“Deus aparece também na Faculdade de Filosofia de Braga”

“Parece que deus está mesmo em todo o lado. Depois de ter sido avistado na Universidade Católica na quarta-feira, fez-se também presente no Auditório da Faculdade de Filosofia para assistir à Jornada sobre Fé e sobre Ciência, organizada por essa mesma Faculdade.

Novamente, quando deus entrou no Auditório, o som de harpas celestiais fez-se ouvir, pequenos anjos cirandavam à sua volta com um canhenho e uma caneta, uma garrafa de água cristalina, e uns óculos de ver ao longe. Quando deus se acomodou confortavelmente na sua cadeira, puxou o seu robe por cima das pernas cruzadas, testou a tinta da caneta, e preparou-se para mais um momento de debate entre crentes e não crentes.

No final dos trabalhos, deus recusou novamente falar para este enviado especial, mas um dos anjos entregou-nos uma folha A4 com alguns desenhos de nuvens enroladas, algumas notas dispersas, e uma única frase escrita com uma caligrafia majestosa “estou a gostar. Venham mais”.”

Ver aqui.

Como o Lucas Samuel no outro dia me criticou logo (e até insinuou que eu estava a caminho da conversão à fé religiosa), desta vez vou ser mais descritivo e menos agradecido. Está bem assim, ó Lucas Samuel?? Como tu és um dos apóstolos do Silvestrianismo, quero que te sintas feliz. Sim?!

Devo dizer que fui emparelhado com uma representante dos crentes que foi verdadeiramente enfadonha, repetitiva, e com uma contribuição muito reduzida para qualquer debate que se quer esclarecido. Aquele estilo de linguagem: “o homem é um ser completo, em comunhão com a realidade natural, mas também com o mistério, com a revelação, que não sendo parte do mundo natural, influenciam o ser, na sua totalidade, dentro da sua relação com o natural, mas com uma plenitude do ser, que completo, se move dentro do natural, mas também como uma relação com o sobrenatural, uma relação próxima com o seu criador, que proporciona à sua criação a capacidade de ser um ser completo, ser esse que se move dentro do mistério e da revelação, e que permite assim ao ser completo perceber o mundo natural que o rodeia, uma vez que esse mundo natural não se esgota na visão natural do mundo, mas sim completa-se com uma visão para além do natural, uma visão que inclui o mistério e a revelação (…)” e por ai adiante durante 25 excruciantes minutos.

As perguntas que me foram colocadas foram interessantes, mas infelizmente algo dentro do tema “como pode a ciência entender o mistério” que fugia um pouco ao tema que eu gostava de ter visto discutido. Mas é de compreender que as coisas se desviem para aquilo que as pessoas se sentem mais confortáveis: eu também faço o mesmo.

Nota obrigatória. O Ludwig Krippahl foi muito impressionante. Tentou ser racional e demonstrativo naquilo que é um princípio base do ateísmo com visão científica: a hipótese de deus é uma hipótese científica que pode ser colocada como qualquer outra. E o naturalismo ganha sempre, pois não só conseguimos rejeitar alguns dos pressupostos base da “hipótese de deus”, como conseguimos demonstrar que algumas das “certezas” religiosas são puramente especulativas. E concordei em absoluto (alias tinha feito essa menção na minha comunicação igualmente) que este estilo de teimosia em “hipóteses de deus”, faz com que o processo de descobrimento seja travado, pois não avançamos para explicações naturais enquanto as explicações sobrenaturais forem favorecidas.

Finalmente, os agradecimentos: Ao nosso estimado Alfredo Dinis, obrigado pelo acolhimento e pela simpatia, ao moderador da mesa onde fui prelector, O Dr Artur Galvão (desculpe não ter entendido a sua pergunta, mas não se esgotou o tema, de certeza) e um grupo de jovens que mostrou uma grande sofisticação no argumento (destaco o nosso “mingos” aqui do Portal Ateu) e uma grande tenacidade e simpatia a defender as suas posições.

O Portal Ateu é uma casa de portas abertas para todos vós.

Até breve… talvez até ao Debate Portal Ateu e Faculdade de Filosofia de Braga?

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