O’Reilly, O’Reilly

Este post irá ser compreendido por duas pessoas (no máximo), mas vale a pena.

Bill O’Reilly é um brutamontes, um demagogo, um polemista, um conservador e uma das personalidades televisivas mais conflituosas da televisão Americana.

Bill tem o seu programa na FOX News (só isso diz tudo), o The O’Reilly Factor, que tem uma audiência de 4 milhões de pessoas diárias. Nesse programa, Bill apresenta os assuntos que servem a sua “agenda de interesses”, como valores conservadores, moral religiosa, Americanismo a toda a prova. Mas ele também dá palavra a alguns dos mais acérrimos defensores do ateísmo e do secularismo: Bill Mahr, Sam Harris, Richard Dawkins.

O que é curioso aqui é que eu era um ávido “consumidor” do seu programa: é difícil concordar com a maior parte das coisas que Bill defende, mas admiro a coragem que ele tem para ir para “o ar” todas as noites, e com a energia que o caracteriza, dizer as suas opiniões, sem receio de ser alvo de críticas e de escárnio (basta ver as referências quase diárias que Keith Olbermann faz ao Bill no seu programa Countdown).

Mas houve um momento que deixei de ver o “papa bear” (repito, apesar de ter sido um espectador fiel durante 4 anos nos US, e depois na Internet) quando ele, fez um comentário sobre um atrasado mental Americano que se colocou num avião para o Canada para depois entrar nos US. Esse homem tinha um vírus altamente contagioso, e meteu-se a viajar apesar das autoridades sanitárias do país onde contraiu o vírus lhe terem exigido que ficasse de quarentena.

Bill apareceu no seu programa e culpou este acontecimento por causa da “sociedade secular” onde vivemos, onde “as pessoas só pensam em si, e não têm qualquer respeito pelos outros, o que não acontece numa cultura religiosa”. Por momentos pensei que estava a ouvir o Pat Robertson ou o Jerry Falwell. Ironia das ironias, o atrasado mental que se colocou no avião…era cristão (dos protestante).

Mas agora Bill volta a ter a minha atenção.

Numa entrevista para o USA Today, Bill fala do seu sucesso como cidadão e como jornalista, relembrando a sua adolescência em N.Y. e a sua educação numa escola católica. No final da entrevista sabemos que Bill tem a prova final como existe deus:
“Da próxima vez que encontrarem um ateísta, digam a essa pessoa que conhecem um arrojado e dedicado jornalista, um bárbaro que foi educado numa família de classe média e que manteve todas as lições que aprendeu da experiência da vida. Depois digam a esse ateísta que esse jornalista é visto por milhões de pessoas à volta do mundo, e quando o ateísta estiver a digerir esses factos, perguntem-lhe se continua a acreditar que Deus não existe”. – Bill O’Reilly.

Espere um segundo, Bill, deixe-me pensar… não, continua a não existir deus. Mas obrigado pela tentativa.

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