Última entrada sobre a visita do Ratzinger a França

“Em Paris, o Papa Bento XVI condenou a paixão pagã por poder, possessões e dinheiro, por esta ser uma praga dos dias modernos.

“Não criou o mundo modernos os seus próprios ídolos?”, perguntou Bento que também se interrogou se as pessoas possam ter “imitado, talvez de uma forma não consciente, os pagãos da antiguidade?”.

Bento continua assim uma campanha que foi iniciada pelo seu predecessor, João Paulo II, que se preocupava com o aumento do consumismo no Oeste que causa um crescente afastamento da religião, das raízes Cristãs, e de valores espirituais.

Parafraseando o Antigo Testamento, Bento aponta para uma “avareza insaciável” e disse também que o dinheiro “é a raiz de todo o mal”.

“Não causou o dinheiro, a sede pela posse, a sede por poder a até pelo conhecimento, um desvio do homem para com o seu verdadeiro destino? Essa sede, é o novo ídolo pagão, e isso é um escândalo, uma verdadeira praga”.”

Ver aqui.

Eu até já nem tinha vontade de abordar este assunto da visita do Ratzinger à França. Chega a uma altura que as coisas se misturam todas na mesma beatice na imprensa, na mesma propaganda religiosa, e na mesma atitude complacente dos secularistas e ateus.

Mas mais uma vez, o “grande líder espiritual” consegue irritar até o mais saturado dos cérebros.

Para além da escandalosa hipocrisia sobre o dinheiro ser a raiz do mal (presta atenção ao que eu digo, e não ao que eu tenho), para além do discurso obscurantista e bíblico sobre as “coisas pagãs” (se Ratzinger tem de recorrer ao anttigo testamento para fazer comparações entre avarezas, deve estar à espera que venham novas placas com mandamentos do seu deus sempre vigilante), há algo mais nestas declarações que (para mim) é gélido e assustador.

“Não causou o dinheiro, a sede pela posse, a sede por poder a até pelo conhecimento, um desvio do homem para com o seu verdadeiro destino?”

A sede pelo conhecimento… desvia o homem do seu verdadeiro destino…

Podia sair daqui mais uma daquelas tiradas que os nossos leitores crentes tanto gostam de usar para me acusar de ser intolerante e anti-água benta. Mas não é preciso. As palavras de Ratzinger dizem tudo só por elas.

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