Última entrada sobre a visita do Ratzinger a França

Por Ricardo Silvestre • 16 Set, 2008 • Categoria: Internacionais, Notícias

“Em Paris, o Papa Bento XVI condenou a paixão pagã por poder, possessões e dinheiro, por esta ser uma praga dos dias modernos.

“Não criou o mundo modernos os seus próprios ídolos?”, perguntou Bento que também se interrogou se as pessoas possam ter “imitado, talvez de uma forma não consciente, os pagãos da antiguidade?”.

Bento continua assim uma campanha que foi iniciada pelo seu predecessor, João Paulo II, que se preocupava com o aumento do consumismo no Oeste que causa um crescente afastamento da religião, das raízes Cristãs, e de valores espirituais.

Parafraseando o Antigo Testamento, Bento aponta para uma “avareza insaciável” e disse também que o dinheiro “é a raiz de todo o mal”.

“Não causou o dinheiro, a sede pela posse, a sede por poder a até pelo conhecimento, um desvio do homem para com o seu verdadeiro destino? Essa sede, é o novo ídolo pagão, e isso é um escândalo, uma verdadeira praga”.”

Ver aqui.

Eu até já nem tinha vontade de abordar este assunto da visita do Ratzinger à França. Chega a uma altura que as coisas se misturam todas na mesma beatice na imprensa, na mesma propaganda religiosa, e na mesma atitude complacente dos secularistas e ateus.

Mas mais uma vez, o “grande líder espiritual” consegue irritar até o mais saturado dos cérebros.

Para além da escandalosa hipocrisia sobre o dinheiro ser a raiz do mal (presta atenção ao que eu digo, e não ao que eu tenho), para além do discurso obscurantista e bíblico sobre as “coisas pagãs” (se Ratzinger tem de recorrer ao anttigo testamento para fazer comparações entre avarezas, deve estar à espera que venham novas placas com mandamentos do seu deus sempre vigilante), há algo mais nestas declarações que (para mim) é gélido e assustador.

“Não causou o dinheiro, a sede pela posse, a sede por poder a até pelo conhecimento, um desvio do homem para com o seu verdadeiro destino?”

A sede pelo conhecimento… desvia o homem do seu verdadeiro destino…

Podia sair daqui mais uma daquelas tiradas que os nossos leitores crentes tanto gostam de usar para me acusar de ser intolerante e anti-água benta. Mas não é preciso. As palavras de Ratzinger dizem tudo só por elas.

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12 Respostas »

  1. As palavras de Ratzinger não dizem nada independentemente da reflexão que,sobre elas,cada um de nós faça.O dinheiro,em si,não é bom nem mau.Depende do uso que dele se faça.Censurar-se a “avareza insaciável” sobre o dinheiro não me parece nada de errado,simpatize-se ou não com Bento XVI.Quanto à sede pelo conhecimento,considero absurda essa posição papal,embora entenda que ela se relaciona com o antigo mito do Pecado Original,com o facto de as figuras mitológicas de Adão e Eva terem cometido,segundo a lenda do Génesis,o maior de todos os pecados:O do Conhecimento.
    Sempre li essa história como uma alegoria irónica.Não concebo um Deus que se insurja contra a aquisição do Conhecimento.Fomos dotados de razão para aferimos o próprio conceito de Deus ou para O negarmos.Essa foi uma das maiores riquezas,com que Ele nos dotou:A liberdade para Nele crermos ou descrermos.Para construirmos o nosso próprio caminho individual.Para sermos nós a definirmos os conceitos do Bem e do Mal e para sermos co-autores na história da Criação.E é isso que exactamente estamos todos a fazer,crentes e ateus.

  2. Claro q este senhor é contra o saber e o conhecimento! Qto mais sabemos menos necessitamos de explicações fantásticas e milagrosas !

  3. Ainda ninguém enviou o DVD das “Sandálias do Pescador” para o Bento?

  4. Lucas 3:11 E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira.

    Aplica-se também aos bens, propriedades de terra e ouro do Banco do Vaticano?

  5. “A sede pelo conhecimento… desvia o homem do seu verdadeiro destino”
    “Papa”Ratzinger

    A nós seres dotados de um cérebro capaz de coisas fantasticas, (a teoria da evolução,a compreensão de nossos próprios corpos, a exploração espacial, a pintura a literatura a música…) tabém deveria dizer que nós ainda assim, temos uma capacidade pouco lovável à enganação a falsidade assim tomaria como exemplo este senhor que presume-se detém o poder de “ligar algo no céu e algo na terra”, sei-lá… tudo isto para quê? Só para viver de fôrma regalada em um palácio? Hummm prefiro o conhecimento, este é o meu o nosso antídoto contra este mal que é mau em si mesmo, na sua própra raiz não brota “vinho nem cheira e nada exala mirra” mas sim, brota sangue… muito sangue inocente, (ainda hoje) e o cheiro é a podridão mas abjeta.Assim amigos:

    “Anda atrás do saber como o leão atrás do alimento.”
    Assim falava zaratrustra.

  6. António,

    Em primeiro lugar, o pecado original não é um mito. Nasce connosco e é apagado por um Sacramento: o Baptismo. E de facto, foi pela ânsia do conhecimento que o pecado original foi introduzido no mundo, segundo a Doutrina Católica. “Se comerdes o fruto da árvore sereis como deuses, conhcedores do Bem e do Mal”. Nesta passagem da Escritura podemos ver espelhada a sociedade actual, em que nos queremos igualar ao Criador, determinando nós mesmos os conceitos de Bem e de Mal (tornando tudo relativo - e volto aqui a condenar o relativismo), quando estes conceitos foram determinados por Deus - podemos verificar isso pela Lei Moral Natural.

    E até que ponto a sede do conhecimento é boa? Quando a procura de respostas leva ao desrespeito pela Lei Moral Natural. Hoje em dia, muitos se esquecem de valores (como por exemplo o de preservar a vida desde a concepção até à morte natural) em prol do conhecimento. Também hoje a tentação de querer ser como Deus se encontra bastante activa nos corações dos homens.

    Vivemos num tempo em que a sede de conhecimento atinge um auge. Não creio que ter conhecimento é mau (afinal, Deus criou-nos como a obra-prima da Criação, com inteligência). No entanto, a procura desenfreada para explicar tudo, explicar e conhecer o bem e o mal e até o próprio Deus é uma doutrina herética que se chama Gnose. A gnose pretende oferecer ao homem um conhecimento natural que o colocaria em posição de compreender - e portanto superar - a Deus, de compreender a mal, e, ademais, de conhecer sua natureza mais íntima, que segundo esta doutrina, seria divina.

    Por isso o Santo Padre Bento XVI equipara estes ídolos (sede de poder, de dinheiro e de conhecimento) aos ídolos pagãos~, pois desviam o homem do seu fim último: a santidade e a salvação eterna.

    João

  7. João C:Vamos tentar não transformar este Portal Ateu num IRC,senão vem já aí o Helder a correr esbaforido,perguntando gentilmente se não conhecemos o Windows Live e não sei que mais.É certo que,às 8 horas da noite,o tráfego não abunda.o Helder mastiga umas chicletes para enganar a fome e o restante pessoal anda pelos sites católicos a pedir provas aristotélicas da existência de Deus…
    Mas não resisto a contrapor-lhe(mesmo correndo o risco de o Helder me vir dizer que eu sou um herege no Portal Ateu)que você não tem nenhuma razão em relação ao “Pecado Original” e ao “Baptismo”,interpretado como expurgação desse Pecado.
    O homem que congeminou essa Teoria do Pecado Original foi,durante um largo período da sua vida,um acentuado hedonista, que,depois,se transmutou num fervoroso adepto da castidade.Ficou conhecido como um eminente teólogo,chamado Santo Agostinho.
    E concebeu um dos mais absurdos dogmas da Igreja Católica Apostólica Romana:
    O “Pecado Original”…

    “É largamente devido à influência de Agostinho que o cristianismo ocidental concorda com a doutrina do pecado original ”
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_de_Hipona

  8. António,

    Como não á católico, não é obrigado a aceitar os domas da Igreja católica. No entanto, informei-o de como as coisas são para ssim perceber também um pouco do contexto em que (presumo) o Santo Padre proferiu as suas palavras.

    E não me volte a dizer que não tenho razão nenhuma. Eu falo do que conheço, expliquei-lhe aquilo em que a Igreja acredita. Por isso não se trata de ter ou não razão.

  9. - Falácias e mais falácias!

    Vejam meus amigos do PORTAL ATEU, como a religião atrofia o pensamento de certas pessoas…tsc,tsc,tsc.
    Este senhor “João C” , no início de seu comentário nos diz:

    “Em primeiro lugar, o pecado original não é um mito. Nasce conosco e é apagado por um Sacramento: o Baptismo.”

    Ora, todos nós sabemos que este mito hediondo do pecado “original” (havia um falso pecado? rsrsrs ) apenas não é nada mais que isto: Uma mentira, fábula para amedrontar os inocentes… Senão, que ser supremo é este que ao criar dois seres (o homem e a mulher) e após criar-los segundo diz “a sua semelhança” ordenaria uma bobagem destas, e ainda por cima alertando-os (mentirosamente já que não morreram) que iriam morrer:

    “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

    Realmente, mas isto não é tudo. este sujeto após destilar esta pérola de inanição cerebral ainda diz:

    “E até que ponto a sede do conhecimento é boa?

    A esta pergunta eu respondo:

    Até o ponto em que o conhecimento puder nos levar a um caminho de melhora de nossas condições atuais, na verdade a única premissa é esta, o conhecimento não é ruim por si só, mas podera ser, baseado em como ele é usado e para qual fim,se o fim for tornar esta nossa sociedade mais igualitária ou pelo menos ajudar a tornar nossa vida menos dependente dos designios da natureza, (terremotos, alagações e outras coias mais) bem , se for para coisas neste sentido sempre será bom, logo nem cabe perguntar à nós até que ponto a tal sede pelo conhecimento é “boa” já que a resposta me parece tão obvia.

    Por fim:

    Caro, João C a sede pelo conhecimento nunca teve um momento mais ou menos frio ou quente, (como queiras) saiba que o homem é por natureza um ser curioso insatisfeito até, é é isto que nos torna seres maravilhosos a ciência de hoje
    não é mais curiosa e sedenta por descobertas do que foi outrora, o que acontece é que hoje após muito sangue derramado, após tantas pessoas de espírito livre terem sido queimadas simplesmemnte por não concordarem com as respostas do seu deuzinho. Hoje nós podemos, à despeito de muitas guerras absurdas que correm por ai em nome deste ser repugnante, (mas ele nos ama lembre se disto, que piada….) creio sim, que uma parcela de nosso mundo deseja evoluir. Enfim, não sabemos qual é o motivo para estarmos aqui mas não preciso na verdade de um motivo, salvação?Pecado?Baptismo?Choro e ranger de dentes?A cobra falante? Não obrigado, prefiro ver o sol nascer e pensar que muito embora o meu tempo aqui seja curto, ainda assim, é tempo suficente para fazer o bem, amar, e ser feliz enquanto estou vivo. Ao fim poderei dizer em meu leito de morte:

    “Era isto a vida? — direi à morte.

    Pois bem: repita-se!”

    Claro, um outro sonho louco e fascinante para poder assim; dormir feliz rumo ao nada.

  10. Não se amofine João C:você,em minha opinião,não tem razão nenhuma.Na sua,claro que tem toda a Verdade Absoluta do Universo…É isto o “relativismo moral”: cada cabeça,cada sentença.Eu chamo a isto Liberdade de Consciência e de Pensamento…
    P.S.E agora vou à janta…Deixe lá o Portal Ateu ,durante algum tempo,em pousio,senão o Helder ainda nos excomunga…( havia de ser giro: uma excomunhão ateísta…;)

  11. Eu não tenho a verdade absoluta do Universo..Essa é Igreja que a possui… Liberdade de consciencia e de pensamento não é sinónimo de fazer o que nos dá na real gana… Mas o António parece me tao inteligente para algumas coisas e para outras… Bem, adiante… Já expliquei a minha opinião e o que a Igreja diz deste assunto..Quem quiser entender, não é dificil…

    PS: Esperemos que não sejamos excomungados, mas antes aqui, António..antes aqui.. :)

  12. [...] “Na semana Nacional da Educação Cristã, que se celebra de 5 a 12 de Outubro, os Bispos Portugueses, através da CEEC mostram-se conscientes das “transformações do mundo actual que “comportam profundas mudanças culturais” e enaltecem “o enorme avanço das descobertas científicas, o incomparável desenvolvimento técnico dela decorrente, inimaginável há poucas décadas atrás, e a crescente consciência da necessidade de assumir valores universais como a liberdade, a justiça, a solidariedade e a paz, valores tão significativos que o Santo Padre João Paulo II considerou alicerces da “civilização do amor”.” Como agente de ciência que sou, agradeço o reconhecimento de que “enaltecem o avanço das descobertas científicas”. Vem tarde, e vem depois de muita resistência clerical a essa realidade, mas fico contente que a CECC vá mudando pouco a pouco o discurso histérico sobre o desenvolvimento do conhecimento e da tecnologia, ao contrário do vosso pastor-mor que ainda há pouco tempo (na sua visita a França) dizia que a procura do conhecimento “desvia o homem do seu verdadeiro destino”. [...]

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