Medalha de ouro para a misoginia

Por Bruno Miguel Resende • 22 Set, 2008 • Categoria: Ciência & Educação, Departamentos, Discriminação Religiosa, Nacionais, Notícias, Psicologia & Sociologia

Segundo a Junta de Freguesia de Fátima, o Presidente da Junta entregará a Medalha de Ouro da Cidade a Luciano Guerra, dia 22 de Setembro, uma homenagem ao clérigo por… não se sabe bem.

No próximo dia 22 de Setembro, a Junta de Freguesia de Fátima vai homenagear o Reitor do Santuário de Fátima, Monsenhor Luciano Guerra e entregar a medalha de ouro da Cidade de Fátima.

A homenagem terá lugar no Salão Nobre da Junta de Freguesia com o seguinte programa:

18h30m – Abertura da sessão pela Secretária da Assembleia de Freguesia que conduzirá o protocolo;
18h40m – Intervenção do Presidente da Assembleia de Freguesia;
18h50m – Intervenção do Secretário da Junta de Freguesia;
19h15m – Entrega da medalha de ouro da Cidade de Fátima, seguindo-se a intervenção do Presidente da Junta de Freguesia;
19h30m – Intervenção do Exmo. Monsenhor Luciano Guerra;
19h45m – A Secretária da Assembleia de Freguesia encerrará a sessão com o convite para um pequeno beberete no Salão Paroquial.

Harmonia plena entre a política e a Igreja Católica Romana, numa homenagem a título do porque sim, e tente-se descortinar o que o clérigo fez para merecer a medalha da cidade (portuguesa ou vaticanista não se sabe bem).

Analise-se algumas das afirmações de Luciano Guerra, Reitor do Santuário de Fátima, tentando encontrar as convicções que lhe renderão uma homenagem tão glamorosa, com passeios entre a Junta de Freguesia e uns “beberetes” no Salão Paroquial. Seguem-se extractos de uma entrevista feita por Pedro Almeida Vieira e publicada no “Notícias de Sábado”, suplemento semanal do Diário de Notícias, de 6 de Outubro de 2007.

Jornalista: Na sua opinião, uma mulher agredida pelo marido deve manter o casamento ou divorciar-se?
Monsenhor Luciano Guerra: Depende do grau da agressão.
Jornalista: O que é isso do grau da agressão?
Monsenhor Luciano Guerra: Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos.

Ou seja, na óptica deste vencedor de medalhas de ouro a violência doméstica não é um crime, desde que praticada com intervalos de 3 ou mais anos. Mas ainda melhor…

Jornalista: Porque é que a Igreja se mostra sempre tão rígida, se Deus nos criou com o corpo que temos, as sensações e as necessidades….
Monsenhor LG: Não é uma questão da Igreja Católica nem doutras religiões. A sociedade entendeu que a melhor forma de preservar a paz, no fundo o progresso, foi tirar as mulheres da frente dos homens.

Misoginia à escala planetária? Mulheres fora do espaço público? Em casa a receber o soco trienal? Talvez o melhor fosse colocá-las num jardim zoológico. Com mulheres, esses seres inferiores no mundo a vaguear livremente não existe paz, nem progresso, percebe-se assim melhor a paz e o progresso que reinam no Vaticano, com tais leis aplicadas!

Monsenhor LG: Se o homem não se impressiona com a mulher, a mulher não se impressiona com o homem. O perigo está nos homens, está no macho.

Com cães e gado a frase também funciona bem! Embora seja mentira à mesma.

Mais coisas fantásticas foram proferidas por este vencedor de medalhas de ouro e homenagens, entre os fascismos católicos nas lides das interrupções voluntárias da gravidez, toxicodependências (a fé não é incluída estranhamente), mas mencionava apenas uma perspectiva ainda mais aterradora que os socos trienais e as proibições de mulheres estarem na “sociedade”, sobre a SIDA e o preservativo, a doutrina católica do “Deixem-nos morrer!”.

Jornalista: Não faria sentido que, para evitar os abortos, a Igreja tivesse outra postura em relação ao uso de preservativo?
Monsenhor LG: Não creio que em relação ao preservativo seja fácil. Além disso, sabemos que não há capacidade para distribuir a toda a população mundial, sabendo-se ainda que entre 20 a 30% da Humanidade vive com menos de um dólar por dia, que é o preço de um preservativo.

Sabe-se também que para existir pessoas na miséria é necessário existir impérios de riqueza concentrada em poucas mãos como a Igreja Católica Romana. A conclusão das lides sociais é fácil na óptica do catolicismo, deixem-nos morrer!

Para um personagem nauseabundo como este clérigo nada melhor que um pedaço de ouro de homenagem política, símbolo da ganância Humana e do materialismo capitalista doentio. Estado e Religião juntos na opressão das massas, e circo com beberetes, palestras e magnificências em ouro dos actores, e o povinho bate palmas.

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7 Respostas »

  1. Blah, blah, blah!

    Bruno, Fátima era um lugarejo perdido no meio do nada. Hoje é uma cidade conhecida a nível internacional. Tudo por causa do Santuário. É natural que se homenageie o homem que o liderou nos últimos anos.

    Sobre as as tretas que o Bruno conta sobre a SIDA e a Igreja, basta ver que a ONU no ano passado agradeceu à Igreja o seu papel na luta contra esta doença em África e pediu-lhe que ajudasse ainda mais.

    Claro que o Bruno vai desprezar este factos, porque o Bruno é o verdadeiro iluminado, dono da Verdade…

  2. Auschwitz e Birkenau eram dois lugarejos perdidos no meio do nada. Hoje, são lugares conhecidos a nível internacional tudo por causa dos campos de concentração Nazi. É natural que estas santas terrinhas muito devam a Hitler. Abençoado sejas!

  3. Continuamos a ter dos maravilhosos textos do Bruno que fala fala e pouco diz… Qual é o espanto de um Presidente da Junta de Freguesia de Fátima querer homenagear alguém que foi responsável pelo maior Santuário português?…

    Embora não simpatize particularmente com o referido Monsenhor, a freguesia de Fátima está no direito de homenagear alguém que foi responsável por aquele Santuário mariano.

    Quanto às declarações do clérigo, foram proferidas frases menos felizes, outras nem por isso… Mas não se pode interpretar as declarações de um religioso como se fosse a voz ou opinião da Igreja! Aliás, este Monsenhor já em muitas ocasiões contrariou aquilo que a Doutrina Católica ensina, mas isso é outra história..

  4. Obviamente que as palavras de Monsenhor Luciano Guerra foram infelizes e censuráveis.Mas você,Bruno,tem uma bitola muito apertada do que considera “um personagem nauseabundo”.Que diria então destes repulsivos pedaços que constam da parte III do “Livro de Satâ” ,da “Bíblia Satânica”,de Anton Szandor Lavey:

    “Por que eu não deveria odiar os meus inimigos [?]… Não somos todos nós animais predatórios por instinto? Se os homens pararem de depredar os outros, eles poderão continuar a existir?… não é a desprezível filosofia da pessoa servil que vira as costas quando chutado? E conclui com princípios: “Odeie seus inimigos… atinja-o dilacerando e desmembrando-o, pois autopreservação é a lei suprema! Quem mostra a outra face é um cão covarde!”

    “Morte ao fraco,saúde ao forte !”(”Livro de Satã,parte I)

    Também consideraria Anton Szandor Lavey “um personagem repulsivo” ou um anjinho de coro ?…

  5. Há que homenagear os principais dinamizadores económicos (e neste caso também turísticos) da zona. Calhou ser um santuário religioso, mas podia ser uma fábrica, um hospital, uma universidade, um festival de música anual, restaurantes, casas de alterne, etc…

  6. João C.

    Não acuse o Bruno de expressar uma opinião usando o seu próprio estilo. Você diz que ele “fala fala e pouco diz” mas você próprio parece muitas vezes o sacristão dos outros crentes que por aqui param!

    Lá porque o Santuário é muito grande, isso não devia ser motivo suficiente para se homenagear o respectivo Reitor, ainda para mais vendo pelas suas declarações o traste que ele deve ser.
    Quanto ao “interpretar as declarações de um religioso como se fosse a voz ou opinião da Igreja” o que se passa é que este não é um religioso qualquer. Como não é um mero padreco de aldeia devia ter um cuidado adicional com as afirmações que profere. A questão é que opiniões idiotas emitidas por pessoas a este nível hierárquico (que são frequentes) tem, junto dos crentes médios, força de doutrina, independentemente se são ou não contrárias à Doutrina Católica (como você diz).

    cumprs.

  7. Ernesto,

    Concordo consigo quando diz que o Monsenhor Luciano Guerra “não é um mero padreco de aldeia devia ter um cuidado adicional com as afirmações que profere.” Porque de facto, num tempo em que há tanto desconhecimento, entre católicos, do Catecismo e da doutrina Católica, algumas afirmações são entendidas por alguns fiéis como a posição oficial da Igreja (mesmo que seja um mero artigo do jornal ‘L’osservatore romano’).

    Se para os crentes é assim, para os ateus muitas vezes mais confuso se torna perceber detrminadas posições, opiniões e mandamentos da Igreja Católica! E não nego que em grande parte esta confusão derive da deficiente formação que alguns clérigos tenham…

    Quanto à homenagem pela Junta de Freguesia, continuo a achar justo que se reconheça alguém que esteve à frente de um Santuário como o de Fátima, com tudo o que este proporcionou para o desenvolvimento da cidade.

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