Regressões
Por Ricardo Silvestre • 23 Set, 2008 • Categoria: Internacionais, NotíciasGrupos de judeus ortodoxos, auto-denominados “guardiões da moral”, têm criado situações de violência contra mulheres em Jerusalém, ao tentar impor leis rabínicas, das quais se pode dar um recente exemplo, a proibição da venda de leitores de MP4.
Yoel Kreus é membro de um destes grupos numa zona de Jerusalém conhecida como Mea Shearfim. Yoel é um “gestor de operações”. Ele descreve-se como um “shmira”, uma palavra Hebraica que se traduz como “guardião de Israel”. “Eu asseguro-me que as leis dos rabis são concretizadas… eu ajudo as pessoas a serem morais”.
Muito do tempo que Kreus passa em vigília é a receber relatórios de uso ilícito de tecnologia pelos membros da comunidade, “se nos descobrimos alguém tem um computador em casa, nos retiramos imediatamente as suas crianças da escola”. Mas a principal intervenção deste grupo é a de assegurar que os comportamentos das mulheres são condignos.
Kreus admite ter cortado os pneus de carros que circularam por Mea Shearfim, uma vez que esses carros eram conduzidos por mulheres que estavam “vestidas de uma forma indecente”. “Eu estou a tentar ser criativo, não quero entrar em violências. Eu faço um pequeno furo nos pneus e deixo o ar sair do pneu. Não estou a destruir o carro, apenas a enviar um sinal”.
Yoel mantém que é necessária haver uma separação entre zonas de Jerusalém: “ter pessoas seculares nos autocarros que servem a nossa comunidade é errado, essas pessoas parecem animais, sem roupas. Raparigas não religiosas não se vestem de uma forma digna, e encorajam-me a pecar.”
Com o aumento da comunidade ortodoxa, autoridades governamentais estão a ceder a um cada vez maior número de exigência, como por exemplo, a criação de carreiras kosher (puras), onde as mulheres são obrigadas a sentar-se na traseira do autocarro, e só podem entrar no mesmo se “vestidas apropriadamente”.
Ver aqui.
Enquanto algumas comunidades avançam para, outras regridem. Enquanto Rosa Parks e a famosa situação onde uma mulher de cor recusou-se sentar nos bancos de trás de um autocarro em Alabama foi há 53 anos, parece que em Israel se está a andar para trás nos direitos fundamentais dos seres humanos. Agradeçam à religião.
Mas a melhor parte é a da, “Raparigas não religiosas não se vestem de uma forma digna, e encorajam-me a pecar.” Fantástico!! Lá porque este depravado não consegue parar de salivar quando vê uma mulher sem veu, agora a culpa é do secularismo, das mulheres, das saias, e do verniz das unhas.
É o que dá quando se está a “fazer a vontade de deus”.
Terra, século 21.
Quando li o texto respirei de alívio por não ter vivido na idade média. Comecei a digerir o texto e assustei-me quando vi a palavra “Autocarro”, afinal a cronologia é mais recente… brrr, arrepio… apercebi-me das palavras “computador” e “leitor de MP4″… brrrrr brrrrrr, arrepio sinistro, afinal o texto não é recente, é ACTUAL…. Medo, muito medo…
Deus pode ser invocado para actos que,na sua prática,são intrinsecamente anti-religiosos,embora aparentemente de base religiosa.Tudo depende também da concepção que se faça de Deus.Na essência do Cristianismo,tal como vem relatado nos Evangelhos,não vejo como alguém,de boa fé e de boa vontade,possa censurar a grandeza ética da Sua Mensagem .As práticas institucionais que,em Seu nome,foram efectivadas é que merecem ser verberadas.E tantas vezes se afastam dessa Mensagem.
Há,contudo,uma enormíssima diferença entre o Deus da Bondade do Cristianismo e outras concepções pérfidas de deus.
Mais uma vez,e tantas quantas forem preciso,trago o exemplo da Bíblia Satânica,de Anton Szandor LaVey para evidenciar que até Deus pode ser invocado para a tentativa de legitimação da Doutrina mais perversa que existe:O Satanismo.
E até ela invoca o Santo Nome de Deus em vão:
“É um erro comum as pessoas acreditarem que o Satanista não acredita em Deus. O conceito de “Deus”, como vem sendo interpretado pelo homem, tem sido tão variado através da história, que o Satanista simplesmente aceita aquela que melhor lhe convir. O homem sempre criou seus deuses e não o contrário. Para alguns Deus é benigno para outros aterrador. Para o Satanista “Deus” - seja qual for o nome dele ou mesmo que não atenda por nome nenhum - é tido como uma força de equilíbrio da natureza e não algo que se preocupa com o tormento ou bem estar dos outros. Esta força poderosa que influencia e traz equilíbrio para o universo é muito impessoal para se preocupar com a alegria ou desgraça das criaturas de carne e osso que habitam este planeta.”
(”Bíblia Satânica,de Anton Szandor Lavey,” Procura-se Deus !-Vivo ou Morto”)
E há quem diga que a fé não é uma doença mental (não generalizando)…
E a quem diga que os ateus não são cretinos (não generalizando)…
Como em questões de fé,o que conta,para alguns ateus,é o pequeno deus da Ciência,importa contrapor que a Organização Mundial de Saúde não considerou a fé uma doença mental.Mas ainda há alguns incultos que teimam em sobrepor as suas convicções ateístas aos critérios da ciência estrita,de que tanto se ufanam.Deve ser porque,para eles,quando lhe interessa asneirar,a fé como “doença mental” é assim uma espécie de fé ateísta …
Por um outro lado, para quem possui interesses históricos, cinco mil anos de história judaica teriam sido enterrados pelo tempo caso não houvesse gente desequilibrada como Yoel Kreus.
Matti Saari,estudante finlandês, de 22 anos,que se dizia ateu e adepto do Darwinismo Social,assassinou recentemente dez colegas da sua escola,suicidando-se de seguida.Era fã de Heavy Metal e, citando a letra da canção “War” (”guerra”), da banda Wumpscut, Saari escreveu no seu site do YouTube: “A vida inteira é guerra e a vida inteira é dor, e você lutará sozinho na sua guerra pessoal.” Eu creio que ser ateu e darwinista social não é sinónimo de psicopatia.Muito menos ser adepto de Haevy Metal.Mas o que achará agora o Rui Janeiro ?…
António…
defendo o seu direito de expressão, mas você não passa de um oportunista da espécie mais condenável que pode haver.
Começa o seu comentário por dizer que Matti se dizia ateu e adepto do Darwinismo, mas claro, o António não acha que isso “é sinonimo de psicopatia” Diz que Matti colocou as letras de uma banda de Metal na sua página do Youtube, mas “muito menos ser adepto de Heavy (e não Haevy) Metal” é o que faz um psicopata.
A sua forma de escrever foi de apresentar, de uma forma deliberada, as suas convicções, para depois passar uma imagem de superioridade moral, e de capacidade de condenar as insinuações que você próprio escreveu.
Faz-me lembrar os seus “amigos” cristãos na América quando foi o massacre de Columbine: “não é que o problema seja o ateísmo e o Darwinismo social, mas que é um problema é”.
Por isso, a minha censura à sua demagogia rasteira e ofensiva.
Olha,olha,quem ele é…o Ricardo Silvestre,a mostrar-se muito ofendido e indignado…Pois…pois…Olhe,nem vou perder muito tempo consigo,que nem merece.
Você,sabe ler português ? Então leia primeiro o comentário do seu companheiro Rui Janeiro antes de deitar alarvidades e javardices pela boca fora.E depois leia o meu comentário àcerca do Matti Saari com a mais absoluta das racionalidades e vai ver como ele se ajusta argumentativamente ao comentário do Rui Janeiro…
Você é um vidrinho Ricardo…E,se há oportunistas,são aqueles que,como você,não tece uma única linha de crítica à provocação do Rui Janeiro e depois vem muito pressuroso,como uma virgem ofendida,lançar bojardas pela boca fora…
Cresça e apareça…
Faço um apelo à Política de Comentários…
E também critico o António por falar na Bíblia Satânica em vão.
Cumprimentos
Oração ou reza (ou lá o que era!) eliminada pela administração do Portal Ateu.
Helder Sanches