao Mundo. Se a Igreja for fiel a Cristo, o Mundo lá irá ter. Se a Igreja optar por ser fiel ao Mundo, Deus nos valha…
E insisto, caro Mingos: os “conservadores” de hoje são os velhos clérigos agarrados às dissidências dos anos 60 e 70. Isso já passou. São velharias. Teologias da Libertação, abandalhamento litúrgico, apoio ao aborto e à contracepção, isso são águas passadas. Como dizia Chesterton, é preciso um conservador para manter a asneira. Os progressistas de hoje, dentro da Igreja, estão ocupados a sarar feridas, a revalorizar a fé, a trazer o ânimo de volta a uma Igreja que fez experiências erradas. Repito: a visão que o Mingos defende é a do passado. Ser “conservador” nessa matéria, quando isso já lá vai, é adoptar o espírito do Velho do Restelo. Vamos esquecer as modas do antigamente, e voltar o nosso olhar para Cristo. Felizmente, o Espírito Santo dota o Papa do bom senso de resistir às modas e às tendências desagregadoras.
Ser incoerente na fé é o fim da linha, caro Mingos.
De nada vale ser incoerente só para ganhar a popularidade dos outros.
«Como dizia alguém, “não incomodemos Deus com assuntos de alcova”!!!»
Ou seja, deitemos fora a moral sexual?
Não obrigado. Não quero isso para mim, para os meus, para a Igreja da qual faço parte.
Um dia terei que responder perante Cristo, e não perante os volúveis tribunais da opinião pública dos Homens…
Um abraço em Cristo (esse que deveria, afinal, ser o centro das nossas atenções)
Bernardo
Bernardo, subscrevo e aplaudo as suas palavras deste último comentário, sem tirar uma única linha… Combater o bom combate nos dias de hoje é quase equiparável ao dos primeiros cristãos, no meio de tanto erro, tanta ignorância. A mim assusta-me especialmente os erros que vêm de “dentro” e todos os que são levados pelas ideias esses lobos disfarçados de bons pastores. (Cardeal Marini, Pe Anselmo Borges, Leonardo Boff, entre tantos outros…)
Felizmente, e isso posso constatar principalmente quando me encontro na minha terra-natal no Norte, há cada vez mais fiéis e sacerdotes que se preocupam com o rigor litúrgico, com a Doutrina e com a verdade Divina, após um período de graves abusos. O que, por outro lado, me dá esperança de, em breve, se perceber de uma vez por todas que não é a Igreja que se tem de adaptar ao mundo. O mundo é q se deve adaptar à Igreja e à sua Doutrina imutável e, assim, a Cristo que é a Verdade.
Amigo Bernardo,
De todo o comentário que escrever aquilo que mais gostei foi sem dúvida o seguinte: “Um abraço em Cristo (esse que deveria, afinal, ser o centro das nossas atenções)”
Mas o debate agora é de outra espécie…
Afirma que “O único “inconveniente” dos métodos naturais é que há dias de abstinência, bem poucos por sinal”. Logo, se há inconveniente então não se pode absolutizar. Só se pode absolutizar uma coisa quando esta não tem defeitos… e como todos os métodos contraceptivos têm defeitos ou inconvenientes, logo não é legítimo absolutizar qualquer um deles. Estes dias de “abstinência” não nos fazem “quase” obrigar a construir um horário e calendário para a manifestação profunda do amor? Na construção de um calendário será que não se poderá de certo modo perder aquela espontaneidade própria do amor?
Continua afirmando que “Se entender “dinâmica” como a tirania do “sexo aqui e agora porque eu quero”, então os métodos naturais não são para pessoas que não sabem lidar com abstinência sexual de poucos dias. Muito descontroladas, essas pessoas, e muito animalesca, essa “dinâmica de casal”, parece-me…””
Tem toda a razão, amigo Bernardo, mas se se entender “dinâmica” num aspecto mais positivo? Por exemplo se se entender “dinâmica” como “o vivenciar o amor em toda a sua profundidade (o que inclui de certo modo a manifestação e união espiritual e corporal)”???
Voltando um pouco atrás…:
“Considero que invocar a lei natural não faz sentido em matéria sexual. Pois, não há métodos naturais. Toda a intromissão cultural na sexualidade é introduzir o artificial. Não é aceitável, na cultura moderna, imaginar que a fertilidade pode ser entregue, no ser humano, ao simples jogo das leis naturais. A fertilidade passou a ser um acontecimento cultural e, como tal, artificial, porque é o homem que cria a cultura e a cultura é artificial.
A separação entre coito e fecundidade, tornada possível pelo uso de uma anti-ovulação, é tão anti-natural como escolher, para o coito não procriativo, os dias seguramente inférteis da mulher, que só são conhecidos pela investigação científica. Quando os cônjuges, seleccionam estes dias para o coito estão, de facto, a separar o carácter unitivo e procriativo da relação sexual”.
O que você pensa do que eu afirmei?
Em suma, penso (e somente é um pensamento pessoal) que a Igreja não pode “impor” um método contraceptivo, mas sim pode propor (sem absolutizar) aquele que acha mais adequado segundo os seus critérios. Pois, no fim de contas e “em última análise, a consciência é inviolável e o homem não deve ser forçado a agir de forma contrária à sua consciência, como afirma a tradição moral da igreja”; assim, considero que é ao casal, e só a ele, a quem cabe a decisão sobre a escolha do método (qualquer que ele seja).
Um abraço em Cristo (afinal parece ser aquilo em que estamos plenamente de acordo
)
Bernardo,
Quero tb salientar que concordo totalmente com o seguinte:
“A Igreja é militante, enquanto não for triunfante. Que a Igreja “vai a caminho”. É a Igreja que deve procurar adaptar-se, o melhor possível, a essa Moral Eterna, ao Livro da Lei de Deus”.
Pois… mas que critérios temos para sabermos realmente que os métodos contraceptivos, como por exemplo os métodos das temperaturas, são realmente aqueles que estão inscritos na Lei de Deus? Se a Igreja vai a caminho, então, ainda não conseguiu explicitar totalmente essa Verdade… então como é possível absolutizar um e somente um métodos contraceptivo? Como pode ter a certeza absoluta que conseguiu explicitar a Verdade da Lei de Deus? Como somos seres finitos e limitados em “caminho”, alguma vez vamos conseguir explicitar de forma absoluta sem margens para erro a Verdade da Lei de Deus? Ou esta será apenas sempre expressa de um modo relativo, consoante a capacidade e hermenêutica de cada geração?
Abraço,
Caro João C.,
Obrigado pelas palavras encorajadoras. Aproveito para partilhar o que é a minha impressão: a de que, felizmente, o número de católicos fiéis à doutrina e à Igreja está a aumentar. Como dizia o Papa Bento XVI, é possível que o catolicismo perca fiéis, em termos puramente numéricos. Mas os que ficarem, serão sem dúvida pessoas com convicções sólidas e com fé madura.
Um abraço
Caro Mingos,
«Afirma que “O único “inconveniente” dos métodos naturais é que há dias de abstinência, bem poucos por sinal”. Logo, se há inconveniente então não se pode absolutizar. Só se pode absolutizar uma coisa quando esta não tem defeitos…»
Se calhar, não fui claro.
Repare que a palavra “inconveniente” está entre aspas. Como é evidente, os 4-6 dias de fertilidade no ciclo de 28 dias são uma bênção, sobretudo para os casais que estão às vezes tantos meses a tentar ter filhos. Como deveria ser evidente, esses parcos dias não são nada “inconvenientes”, a não ser numa perspectiva puramente sexista, que eu obviamente não adopto. E continuo sem perceber o que é que o Mingos quer dizer com “absolutizar”. Parece que insiste nessa palavra, como se ela ajudasse ao debate, mas não vejo como. Os métodos naturais funcionam pela aferição do ritmo normal da mulher, sem que esta se tenha que encharcar em hormonas introduzidas artificialmente.
O belo dos métodos naturais é que, para além de libertarem a mulher de uma “tirania” química (que em muitos casos se arrasta desde a adolescência até à menopausa, e que pode bem estar relacionada com a crescente dificuldade de tantos casais em ter filhos), permitem ao casal perceber com rigor o ciclo de fertilidade, sabendo quando podem viver a sua sexualidade sem concepção, e também sabendo quando podem esperar vir a ter filhos.
A sua posição, caro Mingos, e com todo o respeito, é totalmente indefensável.
«e como todos os métodos contraceptivos têm defeitos ou inconvenientes, logo não é legítimo absolutizar qualquer um deles.»
E vejo que insiste na palavra “absolutizar”. Então o que o Mingos sugere é “relativizar”?
Parece que estamos a brincar com palavras, e isso faz-me impressão. Onde estão as ideias, por detrás das palavras?
«Estes dias de “abstinência” não nos fazem “quase” obrigar a construir um horário e calendário para a manifestação profunda do amor?»
Não há horários ou calendários ” a construir”: eles já vêm embutidos na fisiologia humana. Não são artificiais, são naturais, esses ritmos.
«Na construção de um calendário será que não se poderá de certo modo perder aquela espontaneidade própria do amor?»
Mas considera que a fisiologia da mulher prejudica essa espontaneidade, ou seja, que há defeitos na fisiologia da mulher?
Sinceramente, não consigo mesmo fazer qualquer sentido das suas palavras.
«Tem toda a razão, amigo Bernardo, mas se se entender “dinâmica” num aspecto mais positivo? Por exemplo se se entender “dinâmica” como “o vivenciar o amor em toda a sua profundidade (o que inclui de certo modo a manifestação e união espiritual e corporal)”»
Belas palavras, Mingos, mas à custa de choques hormonais, e da violentação química das mulheres. Caramba, é tão simples quando se lidam com factos médicos concretos. Porquê fugir a eles?
«Voltando um pouco atrás…:
“Considero que invocar a lei natural não faz sentido em matéria sexual.»
Porquê? O sexo não é natural?
«Pois, não há métodos naturais. Toda a intromissão cultural na sexualidade é introduzir o artificial.»
Mas quem está a falar em intromissão cultural?
Estamos a falar num casal de homem e mulher, que olham para os seus corpos, que os lêem e que os compreendem. Que sabem interpretar o ritmo normal das suas fisiologias.
«Não é aceitável, na cultura moderna, imaginar que a fertilidade pode ser entregue, no ser humano, ao simples jogo das leis naturais.»
Fala do “jogo” das leis naturais, como se fosse algo maligno, como se o ciclo fértil da mulher fosse um empecilho, algo mal desenhado. Nota-se, claramente, que a heresia eterna, a heresia gnóstica, está sempre à espreita quando não se segue fielmente a doutrina. Só numa lógica gnóstica é que se pode afirmar que a fisiologia humana seria um qualquer tipo de “jogo” tirânico ou ditatorial, ao qual deveríamos fugir.
«A fertilidade passou a ser um acontecimento cultural e, como tal, artificial, porque é o homem que cria a cultura e a cultura é artificial.»
Não percebi.
«A separação entre coito e fecundidade, tornada possível pelo uso de uma anti-ovulação, é tão anti-natural como escolher, para o coito não procriativo, os dias seguramente inférteis da mulher, que só são conhecidos pela investigação científica.»
Agora está a atacar a ciência?
Caramba, Mingos, é assim tão complicado distinguir medição de medicação??
Claramente, a interferência química com os ritmos de ovulação (que faz da mulher, literalmente, uma pessoa estéril enquanto usa esses químicos) é algo de RADICALMENTE diferente de uma ciência de medição, não intrusiva, REPITO, não intrusiva e que se limita a constatar e a medir rigorosamente, com precisão, os ritmos normais da mulher.
«Quando os cônjuges, seleccionam estes dias para o coito estão, de facto, a separar o carácter unitivo e procriativo da relação sexual”.»
Não é verdade!
Estão, literalmente, a fazer uso natural do período natural que o Criador deu ao Homem e à Mulher para gozarem da sua sexualidade sem que dela decorram nascimentos. Eu diria mais: o facto de, em 28 dias, apenas 4-6 serem férteis, faz-me pensar num Criador muito amigo da sexualidade esponsal!
Mingos, sinceramente: não vejo como concordar com a sua posição, que me parece tão frágil, tão cheia de equívocos, tão confusa, tão cheia de sofismas, que quase que cai por terra sozinha…
Isto não é um ataque pessoal: tenho a maior consideração por si, que sempre debate com civilidade e respeito: estou, isso sim, em ataque cerrado às suas ideias, que me parecem totalmente erradas.
«Em suma, penso (e somente é um pensamento pessoal) que a Igreja não pode “impor” um método contraceptivo, mas sim pode propor (sem absolutizar) aquele que acha mais adequado segundo os seus critérios.»
A Igreja é mãe, Mingos.
Se há consequências negativas em todos os meios contraceptivos artificiais, deve a Igreja, como mãe, dizer aos seus filhos: façam como quiserem, escolham o que quiserem, que para a Igreja tudo vale. Isso faz sentido?
«Pois, no fim de contas e “em última análise, a consciência é inviolável e o homem não deve ser forçado a agir de forma contrária à sua consciência, como afirma a tradição moral da igreja”; assim, considero que é ao casal, e só a ele, a quem cabe a decisão sobre a escolha do método (qualquer que ele seja).»
Profunda falácia, Mingos. Se eu aplicar, “ipsis verbis”, a sua lógica falaciosa, então a Igreja poderia permitir o homicídio, pois o homicida que quer mesmo matar alguém, “não deve ser forçado a agir de forma contrária à sua consciência”. Vê a falácia?
«Pois… mas que critérios temos para sabermos realmente que os métodos contraceptivos, como por exemplo os métodos das temperaturas, são realmente aqueles que estão inscritos na Lei de Deus?»
É fácil: na velhinha tradição da Igreja, os nossos corpos são coisas boas, obras de um Deus Bom. Nada como ler o Livro da Natureza, pela luz das Ciências, para aprender o que a Lei de Deus tem para nos dizer. O método natural, pela sua afinidade com a Ciência e com o conhecimento da fisiologia da mulher, é o método mais adequado à Lei eterna de Deus.
«Se a Igreja vai a caminho, então, ainda não conseguiu explicitar totalmente essa Verdade…»
Não: nada disso. A Igreja tem a Verdade perfeitamente explícita. O problema da Igreja não é teoria, nem doutrina. É práxis, é a aplicação da mesma. Quando digo que a Igreja “vai a caminho”, não digo que ela tenha erros nos seus dogmas ou na sua doutrina: tais erros não existem, felizmente. Quando digo que a Igreja “vai a caminho”, refiro-me aos seus membros imperfeitos, que só com grande esforço conseguem viver na prática uma aproximação a essa doutrina de perfeição.
«Como pode ter a certeza absoluta que conseguiu explicitar a Verdade da Lei de Deus?»
É simples: ouvindo a promessa de Cristo, de que sempre estaria com a Igreja até ao fim dos tempos. Ouvindo as palavras de Cristo acerca de Pedro, da Pedra sobre a qual Ele edificou a Sua Igreja. Ouvindo o Papa. Garanto que é uma experiência que muitos católicos deveriam experimentar, de tempos a tempos, ouvir o Santo Padre.
«Como somos seres finitos e limitados em “caminho”, alguma vez vamos conseguir explicitar de forma absoluta sem margens para erro a Verdade da Lei de Deus?»
Penso que o dogma da Infalibilidade Papal, e toda a tradição de Verdade inabalável do Magistério, nos dão mais que margem de segurança no que toca à Vedade e à Lei de Deus.
«Ou esta será apenas sempre expressa de um modo relativo, consoante a capacidade e hermenêutica de cada geração?»
Essa perspectiva “hermenêutica” vai contra tudo o que é o cristianismo. É uma falsidade, herança da heresia modernista que assolou a Igreja no final do século XIX, e que pelos vistos, ainda sobrevive aqui e ali, sabe-se lá como e porquê…
Um abraço em Cristo!
Caro Bernardo,
De facto vivemos em mundividências diferentes, apesar de comungarmos do mesmo Cristo. Ao defender que só Deus é absoluto, não posso absolutizar (ou idolatrar outras coisas). Só Deus sendo absoluto e perfeito poderá ser e possuir a Verdade; no entanto, o ser humano como limitado e finito, nunca conseguirá alcançar tal Verdade… (se não fosse assim deixava de ser humano para se tornar Deus). Ao absolutizar qualquer coisa estou a dizer que essa coisa é totalmente certa, sem qualquer margem para dúvidas, e que o resto é totalmente errado. Mas será certo proceder assim? Posso “pensar que” está totalmente e absolutamente certo, mas “saberei que” está totalmente e absolutamente certo??? Também penso que se relativizarmos tudo, do mesmo modo, acho que não será uma visão inadequada; pois, de certo modo estamos a negar tudo. Então, talvez devemos ficar pelo meio termo, afirmando uma relatividade (não relativismo) da nossa mundividência. Relatividade porque nunca seremos o ser perfeito e absoluto, logo nunca conseguiremos inteligir de modo absolutamente perfeito a verdade de Deus. Apenas nos poderemos aproximar da verdade, mas nunca conseguindo provavelmente a total correspondência entre “logos” e “ón”… Deste modo, é absurdo “impor” alguma coisa, mas sim deve-se “propor” (até o próprio Cristo propôs, não impôs), cabendo a cada um (na sua consciência moral) aceitar ou não essa proposta. Falo de consciência enquanto moral (que vê que o bem é para ser feito e o mal é para evitar… [qual é a moral racional e crítica que considere o homicídio como um bem em si???]) e não de consciência enquanto “acordado”.
O seu comentário fez-me relembrar o seguinte texto:
“Uma ideia muito divulgada entre os críticos da religião em geral e do cristianismo em particular é a de que os crentes se consideram possuidores de uma visão total, coerente e integrada de Deus, do universo e da vida, não tendo portanto quaisquer dúvidas sobre o quer que seja, e que se alguma dúvida surge, ela é prontamente resolvida pelos padres e pelos teólogos; os crentes acreditam em dogmas rigidamente formulados e que não podem ser discutidos criticamente na sua formulação; a crença religiosa é uma questão de se aceitar cegamente até mesmo o que é absurdo, porque foi revelado por Deus; a religião alimenta-se de milagres, de crenças bizarras; etc., etc. Devo dizer que não me reconheço minimamente em tais caricaturas do cristianismo apresentadas em livros, artigos e textos vários cuja publicação se tem recentemente multiplicado” (cf. http://dererummundi.blogspot.com/2007/12/porqu-deus-se-tenho-cincia-i.html )
Saudações em cristo,
Errata:
onde se lê: “Também penso que se relativizarmos tudo, do mesmo modo, acho que não será uma visão inadequada; pois, de certo modo estamos a negar tudo.” deve-se ler: “Também penso que se relativizarmos tudo, do mesmo modo, acho que não será uma visão adequada; pois, de certo modo estamos a negar tudo.”
Mais uma artigo interessante sobre estas e outras questões:
http://da.online.pt/news.php?id=159184
Como refere o artigo, a Igreja deve ter uma mensagem de amor e felicidade, e não de repressão…
«”é absolutamente inadmissível que se continue a condenar o preservativo”, que em certas circunstâncias deve ser “não só possibilitado, mas considerado obrigatório”, em questões relacionadas com a saúde.
Numa altura em que se assinalam os 40 anos da encíclica “Humanae Vitae”, Anselmo Borges defendeu a necessidade de rever toda a questão da concepção artificial e que a Igreja deve abrir-se com “outra visão” em relação a esta matéria.
“É necessário um caminho novo para, de modo digno e fiável, falar do casamento, do controlo da natalidade, da procriação medicamente assistida e da contracepção”»
quanto à questão da infalibilidade papal relativamente à humanae vitae:
“Existe também a declaração formal do Vaticano de que desde 1870 só um ensinamento infalível foi emitido por um papa, nomeadamente a declaração de 1950 do Papa Pio XII acerca da assunção corpórea da Abençoada Virgem Maria no Céu. A implicação é de que nem a declaração Humanæ Vitæ nem a Ordinatio Sacerdotalis são infalíveis.”
Caro Mingos,
Independentemente da questão de saber se tais encíclicas são infalíveis ou têm conteúdo infalível, questão essa que talvez devesse ser esclarecida por quem fosse especialista na matéria, o importante é saber se as encíclicas são boas ou não. Sem contêm ensinamento cristão.
Analisando os movimentos cristãos, sobretudo os movimentos de casais, mais sensíveis a estas matérias, e quem está perto destes movimentos, vê claramente que a posição de Anselmo Borges é uma posição da “velha escola”, dos contestatários dos anos 60 e 70, que quiseram alterar profundamente o resultado do Vaticano II, tentando propagandear coisas que o Concílio não promoveu nem promulgou.
Eu vejo a posição de Anselmo Borges como uma posição dissidente.
Em muitas coisas, pelo grande desfasamento do que ele diz face à doutrina cristã, quase oarecem críticas vindas de fora.
Com todo o respeito, não me parece que a Igreja deva ir atrás de propostas de alguém tão em desacordo com a esmagadora maioria dos conceitos da Igreja. Pergunte a Anselmo Borges o que ele acha do conceito de pecado, do Pecado Original, da virgindade de Maria, da realidade física da ressurreição, da realidade física da presença de Cristo na Eucaristia, sobre a primazia de Pedro e do Papa, sobre a infalibilidade papal, sobre a salvação exclusiva do Homem em Cristo, ou sobre outros pontos centrais da doutrina, e verá que as suas posições estarão geralmente em oposição.
De alguém que discorda de tanta coisa em relação à Igreja de Cristo, é caso para perguntar, com muito respeito, porque razão escolheu a vocação de sacerdote desta Igreja.
Um abraço
Mingos, repito o que disse num outro post. As frases do Pe. Anselmo Borges não são a voz da Igreja. As declarações desse clérigo (e de muitos outros) deixam muito a desejar e só demonstram a falta de dignidade com que receberam o dom do sacerdócio. Aliás, nota-se uma falta de humildade no que respeita à obediência que lhe é exigida ao Santo Padre. Mas em relação à encíclica Humanae Vitae (sem entrar em discussão sobre a infalibilidade papal), temos também a recente afirmação do Cardeal Carlo Martini. Pois é Mingos, a esses lobos disfarçados de ovelhas dá-se facilmente ouvidos, em vez de se atender à voz da Igreja e do seu Pastor, o Santo Padre que age em nome de Cristo.
Caro Mingos, com tanta coisa boa para ler vai perder tempo a ler, e ainda mais grave a citar, este médico abortista? É porque se diz católico? Prefiro um ateu honesto a um católico destes. Acho que estre trecho diz tudo:
“é um “absurdo” um divorciado não poder ter relações sexuais, a proibição das relações sexuais antes do casamento, “já para não falar da pílula e do preservativo que ainda é proibido”.
“Jesus Cristo veio ao mundo para mandar uma mensagem de amor e felicidade às pessoas e não uma mensagem de repressão. Estou convencido que Jesus Cristo não se reconhece neste aspectos desta Igreja”
Ainda bem que apareceu este senhor para nos dizer o que Jesus Cristo pensa. Afinal 2000 anos de santos, e estavam todos errados.
só para terminar (que já não aguento tantos dogmatismos [sem sequer na realidade serem dogmatismo], tantas coisas infalíveis [que na verdade nem sequer foram proferidas "ex cátedra"], tantos ânsia cartesiana de ter uma visão absoluta e uma última palavra [embora se esquecendo da humildade do que poderemos conhecer uma vez que somos falíveis e finitos])… Do mesmo modo, o facto do ser humano ser falivel e finito não quer dizer que seja relativista, mas sim que tenha uma visão relativa da realidade, ou seja, nunca conseguirá ter uma visão totalmente inteligível que abarque todo o ser. Parece que o Bernardo, o Carlos, e o Pedro não conseguem ver isto. E mais, por mais que tentarmos falar da realidade do tu eterno, do ser absoluto, nunca o conseguiremos de um modo totalmente certo, pois a realidade do ser absoluto é trans-espacio-temporal… ora, a nossa linguagem é apenas espacio-temporal, então como é que com uma linguagem tão finita e limitada poderemos falar e inteligir uma realidade tão plena e tão trans-espacio-temporal??? Ou ainda temos as velhas ânsias cartesianas que vamos um dia ter um conhecimento totalmente pleno e sem margens para dúvidas???
Desidério Murcho reflecte muito bem sobre isto (sem cair no outro oposto do relativismo): “É talvez difícil de compreender que não há uma última palavra, tal como não há um último número. Tudo o que eu disse até agora implica que tudo o que eu disse até agora pode ser falso, por mais que eu pense que é verdade. E é isto que algumas pessoas parecem ter dificuldade em aceitar: a nossa falibilidade. Querem certezas, dogmas, garantias, métodos mecânicos que garantam a verdade, receitas que possam aplicar com segurança. Lamento dar más notícias, mas não há nada disso e nem sabemos se é verdade que nada disso há. Tudo o que podemos fazer é pensar cuidadosamente, e depois pensar outra vez.” (cf. http://blog.criticanarede.com/2008/08/ltima-palavra.html).
E termino com uma recomendação de Nietzsche a alguns cristãos (sim algumas críticas de Nietzsche são muito construtivas): “«Não julgueis»! dizem eles, mas mandam para o inferno tudo o que se encontre no seu caminho. Ao deixarem Deus julgar, são eles próprios que julgam; ao glorificarem a Deus, é a si mesmo que glorificam”. (cf. §44 em “O Anticristo”).
Saudações em Jesus Cristo, “o alegre mensageiro”, que de facto deixou-nos uma mensagem de amor e felicidade, e não uma mensagem de repressão, perseguição, ódio, etc…
Lol!… Mingos, sejamos sinceros…O Mingos é tudo menos católico não é? Só assim se explica essa aversão à Doutrina de Cristo e da Sua Igreja… Era preferível manifestar claramente esse carisma anti-católico logo, já que aceita as heresias protestantes sem reservas e recorre a autores no mínimo duvidosos…
Caro Mingos,
Gostava de perceber que razões o levaram a citar o “médico” (se se pode chamar médico a quem aborta) Oliveira da Silva, esse conhecido inimigo da ética (já nem falo inimigo do catolicismo).
O senhor Oliveira da Silva pode dizer-se “católico” à vontade. Se eu me dissesse “comunista” duvido que o PCP me deixasse assistir a uma reunião interna. Ele pode dizer que é o que ele quiser.
Hoje em dia, há imensos “católicos” ao estilo do senhor Oliveira da Silva.
Como não ver a manha da questão?
Claramente, o senhor Oliveira da Silva diz-se “católico” para tentar fazer passar a ideia de que há divisão na Igreja a este respeito. O senhor Oliveira da Silva, pelas asneiras que profere, coloca-se “ipso facto” fora da Igreja de Cristo. Aliás, é tão simples como isto: a posição pessoal deste senhor face ao aborto coloca-o em situação de excomunhão “latae sententiae”, ou seja, com efeitos imediatos. Para esse senhor regressar à comunhão plena com a Igreja deveria renegar os seus erros e confessar-se. Coisa que duvido que suceda…
Sinceramente, Mingos, porquê citar uma figura destas?
Como é possível que um católico inteligente não tope a manha do senhor Oliveira da Silva?
Já reparou quem estava com ele, no lançamento desse livro?
Porque não abrir os olhos?
Diga-me, Mingos, quem estava no lançamento desse livro?
Há coisas espantosas, há…
E há ainda uma frase do Oliveira da Silva com muita piada, na qual ele fala do distanciamento entre “o Magistério” e os fiéis. Vê-se que o senhor Oliveira da Silva anda arredado dos grupos católicos, das missas, e da vida interna da Igreja. Só assim poderia escrever uma asneira destas.
Deve ter andado ocupado a escrever estas coisas nos últimos anos, para não se ter dado conta de que a realidade é outra. O Papa Bento XVI é um papa amado pelos fiéis, como foi amado João Paulo II.
Só quem está de fora do filme é que julga que as coisas dentro da Igreja se passam como estes “outsiders” dizem…
Espantosas, também, as palavras de Anselmo Borges, se bem que hoje em dia já não me consigo espantar grande coisa com as palavras por ele proferidas…
Amigo João… só tenho aversão a fundamentalismos, tal como ver algum ser humano a achar-se que atingiu o conhecimento totalmente absoluto e inabalável, e que só a sua visão está certa, não havendo salvação fora da sua mundividência! Mas, temos que reconhecer que somos falíveis, temos uma linguagem muito limitada ao espaço e ao tempo, que somos seres humanos, e não somos Deus trans-espacio-temporal (para termos um conhecimento rigidamente certo da Sua lei)… Temos que ser humildes!
Adoro a doutrina de Cristo, pois, resume-se ao amor… Adoro, do mesmo modo, a Sua Igreja, pois, resume-se à evangelização deste amor, para sermos todos uma relação de amor com todo o cosmos, em paz e harmonia. Em suma: “para que todos sejam um” (Jo 17).
Quanto a essa “mania” que você tem de me JULGAR “anti-católico” recomendo que dê uma vista de olhos no comentário nº51, principalmente onde me refiro a Nietzsche…
Caro Mingos,
Está na moda ter “aversão a fundamentalismos”. Nesse sentido, o seu comentário não é original.
Mais do que ter aversão a fundamentalismos, é importante ter presente o fundamento da nossa fé: Cristo e a Sua Igreja.
É fácil fazer de “outsider”, e do lado de fora, apontar supostos erros à Igreja.
O que, no entanto, é a marca do cristão é o amor a Cristo E TAMBÉM à Sua Igreja.
Cristo prometeu-nos que estaria connosco até ao final dos tempos. Disse ainda que sobre Pedro edificaria a Sua Igreja.
Dizer que se ama a Cristo, sem amar a Igreja e o Sumo Pontífice, é uma grande incoerência.
Diz ainda que “temos que reconhecer que somos falíveis”. É claro que somos!
Qual é o cristão que afirma ser infalível?
Nenhum cristão é dono da Verdade, mas sim detido pela Verdade. Eu não estou na posse da Verdade, é ela que está na posse da minha pessoa. Eu procuro servir essa Verdade, esse Caminho e essa Vida que é Cristo.
A Igreja não cria doutrina: perpetua-a, transmite-a, por vezes redescobre-a ou desvenda-a. Mas não a inventa nem a cria. A doutrina vem de Deus. É infalível porque vem de Deus. A Igreja é apenas mensageira.
Pensar que a Igreja não tem verdades para nos transmitir (verdades essas que não são sua criação, mas sim de Deus), é não ter confiança na Igreja.
Sob a capa de uma pretensa humildade, jaz uma profunda desconfiança em relação à Igreja.
Convido-o, caro Mingos, a que medite sobre a impossibilidade de ter Amor em situação de desconfiança. Não há nem paz nem harmonia no meio da falsidade. E onde há incoerência, há falsidade.
Espero que, ao invés de seguir o “canto da sereia” dos dissidentes, redescubra na vida dos Santos esse Amor à Igreja de Cristo que nos faz servi-la, não de modo subalterno, subserviente ou passivo, mas do modo activo que é próprio dos seus filhos.
Um abraço
Caro Bernardo,
diz que: “A Igreja não cria doutrina: perpetua-a, transmite-a, por vezes redescobre-a ou desvenda-a. Mas não a inventa nem a cria. A doutrina vem de Deus. É infalível porque vem de Deus. A Igreja é apenas mensageira”.
Tem toda a razão… a doutrina vem de Deus que é trans-espacio-temporal. Mas, você está a esquecer-se que você mesmo é um ser espacio-temporal, logo, é absurdo afirmar que vai conseguir desvendar absolutamente a doutrina de Deus. A nossa linguagem é muito limitada, refere-se apenas aos fenómenos espacio-temporais… Então com capacidades tão limitadas como poderemos dizer dogmaticamente e sem margem para qualquer mínima dúvida que Deus trans-espacio-temporal condena e manda para o inferno todos os que usarem preservativos e a pílula????
Eu não desconfio da Igreja de Jesus Cristo, nem sequer tenho ódio como você me está indevidamente a JULGAR.
No entanto, todas as pessoas erram, todas têm uma linguagem espacio-temporal e finita, logo também será normal que essas pessoas possam nunca abarcar a verdade tão infinita de Deus. Se assim não fosse, necessitaria-mos de uma linguagem trans-espacio-temporal e era do mesmo modo necessário transcendermos as categorias do espaço e do tempo. Mas, o ser humano enquanto ser no mundo não consegue deixar a sua natureza finita e espacio-temporal, logo, é normal nunca conseguir inteligir de modo totalmente certo e inequivocamente uma verdade trans-espacio-temporal de Deus.
Tem toda a razão quando diz que “Cristo prometeu-nos que estaria connosco até ao final dos tempos”, até disse que quando dois ou três estão reunidos em seu nome, Ele (Cristo) estará no meio deles… Pois, Cristo é o ponto ómega que re-liga a relação de amor entre todo o cosmos! Realmente é só pelo amor que seremos todos um… É esta a grande verdade de Deus: Deus é Amor, e quer que comunguemos todos desse amor… é isto que verdadeiramente interessa!
Saudações cordiais,
Em suma:
Deus é trans-espacio-temporal.
O ser humano é espacio-temporal.
Como pode então o ser humano desvelar a verdade de Deus???
Pode-se dar uma epifania da verdade de Deus na mente do ser humano; ou uma adequação entre a mente humana e a realidade de Deus. Até podemos comparar isto com uma forma e um pudim. A forma seria a nossa capacidade de inteligir e o pudim a realidade de Deus passível de inteligibilidade. Assim, quando a verdade ôntica de Deus se “encontra”, desvela, com a verdade lógica (inteligibilidade da mente humana) temos a verdade ontológica (a verdade por excelência)…
No entanto, da parte da mente humana, devido à limitação espacio-temporal que a caracteriza, existe uma deficiente apreensão da inteligibilidade e de uma verdade de Deus tão imensa como é a trans-espacio-temporal, da verdade ôntica de Deus. Este erro não vem do lado ôntico, mas sim do lado lógico (ou seja, da mente humana e da sua limitação ao espaço e ao tempo). Deste modo, ao existir uma deficiência da verdade lógica, então, a verdade ôntica vai apresentar uma demência (ou seja, há uma deficiência na captação da verdade ôntica).
Portanto, é absurdo afirmar um desvelamento total e absoluto, sem margens para qualquer equívoco, da verdade ôntica de Deus. Por isso, tudo o que o ser humano diz até agora implica que tudo o que ele disse até agora pode ser falso, por mais que ele pense que é verdade. E como defende Desidério Murcho: “Tudo o que podemos fazer é pensar cuidadosamente, e depois pensar outra vez”. Ou seja, é necessário submeter tudo a uma crítica tão rigorosa quanto possível, para qualquer coisa não se tornar uma arbitrariedade nem um fundamentalismo cego e irracional…
Oh Mingos, é impressionante como consegue dar a volta às questões… Mingos, ser católico não é só denominar-se como tal e conhecer e amar Jesus Cristo. Os protestantes, hereges e cismáticos também amam Jesus, cada um à sua maneira, interpretando as palavras dos Textos Sagrados como lhes apraz. Mas nós, católicos, conhecemos a verdadeira Doutrina de Cristo através da Igreja (essa sim, que é detentora da Verdade) e não através daquilo que se nos parece ou daquilo que A, B ou C afirma.
Faria sentidosermos católicos só por amarmos Cristo, mas ao mesmo tempo sendo incoerentes e não concordarmos com os ensinamentos da Igreja?… Constituída por homens (criaturas limitadas e falíveis), a Igreja em si mesma é de origem Divina e, consequentemente, possui todas as verdades de Fé, toda uma Doutrina imutável e infalível! Antes de discordarmos ou de fazer juízos sobre as declarações de um padre, de um bispo ou até do Papa, devemos primeiramente saber o q a Doutrina no diz acerca desse determinado tema. Não é por birra, teimosia, feitio “conservador” de um Papa, de um colégio de cardeias ou de todos os clérigos do mundo que a Igreja não aceita, por exemplo, a utilização de métodos contraceptivos artificiais, a prática homossexual, o sacerdócio de mulheres etc, etc, etc…É, simplesmente, por fidelidade à sua Doutrina, ensinamentos que recebeu de Cristo, dos Apóstolos e dos Santos Padres.
“Então com capacidades tão limitadas como poderemos dizer dogmaticamente e sem margem para qualquer mínima dúvida que Deus trans-espacio-temporal condena e manda para o inferno todos os que usarem preservativos e a pílula???”
Primeiro ponto: Nós, com as nosas capacidades limitadas não podemos afirmar nunca que A, B ou C foi condenado ao Inferno e, como já lhe expliquei, só Deus conhece o íntimo de cada um e o estado da alma no momento da morte.
Segundo ponto: A Igreja oferece todos os meios indispensáveis à salvação eterna. Quem os dispensa, arrisca-se na verdade a ser condenado eternamente. Não porque Deus quer, que é infinitamente misericordioso, mas pela nossa livre e espontânea vontade, que recusamos e rejeitamos os meios que Ele nos dá para evitar o Inferno. A Igreja demonstra, através do seu Magistério, o “problema” de se usarem o preservativo e a pílula (métodos contraceptivos artificiais). Apresenta também, na sua Doutrina, formas de “resolver” este “problema”, não infringindo as Leis de Deus. Ou um católico é coerente (diferente de cegamente obediente, mas coerente, que passa pela racionalidade) com aquilo em que acredita e segue o caminho proposto pela Igreja (que zela pelo bem dos seus filhos); ou um católico não é coerente com aquilo que acredita, preferindo seguir uma opinião pessoal, contrária à Fé católica e aí bem pode ser chamado de falso e mentiroso: porque se denomina católico e defende heresias contrárias à Fé.
Sei que é difícil sermos coerentes com a Doutrina da Igreja nos tempos que correm. Mas já imaginou uma Igreja que vai atrás das modinhas e modernices de cada época? Que credibilidade teria? Se não há uma Verdade para nos conduzir por caminho seguro? A Igreja tem de ser coerente com aquilo que ensina e que defende, mesmo que nós, na nossa condição de meras criaturas, não compreendamos e que nos pareça uma loucura e um “atraso” nos dias de hoje.
“Cristo é o ponto ómega que re-liga a relação de amor entre todo o cosmos”. Hum.. Será que a sua visão de cristo não está um pouco contaminada de esoterismo à mistura?…
” [Deus] quer que comunguemos todos desse amor… é isto que verdadeiramente interessa!” E o Mingos sabe onde procurar esse Amor infinitamente diferente e superior ao amor mundano? Sabe quem o dá a conhecer?
Oh João, é impressionante como consegue ser tão fundamentalista…. Nota-se que não percebes-te patavina do meu comentário 58.
Como podes ver no comentário 58 nenhum ser humano é detentor da verdade total e absoluta. Só Deus que é absoluto, o ser mais perfeito! Só Deus é infalível!
Por mais que o João queira nunca conseguirá saber de modo inequívoco algo da verdade trans-espacio-temporal que é Deus. Não se esqueça João: você é um ser espacio-temporal e infelizmente está limitado por esta realidade!!!
Caro João… eu não defendo o relativismo… por isso é absurdo você fazer-me perguntas relativamente a isso. Mas, também sei bem quais são os limites do ser humano, logo também nunca conseguirá de modo inequívoco alcançar uma verdade trans-espacio-temporal. Portanto, “in medius virtus est”…
Você julga-me sempre em contradição com a Igreja Católica… Mas ainda não disse nenhuma heresia! Aprecio mesmo muito os ensinamentos do papa, e os ensinamentos da Igreja. Parece que quem está na realidade em contradição com a Igreja Católica é você.
O João é que está a criar um novo tipo de catolicismo que aldraba até certos ensinamentos da Igreja Católica, e até consegue fazer dogma aquilo que a Igreja Católica não faz de dogma. Isto é de mestre!!! É engraçado ver a sua terrível, fixista, castradora mundividência daquilo que é o catolicismo. Felizmente você fala de tudo menos daquilo que é realmente a Igreja Católica e os ensinamentos do amor de Jesus Cristo. Interessante ver que você se preocupa mais com as normas operativas concretas, mais com as formalidades, do que com aquilo que veemente interessa: Jesus Cristo e a união em relação de amor com todo o cosmos (Jo 17).
Sim… “Cristo é o ponto ómega que re-liga a relação de amor entre todo o cosmos”… recomendo-lhe ler os excelentes escritos do padre Teilhard de Chardin. Talvez fique mais esclarecido e com a mente mais aberta (nota-se que você está mergulhado nas trevas)!!!
E para construirmos esta “civilização do amor” basta ser cada um de nós o “instrumento” do amor de Deus, fazendo assim que Deus ama o outro através de nós, e nós amarmos a Deus através do outro. Temos que aceitar este amor infinito (que é Deus) presente no rosto do outro; pois, quando digo tu, dirijo-me também ao tu eterno, ao amor originário… Portanto, é sempre Cristo o ponto ómega, o amor, que re-liga a humanidade.
Mas se você quiser ir pelo formalismo frio e rígido é livre para fazer isso… mas se assim for, está a fazer tudo, menos a viver o cristianismo!
Sintetizando tudo o que disse…
NÃO devemos ABSOLUTIZAR qualquer método contraceptivo:
1- todos têm os seus inconvenientes.
2- nenhum realiza simultaneamente de modo optimal a eficácia, inocuidade, aceitabilidade (psicológica, social, cultural).
3- relativamente à Igreja Católica, sobre esta matéria nada foi proclamado “ex cathedra”, mas apenas houve uma recomendação. Portanto, a “Humanae Vitae” não tem carácter de infalibilidade, sendo (de modo global) uma boa proposta, mas nunca uma imposição…
4- Deus não deu, nem sequer obrigou a seguir, alguma norma operativa concreta para esta questão. O único mandamento geral explícito que Deus nos dá é o Amor (Mt 22, 34-39).
5- Do mesmo modo, qualquer norma moral concreta que se possa considerar como presente na revelação, só o será para o crente se este em consciência (ética) a considerar como tal. Concomitantemente, é preciso atender que não podem ser objecto de definição dogmática opiniões morais operativas concretas. E mesmo uma ordem (concreta) directamente recebida de Deus só se apresentará como vinculante para quem perceba que deve obedecer-lhe (certamente também pelo problema dos limites espacio-temporais da nossa linguagem); isto é, perceber que isso é que é bem e o contrário mal, sendo o bem para se fazer e o mal para evitar.
6- como recorda a Sagrada Congregação para o Clero, por ocasião do «caso Washington» e com a aprovação explicita de Paulo VI: “Em última análise, a consciência é inviolável e o homem não deve ser forçado a agir de forma contrária à sua consciência, como afirma a tradição moral da Igreja”.
Logo, é totalmente absurdo absolutizar ou divinizar qualquer método, fazendo disso algo totalmente certo e sem uma mínima margem para dúvidas, sendo, portanto, uma atitude de um autêntico fundamentalismo cego e irracional!
Caro João, talvez se faça alguma luz (na sua mundividência de trevas) também quando ler sobretudo o ponto 4 do seguinte artigo:
http://dererummundi.blogspot.com/2007/12/porqu-deus-se-tenho-cincia-i.html
Caro Mingos,
Com todo o respeito, queria que notasse que as palavras do João reflectem uma ortodoxia católica romana completa. Não se notam ambiguidades nas palavras do João, enquanto que o Mingos fala em “pontos Ómega”, “fixismos”, “absolutizações”, “trans-espacio-temporais”, e outras palavras pouco claras.
O meu caro amigo, se me permite, continua a relativizar a posição do Papa. Quando diz “aprecio mesmo muito os ensinamentos do papa, e os ensinamentos da Igreja”, deixa transparecer essas ambiguidades em relação ao Sumo Pontífice. A Igreja não é uma democracia, na qual o comum dos fiéis tem um voto com o mesmo peso que o do Papa. Há, sem dúvida, estruturas de “feedback” na Igreja, para que a hierarquia tenha conhecimento do que se passa ao nível dos leigos.
Chega quase a ser aberrante ler estas palavras, quase como se o Mingos escutasse as palavras do Papa como quem escuta um candidato a um cargo político. O Papa é pai dos fiéis. É o nosso pai na Fé.
A Igreja não nos pede apenas que “escutemos” o Papa. Pede-nos que lhe sejamos fiéis. O Papa Paulo VI sofreu muito com a recepção à Humanae Vitae. A incompreensão do Mundo foi esmagadora. Não por culpa do Papa ou por culpa do texto da Humanae Vitae, mas sim porque o mundo estava em contra-ciclo ético e moral, e não estava (e ainda não está em grande parte) receptivo à mensagem que o Papa tinha a dizer acerca do Homem.
Ao Papa, e à Igreja, assiste o Espírito Santo no ajuízar das verdades acerca de moral e de doutrina. O Mingos também confunde a infalibilidade explícita (“ex cathedra”, declarada, pronunciada), que é verdade que é rara e esporádica, com a infalibilidade implícita, que acompanha os ensinamentos doutrinais e morais do Magistério.
No fundo, a fidelidade à Tradição desse Magistério é sempre a fidelidade a Cristo. Por isso, é inútil todo o debate acerca das limitações do ser humano. De novo, e repetindo-me, não são os homens nem as mulheres os “detentores” ou os “criadores” da Verdade. Eles são detidos por ela, quando lhe são fiéis. Toda a verdade infalível de que temos vindo a falar vem de Cristo, vem de Deus. E por isso, é uma verdade que transcende os tais “espacio-temporais” de que fala. É Deus-Logos quem o consegue, e nós, ao sermos fiéis aos seus ensinamentos, partilhamos dessa verdade.
O ensinamento veiculado pelo Santo Padre Papa Paulo VI, na Humanae Vitae, é um ensinamento eterno e verdadeiro. Se é “fixista”, é porque é ensinamento sempre válido. Porque o Papa Paulo VI, nesse texto, explicou a sexualidade humana de uma forma profunda e séria. A pílula, ou qualquer outro método artificial, não respeita a natureza do homem e da mulher. Logo, rejeitar a distorção da sexualidade humana é o objectivo da Humanae Vitae, e só faz bem quem, honrando a sua natureza, segue os ensinamentos contidos nesse documento.
Se notar, Mingos, toda a sua argumentação permite o abandalhar completo do ser católico, com todo o respeito.
Se eu disser que até “aprecio” as palavras do Papa (como quem “aprecia” um certo tipo de opinião relativa), ao invés de dizer que professo as palavras do Papa, e se eu misturar no caldeirão do abandalhamento a ideia de que a minha consciência é que vai ser o garante das “minhas” verdades, é meio caminho andado para a asneira.
É certo que a nossa consciência pessoal é soberana, e que não devemos professar algo que não acreditamos realmente. Mas também não podemos ser tontos, e achar que a nossa consciência não se engana, ou que ela não é manipulável por propaganda.
Ao ouvir as palavras do Papa, estou a escutar 2.000 anos de tradição na transmissão de doutrina divina.
Seria tolo, se deitasse fora este tesouro inestimável.
O Mingos é livre de fazer o que entender: Deus dá-lhe essa liberdade, como é óbvio.
Mas pense bem no percurso que escolhe, e nas desculpas que poderá estar a inventar para si próprio, procurando ser o Mingos o juíz do que é bom ou mau na doutrina sagrada da Igreja.
Vamos recordar que a lição central do Génesis, e da doutrina do Pecado Original, centra-se no supremo pecado: sermos juízes do Bem e do Mal, sem entendermos que a Lei vem de Deus. Esse foi o Pecado gravíssimo dos nossos pais primordiais. Por essa razão é que o relativismo, erro doentio tão banal nos nossos dias, tem tanto a ver com o Pecado Original. Comer essa “maçã” é querermos ser Deus, independentemente de Deus.
Não vamos esquecer essa lição.
E outra nota curiosa, Mingos: se o Magistério não fosse capaz de professar verdades doutrinais, porque razão daria Cristo aos seus sacerdotes o poder para perdoar ou reter pecados?
Pense nisso…
Quando somos coerentes, podemos não ter a certeza de que estamos certos.
Mas quando somos incoerentes, como eu acho que o Mingos está a ser, e afirmamos coisas que chocam directamente com os ensinamentos de Cristo, então temos a certeza de que não estamos a professar o cristianismo na sua totalidade.
Note que o Mingos diz, se bem percebi, que não devemos tomar os ensinamentos da Igreja como infalíveis, por causa da falibilidade humana. Mas Cristo deu-nos garantias do contrário. Em que ficamos?
Um abraço
Mingos,
Ainda sobre a “consciência”…
Parece que persiste uma mania de tresler a questão da inviolabilidade da consciência, como se esta fosse a carta de Joker que o crente pode sacar do naipe para poder tomar as posições morais que lhe apetecer tomar.
Isto é falsíssimo, e em total contra-corrente face ao Vaticano II.
Da Constituição Gaudium et Spes, lê-se:
«ignidade da consciência moral
16. No fundo da própria consciência, o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer; essa voz, que sempre o está a chamar ao amor do bem e fuga do mal, soa no momento oportuno, na intimidade do seu coração: faze isto, evita aquilo. O homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus; a sua dignidade está em obedecer-lhe, e por ela é que será julgado(9). A consciência é o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser (10). Graças à consciência, revela-se de modo admirável aquela lei que se realiza no amor de Deus e do próximo (11). Pela fidelidade à voz da consciência, os cristãos estão unidos aos demais homens, no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social. Quanto mais, portanto, prevalecer a recta consciência, tanto mais as pessoas e os grupos estarão longe da arbitrariedade cega e procurarão conformar-se com as normas objectivas da moralidade. Não raro, porém, acontece que a consciência erra, por ignorância invencível, sem por isso perder a própria dignidade. Outro tanto não se pode dizer quando o homem se descuida de procurar a verdade e o bem e quando a consciência se vai progressivamente cegando, com o hábito do pecado.>
Notou a expressão “à qual deve obedecer”, essa lei divina à qual o Homem está sujeito?
Se calhar, acha este trecho da Gaudium et Spes muito “fixista”.
Há muitas pessoas que falam muito no Vaticano II, sem no entanto conhecerem os textos, atribuindo-lhes por vezes propósitos que eles não tinham, e distorcendo-lhes os ensinamentos.
Por favor, Mingos, não siga essa estrada.
É um pedido que lhe faço, sinceramente. É que essa estrada está cortada, algures.
Um abraço
Bernardo,
Obrigado pelas palavras de compreensão. Apesar de não conseguir, na maior parte das vezes, expressar-me numa linguagem mais elaborada (como o faz e muito bem o Bernardo), penso que o propósito é o mesmo: desfazer as distorções que se fizeram da Doutrina da Igreja, especialmente depois das más e grosseiras interpretações dos documentos do Concílio Vaticano II e que fizeram uma boa parte dos católicos cairem nas malhas da ditadura relativista que, a meu ver, é uma das piores ameaças a Fé Católica.
Cada vez mais acho que as pessoas que ainda mantêm uma coerência entre aquilo que professam e a maneira como o aplicam são as pessoas mais simples, sem grandes habilitações literárias, com a sua Fé simples, popular mas que, de facto, mantém, nas suas crenças e no seu testemunho de vida, a integridade da Doutrina Católica. Principalmente posso vireficar isso quando passo uns tempos no Norte, lá com os amigos e família… No entanto, já na rapaziada da minha idade (e eu ainda só tenho 22 anos), nota-se uma clara “inculturação religiosa”, com o aderir às tendências do relativismo…
Mas isso é outra história…
Mingos, enfim, para responder à questão da consciência: é óbvio que o homem se deve guiar pela consciência. Mas antes de seguir a consciência, o mais importante é cuidar dela, educá-la, com boas companhias, boas leituras, reflexão cuidada, de modo a que esta consciência esteja mais apta a seguir a lei natural inscrita no coração do homem. São Tomás de Aquino chama “razão divina” à lei natural e “razão humana” à consciência”. A lei natural, sendo inscrita no coração de cada um, é imutável, “fixista”, como gosta de lhe chamar… a consciência é meramente humana, sendo preciso educá-la correctamente para actuar em uníssono com a lei natural. A combinação das duas origina um pensamento ético e coerente . Resumindo, a consciência, em si mesma, não é infalível… Por favor Mingos, não relativize as coisas simples e objectivas…
Só mais um aparte, Mingos: “Portanto, a “Humanae Vitae” não tem carácter de infalibilidade, sendo (de modo global) uma boa proposta, mas nunca uma imposição…” Mas quem e que está a falar de infalibilidade? caso não saiba, nem todas as declarações do Papa são prnunciadas “ex cathedra”. Estas declarações apenas são infalíveis quando o Papa usa desse poder para se pronunciar sobre matéria de Fé e Moral para toda a Igreja.
No entanto, a Doutrina da Igreja é infalível, sendo revelada pelo próprio Deus. Assim, é óbvio que, mesmo que as declarações do Papa numa encíclica não seja explicitamente infalível, elas baseiam-se na Doutrina infalível da Igreja, logo, está implícita uma infalibilidade no que respeita ao conteúdo da encíclica em si mesmo. Assim acontece na encíclica Evangelium Vitae, Humanae Vitae, entre tantas outras… Parece-me tão óbvio como coerente!
“Aprecio mesmo muito os ensinamentos do papa, e os ensinamentos da Igreja.” Como católicos, mais do que “apreciar” os ensinamentos do papa, devemos segui-los e tê-los como guias na nossa vida de cristãos. Eu aprecio muitos ensinamentos: dos amigos, dos vizinhos, da família, do apresentador de TV, de um líder político, até alguns do Dalai Lama… Os ensinamentos do Papa (fiéis à Doutrina da Igreja) são para serem aceites pelos católicos, na medida em que nos ajudam a caminhar rumo ao nosso fim último, advertindo para o que poderemos encontrar durante o caminho, na nossa vida terrestre, e as formas de ultrapassar os obstáculos… Enfim, só quem está muito “por fora” é que não percebe isto, ou então alguém que, de facto, está numa de “rebelião” contra a Igreja de Cristo.
“Parece que quem está na realidade em contradição com a Igreja Católica é você.” Perante todos os contextos em que já debatemos, agradecia muito sinceramente que me dissesse em que aspectos
“O João é que está a criar um novo tipo de catolicismo que aldraba até certos ensinamentos da Igreja Católica, e até consegue fazer dogma aquilo que a Igreja Católica não faz de dogma.” Há-de mostrar-me onde e em quê… Respondo dentro dos meus conhecimentos (ainda tanto para aprofundar…) acerca da Doutrina de Cristo e da Fé Católica que foi (e é) ensinada durante 2000 anos pela Igreja, dispensando qualquer “novidade” nesse sentido e qualquer interpretação meramente humana (como a do Mingos) acerca das palavras e da vontade de Jesus. No meu entender, é simplesmente incoerente aquele que diz amar Cristo e que diz guardar as suas palavras e, ao mesmo tempo, faz orelhas moucas e tem uma atitude rebelde perante os ensinamentos da Igreja…
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ERRATA: Este último ponto foi por lapso.
Caro João,
Vamos especular um pouco (sem medo de dizer errar completamente)… Se Deus é trans-espacio-temporal, está então fora da nossa condição temporal, logo penso que poderemos dizer que é eterno! Se é eterno tem uma verdade (inteligibilidade) total, eterna (imutável)… Ora sendo a verdade de Deus eterna como a poderemos inteligir com uma capacidade tão limitada como é a nossa situação?
Mas temos algo revelado: a Boa-Nova! Temos pelo menos um ponto de apoio para avançar numa inteligilibilidade sempre relativa deste ser absoluto. Qual é a Boa-Nova? O AMOR… e que temos mais? Toda uma tradição da Igreja que foi especulando, deduzindo, e tentando sempre compreender relativamente e sempre com muitas dúvidas esta verdade de Deus. Tantas dúvidas que houveram nos concilios, e tentando ser ao máximo fiéis com Cristo, acrescentaram-se e iliminaram-se conceitos, doutrinas, normas… E ora como foi interessante o esforço de Agostinho ou Tomás de Aquino numa tentativa digna de excelencia de sistematizar os conteúdos da fé, adequando-os também à mundividência da época. Sim, penso que se nota realmente uma evolução nesta inteligibilidade sempre relativa deste transcendente que tudo abarca (até ao ponto de se fazer totalmente humilde numa manjedoura)… De facto, também é muito interessante que durante todos os séculos os teólogos e pensadores da religião, bem como o episcopado, não se alhearam às mundividências de cada época (aproveitando mesmo isso para harmonizar com o cristianismo). Mas, na base está sempre a escritura e a revelação, onde Cristo defende com toda a veemencia o AMOR, até ao ponto de ser crucificado… AMOR, para que todos sejam UM (a oração sacerdotal do capítulo 17 é lindissima, bem como a sua concretudo por exemplo na passagem do “lava pés”: o ser para o outro, o dar-se ao outro…).
Mas, poderemos dizer que conhecemos realmente e sem margem para dúvidas a lei de Deus? Para isso seria necessária uma crença verdadeira justificada… mas teremos alguma CVJ que corrobore isto??? Pois… pelo conhecimento nunca conseguiremos de forma totalmente clara e sem margens para dúvidas conhecer algo sobre Deus. É por isso, como defende Kierkegaard, quem tenta só conhecer Deus vai imediatamente escandalizar-se! Pois, se tentarmos (como os ateus) apenas pelo conhecimento e pela razão conhecer Deus, então, nunca vamos conseguir na realidade conhecer Deus, pois é uma realidade trans-espacio-temporal (e nós infelizmente estamos aprisionados no espaço e no tempo).
Só nos resta a Fé, mas como eloquentemente defende Gabriel Marcel: “Toda fé autêntica está enraizada no ser e no mistério”. E a revelação “revelou-nos” Cristo e o seu Amor. A fé é portanto aderir a este Cristo, à sua vida, à sua maneira de ser, às suas atitudes e à sua doutrina do Amor (ou como canta o Pe. Zezinho: Amar como Jesus amou, Sonhar como Jesus sonhou, Pensar como Jesus pensou, Viver como Jesus viveu). É isto que é ser cristão! Continuando com o pensamento de Marcel, ele defende que não podemos conhecer realmente e sem margens para dúvidas Deus, pois, isso seria reduzir e degradar Deus à categoria de objecto. Portanto, não falamos de Deus, mas com Ele… Não o podemos conhecer (objectualizar, objectivar, manipular,etc), mas apenas relacionar (à maneira buberiana “EU-TU”) amorosamente com Ele…
Tens a certeza absoluta e sem margens nem sequer para uma mínima dúvida, que um casal que se ame realmente, numa doação e entrega total, sendo cada uma para o outro sempre um fim e nunca uma mero meio (objecto), morrendo cada uma para si para nascer no outro e com o outro, sendo veemente no outro e na vida do outro uma real comunhão, presença, encontro, sendo cada um o verdadeiro ícone do Tu Eterno (Deus), e concomitantemente por este casal (que se AMA veemente) tomar a pílula como meio de uma regulação da natalidade para uma paternidade responsável, quer isto dizer que só pelo facto de se tomar a pílula esta casal deixa imediatamente de se amar veemente em comunhão entre “eu-tu” e entre “nós(eu somos)-Tu Eterno (Deus)”?????
Olá Mingos!
“Se Deus é trans-espacio-temporal, está então fora da nossa condição temporal, logo penso que poderemos dizer que é eterno! Se é eterno tem uma verdade (inteligibilidade) total, eterna (imutável)… Ora sendo a verdade de Deus eterna como a poderemos inteligir com uma capacidade tão limitada como é a nossa situação?” Sim, Deus é eterno e tem uma verdade eterna e imutável (fixista, se preferir…) De facto, somos limitados dada a nossa condição de criaturas: a criatura nunca pode ser tão perfeita nem compreender (e isto é lógica) totalmente o criador, senão tornava-se ela no próprio criador! Isso chama-se Gnose e teve origem no Jardim do Éden. Mas o Criador de todas as coisas, inifinitamente bom e justo, deu-nos várias maneiras de conhecermos a verdade eterna: uma delas é pela Lei Natural, inscrita no coração de cada homem, e pela qual sabemos o ue bom, o que é mau, o qué lícito e o que não é! Se bem que, hoje em dia, o relativismo em que se vive tudo mascara e o que é bom aparece como mau e vice-versa… E toda a Doutrina da Igreja (sim, é pela Ogreja que o Mingos conhece Cristo) vai de encontro a esta Lei natural, seja resumida nos Mandamentos da Lei de Deus, seja nas Bem-aventuranças… Porque afinal, foram ambas reveladas pelo próprio Deus.
“Toda uma tradição da Igreja que foi especulando, deduzindo, e tentando sempre compreender relativamente e sempre com muitas dúvidas esta verdade de Deus. Tantas dúvidas que houveram nos concilios, e tentando ser ao máximo fiéis com Cristo, acrescentaram-se e iliminaram-se [penso que quer dizer eliminaram-se] conceitos, doutrinas [a Doutrina é a mesma, só mudou a forma de a apresentar], normas… E ora como foi interessante o esforço de Agostinho ou Tomás de Aquino numa tentativa digna de excelencia de sistematizar os conteúdos da fé, adequando-os também à mundividência da época.” Até aqui, em geral, estamos de acordo…
“Mas, poderemos dizer que conhecemos realmente e sem margem para dúvidas a lei de Deus? (…) se tentarmos (como os ateus) apenas pelo conhecimento e pela razão conhecer Deus, então, nunca vamos conseguir na realidade conhecer Deus”. Deixe-me fazer uma pequena correcção: De facto, nunca chegaremos a conhecer plenamente as ideias, planos e intenções de Deus nem o próprio Deus, por sermos míseras criaturas. Mas a Lei de Deus está muito bem expressa na Lei Natural e nos prórpios Mandamentos da Lei de Deus que Igreja dá a conhecer… Quanto à via da razão para conhecer Deus, Mingos, a razão sem ser aliada à Fé, não lhe vai mostrar Deus. Porque a razão é humana, e como tal, limitada, enquanto a Fé é um dom de Deus. E através de quê é que Deus nos dá a Fé? Através da Igreja, primeiramente (mas não apenas) no Sacramento do Baptismo. Fé e razão, sempre aliadas.
Citou-me o padre Zezinho, apesar de eu até gostar bastante da música que nomeou, penso que não é o bastante para dar a entender o que é o Cristianismo, que é algo mais e superior que o que se diz na letra da música. Primeiro o maior de todos os mandamentos: Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas (com tudo o que isso implica!) e depois então o que resume os restantes nove: Amar o próximo como a nõs mesmos…
Quanto ao último parágrafo, repito o que disse no comentároi anterior: A Igreja demonstra, através do seu Magistério, o “problema” de se usarem o preservativo e a pílula. Apresenta também, na sua Doutrina, formas de “resolver” este “problema”, não infringindo as Leis de Deus. Ou um católico é coerente com aquilo em que acredita e segue o caminho proposto pela Igreja; ou um católico não é coerente com aquilo que acredita, preferindo seguir uma opinião pessoal, contrária à Fé. Qual é que o Mingos prefere?
Esta conversa continua no seguinte espaço de debate:
http://www.youtube.com/watch?v=7h15xIoVwWw&feature=related
Caro João,
Fugiu à minha questão… por isso volto a coloca-la para responderes directamente (e sem rodeios à questão):
“Tens a certeza absoluta e sem margens nem sequer para uma mínima dúvida, que um casal que se ame realmente, numa doação e entrega total, sendo cada uma para o outro sempre um fim e nunca uma mero meio (objecto), morrendo cada uma para si para nascer no outro e com o outro, sendo veemente no outro e na vida do outro uma real comunhão, presença, encontro, sendo cada um o verdadeiro ícone do Tu Eterno (Deus), e concomitantemente por este casal (que se AMA veemente) tomar a pílula como meio de uma regulação da natalidade para uma paternidade responsável, quer isto dizer que só pelo facto de se tomar a pílula esta casal deixa imediatamente de se amar veemente em comunhão entre “eu-tu” e entre “nós(eu somos)-Tu Eterno (Deus)”?????”
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Outras questões…
- Afirmas que: “nunca chegaremos a conhecer plenamente as ideias, planos e intenções de Deus nem o próprio Deus, por sermos míseras criaturas.” Mas, e então como poderemos conhecer e afirmar sem margens para qualquer mínima dúvida que a Lei Natural afirma normativa e taxativamente que a pílula e o preservativo são um mal???
- Consideras que a lei natural é como um código minucioso que, desde o tempo imemorial, contém já as listas para todo o sempre das prescrições que regulam toda a vida humana em todas as suas particularidades???
- Achas que a aplicação da lei natural varia muito? Será que não pode exigir uma reflexão adaptada à multiplicidade de vida segundo os lugares, as épocas e as circunstâncias?
- Pensas que os preceitos da lei natural são percebidos por todos de uma maneira clara e imediata, e sem margens para qualquer mínima dúvida, e portanto afirmando categoricamente que, por exemplo, a pílula é um mal???
- Ao utilizarmos um método contraceptivo de auto-observação (que é sempre artificial e nunca natural [como afirmas]) não poderemos estar a proceder mal (sendo este para evitar) quando se experiência egoticamente numa objectualização do outro?
- Por exemplo, a lei natural diz que é universalmente e imutavelmente um mal mentir, mas será que mentir para salvar uma pessoa inocente de um terrorista será um mal??? E no caso da pílula ou preservativo se for orientado para uma relação de verdadeiro amor, e não de objectualização do outro, será então um mal???
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Caro Mingos,
Tem a certeza absoluta e sem margens nem sequer para uma mínima dúvida, que um casal que se ame realmente, numa doação e entrega total, sendo cada uma para o outro sempre um fim e nunca uma mero meio (objecto), morrendo cada uma para si para nascer no outro e com o outro, sendo veemente no outro e na vida do outro uma real comunhão, presença, encontro, sendo cada um o verdadeiro ícone do Tu Eterno (Deus), e concomitantemente por este casal (que se AMA veemente) mas que o marido se embebeda 3 vezes por semana e dá um tareão na mulher, quer isto que só porque o marido se embebeda 3 vezes por semana e dá um tareão na mulher este casal deixa imediatamente de se amar veemente em comunhão entre “eu-tu” e entre “nós(eu somos)-Tu Eterno (Deus)”?????
Se respondeu não, acha que por este facto a Igreja devia deixar de condenar a violência doméstica?
Mingos, respondi á sua pergunta… caba-lhe a si ( a outros que se dizem católicos) decidirem por onde optar: se pelos caminhos ensinados pela Igreja ou pelas suas prórpias opiniões, com orgulho mascarado de “humildade” de seres limitados, contra tudo o que a mesma Igreja ensina…
* “cabe-lhe a si (e a outros que se dizem católicos)” lapso meu…
que quer dizer com: orgulho mascarado de “humildade” ???
Quero dizer que há pessoas, não só ateus, que, mesmo contrariando a Doutrina da Igreja, se acham no direito de se pronunciar baseadas apenas nas suas opiniões pessoais. Do género (a titulo de exemplo) alguém diz:
“Eu sou católico” – e como tal tenho obrigação de obedecer aos ensinamentos e à Doutrina da Igreja de Cristo.
Mas logo a seguir:
“No entanto, não aceito detrminadas exigências da Igreja nem alguns dos seus ensinamentos.” – Sinceramente não consigo perceber como um católico pode ser verdadeiro e coerente e chamar-se de ‘católico’ e logo em seguida dizer isto).
E porque não aceito?
“Porque a Igreja não pode dar a conhecer na totalidade Deus, pois é constituida por homens e nós somos homens, criaturas limitadas que não conseguimos perceber aquilo que nos transcende infinitamente.”
Aqui eu chamo de falsa humildade. Porque embora, reconhecendo que somos limitados, meras criaturas, Deus deu-nos muitos meios para O irmos conhecendo durante a vida na Terra. Aliás, Deus até assumiu a natureza humana, para se nos dar a conhecer! Só não O procura e encontra na Igreja, nos Textos Sagrados, na vida de cristãos quem não acredita na Igreja. Porque, de facto, a compreensão que temos de Deus nesta vida é imperfeita e limitada, devida as limitações da nossa condição de criaturas. Mas Ele é um Deus pessoal, Pai amigo que se nos dá a conhecer! E d muitas formas… Se não vê nisto a bondade de Deus…
Ou seja, resumindo… Rejeitando os ensinamentos da Igreja, preferindo as opiniões que nós prórpios temos das coisas (com a nossa mentalidade humana e limitada), estamos a ser demasiado orgulhosos… Não são as leis de Deus que se moldam à nossa mentalidade, nem às modas, nem aos tempos que passam.. Nós sim, devemos ser moldados e guiados pelas Leis de Deus e da Igreja… Se não aceita isso, bem pode chamar-se de católico mas, assim, está a ser completamente incoerente com aquilo que diz ser e com aquilo que manifesta…
Pode estar um pouco confuso o texto, mas dormi pouco e peço desculpas por isso…
Espero ter-me feito entender…
Bem… pelo que entendi o João C. é católico só porque aceita dogmaticamente e sem qualquer espirito crítico a apologética, a normatividade, o direito canónico, o formalismo…
Mas, é mais veemente cristão católico (universal) aquele que faz uma “conversão” interior, ou seja, uma mudança no “coração” de modo a aceitar a graça de o Tu Eterno oferece gratuitamente… para que todos sejam um…
Crer é como amar, e quem prova o amor não ama… (Kierkegaard)
Olá Mingos
“pelo que entendi o João C. é católico só porque aceita dogmaticamente e sem qualquer espirito crítico a apologética, a normatividade, o direito canónico, o formalismo”. Errado. Sou católico exactamente por ter espírito crítico! Se lhe contasse tudo o que já neguei e em que já acreditei… Conheço bem e aprofundadamente muitas doutrinas contrárias à Doutrina da Igreja. Passei por períodos de negação do Divino. De aceitação do Divina e negação do poder da Igreja. Por ter esse mesmo espírito crítico é que sou católico, com todas as responsabilidades que isso implica. Com muitos erros, muitas falhas, muitas quedas, mas considero-me um católico fiel à única Igreja de Cristo. Essa conversão (sem aspas) e a mudança no coração de que fala, aceitando e aproveitando a graça que Deus me oferece gratuitamente, tento fazê-lo todos os dias.. Uns dias melhor que outros…
Parece conversa de chaha e tirada de umas páginas sentimentalistas… Mas não é.. São verdadeiras e foi através da reflexão e do espírito crítico que tento sempre e cada vez mais manter-me fiel à Doutrina da Igreja Católica. Defendendo-a sempre e combatendo as marcas e erros que a ditadura relativista do mundo de hoje deixa para as gerações futuras…
E em todas as circunstâncias…
“DITADURA RELATIVISTA” ??????????
AHAHAHAHAHAHAHA…
Bem…isto é o que se chama de autêntico pontapé na lógica! E já agora porque não…
“DEMOCRACIA DITATORIAL”
“AUTORITARISMO SIMPÁTICO” (esta vai com dedicatória para a Manuela Ferreira Leite…)
“NAZISMO FOFINHO”
“HOLOCAUSTO PRÓ-VIDA”
Ai ai ai…
Pontapé na lógica também poderia ser “RAZÃO INCOMPATÍVEL COM A FÉ”, ou “SER CRENTE É SINÓNIMO E IRRACIONALIDADE”… n quer adicionar esses à sua lista?
Não João. Não tenho muita paciência para fazer listas e compêndios de coisas absurdas: isso é tarefa para profetas e evangelistas.
“E em todas as circunstâncias…” até mesmo quando é absurdo…
Sim, Mingos, até mesmo qd parece absurdo…
lol
O João C. acredita num cristianismo deveras interessante… mas será que é uma verdadeira crença?
em: http://dererummundi.blogspot.com/2007/12/porqu-deus-se-tenho-cincia-i.html vemos o seguinte:
“4. Imagens incorrectas do cristianismo. Uma ideia muito divulgada entre os críticos da religião em geral e do cristianismo em particular é a de que os crentes se consideram possuidores de uma visão total, coerente e integrada de Deus, do universo e da vida, não tendo portanto quaisquer dúvidas sobre o quer que seja, e que se alguma dúvida surge, ela é prontamente resolvida pelos padres e pelos teólogos; os crentes acreditam em dogmas rigidamente formulados e que não podem ser discutidos criticamente na sua formulação; a crença religiosa é uma questão de se aceitar cegamente até mesmo o que é absurdo, porque foi revelado por Deus; a religião alimenta-se de milagres, de crenças bizarras; etc., etc. Devo dizer que não me reconheço minimamente em tais caricaturas do cristianismo apresentadas em livros, artigos e textos vários cuja publicação se tem recentemente multiplicado, também neste blog. Considero além disso que, objectivamente, estas caricaturas não correspondem à realidade do desenvolvimento histórico do cristianismo nem à sua actualidade. Os cristãos não sabem tudo, as dúvidas são elementos integrantes da crença religiosa, e o espírito crítico é fundamental para que a religião não caiam no dogmatismo fundamentalista ou na superstição. Além disso, os tradicionais dualismos como natural/sobrenatural, imanente/transcendente, este mundo e o outro, etc., tradicionalmente relacionados com a crença religiosa, exprimem mal, a meu ver, a autocompreensão do cristianismo”.
É interessante ver o João C. a aceitar cegamente até mesmo o que é absurdo…
Isso é que é ter um grande espírito critico!
E não é absurdo que o Deus omnipotente Se faça presente num bocado de pão?
O próprio Deus pregado numa cruz? Disse S.Paulo: “mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios…” (1 Co 1:23)
Absurdo…escândalo…loucura! Era assim há 2000 anos, e continuará a ser, mas não é por isso que deixa de ser verdade.
Zé,
Para vocês tudo é “absurdo”, desde que englobe qualquer contacto com o Divino. Mas por uma coisa parecer “absurda”, não a invalida nem a torna falsa… Aceito sim, tudo o que a Igreja ensinou e continua a ensinar, desde há 2000 anos, pois confio plenamente na sabedoria da Igreja (mesmo que pareça defender coisas “absurdas” aos olhos do mundo) e na Sagrada Doutrina, que é de origem divina e cujas leis são imutáveis. Muito antes de confiar em qualquer lei ou ideia do mundo e dos homens…
Tudo é “absurdo”, quando não obedece à ditadura relativista do mundo. Mas é aí que está a verdade… Já desde há 2000 anos que ela se nos dá a conhecer através da Igreja… Seria, no fundo, um absurdo (sem aspas) se não déssemos ouvidos e se não atendêssemos aos meios que Ele nos dá para atingirmos o nosso fim último. Outro “absurdo”, correcto?…
Muito bem caro fundamentalista religioso e totalmente cego dogmatica e normativamente João C.,
Então consideras que não foi absurdo a inquisição que durante séculos matou pessoas inocentes em nome de Deus… mas as pessoas daquele tempo não diziam que isso era uma verdade dogmática e sempre certa vinda de Deus? Então também consideras que não foi absurdo todas as cruzadas que mataram milhares de pessoas durante séculos! Mas afinal naquele tempo não dizia o papa que era aquela a verdade imutável de Deus? Como foi possível o vaticano enganar-se tanto? E então para ti não foi absurdo extorquir todo o dinheiro de pessoas (até pobres) só para o vaticano enriquecer (mas felizmente apareceu Lutero). No entanto, o papa dizia que aquela era a verdade imutável de Deus…
E durante mais de 15 séculos não era absurdo e era uma verdade imutável de Deus que a terra estava no centro do universo…
E durante ene e ene séculos era uma verdade totalmente imutável de Deus que o Génesis foi escrito sobre o que aconteceu realmente nos inícios… e que existiu realmente o Adão, a Eva, a Serpente, a Maça… Tudo isto não era absurdo acreditar LITERALMENTE pois como defendia o vaticano aquela passagem foi realmente a verdade imutável de Deus….
Será que o vaticano é relativista só pelo facto de durante séculos mudar sempre de paradigma? Porque é que o vaticano não ensina a doutrina que ensinava no séc XI? Mas, a doutrina não é imutável? E será que a doutrina do séc XXI será exactamente igual à do século XXX??? mmmm….
E nos inicios do cristianismo não era absurdo a ordenação de diaconizas, e agora já o é!? Qual é afinal a verdade eterna de Deus?
Lamento informar-te caro João, apesar de Deus ser eterno, tu caro João, como qualquer humano, não vais nunca conseguir abarcar totalmente (nem ninguem) este Deus infinito e eterno. Ou queres fazer-te igual a Deus, em vez de relacionar-te com ele?
Dizes pateticamente que “Para vocês tudo é “absurdo”, desde que englobe qualquer contacto com o Divino.” Mas vocês quem??? porventura conheces-me??? saberás qual é o meu conceito de absurdo?
ABSURDO é tentar fazer do nada alguma coisa. Vou explicar: tentar fazer, por exemplo, dos “métodos de auto-observação” a unica coisa totalmente certa e inabalável por todos ou séculos dos séculos, dizendo que este método é absoluto… Isto é divinizar o método de auto-observação, fazer dele um Deus… EU A ISTO CHAMO IDOLATRIA. (e a idolatria é pecado!) Será que no século XXXI com os progressivos avanços da ciência não haverá um método de contracepção muito melhor que os de auto-observação? Então como poderemos dizer que este é o unico certo? Isto é o absurdo… fazer de algo, algo mais do que Deus… ou seja, ter mais certeza absoluta que os restantes métodos contraceptivos (a não ser os de auto-observação) são TOTALMENTE ERRADOS E MAUS, do que a própria certeza de Deus.
Pensa bem, vamos ser muito pragmatistas e descer um pouco à terra, como pareceu o “mingos” dizer nos comentários acima: UMA ESPOSA QUE COMO TU DIZES UTILIZA OS MÉTODOS CHAMADOS INVALIDAMENTE NATURAIS TEM RELAÇÕES SEXUAIS COM O SEU MARIDO, MAS AMBOS APENAS UTILIZAM-SE UM AO OUTRO COMO OBJECTOS DE PRAZER INDIVIDUALISTA, SERÁ QUE ISTO É UM BEM? SERÁ ESTA A VERDADE ETERNA E IMUTAVEL DE DEUS?
) ISTO É O ABSURDO JOÃO… é a tua total idolatria e consegues quase ser ateu chamado-te a ti mesmo de Católico.
(por absurdo, o João C. idolatricamente defende que sim… parece então que todas as relações sexuais adquirem sentido só pelo facto de se utilizarem os métodos chamados naturais, mesmo que a outra pessoa seja violada. O que interessa para o João é o método natural; pois, sem método natural aí é que as relações sexuais [mesmo que sejam repletas de amor-doação] tornam-se totalmente erradas, e essas pessoas segundo o João vão para o inferno “com dor de dentes”
Que doutrina “tão” bonita que idolatricamente tu dizes que Deus disse. Mas, será que Deus realmente disse o que tu dizes? mmmmm… Tu dizes que só pelos métodos naturais as relações sexuais adquirem sentido; até se pode espancar totalmente o outro, desde que utiliza os métodos naturais a relação sexual fica com todo o sentido; mas se se amar realmente o outro numa total doação de si para o outro, se tomar a pílula, então a relação sexual é logo repetida em correio azul para o inferno… mmmm… interessante esta lógica idolatrica! Em vez de ser o amor como fim, é os métodos naturais que são um fim, e tudo o resto como a relação sexual (calendarizada) e o amor-doação, são remetidos para meros meios. Até se pode usar, violar, objectualizar o outro, mas desde que use os métodos naturais vai imediatamente para o CÉU!
Mas no Evangelho diz que só pelo amor-doação tudo o que existe, incluindo certamente as relações sexuais, adquirem todo o seu sentido.
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Caro fundamentalista religioso Pedro Silva,
Dizes que “E não é absurdo que o Deus omnipotente Se faça presente num bocado de pão?” Não é absurdo, pois não existe qualquer idolatria… não percebi onde queres chegar…
Agora é totalmente absurdo fazer dos métodos naturais algo muito mais certo e valioso independente do tipo de relação que existe entre homem e mulher DO QUE este Deus amor que se faz presente na relação com próximo (como nos diz o evangelho de hoje).
Caro Pedro, tal como o amigo e teu camarada de fundamentalismos João, tendes o absurdo de pensar que Deus disse aquilo que disse, mas na realidade não disse nada disso. Deus diz eternamente e absolutamente o amor, não diz que o único método contraceptivo certo são os naturais ou este ou aquele em particular como totalmente certos e absolutos. E isso é que é relativista, afirmar mais os métodos naturais como único certos, esquecendo toda a relação necessária de amor que tem que existir (independente do método) para Deus se fazer presença nas duas pessoas que se amam.
O João e o Pedro estão a confundir duas coisas fundamentais:
Uma coisa é o que Deus diz (ou sendo mais preciso “DUZ”), outra coisa bem diferente é o que os homens (projectando-se a si mesmos e pensando) dizem que Deus diz… Não confundas as coisas!
E dizem vocês que são cristão católicos com espírito crítico? Saberão o que é “espírito crítico”? Olha que não é sinónimo de aceitar cegamente aquilo que os homens pensam projectando que Deus diz o que diz; afinal nada dizendo, porque Deus tudo “duz” amorosamente… ou não será bem assim?
Caro Zé,
Não é preciso enervar-se tanto…
“Então consideras que não foi absurdo a inquisição que durante séculos matou pessoas inocentes em nome de Deus…”
Já esperava esta da Inquisição. A Inquisição é a pedra que todos apanham para atingir a Igreja de Cristo. Se não é a Inquisição, são as Cruzadas, se não são as Cruzadas é o Galileu… Enfim, qualquer atitude menos boa de homens (e como tal pecadores) da Igreja serve para atacar a Igreja em si (que é Santa, por ser de origem Divina). O facto de a Igreja ter servidores menos obedientes e ser constituída por até homens pecadores (todos somos), não invalida a sua Doutrina Sagrada. Ainda que o mal fosse feito através de uma má aplicação dessa Doutrina que, em si mesma é Divina. Mas nada que não se esteja à espera…é o argumento mais fácil de utilizar
“E durante mais de 15 séculos não era absurdo e era uma verdade imutável de Deus que a terra estava no centro do universo…”
Essa é uma questão de Ciência, não de Fé nem de Moral. Logo, essa questão nunca foi dogma de fé, pois não compete à Igreja dizer se a Terra gira à volta do Sol ou ao contrário. Assim, nada essa nao era, ao contrário do que afirma, uma verdade imutável pois não faz parte dos dogmas de fé: esses sim, infalíveis e imutáveis.
“… acreditar LITERALMENTE pois como defendia o vaticano aquela passagem foi realmente a verdade imutável de Deus”
Lamento informá-lo mas não sou protestante, logo acredito que a Doutrina na Igreja de Cristo é baseada na Bíblia, Tradição e Magistério. Estou careca de dizer isto. Assim, a Igreja não tem uma visão literal dos acontecimentos descritos na Bíblia. Mas interpreta-os à luz da Tradição, e através do Magistério. Então, a verdade imutável de Deus é que Ele foi o início de todas as coisas, a origem de tudo o que existe. A maneira como esa verdade de fé está descrita na Bíblia é através da narração da Criação do mundo, como está no livro do Génesis. Lembro-lhe que a Bíblia não é um ligvro científico nem tem a pretensão de explicar objectivamente como o Universo surgiu. Apenas dá sentido a todos esses acontecimentos, que vieram de Deus.
“Porque é que o vaticano não ensina a doutrina que ensinava no séc XI? Mas, a doutrina não é imutável? E será que a doutrina do séc XXI será exactamente igual à do século XXX???”
Não ensina? Porque diz isso? Não percebi. E sim, a Doutrina é imutável. E sim, a Doutrina do século XXi será igual à do século XXX. Não misture as posições oficiais, infalíveis da Igreja com as posições falíveis que houve de cardeias, bispos e até do Papa nos meios de comunicação social.
“Lamento informar-te caro João, apesar de Deus ser eterno, tu caro João, como qualquer humano, não vais nunca conseguir abarcar totalmente (nem ninguem) este Deus infinito e eterno. Ou queres fazer-te igual a Deus, em vez de relacionar-te com ele”
Já deixei claro que, na vida terrena, nunca conseguiremos abarcar totalmente a Deus, infinito e eterno, precisamente por sermos míseras criaturas limitadas. No entanto seria um absurdo ignorar os meios que Ele nos dá para, dentro das nossas limitações, O conhecermos a Ele e às Suas leis.”
“Será que no século XXXI com os progressivos avanços da ciência não haverá um método de contracepção muito melhor que os de auto-observação?”
Melhores haverá certamente. Lícitos já não digo o mesmo. Nem tudo o que há de melhor (aparentemente) e que se mascara de bom, é intrisecamente bom.
“…e essas pessoas segundo o João vão para o inferno “com dor de dentes” (…) Até se pode usar, violar, objectualizar o outro, mas desde que use os métodos naturais vai imediatamente para o CÉU!”
Primeiro, o João (eu) não pode afirmar que alguém vai para o Inferno ou para o Céu. Porque sou uma criatura, um ser humano limitado que não tem poder nem sabedoria (nem sequer ouso isso) para fazer julgamentos que só Deus pode fazer. O que eu afirmo é a posição da Igreja em relação a esse assunto.
Caramba, eu vejo nisto uma coisa tão simples, mas tão simples! Ou somos coerentes com aquilo que dizemos ser e fazemos, ou somos falsos e incoerentes, chamando-nos de católicos, contestando tudo o que a Igreja ensina. A posição da Igreja é esta. Ela dá-nos maneira de darmos a volta ao problema. Ou se aceita ou não se aceita. Não se aceitar por rebeldia, por orgulho, baseados nas nossa sopiniões ou nas do vizinho, ou nas dos meios de comunicação social ou nas das publicidades.. hum.. aí sim, parece-me pouco espírito crítico…!
Mas se nos dizemos católicos (ponto número um!) e baseamos as nossas opiniões e acções naquilo em que acreditamos, conhecendo a fundo a Doutrina e o Catecismo da Igreja… Eu chamo-lhe ser coerente e racional…
“E dizem vocês que são cristão católicos com espírito crítico? Saberão o que é “espírito crítico”? Olha que não é sinónimo de aceitar cegamente aquilo que os homens pensam projectando que Deus diz o que diz”
Agradeço a sua preocupação em tentar corrigir-me. E mais uma vez digo: A Igreja, embora constituída por homens, tem os ensinamentos baseados na Doutrina de Cristo, no depósito da Fé e é infalível quando se trata de questões de FÉ e MORAL. Se é infalível, é porque recebeu esses ensinamentos do Alto. Embora transmitidos por homens a outros homens.
ERRATA: posições falíveis que ouve [ em vez de 'houve'] de cardeias, bispos e até do Papa nos meios de comunicação social.
Caro João,
você diz que:
“Não ensina? Porque diz isso? Não percebi. E sim, a Doutrina é imutável. E sim, a Doutrina do século XXi será igual à do século XXX”. Então porventura você leu algum catecismo do século X? E a doutrina do catecismo do séc X é exactamente igual à do vaticano I? e a doutrina do vaticano I é exactamente igual à do vaticano II? e a do vaticano II será exactamente igual à do concílio que se poderá realizar no séc. XXX?
Que contradição: dizes que não podemos conhecer, e depois dizes que podemos conhecer… Dizes então que “Já deixei claro que, na vida terrena, nunca conseguiremos abarcar totalmente a Deus, infinito e eterno, precisamente por sermos míseras criaturas limitadas. No entanto seria um absurdo ignorar os meios que Ele nos dá para, dentro das nossas limitações, O conhecermos a Ele e às Suas leis.” Então conheces (e para conheceres tens que ter uma CVJ) sem margem para dúvidas com total certeza a lei eterna de Deus ou não conheces? Se conheces, deves ter alguma CVJ a provar que Deus manda para o inferno com “dores de dentes” todos aqueles que se amam realmente numa doação total mas que usam a pílula; e que Deus manda para o Céu todos felizes aqueles que usam os métodos naturais, embora espanquem todos os dias a esposa e a usam como um objecto do seu prazer egótico… Queres então partilhar a tua CVJ para afirmares claramente que tens um conhecimento claro disto? Ou será que não sabes que, e apenas pensas que? mmm… logo vi.
Ah… pois, João, é totalmente lícito utilizar o métodos naturais mesmo que se faça do outro um objecto… Agora se se amar realmente o outro numa doação total de si mesmo, mas se se utilizar a pílula, então torna-se totalmente ilicito… Ah. Então dizes que isto é que é ser coerente e racional?! lol
Eu diria que é ser totalmente absurdo e estúpido!
Será que a posição da Igreja está totalmente certa em relação aos métodos contraceptivos? Mas também não estava certa quando estava a queimar as pessoas na inquisição ou quando afirmava que sexualidade em si era pecado?
Eu sou coerente com Cristo e com a doutrina do seu amor… algo que é universal, e portanto católico. Agora se tu queres deturpar esta doutrina imutavel do amor com preciosismos e normativismos estúpidos que relegam o amor para segundo plano (colocando os métodos naturais divinizados e absolutos em primeiro lugar), isto nem sequer é católico, muito menos cristão. Então, não achas que tás a ser incoerente com Cristo? Cristo quer o amor como FIM em si mesmo, independente do meio para se chegar a esse fim… Cristo não quer os métodos naturais como fim, independentemente do meio (espancamento, violação ou por outro lado amor). E tu ao fazeres esta inversão: métodos naturais em vez de amor, estás tão somente a fazer do nada alguma coisa, ou seja, estás a idolatrizar, e isto é anti-cristão!
Se uma pessoa ama realmente a outra numa doação total de si, e usa os métodos naturais, então está a fazer o bem (o amor). Se uma pessoa faz do outro um objecto, e usa os métodos naturais, então está a fazer o mal (está a contrariar o amor).
Do mesmo modo, se uma pessoa ama realmente a outra numa doação total de si, e usa a pílula ou preservativo, então está a fazer o bem (o amor). Se uma pessoa faz do outro um objecto, e usa a pílula, então está a fazer o mal (está a contrariar o amor).
A questão do pecado não é usar este ou aquele método contraceptivo (pois todos têm as suas falhas). A questão do pecado centra-se sobretudo do modo como tratas o outro, como um objecto do teu egoismo, ou como uma doação de amor.
Perante isto todos os absurdos que o João tenta defender deixam de fazer sentido…. Pois, a doutrina de Cristo, toda a sua vida, todo o seu testemunho foi a doação, o amor… E não andou por aí a dizer que quem usasse a pílula ía para o inferno com dores de dentes, e quem usasse os métodos naturais ía para o céu com os dentes sãos…
Portanto, tudo o que tu dizes, caro João, é um absurdo, uma contradição com aquilo que Cristo ensinou e que a Igreja procura por todos os séculos ensinar (embora sem erros).
No tempo das fogueiras da inquisição tu também deverias ser coerente, e portanto, naquele tempo certamente irias apoiar com todas as tuas forças estas atrocidades… agora também queres ser coerente ao apoiar com todas as tuas forças a absolutização e divinização dos métodos naturais, independentemente de se utiliza o outro como objecto de prazer egotico. Ah… como tu dizes isto é que é lícito, isso é que é ter espírito crítico, mesmo que se espanque o outro… (mas penso que não foi bem isso que Cristo nos ensinou!)… Estou a ver que se a Igreja ou outra entidade qualquer te dissesse para te atirares para o rio, ou para matares os outros, ou pegares num avião para embater na casa branca, tu lá ias todo contente (com [ou melhor, sem] espírito crítico) e com certezas totalmente absolutas e sem margens para qualquer mínima dúvida fazer isso com todas as tuas forças… Isto é que é coerência, não é? Mas será coerência ou antes irracionalidade?
Os homens nunca vão deixar de ser homens… e por isso não conhecem tudo, não sabem tudo, nem têm a certeza absoluta… mas se tu queres ser como Deus e ter todo conhecimento que Ele tem, duvido que sejas bem sucedido… Ai que ilusão de auto-suficiência e de cartesianismo… saber tanto como Deus!
Caro Zé,
Acho interessante que fale tanto em amor e diga que o que interessa é o amor, e que lhe saia tão facilmente a palavra amor, como único critério, mas que ao mesmo tempo também lhe saia facilmente o insulto, a adjectivação barata das pessoas e a arrogância com que escreve. Para mim o Zé não é autoridade, não tenho nenhum motivo para aderir ao que diz. Não o conheço de lado nenhum, não sei quem é, e a maneira como escreve não me dá a mínima vontade de dizer: “eu quero ser como esta pessoa”.
Falar de amor qualquer um consegue, caro Zé, mas dar a vida por amor, infelizmente poucos dão. O Papa João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá, esses sim falavam de amor com autoridade, porque o viviam até ao fim, viviam verdadeiramente. E quem diz estes, diz 2000 anos de santos, que fizeram a Igreja até aos nossos dias. Esses todos fazem-me dizer: “eu quero ser assim”. É suposto eu abandonar o seguimento destas pessoas que me ensinam, para seguir as suas ideias relativistas? Para quê, se a doutrina da Igreja pela minha experiência sempre se mostrou verdadeira? Ter espírito crítico é estar sempre de contra, mesmo se for contra a verdade? Isso é ser irracional, caro Zé.
O Zé pergunta ao João C. se leu algum catecismo do séc.X, ignorando completamente que o primeiro catecismo da Igreja Católica surgiu em 1985. A Igreja nunca se desdisse em termos de doutrina, em 2000 anos de existência, desde que foi fundada por Cristo. Com o passar do tempo, é normal que os ensinamentos de Cristo se vão tornando mais claros para nós, mas Ele nunca nos deixaria errar em termos de doutrina, foi Ele próprio que o disse. Não confundir com questões de costumes, essas sim são mutáveis.
“Se uma pessoa ama realmente a outra numa doação total de si, e usa os métodos naturais, então está a fazer o bem (o amor). Se uma pessoa faz do outro um objecto, e usa os métodos naturais, então está a fazer o mal (está a contrariar o amor).
Do mesmo modo, se uma pessoa ama realmente a outra numa doação total de si, e usa a pílula ou preservativo, então está a fazer o bem (o amor). Se uma pessoa faz do outro um objecto, e usa a pílula, então está a fazer o mal (está a contrariar o amor).”
Aqui tem razão, como em todas as leis, o importante é o espírito da lei. Eu perguntei ao mingos, e ele não conseguiu responder: “é possível que um marido ame totalmente a sua mulher, e a espanque 3 vezes por semana?”. Entre um marido que espanca a mulher e outro que não espanca, qual tem mais probabilidades de a amar com amor-doação? “Não espanques a tua mulher” é então uma obrigação que afasta as pessoas desse Cristo que afinal só quis ser amor? Ou espancar a mulher é um acto que dificulta a existência desse amor?
Sendo a lei o facto de não recorrer a métodos artificiais, a sua intenção é que as duas pessoas se amem plenamente, por isso isto é o mais importante. E a questão é mesmo esta, é muito mais fácil amar a outra pessoa recorrendo aos métodos naturais. Isto não é verdade? Prove-o. Eu tenho n testemunhos de pessoas que usaram métodos artificiais e depois naturais, que atestam isso. Quais as suas provas? E se é verdade, então diga-me uma justa causa para não se usar métodos naturais.
A Igreja é bem mais do que a inquisição, caro Zé. É pena que não seja um pouco mais agradecido por quem lhe deu Cristo a conhecer.
Um abraço
Caro Pedro,
Dahh! Eu não sou contra os métodos naturais… Só sou contra a absolutização, adoração, idolatria, dos métodos naturais!
Você apresenta a seguinte proposição: “é muito mais fácil amar a outra pessoa recorrendo aos métodos naturais”.
Como é que fundamenta o que afirma? Quais são as suas premissas que sustentam essa conclusão? Será que não existirá porventura algum contra exemplo? Quem não recorre aos métodos naturais automaticamente deixa de amar, e vai para o inferno com dores de dentes? Porque é que não é mais fácil amar a outra pessoa recorrendo aos métodos artificiais, uma vez que não se é obrigado a programar e calendarizar aquilo que é espontaneamente natural?
Penso que aqui a questão dos métodos é neutra… a questão está no fim (eudaimonia) para que utilizas esses métodos. Os métodos são bons se levam ao amor, são maus se levam a tudo o que for contrário ao amor…
Irracionalidade é fazer idolatria dos métodos naturais, como tu tentas fazer, esquecendo toda a dimensão de ultimidade do amor…
“Só sou contra a absolutização, adoração, idolatria, dos métodos naturais!”
Vira o disco e toca o mesmo. Aqui ninguém está a idolatrar nada, pode parar de fazer essas acusações moralistas. Estamos a dizer que os métodos naturais são a melhor maneira de os esposos se amarem verdadeiramente. Fundamento isto com os testemunhos de muitas pessoas que conheço e já fizeram esta experiência. E também com a doutrina da Igreja, em quem confio como fiel portadora dos ensinamentos de Cristo. E o Zé, como é que fundamenta as suas ideias?
Sabe, caro Zé, a fertilidade não é uma doença, para ter que se erradicada ou curada com medicamentos. É um dos maiores dons que Deus nos deu, e por isso devemos dar graças por ela, e não achar que é um problema a eliminar. Deus sabe o que faz, caro Zé.
Olá Zé
“Ah… pois, João, é totalmente lícito utilizar o métodos naturais mesmo que se faça do outro um objecto… Agora se se amar realmente o outro numa doação total de si mesmo, mas se se utilizar a pílula, então torna-se totalmente ilicito… Ah. Então dizes que isto é que é ser coerente e racional?! lol Eu diria que é ser totalmente absurdo e estúpido!”
Q confusão.. o q é absurda e estúpida é a afirmação q fizeste e que eu nunca disse. E isso ficou explicado no outro post
“Então porventura você leu algum catecismo do século X? E a doutrina do catecismo do séc X é exactamente igual à do vaticano I? e a doutrina do vaticano I é exactamente igual à do vaticano II? e a do vaticano II será exactamente igual à do concílio que se poderá realizar no séc. XXX?”
Perguntas-me se li algum catecismo séc. X. Se me mostrar uma relíquia dessas, agradecia… E sim, a Doutrina do séc.I é a mesma até ao fim dos séculos.
“Será que a posição da Igreja está totalmente certa em relação aos métodos contraceptivos? Mas também não estava certa quando estava a queimar as pessoas na inquisição ou quando afirmava que sexualidade em si era pecado?”
A Igreja orienta e aconselha os seus fiéis com base na Doutrina de Cristo, da qual ela é a fiel guardiã. Logo, parece-me incoerente alguém que se diz católico perguntar se ela está certa numa matéria que é de ordem moral, quado a Igreja tem toda a autoridade para se pronunciar em matéria de moral. A sexualidade é um dom de Deus que devemos saber gerir, pelas regras e orientações que a Igreja nos dá. Falando na Inquisição e nas fogueiras (que parece ser o teu tema preferido) já me pronunciei sobre este assunto.
“No tempo das fogueiras da inquisição tu também deverias ser coerente, e portanto, naquele tempo certamente irias apoiar com todas as tuas forças estas atrocidades” Lá voltamos nós às fogueiras…(um pirómanozinho no PA?
) Só apoia atrocidades (mesmo quando são feitas em nome de um Deus), quem é irracional e não tem conhecimento do que ensina verdadeiramente a Igreja.
“Estou a ver que se a Igreja ou outra entidade qualquer te dissesse para te atirares para o rio, ou para matares os outros, ou pegares num avião para embater na casa branca, tu lá ias todo contente.” Não, não ia. Porque antes de obedecer a qualquer ordem de um Papa, tenho de obedecer á Doutrina e a Fé que lhe foi confiada. Logo, como a Doutrina não manda ninguém atirar-se a um rio, mesmo que fosse um Papa a mandá-lo em nome da Igreja, não o faria.
“Os homens nunca vão deixar de ser homens… e por isso não conhecem tudo, não sabem tudo, nem têm a certeza absoluta… mas se tu queres ser como Deus e ter todo conhecimento que Ele tem, duvido que sejas bem sucedido”
Eu também duvido que fosse bem sucedido. A primeira vez que uma criatura se tentou igualar a Deus e ter o conhecimento que Ele tem não correu lá muito bem e ainda hoje há repercussões disso: o pecado original. Os homens são sempre homens. A Igreja será sempre uma Igreja, ainda que constituída por homens, Una, Santa, Católica e Apostólica. E infalível no que respeita a FÉ e MORAL.
Abraços
talvez o seguinte texto possa ajudar na reflexão:
http://dn.sapo.pt/2008/11/29/opiniao/igreja_sexualidade_e_bioetica.html
Olá Zé…
Para começar, não me espanta que me enviasse um texto desse senhor parde Anselmo Borges, cuja mentalidade “se adaptou aos tempos” ( e é um senhor todo pá frentex e bué da fixe, logo origina sentimentos de simpatia a quem quer atacar a Igreja de Cristo.. Não me admira). Vive na ditadura do relativismo que o mundo abraçou e que a Igreja condena. E sim, é padre católico pelo Sacramento da Ordem que recebeu, e em vez de defender a Fé e a Doutrina católica como é a SUA e NOSSA obrigação, defende as idiotices do mundo e relativismos que a própria Igreja condena.. Mas adiante…
Diz o ilustríssimo clérigo:
“De qualquer modo, a Igreja precisa de reconciliar-se com o mundo e a ciência, o corpo e a sexualidade.”
A sério?.. Sempre julguei que Ciência, para sere verdadeiramente ciência e eticamente legítima, deveria respeitar os princípios básicos da Lei Natural, dos padrões morais e limites éticos que estão acima de qualquer lei e de qualquer ciência. Não são princípios religiosos, Zé. São princípios básicos e Universais, infelizmente parece que só a Igreja os defende. E por ser a Igreja a defendê-los, obviamente o mundo terá de ser do contra! Logo a Igreja não precisa de se reconciliar com niguém. A CoÊncia, o mundo, a própria sexualidade devem ter as suas bases nos princípios morais básicos, que são universais e, por a Igreja os defender, são rotulados como religiosos…
“Mas enquanto se mantiver a lei do celibato obrigatório não estará todo o discurso eclesiástico sobre o tema debaixo do fogo da suspeita?”
Este senhor diz esta “pérola” no Diário de Notícias como se fosse um orgulho para um católico atacar um princípio básico de Doutrina: o celibato dos sacerdotes. Nem vou entrar pelas razões em que a Igreja se baseou para não permitir o casamento dos sacerdotes (que são válidas e escapam da compreensão de muitos, cegos com a luz ofuscante das ideias e mentalidades mundanas). Apenas critico esta afirmação, mesmo vinda de um padre (até podia vir do Papa), que contraria uma lei da Igreja, baseada na Tradição e Magistério (coisas estranhas para muitos católicos…tb desconhecido pelos protestantes…coincidência?).
Não senhor Anselmo, o discurso eclesiástico não está sob suspeita por causa do celibato dos sacerdotes. Das duas uma: ou o senhor não percebe nada e não sabe direito canónico nem as básicas leis da Igreja nem a sua história, incluindo os porquês do celibato dos padres (coisa que não acredito) ou aqui está apenas a atacar, publica, livre e manifestamente, a Igreja por causa deste assunto.
“Nos seus Jerusalemer Nachtgespräche, o Cardeal Carlo Martini interroga precisamente esta lei e, depois de considerar os estragos da encíclica Humanae Vitae (…)”
LOL! Dava para rir, se não fosse tão triste. O dito senhor afirma que a encíclica “Humanae Vitae” provocou estragos… Desculpem mas esta foi de rir
Meu caro senhor (e Zé), o que provocou estragos não foi a encíclica “Humanae Vitae” (e se provocou diga-nos quais foram, please!). Os estragos começaram com a degradação sexual que se tem vindo a assistir desde há uns anos para cá. Esses foram verdadeiros estragos a nível moral (principalmente e os mais graves), sexual, familiar e reprodutivos. E Encíclica veio mostrar um caminho, dar uma resposta para o problema da sexualidade que quer ser vivida por parte dos cônjuges de uma forma cristã. Havia um problema na sociedade e, principalmente, entre famílias católicas, a Igreja deteve-se com esse problema, respondeu e deu os conselhos para uma vivência da sexualidade cristã e ainda é responsável pelos “estragos” ?? É preciso ter uma grandessíssima lata!!!.. E é preciso muita paciência para ouvir estes lobos com pele de cordeiro a atacar a própria Mãe, cegos que estão pelas sombras do mundo… A Igreja, dentro do que pode ensinar sem fugir à Doutrina, fez o que tinha de fazer. Quem, em consci~encia, for verdadeiro e coerente, aceita. Quem for falso, mentiroso, dizer-se católico e incoerente, não aceita, mas não venham dizer que a encíclica fez estragos!! Enfim, dava para rir, se n fosse tão grave…
“Neste domínio da contracepção, o equívoco fundamental da encíclica Humanae Vitae encontra-se numa concepção de lei natural fixa, estática e centrada na biologia”.
A Lei Natural não é centrada na Biologia. E sim, é fixista! (horrível esta palavra não é?)
“Aliás, quem defende os métodos contraceptivos naturais como os únicos legítimos deverá ser confrontado com a objecção: para lá da sua falibilidade, ainda serão naturais os métodos que têm a ver com uma descoberta e aproveitamento humanos dos períodos inférteis da mulher?”
Falibilidade? Só diz isto quem vai na conversa das campanhas publicitárias enganosas que defendem o uso de preservativos e pilulas (querem um apelo mais manifesto ao sexo livre e desenfreado que este?), sem se preocuparem com dados objectivos da falibilidade dos métodos naturais…. Enfim, triste e patético…
ERRATA: * Meu caro senhor Cardeal (e Zé),
O João disse uma camada de sentimentalismos opinativos, mas só ridicularizou e não refutou o artigo… agora apresente sff argumentos racionais (premissas, conclusão, com lógica [aristotélica ou moderna]) a refutar o artigo.
Podes-me apresentar sff o estudo empírico, científico e académico que prove que os métodos naturais são mais eficazes que a pílula? Podes-me indicar as fontes para eu consultar?
Caro Zé, porque é que não vai ao Movimento de Defesa da Vida perguntar? Vou-lhe deixar aqui a morada e o número de telefone. Pode fazer um curso sobre métodos naturais, no qual aprende também os métodos artificiais. É barato, não se preocupe.
Movimento de Defesa da Vida
R. Beneficência 7 Lisboa, LISBOA, LISBOA 1050-034
Tel: 217906781
Caro Zé,
O que me espanta é que não se dê conta de que a atitude de Anselmo Borges já é bem conhecida de muita gente há muitos anos. Ele é assim. Ser padre católico, no seu caso, parece ser puramente acidental.
Ele não deixa de o ser: o sacramento da ordenação sacerdotal é indelével. Ele será padre para sempre. No entanto, é perfeitamente livre para escolher o caminho da rejeição e ultraje à graça que recebeu.
Com todo o respeito, com sacerdotes assim (felizmente, são MUITO POUCOS; contam-se pelos dedos das mãos – e curiosamente são sempre os mesmos que os media convidam ou entrevistam), a Igreja não precisa de inimigos externos.
Cumprimentos,
Bernardo
Bernardo
Zé,
«Podes-me apresentar sff o estudo empírico, científico e académico que prove que os métodos naturais são mais eficazes que a pílula? Podes-me indicar as fontes para eu consultar?»
Independentemente do resultado dessa comparação (e a eficácia é perfeitamente comparável entre os dois casos), o que interessa é saber qual é o método mais ético, mais conforme com a dignidade humana.
Uma metralhadora, para executar alguém, é muito mais eficaz do que uma fisga.
A eficácia não é tudo. Só numa sociedade viciada no mecanismo, e dopada pela magia do poder tecnológico, é que se esquece de que há coisas que, simplesmente, ofendem o que significa ser humano.
A pílula é um “cocktail” artificial de hormonas que fazem da mulher que a toma uma pessoa literalmente estéril. Literalmente, desligam o sistema reprodutor da mulher. É como se a fertildade feminina ficasse congelada ou adormecida. É uma esterilidade temporária: felizmente, a maiora das mulheres consegue recuperar desse choque hormonal alguns meses depois de deixarem de a tomar.
Repito: a eficácia de um método nada diz sobre a ética do mesmo.
Pense nisto…
Cumprimentos,
Bernardo
Caro Bernado:
Insisto na questão que ainda não foi respondida: Podes-me apresentar sff o estudo empírico, científico e académico que prove que os métodos naturais são mais eficazes que a pílula? Podes-me indicar as fontes para eu consultar?
E uma paternidade responsável (num caso onde não existe condições para ter mais filhos) não será isto uma questão ética? …e por conseguinte optar pelo método mais eficaz?
Será ético programar a espontaneidade do amor humano num calendário ou agenda? Ou será ético reduzir o amor humano ao campo meramente biológico?
Caro Zé,
Temo que este comentário valha de pouco, porque já me dei conta de que as ideias pré-concebidas que as pessoas têm durante muito tempo, ideias essas que em muitos casos moldam a sua vida quotidiana, são bem mais fortes do que factos.
1) O primeiro ponto que me causa espanto, na sua questão, é constatar que o Zé não parece ter recorrido sequer ao mais elementar motor de pesquisa (Google, por exemplo), e procurar “comparison of birth control methods”. Veja, por exemplo:
http://en.wikipedia.org/wiki/Comparison_of_birth_control_methods
Porque razão não começar por procurar?
Estas coisas são bastante estudadas. O artigo em questão, apenas um entre muitos, tem as referências científicas em rodapé.
2) Não se pode falar levianamente destas comparações. Uma coisa é a taxa de falhas em uso perfeito, outra totalmente diferente é a taxa média de falhas.
Por isso é que eu evitei frases fechadas no meu último comentário. Mas podemos discutir alguns números. Os métodos naturais, como se vê na tabela do artigo citado, têm taxas de falha desde 3% (uso óptimo) até 25% (uso típico). O problema principal dos métodos naturais está em que dependem de uma aprendizagem da fertilidade humana. Em termos dos hábitos rotineiros, é igual: custa tanto tomar uma pílula diária, como tirar a temperatura diária usando um equipamento preciso. É preciso é saber como se faz.
Na mesma tabela, a pílula tem taxas de falha entre 0,3 (uso óptimo) e 8% (uso típico). Claro está que, para a mulher, as consequências são a esterilização temporária por choque hormonal, com riscos para a saúde ainda longe de estarem bem conhecidos. Notemos que ainda só passaram 1-2 gerações de mulheres desde que surgiu a pílula, e o historial dos riscos deste método ainda não está completo.
Pela tabela, deduz-se logo que a falha em uso óptimo dos métodos naturais (3%) é inferior à falha em uso típico da pílula (8%) ou do preservativo (15%). O que isto quer dizer é que um casal informado e experiente nos métodos naturais está a controlar a sua fertilidade com mais precisão e segurança do que um casal mal informado e inexperiente a usar outros métodos como a pílula ou o preservativo. Note-se, sobretudo, que esse casal informado e experiente não está a optar por encharcar a mulher em químicos esterilizantes.
3) A tecnologia não pára de evoluir. Conhece esta solução, uma entre muitas?
http://ladycomp-babycomp.com/show.php/index
Estes produtos apresentam um índice Pearl de 0,7 %, o que é espantoso, e os números apoiam-se em estudos científicos. A explicação é simples: os produtos possuem um termómetro de alta precisão, com computador a bordo, o que permite a predição estatística do ciclo fértil e o cruzamento de dados.
4) «E uma paternidade responsável (num caso onde não existe condições para ter mais filhos) não será isto uma questão ética?»
Uma paternidade responsável é muito importante. Por essa razão, a técnica permite hoje um grande controlo na medição do ciclo fértil, sem os prejuízos para a saúde da mulher. Não me parece que seja uma opção ética esterilizar temporariamente a mulher, “desligando-lhe” o ciclo fértil através de choques e “cocktails” hormonais.
5) «por conseguinte optar pelo método mais eficaz?»
Como vê, Zé, o método mais eficaz é uma questão de difícil resposta. Como se vê na tabela que citei, a eficácia depende das circunstâncias em que é usado. Os métodos naturais têm uma enorme precisão, conquanto se receba a informação básica acerca da fertilidade humana, e se usem as ferramentas hoje tão divulgadas para ajudar ao sucesso dos métodos.
6) «Será ético programar a espontaneidade do amor humano num calendário ou agenda?»
A pílula também tem uma agenda. O que sucede se a mulher se esquece de uma toma da pílula? Curiosamente, os mais recentes dispositivos electrónicos de apoio aos métodos naturais já se tornaram tão sofisticados que até permitem esquecimentos ocasionais no medir da temperatura diária.
Outra coisa que me pasma, nesta sua frase, é que o Zé parece não ter presente (mas nisto não está sozinho) que a sexualidade humana existe com vista à procriação. O acto sexual está biologicamente determinado para gerar descendência. Há dúvidas nesta matéria?
É como se o Zé se ofendesse com o seu sistema digestivo, porque esse sistema não lhe permite usufruir da gastronomia sem limites, evitando a “chatice” da (in)digestão… Se o sistema digestivo, com mais ou menos gastronomia, acaba por digerir os alimentos, é natural que o sistema reprodutor, no seu uso normal, gere descendência!
O planeamento familiar é uma forma de procurar contornar esse desfecho perfeitamente normal. Através dos métodos naturais, os casais aprendem a se conhecer e a viver de acordo com a natureza e com o ritmo biológico dos seus corpos. Os métodos naturais são ao mesmo tempo, adequados para procurar os períodos menos férteis, como também para procurar os mais férteis.
É evidente que o amor humano não se pode reduzir ao meramente biológico, mas também este facto não se pode erradicar. A reprodução está biologicamente associada à sexualidade humana. Ter sexo é sempre correr “o risco” (até parece uma coisa má, mas não é!) de ter filhos. É espantoso como hoje em dia tanta gente pensa que tem “direito” a ter sexo sem ter filhos, sem se dar conta de que se está a contornar um processo perfeitamente natural, e que sucede para a continuação da nossa espécie!
Usando de novo a analogia, achar-se que se tem “direito” a ter sexo sem ter filhos é análogo a achar-se que se tem “direito” a apreciar a boa cozinha portuguesa sem digerir os alimentos!
Espero ter ajudado a desmistificar as “lendas negras” acerca dos métodos naturais. Normalmente, nestas guerras de cultura, manipulam-se dados científicos para tentar denegrir a fé católica. Isto é absurdo! Porque uma pessoa sem qualquer religião também pode beneficiar das inúmeras vantagens dos métodos naturais, sem colocar a sua saúde em risco, e tendo um excelente controlo sobre o seu planeamento familiar. É tudo uma questão de (in)formação!
Cumprimentos,
Bernardo