Um inimigo na nossa casa.

Por Ricardo Silvestre • 9 Out, 2008 • Categoria: Opinião

Da leitura de mais uma “mensagem” do “bispo” Edir Macedo do ramo protestante do cristianismo (mais um “líder espiritual” a dar só “bons conselhos”, neste caso ao rebanho que é os aderentes à IURD), e que pode ser visitado aqui, ficamos a saber que (as frases do “bispo vêm entre aspas):

“Há dois tipos de pessoas no mundo: as que crêem e as que não crêem em Deus (…) A fé e a dúvida sempre estiveram, e estarão, em conflito. Por conta disso, não há a mínima chance de paz na Terra. A fé é o poder de Deus para a salvação dos que crêem, enquanto a dúvida é o poder do mal para a destruição dos que não crêem.”

A ver se entendemos a mensagem do Sr. Macedo. É por causa dos que têm dúvidas que não existe “as mínima chance de paz na Terra”. Que interessante. E eu a pensar que os conflitos que existem no nosso planeta são exactamente por causa de pessoas que tem tanta a certeza que o seu deus é verdadeiro como o Sr. Macedo faz passar que tem a certeza que é o seu deus que é o verdadeiro. Mas os da “equipa” do deus certo são aqueles que tem a salvação, todos os outros estão condenados à destruição. Mais guerras santas no horizonte, aparentemente.

“Enquanto as pessoas de fé vivem na luz e são luz, as que vivem na dúvida permanecem nas trevas e são trevas. Como estabilizar esta convivência? Como pode haver paz entre seres humanos que, radicalmente, são opostos entre si? Impossível!”

Fantástico. É impossível. Isto é muito revelador do diálogo que pode haver entre religiões, e até mesmo entre diferentes denominações da mesma religião. E se é impossível, o que fazermos então? A resposta não demora.

“Essa é a razão por que o Senhor disse não ter vindo trazer paz à Terra: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa.”(Mateus 10.34-36).”

Ora ai está mais um “ensinamento” que continua a soar bem dizer (ou neste caso escrever) por parte de “condescendentes” como este senhor: é a espada que eu trago, e cairás na espada, e haverá divisões, entre pais e filhos, entre noras e sogras (ai, há quase sempre divisões). Mais uma mostra de como a bíblia continua a servir para disseminar a intolerância e o extremismo.

“Os que são da fé compreendem os que são da dúvida. Afinal, quem é da fé também já esteve do outro lado. Porém, jamais concordarão entre si. Os da descrença vêem os da fé como fanáticos porque esses acreditam no invisível. Portanto, enquanto houver humanidade, haverá conflitos.“

Neste caso vejo-o a si, “bispo” Macedo como um fanático, sim. Um intolerante, um extremista, um fundamentalista, um oportunista, um factor de recuo para uma sociedade moderna e progressista.

Não é porque você acredita no seu “amigo invisível”, mas sim porque você acredita que é o seu “amigo invisível” é melhor que todos os outros “amigos invisíveis”, e que quem não acreditar no mesmo que você acredita é necessariamente um “inimigo na própria casa”.

Você, Sr. Macedo, é que o inimigo na nossa casa.

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5 Respostas »

  1. Caro Ricardo,

    É muito duvidoso que a IURD seja um “ramo protestante”, pois não me recordo de a IURD ter sido fundada por algum pastor protestante válido.

    Estas questões são delicadas. Fiquei curioso e vou tentar saber. O que eu quero dizer com isto é que, para uma igreja qualquer ser considerada um “ramo” tem que estar ligada a alguma que já o fosse. Ora, não me parece que o Edir tenha essas “credenciais”. O facto de alguém inventar uma “igreja” do zero não lhe dá direito a que essa igreja se considere oficialmente “protestante”, ou “católica”. O simples facto de o indivíduo se intitular “bispo”, e usar a Bíblia no seu dia-a-dia, também não lhe confere pertença à “árvore cristã”.

    A analogia da árvore é muito boa, pois permite que se compreenda que, para se ser um ramo, tem que se estar ligado a outro ramo ou tronco.

    Um abraço

  2. Caro Bernardo

    Para além de me tentar explicar se a IURD é um “ramo” ou uma “erva daninha”, não lhe ocorre fazer mais nenhum comentário sobre o artigo em questão?

    É para si mais importante a questão de saber se o Sr. Maçedo tem credenciais ou não para fundar uma igreja cristã, do que a mensagem intolerante e purulenta do mesmo senhor?

    Não é que me surpreenda que o Bernardo queira defender o cristianismo de pessoas como estas, mas fico desiludido pelo facto de estar mais preocupado com analogias, do que com a mensagem odiosa de mais um “líder espiritual” ao seu “rebanho”.

  3. Mas será que a inventou do zero? A meu ver a única inovação é uma vertente económica mais acentuada e visível, nas outras as pedinchices são mais dissimuladas. Ou seja, só muda o cheiro. Pelo menos pagam para ver um espetáculo e até têm milagres ao vivo…

  4. Caro Bernardo

    A argumentação que utilizou e muito bem, desmonta o propósito de qualquer religião ao cimo da terra.

    A primeira crendice, religião ou igreja que o homem inventou, foi precisamente, palavras suas,:

    “O facto de alguém inventar uma “igreja” do zero não lhe dá direito a que essa igreja se considere oficialmente “protestante”, ou “católica”. O simples facto de o indivíduo se intitular “bispo”, e usar a Bíblia no seu dia-a-dia, também não lhe confere pertença à “árvore cristã”.”

    Ou seja, tudo começou com alguém que tinha uma crença própria, e a estableceu como verdade absoluta.

    Por causa disso, andamos todos (crentes e não crentes) a pagar, durante os últimos 4000 anos de história.

    Cumpts

  5. Não se pode esperar outra atitude do “bispo” Macedo, é impressionante como conseguiu colocar uma IURD em cada canto do planeta, uma vergonha pensar que só a pequena ilha de Madagascar teve a dignidade de expulsar esse mal de seu país e enquanto isso o Brasil tem que aguentar essa corja infiltrada até no congresso nacional.

    Quanto ao texto, é interessante que o bispo macedo tenha expressado extamtente o que cada lider espiritual quer de sua religião. No caso do Edir Macedo seu interesse sem duvidas é faturar. E logico, jogando crentes contra ateus, e até mesmo contra crentes de outra religião, ele com seu discurso impecavel consegue mais fieis para a sua igreja o que consequentemente enche seu bolso. Afinal uma mansão de 4 Milhões de Reais em Campos do Jordão é direito básico de todo pastor certo?

    Será estamos perto de uma Jihad Cristã?

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