O fim da consciência

Este é um artigo de opinião, mas com uma base científica, sobre o que (pode) acontecer à nossa consciência depois daquele fatídico momento onde o oxigénio e a glucose deixa de chegar ao cérebro e começa o processo de morte cerebral.

O autor é Jesse Bering e o artigo foi publicado na revista Scientific American, e pode ser encontrado aqui. O texto é muito interessante, mas algo “denso” a nível de argumentação e de construções teóricas. Quem domina muito bem o Inglês, recomendo vivamente.

Como de costume, deixo aqui alguns parágrafos traduzidos para aguçar o apetite.

“A visão comum da morte como sendo um grande mistério é normalmente vista como um desejo, emocionalmente carregado, de acreditar que a morte não é o fim do caminho. E, devido a isso, uma escola de investigação proeminente nas ciências psicológicas sociais, descrita como “teoria da gestão de crenças de terror”, defende que existe vida depois da morte, que tenta controlar a ansiedade derivada do medo da inexistência do ego.

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Porque é tão difícil de conceptualizar a “não existência”? Uma explicação possível, que eu chamo de “hipótese da simulação condicionada” é que tentar imaginar o que será estar morto exige necessariamente a utilização de modelos baseados em experiências de consciência – porque isso é a única coisa que experimentamos até hoje. Como a morte é algo que nunca experimentamos, e como nunca estivemos conscientemente sem estar conscientes, até as nossas melhores simulações não são boas o suficiente.

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Os tipos de obstáculos cognitivos para a nossa apreciação deste assunto, faz com que teorias como a hipótese da simulação condicionada possa explicar o porque de tantas pessoas acreditar em algo tão fantasticamente ilógico como a vida depois da morte. No entanto, não explica o conceito de uma “alma”, que se desliga do corpo sem vida, e que flutua como se fosse um balão cheio de hélio a caminho da eternidade. Porque é que ninguém acredita que um pós vida pode ser um cérebro ainda a funcionar dentro de um crânio colocado dentro de uma caixa de pinho e enterrado no solo?

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Muito cedo na vida, crianças entendem que um corpo morto não pode retornar à vida. Mas por outro lado, desde muito cedo igualmente, as crianças acreditam que existe a continuidade de uma função psicológica depois da morte. Como é que a cultura e a religião afecta esse processo? Em 2005, num estudo com crianças e construções teóricas sobre morte e pós vida, e publicado no British Journal of Developmental Psycology, o psicólogo David Bjorklund e eu associamo-nos ao psicólogo Carlos Juame para estudar qual a comparação entre crenças de crianças em escolas católicas e seculares em Espanha.

Em crianças entre os 5 e os 6 anos, independentemente de qual o currículo ou natureza da escola que frequentavam, podemos ver que o conceito de vida depois da morte era similar nos diferentes grupos. No entanto, com o avançar da idade, a cultura começou a ser um factor dominante – crianças que atendiam uma escola católica continuavam a defender a continuação da consciência depois da morte, enquanto essa crença diminuía em crianças de escolas seculares, chegando mesmo a se formar grupos de “extincintistas” [conceito apresentado pelo autor para descrever aqueles que acreditam que depois da morte, existe a extinção da consciência].”

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