“Quando os ateístas atacam”
Por Ricardo Silvestre • 24 Set, 2008 • Categoria: OpiniãoEste é um resumo em Português de um artigo de opinião de Sam Harris na revista Newsweek sobre Sarah Palin e a possibilidade de ela ser vice-presidente dos USA (ou pior mesmo, sabermos que Sarah está a um batimento cardíaco de ser “a” presidente da América).
O título em Inglês é “When Atheists Atack” (não consigo perceber de quem é que foi a ideia, ou porque Sam aceitou, mas ele sabará).
Para ver o artigo completo (em Inglês) ver aqui.
“Deixe-me confessar que fiquei genuinamente preocupado com a performance de Sarah Palin na Convenção Republicana. Contando com o facto da audiência que estava presente e com as necessidades do momento, acredito que a Governadora Palin tenha feito um dos mais eficientes discursos políticos que alguma vez presenciei. Encontrava-se aqui, finalmente, uma performance de alguém que, sendo uma mãe, vitima, convencida e sexy, conseguiu imbuir um salto alto de 3 centímetros directamente no circuito límbico de todos os Americanos que incansavelmente entoam “Deus e o pais”. Se alguém conseguiria fazer a teocracia cheirar a apple pie [tarte de maça do original, uma sobremesa que caracteriza a América “tradicional”], Sarah Palin era essa pessoa.
(…)
Preocupo-me principalmente com as coisas que Palin pensa que sabe, mas que não sabe: como a sua convicção que um Deus Bíblico regula conscientemente eventos mundiais. Nem é preciso dizer que ela compartilha esta crença com milhões de Americanos, mas não devemos ficar impacientes para lhe dar os códigos das armas nucleares. Não há questão que, se McCain sufocar numa costela solta e Palin tornar-se a primeira presidente dos Estados Unidos, ela e os seus apoiantes irão acreditar que Deus, na sua majestade e sabedoria, fez com que isso acontecesse.
(…)
Conseguimos saber muito sobre uma pessoa sabendo quais as companhias que tem. Na igreja onde Palin esteve durante décadas, a congregação aprecia “baptismos no Espírito Santo”, “curas milagrosas”, “falar a linguagem de Deus”[speaking in tongues no original, um ritual pentecostal]. Normalmente estas pessoas oferecem um relato de acontecimentos incrivelmente irracionais de comportamentos e do seu significado numa perspectiva cósmica. Os colegas espirituais de Palin descrevem-se a si mesmo como parte da “geração final”, envolvidos numa “guerra espiritual” para expulsar “os redutos de demonização”. Palin passou parte da sua vida adulta imersa numa histeria apocalíptica. Pergunte-se a si mesmo: será uma boa ideia colocar à máquina militar mais poderosa do mundo nas mãos dela? Queremos realmente os nossos líderes a pensarem no cumprimento de profecias bíblicas quando tem de negociar com o Irão, ou com a Coreia do Norte, ou com o Paquistão, ou com a Russia, ou com a China? E ter estas pessoas a dizer à mesa de negociações que “todas as opções estão em aberto?”
Pura e simplesmente assustador
Confesso que não tenho estado a par do que se passa do outro lado do Atlântico, mas isto dito assim… Estou a começar a ficar com medo.
Bem, na verdade Portugal não precisa ter medo, já que este maravilhoso Estado é tão “laico”!?
O Renato Martins é um filósofo de primeira água…;)