1º Encontro da RSPA
Por Ricardo Silvestre • 20 Set, 2008 • Categoria: Nacionais, Notícias“Realizou-se esta quinta-feira no Bairro Alto em Lisboa o primeiro encontro da Rede Social Portal Ateu (1º RSPA).
Em declarações prestadas à saída do encontro, os organizadores estavam radiantes com o encontro que consideraram como um “grande sucesso”, e um momento de “franco debate sobre as coisas do ateísmo em Portugal”.
Dos vários temas abordados no 1º RSPA destacam-se a tentativa de definição de “fé religiosa”, a inexistência de provas para se acreditar na existência de deus, e o agnosticismo e bules de chá, entre outros.
O momento mais alto do 1º RSPA foi quando se discutiu qual a importância do Portal Ateu na sociedade Portuguesa. A rapidez com que o assunto foi agendado mostrou o quanto os participantes estavam em consenso ao declarar que o “Portal Ateu é muito importante para Portugal – ou pelo menos para a blogoesfera Portuguesa – ou pelo menos para a blogoesfera ateísta Portuguesa - ou pelo menos para os visitantes do Portal Ateu - ou pelo menos para os administradores do Portal Ateu.”
No final da tertúlia, houve um jantar, onde os convivas trocaram histórias pessoais de perseguição e descriminação religiosa sofridas, viraram crucifixos ao contrário, desenharam cartoons na toalha da mesa, entre garfadas de lombinhos rodeados de bacon, peixe frito, e costeletas de vitelas.
No final, todos os presentes afirmaram que tinha sido uma experiência que mudou as suas vidas, e que mal podiam esperar pelo 2º RSPA.”
Ver aqui.
Bem, depois desta notícia, não há mais nada que eu possa acrescentar
; )
Obrigado à C, ao P, ao A e ao J que fizeram a gentileza de nos honrar com a sua presença.
LOL!!! Grande notícia… Gosto deste teu tipo de registo. 5 estrelas.
“a inexistência de provas para se acreditar na existência de deus”
Que frase mais contraditória… mas enfim, eu acho que é mais inexistência de conhecimento dos argumentos mais recentes para se acreditar em Deus. Ainda há por aí muito ateu, que acha que o único argumento para Deus é o estar escrito na bíblia, corão etc…
A existência ou inexistência de provas para se acreditar na existência de Deus dependerá sempre de interpretação individual.Não faz sentido,a meu ver,escogitar-se uma aceitação global do Divino.Cristo,segundo o relato dos Evangelhos,ressuscitou Lázaro depois de este ter morrido.Admitamos que o evento ocorreu (e eu não tenho razões para descrer da veracidade do acontecimento,ainda que ele se tenha traduzido num facto miraculoso).Recuemos dois milénios e coloquemo-nos como possiveis testemunhas dessa ocorrência.Sabiamos que Lázaro estava morto há alguns dias.E tinhamos visto Cristo operar a sua ressuscitação.Que pensariamos nós:
a)”Cristo operou o Milagre da Ressuscitação de Lázaro” ?
b)” Não existe explicação científica para o evento” ?
b)”Não encontro explicação científica para o fenómeno,mas admito que um dia a Ciência venha explicá-lo racionalmente” ?
c)”É tudo uma cambada de intrujões e os maiores farsantes são Cristo e Lázaro ?”
Aqueles que viraram os crucifixos ao contrário,no 1º encontro da RSPA,presumo logicamente que não aceitarão interpretativamente a hipótese a).
Milhões de outros seres humanos reconhecem a ocorrência dessa hipótese, por questões de fé e porque também não têm razões lógicas para duvidar da Divindade de Cristo,à luz da superioridade ética da Sua Mensagem e do poder demiúrgico da Sua Intervenção.
Aqueles que,há dois milénios,viram a Ressuscitação de Lázaro,efectivamente ocorrida e verdadeira,tiveram directamente a Prova Mística de Deus.
Deus revela-se por Sentimento,pela Razão Lógica e por Revelação Mística.
Uns acreditam nestas provas.Outros não.Uns comovem-se perante a Imagem do Crucificado.Outros não.
E viram os crucifixos ao contrário…
António, deixe que lhe diga que não assisti a tal relato que aceita como historicamente correcto, só tenho trinta anos. Sei de relatos igualmente históricos (mas dos quais também não atesto a veracidade) de um tal Adamastor (penso que até é parente do seu deus) que destruia embarcações ali para os lados do sul de África. Haverá:
a) - o Milagre da destruição das embarcações
b) - Não existe explicação científica para o facto
c) - Não encontro explicação científica para o fenómeno mas admito que um dia a Ciência venha explicá-lo racionalmente
d) - É tudo uma cambada de intrujões e os maiores farsantes são Adamastor e Bartolomeu Dias
Como verifico que o António é dado a crenças em seres imaginários acredito que vê a hipótese a) como a que melhor o representa.
Quem aceitar a explicação c) só pode ser ateu, nunca um crente aceitaria uma justificação científica em detrimento de uma paranormal…
Rodrigues:Existe apenas uma diferença entre Deus e o Adamastor:É a mesma que existe entre você e os “grendenskals”.Em você,ainda acredito que exista,apesar de apenas o imaginar virtualmente e supor que não é,no entanto, uma obra de ficção imaginária.Mas não acredito nos”grendenskals”…
P.S.Não me peça,contudo, que lhe apresente provas de que você existe.Seria o mesmo que discutir o sexo dos anjos…
Que parvoíce de exemplo… toda a gente sabe que o Adamastor foi criado por Camões, como figura de estilo, de modo a representar as tempestades e outras adversidades.
Rodrigues,
Que pobre exemplo que deu… o Adamastor é uma figura de estilo para personificar as tempestades!
Bem, será, então, que isso significa que devemos fazer uma interpretação literal da Bíblia ou ela não passa de um complexo conjunto de figuras de estilo? Vamos lá ser coerentes só por uma vez, pode ser?
Não há falta nenhuma de coerência, você é que parece não diferenciar nada. Sei que para si as religiões não podem estar todas certas, logo estão todas erradas. Uma lógica bombástica, mas ainda conseguimos distinguir a Bíblia dos Lusíadas, ou não? Um documento histórico, duma narrativa em verso?
Daqui a bocado está a dizer que quem acredita em Jesus Cristo, tem de acreditar no Harry Potter….diferenciação meu amigo…
Helder, como os exegetas lhe explicarão melhor que eu, na Biblia há livros históricos (por exempo o Livro de Jeremias) e livros de histórias contadas para a edificação do povo Judeu (por exemplo o livro de Jonas).
Os Evangelhos são históricos,emboram careçam obviamente de interpretação. Como o Hélder saberá os historiadores daquele tempo eram sempre pouco precisos. Eram capazes de juntar discursos e aconteimentos num só, ou fazer resumos das situações. Não e só com os Evangelhos, mas com a generalidade dos livros de História antigos.
E aqui que está a diferença entre Cristo e Adamastor, ou mesmo , entre Cristo e Zeus (para dar um exemplo correcto).
Há livros, que tem a pretensão de contar algo que aconteceu, que atestam a sua existência e os seus ensinamentos.
Aliás, existem outro historiadores (Flávio Josefo, que assistiu à destruição de Jerusalém por Tito) que falam de Jesus, embora não reproduzam a sua vida ou os seus ensinamentos.
Uma pessoa pode dizer que Cristo era mentiroso, que era louco, só não pode, se quiser ser honesto,dizer que ele não existiu e não morreu e que depois voltou a ser visto vivo.
Para começar, eu não questiono a verdade na existência de um individuo chamado Jesus que terá vivido à cerca de 2.000 anos para os lados da Galileia e arredores. Não é isso que eu questiono. Questiono, isso sim, muitos dos relatos de milagres tanto do velho como do novo testamento. Gostaria que me explicassem qual a diferença entre metaforicamente referir o Adamastor e relatar que os mares se abriram para permitir a passagem de um povo eleito; ou porque é que o adamastor é uma figura de estilo mas uma serpente falar já não é! Isso é que eu queria que me explicassem porque, sinceramente, não entendo as diferenças entre estas figuras de estilo. Será que ao Camões por ter menos um olho não lhe pode ser dada a credibilidade que é dada a alguns “sábios” pastores da Idade do Bronze? Estou confuso…
Helder,
A sua questão é pertinente,porque,de facto,a Bíblia é um conjunto diversos de livros que falam de Deus e,muitas vezes,são usadas figuras de estilo e simbólicas,a par de acontecimentos literais.Nessa medida,Jesus Cristo poderia ser uma figura meramente simbólica,bem como todos os acontecimentos narrativos,que lhe estão associados ? Em tese,sim.Mas,quando olho para o deus do Antigo Testamento(e aqui também uso propositadamente a palavra “deus”) não reconheço um Deus que seja vingativo e castigador.Todos os livros devem ser interpretados,certo ? E também logicamente.A lógica humana não se esgota na lógica ateísta. E o facto de os ateus não conceberem uma realidade transcendente,que incorpore o Sagrado,não significa que essa visão seja a Verdade Absoluta. Então,quando olho para o Novo Testamento,vou encontrar um Deus diferente do do Antigo Testamento.Em Cristo vejo o Deus Omnipotente,Omnisciente e Bondoso.Poderia ser só Omnipotente e Omnisciente e isso atribuir-lhe-ia a característica divina ? Para mim,não.Não concebo um Deus que não seja essencialmente Bondade.Mas então porque acredito na natureza humana e divina de Cristo ? Pelo facto de o historiador Flávio Josefo confirmar que Ele,historicamente,
existiu ? Por Mateus e João Evangelista,Seus discípulos ,também asseverarem a sua existência histórica ? Isso conduz-me à conclusão lógica de que Cristo existiu historicamente.Mas chegaria para estar convicto de que era a Encarnação de Deus.Não chegaria.Então,o que foi,para mim,determinante ? Foi o divino sentido ético da Sua Mensagem.A sua Doutrina de Profunda Bondade convenceu-me.E,tudo o mais, da sua historicidade e eventos miraculosos,reforçou a minha convicção.Isto retira coerência à análise exegética da Bíblia ? Não retira.Não era sequer preciso invocar aqui Cristo,para referir que é preciso separar muito bem o trigo do jóio,atribuindo ao simbólico o que é simbólico e ao literal o que é literal…
Hélder,
Camões era cristão. Usou os deuses da antiguide clássica e acrescentou alguns mitos porque era o normal no Renascimento, onde se voltou a usas os deuses gregos e romanos como expressão artística.
Quanto ao porque é que deve acreditar nos milagres descritos na Biblia. Porque são relatos históricos, de pessoas que viram e o contam. Pode duvidar deles, como pode duvidar dos comentários de César à conquista da Gália. Aliás pode duvidar de toda a história…
Eia, umas horas longe do PC e vejo que choquei alguém.
Ok, Adamastor seria uma figura de estilo mas o que realmente quis dizer foi que em momentos históricos de menor conhecimento científico tudo (sobretudo catástrofes) era tido como obra do divino para manter os fiéis sob controlo pelo medo irracional. Hoje em dia (embora as religiões, sobretudo a católica, tenham tido esforços no sentido contrário) é facilmente aceite por todos que a Terra é redonda, a ciência já o provou. Teimam em não aceitar Darwin preferindo o criacionismo? Ok, a ciência pode deixar algumas dúvidas para algumas mentes (novamente para as igrejas), mas as provas já existem. Talvez a ciência venha negar a existência de seres divinos cuja existência acho tão disparatada como acho disparatada a existência do coelhinho da páscoa (ou será que também existe?). O que é certo é que até Bartolomeu Dias o cabo das Tormentas se dizia habitado por seres estranhos que derrubavam embarcações (Dê os nomes que quiser)
Sim Hélder e muita gente lhe dirá que muitas partes da bíblia serão certamente para ser levadas metaforicamente.
Outras não. Continua com a falta de diferenciação. Mas já com o exemplos dos Lusíadas, embora hajam muitas figuras de estilo, e não exista nenhum adamastor, o fundo histórico dos descobrimentos não deixa de ser verdade.
Um livro não tem de ser totalmente literal, ou totalmente metafórico.
Sim Rodrigues a existência do Coelhinho da Páscoa que foi inventado de propósito para as crianças é igualmente provável à existência de Deus….
Mais falta de diferenciação, o típico raciocínio a la Dawkins.
A Igreja católica já aceitou a evolução há muito tempo, embora hajam efectivamente ainda os resistentes. Para além que a bíblia diz que a Terra é circular ou esférica, não me estou a recordar da palavra original. Mas sei que a usada na bíblia pode ter os dois significados.
Rodrigues, a Igreja nunca negou que a terra fosse redonda. Basta ver que Carlos Magno, que era o Imperador da Cristande, sempre foi representado com um globo, simbolizando a terra. Também são antigas as representações do Menino Jesus com um globo na mão, para significar que era salvador de todo o mundo. Por isso, investigue antes escrever lugares comuns.
Para além disso, o evolucionismo está longe de estar provado. Acrescente-se que a Igreja não diz que mundo foi criado em 7 dias, mas sim que todo o processo da história têm por detrás o desígnio de Deus. Qual a teoria científica que explia o exacto nascimento da terra, ou a evolução precisa são assunto de ciência, n de fé.
Acabando, só pode dizer que a Religião nasce do medo, quem não a conhece. A religião não nasce do medo, mas do espanto. O espanto pela maravilha da criação.
A ciência não pode negar a existência de Deus, assim como não a pode provar. O processo que leva à fé é diferente do método ciêntifico. Exige o uso da razão, mas tambem a graça de Deus.
Quanto aos monstro do cabo das tormentas, diremos o que dirão os nossos descendentes daqui a uns séculos sobre a visão que nós temos dos e.t.’s…
Z, ok, a esfeiricidade da Terra foi de facto um mau exemplo mas quero evitar cair no argumento da Inquisição. Há ainda várias verdades científicas que as religiões tendem a aceitar como factos, se julgar as crenças de outras religiões que toma para si como absurdas (quantas virgens tem Alá reservadas para que morre por ele?) vê como eu tomo por absurdas as crenças da sua religião (criacionismo e seres tão envergonhados que apesar de serem omnipresentes nunca ninguém os viu).
Rodrigues,
Jesus disse de Si que era Deus feito carne. Pode não acreditar, mas Ele foi visto. Aí entremos de facto no campo da fé.
Repito que o criacionismo, (stricto sensum) n é doutrina da Igreja Católica.
Agora, eu considero absurdo nas outra religiões tudo o que vai contra a razão. O resto acho simplesmente que não é verdade.
“A ciência não pode negar a existência de Deus, assim como não a pode provar”.
O curioso é que a religião (qualquer uma) também não!
Não a pode provar pelo método dedutivo, que é o da matemática, nem pelo método experimental, que é o da ciência, mas pelo método da fé, que é o que lhe permite saber que as suas filhas o amam.
Pode dizer que não é doutrina ACTUAL da igreja pois foram obrigados a aceitar alguns factos que vos foram apresentados, assim já dizem que afinal Adão e Eva até terão sido personagens de uma escritura qualquer, os seres até podem evoluir MAS alguém os fez, mais ou menos evoluidos foram criados por alguém… Isso prova que até a religião é obrigada a evoluir, só gostava de cá estar quando a religião evoluir tanto ao ponto de se transformar em ateísmo…
…”o método da fé”
Seria de rir se não fosse uma enormidade inqualificável.
O descrição do “método da fé”: dobrar as pernas, deixar assentar o peso do corpo nos joelhos, colocar os braços à frente do rosto, juntar às palmas das mãos, olhar ligeiramente para cima e dizer vezes sem conta “eu acredito, eu acredito, eu acredito”.
Repetir o “método” quantas vezes achar necessário.
O controlo das condições atmosféricas experimentais: pressão, humidade e temperatura, é opcional.
…”o método ateu”
Eu abro os olhos, penso e não preciso de repetir…
Ricardo, se calhar somos uns sortudos, o nosso método é mais simples.
Diga-me uma coisa Ricardo, a sua família amao-o? Como o pode provar?
“Eu abro os olhos, penso e não preciso de repetir…”
Se calhar devia começar a pensar mais vezes… digo eu!
Z, respondendo pelo Ricardo, sei que a minha família me ama pela reciprocidade dos actos de amor, dou um beijo à minha filha e ela faz-me uma festa na cara, não preciso de uma religião pra isso.
Ama o seu Deus? Ele é recíproco? Quando lhe reza, ele responde? Pode provar que ele o ama?
Rodrigues:
Deixe-me partilhar consigo esta minha vivência pessoal,recente.Há pouco tempo estive num local isolado,de grande beleza.Era final de tarde,e eu estava sozinho junto a um pequeno riacho,de águas límpidas.A luz era suavíssima,aconchegada pelas copas das árvores.Sentei-me em contemplação e sentia-me tão bem que pensei:”poderia ficar aqui em corpo e espírito por toda a Eternidade”.Meditanto,perguntei:”Meu Deus,onde estás ?”Subitamente,a resposta interna ecoou assim:”Procura-me no Silêncio…”A vivência religiosa é sempre individual.No meu caso,se,como diz Gandhi,” a oração é a respiração de alma”,sim,posso dizer-lhe que Deus me respondeu.E,se assim me respondeu,posso,sim,provar que Ele me ama…
P.S.Eu é que não sei se amo Deus com a exigência que devia.Deus não pede que o idolatre.Pede que,quando eu vir alguém com fome,que lhe forneça alimento.Que,quando me deparar com alguém carente de afecto,que o envolva com um abraço.Que,quando alguém estiver preso na prisão,que o vá visitar.Que ame até os meus inimigos,se os tiver.
Esta é a forma como Cristo pediu que O amassemos:Em todo o ser que sofre…
António, essa resposta foi interna tal como disse, aquilo que disse ser uma resposta divina, se essa vivência fosse minha, chamar-lhe-ia apenas contemplação de algo belo. Um ateu (acredite ou não) também encontra um grande prazer num local desses, apenas não consegue ver Deus em cada raio de sol como o António vê. Eu vejo-me como alguém que foi forçado a ser cristão até ter descoberto que podia pensar pela sua cabeça, mesmo nesses momentos de contemplação pela natureza bela, eu, quando me julgava crente, não conseguia ver o que o António vê, acho que já em miúdo era ateu disfarçado de cristão.
O acto de alimentar um desfavorecido, de o vestir, de o respeitar como ser humano, eu chamo apenas de valores humanos, acredite, até um ateu os tem, pasme-se, já conheci crentes que não os têm.
O António acredite que se tivesse tido a educação que eu tento dar às minhas filhas hoje seria tão ou mais ateu que eu (se é que isso se quantifica), espero que elas também o venham a ser, e acredite que elas se sentem tão amadas e protegidas por mim como se devem sentir os seus filhos (não sei se é pai mas vou supôr que sim) e são tão educadas quanto qualquer pai deseja que os seus filhos sejam.
Para terminar deixe-me partilhar uma pequena história que se passou com a minha esposa:
A minha esposa tem uma sobrinhita da qual gostava de ser madrinha mas, por não ser casada pela igreja, esse desejo foi logo bloqueado pelo padre da freguesia (note-se que ela é cristã apenas não é casada pela igreja porque se decidiu a casar comigo). Como bons cristãos que são, ela e os meus cunhados lá tiveram uma dica que numa das maiores freguesias da cidade o padre nem verificava isso, logo bastou “contornar” a verdade e dizer que era casada pela igreja e que morava algures naquela freguesia. E lá houve o tal baptismo…
Que belo padre, cheio de valores, o que disse logo que não… que cativante…
Rodrigues:A minha mulher,que muito amo,é ateia e um dos mais bondosos seres que conheci…Acho que não preciso de dizer mais nada para transmitir que entendo perfeitamente as suas palavras…
Rodrigues,
então o amor mede-se pela reciprocidade? Será que elas não o fazem porque vc lhe dá coisas? Porque têm medo? Porquê você as alimenta? Como sabe que é amor?
Vc sabe que elas o amam, n por causa de uma religião (n era disso que eu falava) mas por um acto de fé. Tudo indica que elas o amam, mas n tem prova nenhuma. Contudo seria totalmente louco se dizesse o contrário!
Z, claro que tenho provas, não preciso de ver a reciprocidade dos meus actos, basta ver os olhos delas quando olham para mim ou para a mãe. Com coisas palpáveis é fácil dar provas. Também não me custa admitir o amor que tem pelo seu Deus, é visível pelo que escreve, custa-me sim admitir que ele exista, logo, se ele não existe, não o pode amar, logo, está a perder o seu tempo a amar algo ou alguém que não o ama.
É essa ideia que eu acho inconcebível, adultos a ter amigos imaginários, eu tive em criança porque os meus pais me diziam para ter, até era giro, eu até sou baptizado, pasme-se, eu até tenho uma afilhada (fui padrinho com 11 ou 12 anos, que sabia eu da vida???), mas a determinada alturacomecei a achar tudo muito estranho: se não acreditava no Pai Natal, não acreditava (nunca acreditei) na fada dos dentes, que provas teria eu que existe Deus? Há cerca de vinte anos que sou ateu e nunca me conseguiram provar que estou errado.
Desculpe, Rodrigues, dê-me uma prova pálpavel do amor das suas filhas por si! Ou mesmo do seu amor por elas! (E repare, eu n tenho um segundo de dúvida que as suas filhas o amem ou vc ame as suas filhas. Sei é que n há uma prova pálpavel, mas uma certeza no seu coração, com base na sua experiência, desse amor. Ou seja, fé!)
N quero com isto que o Rodrigues acredite em Deus. Para isso é preciso tempo, uma companhia, proximadade. É como uma qualquer relação.
Só quero é que n diga que a fé n é razoável ou n permite chegar ao conhecimento.
Z, assim tenho q lhe pedir que defina amor, na minha definição, é algo palpável, vê-se nos gestos, nos olhares, nas atitudes. Na sua definição, não é palpável, é apenas um sentimento que existe internamente (coração, cérebro…), logo na minha definição consigo provar o amor das minhas filhas de cada vez que olho para elas e vejo o prazer que elas têm na minha presença. Mais uma vez não duvido que o amor que sente pelo seu Deus seja real, acredito que possa sentir por ele o mesmo que eu sinto pelas minha filhas, apenas digo que nunca conseguirá de volta as reacções que eu consigo e que provam os seus sentimentos.
A diferença é muito simples: Se o Rodrigues quisesse, espetava aqui uma digitalização do BI das suas filhas como prova da sua existência (se tal fosse necessário) e vocês agarravam-se ao Totta como, aliás, já devem de estar habituados quando se trata de apresentar provas.
Ninguém nega que os crentes sintam amor por Deus e que até sintam o amor de Deus por eles. Ninguém pode também negar o delírio.
Helder,
de facto o Rodrigues pode provar a existência das filhas e eu não posso provar a existência de Deus. Isso é verdade. O máxio que lhe posso dar são índicios. Daí o Hélder pode facilmente dizer (e com razão) que n provam nada. Por isso lhes chamei índicios.
Mas o meu ponto era de que a fé é um método para o conhecimento. Daí o exemplo do amor entre pais e filhos.
Parece-me que este tema já n tem cabimento neste espaço. Não que a conversa n esteja a ser interessante (até está), mas n está a ser produtiva.
Eu respeito totalmente o facto dos ateus n acreditarem que Deus existe. N acho que sejam irracionais, ou menos boas pessoas.
O que peço é o mesmo respeito. Obrigado pelas respostas e pelo tom cordial da conversa.
Helder:deixemo-nos de provas que estas conversas,conquanto muito interessantes,são como a interminável roda de samsara…
Esta foi a minha primeira discussão neste portal e agradou-me ver pessoas inteligentes a discutir pontos de vista opostos com a educação que é devida, agradeço aos crentes o respeito que tiveram pelas minhas (des)crenças, agradeço aos ateus por mostrarem que a nossa corrente de pensamento é tão válida como outra qualquer.
Prometo desde já que vou tentar participar activamente em discussões futuras, assim o trabalho e a vida familiar o permitam.
Nuno Rodrigues
Sinceramente acho que os ateus estão-se nas tintas para se Jesus ou Buda ou lá o que seja fizeram os milagres que fizeram. O que define o ateu é gostar de ser livre, irreverente, achar que os crentes são ignorantes ou fracos porque incapazes de viver sem a ajuda de Deus. E por isso sentem um certo gozo…revoltam-se contra a tão propalada “hipocrisia de quem vai à missa mas é um grandessisimo pulha” ou contra os que teimam discriminar quem simplesmente não crê e os qe impõem cegamente o seus dogmas.
Mas o Deus existir ou não, não depende de nós…não depende de “um gostar mais de ser ateu pq me dá realmente gozo e me distingu dos que creem, essa cambada que podemos por no mesmo saco”…Por isso, se me é permitido…acho prefirivel ter um espírito aberto e sempre crítico…
“: Se o Rodrigues quisesse, espetava aqui uma digitalização do BI das suas filhas como prova da sua existência (se tal fosse necessário) e vocês agarravam-se ao Totta como, aliás, já devem de estar habituados quando se trata de apresentar provas.”
Hélder, não é esse o ponto. Tem muitos filósofos que achavam que a informação que lhes chegava pelos sonhos não era menos fiável do que aquela obtida quando acordados. O Hélder não tem maneira de saber se as suas filhas existem, ou se são “tipo” robots.
Depois o Hélder continua a ignorar toda a literatura de Sto Agostinho, São Tomás de Aquino, outros filósofos recentes como William Lane Craig. Que apresentam vários argumentos que enquanto não provam a existência de Deus, fazem dela uma hipótese que tem de ser levada a sério.
João Ribeiro:A questão ainda se tornaria mais complicada com a perspectiva do Budismo,que é uma Filosofia intrinsecamente ateísta e que nega Deus,a Alma e o Eu individual,proclamando o princípio dogmático de que impera essencialmente o Vazio.A Cosmologia, e a Física Quantica e das Partículas parecem dar razão ao Budismo,porque confirmam cientificamente que o Universo é composto,essencial e maioritariamente, desse Vazio.Se o Eu individual não existir,então nem interessaria para nada,como elemento probatório,que o nosso companheiro de debate Rodrigues seguisse a recomendação do Helder,espetando no Portal Ateu uma “digitalização do Bi das suas filhas como prova da sua existência”.Você sempre poderia contra-argumentar que nada prova que o Eu exista e que toda a Vida não seja meramente ilusória…