Desculpa-nos, não sabemos o que fazemos
Por Ricardo Silvestre • 15 Set, 2008 • Categoria: Internacionais, NotíciasA Igreja de Inglaterra (Church of England no original, o ramo conhecido por Anglicanos) irá conceder numa declaração que a rejeição das ideias de Darwin foram “supra defensivas” e “supra emocionais”.
Esta iniciativa irá causar algum desalento em certos sectores da Igreja que acreditam em criacionismo e consideram os ensinamentos de Darwin como uma oposição a ensinamentos cristãos tradicionais.
Este pedido de desculpas, que foi elaborado pelo Rev. Dr. Malcom Brown, o director da missão e de relações públicas da Igreja irá ter uma parte que afirma que os cristãos, na sua resposta à teoria da selecção natural das espécies de Darwin, cometeram os mesmos erros que fizeram quando duvidaram das teorias de astronomia de Galileu no século 17.
A declaração terá um parágrafo que dirá: “Charles Darwin: 200 anos depois do teu nascimento, a Igreja de Inglaterra deve-te um pedido de desculpas por não te ter compreendido, e por ter tido uma primeira reacção errada, encorajando outros a entender-te mal ainda hoje. Nos iremos procurar praticar as velhas virtudes de “encontro do conhecimento através da fé” e esperamos conseguir fazer alguma reparação.”
Ver aqui.
Bem, sempre foi mais rápido que o tempo que a igreja católica demorou para “pedir desculpa” a Galileu -400 anos.
Agora também só falta que aqueles que perseguiram religiosos de todos os credos peçam desculpas pelos erros e crimes cometidos,bem como aqueles que permanecem a escarnecer dos seus sentimentos religiosos…Porque,quanto toca a éticas,convém sempre ter presente que não se deve ter dois pesos e duas medidas…
Antônio, larga de ser bobinho. Diz aí quais foram as grandes perseguições a religiosos que você citou…
Ateístas, evolucionistas, céticos e cientistas não perseguem ninguém. Não fomos nós que iluminamos as tenebrosas noites medievais da Europa com tochas humanas a arder.
É só uma questão de tempo. Vamos ver até quando os crédulos terão a cara de pau de ignorar o quão ridículo e doentio é ter amigos imaginários.
Estaline chega ou queres mais,o bobinho ?…
Na China também bobinho! (se é que não continuam)
António,
De facto Estaline deve um pedido de desculpas (e muito mais) aos religiosos. Mas quem se vai desculpar por ele? O líder dos Ateus Comunistas Perseguidores de Religiosos?
A bíblia manda matar adoradores de outros deuses.
Manda matar quem trabalha aos sábados.
Manda matar a mulher que não grita ao ser estuprada.
Em nome do seu deusinho de (…) nativos americanos foram mortos.
Existem sempre capelões abençoando exércitos antes dos conflitos. Os nazistas eram cristãos.
Os regimes ditatoriais como o Chinês suprimem todo tipo de manifestação cultural, inclusive a religião. Não tem nada a ver com ateísmo, jovens tolos
Estudar História não é perda de tempo não.
(Comentário alterado pela Administração do Portal Ateu - atenção à linguagem SFF)
Gostaria de deixar aqui as desculpas aos frequentadores do Portal Ateu pela linguagem no post anterior. Foi um descuido meu.
Quanto a Stalin, a repressão (nos moldes do que acontece na China) atingiu todas as formas de manifestação. Típico de regimes comunistas. A perseguição foi religiosa e política. Não foi uma perseguição de ateus contra religiosos, mas de um regime totalitário contra todas as formas de expressão, a religião incluída.
Se descordas Antonio, sinta-se à vontade. Podes falar direto com os escritores de livros de História. Quem sabe eles não mudam seus texto?
Amadeus:Sinto-me sempre à vontade para discordar e não necessito ,para isso,que alguém me venha conceder o direito absoluto de me manifestar como me aprouver.Não tenciono falar directamente com os escritores dos livros de História,para saber que tu negas peremptoriamente aquilo que qualquer principante de hermenêutica histórica sabe,se quiser ser intelectualmente honesto: O ateu Estaline perseguiu os crentes…
E o católico Hitler perseguiu todo mundo…
Vais misturar perseguição política com religiosa.
Hermenêutica? Aquela técnica que justifica as contradições da fé como interpretações errôneas do texto sagrado? Vais citar Spinoza agora? Isso tá mais pra Teologia…
“hermenêutica:interpretação de textos.(primitivamente da Bíblia;por extensão,interpretação de qualquer outro texto,histórico,jurídico,etc)” (Dicionário de Língua Portuguesa,da Porto Editora,versão digital)
“Pode argumentar-se que, não obstante as suas próprias palavras e as dos seus acólitos, Hitler não era, na realidade, religioso, limitando-se, isso sim, a explorar cinicamente a religiosidade daqueles a quem se dirigia. Talvez concordasse com Napoleão, para quem “a religião é excelente para manter sossegada a gente comum”, e com Séneca, que afirmou: “A religião é vista pela gente comum como verdadeira, pelos sábios como falsa e pelos governantes como útil.”
“A Desilusão de Deus” (Richard Dawkins)”
P.S. Quer que também que lhe explique,Amadeus,quem é Richard Dawkins ou você já acha esta fonte credível ?…
Caro António,
Em que capítulo e em que contexto esta escrito esse excerto de Richard Dawkins?
Cumprimentos,
Julianaaz
Não consigo perceber esta fixação com Hitler e as suas opções religiosas. Será que é tão difícil assim para crentes e ateus simplesmente olharem para Hitler como um exemplo a não seguir - não obstante um exemplo da perversidade humana - independentemente da questão religiosa? Francamente… Quer ele tenha sido cristão, ateu, agnóstico ou o raio que o parta, não foi seguramente essa característica que lhe moldou a monstruosidade.
Sem dúvida Helder.
O argumento de alguns dos crentes é repetitivo, aborrecido, e falacioso: como Hitler era um manipulador, um fanático, e um monstro, tinha necessariamente de ter sido um ateu.
Eu também concordo que não temos maneira de saber se Hitler acreditava no seu intimo que deus existia, que Jesus Cristo era o salvador, e toda essa gramática religiosa. Há provas em como ele o defendia, como há relatos em como ele não o defendia. Os seus discursos públicos e acções politicas não podem ser considerados como uma demonstração das suas convicções pessoais.
Mas os crentes não podem argumentar que o contrário era o verdadeiro, ou seja, apesar de Hitler nunca ter apresentado quaisquer indícios de racionalidade, secularismo ou ateísmo, era de certeza um ateu, e mais, fez as monstruosidades que fez “em nome do ateísmo”.
Esse argumento é histeria de crentes que nunca estudaram o fenómeno do Nazismo com atenção, ou então querem fazer uma critica injustificada e desprezível contra o ateísmo.
Vou dizer uma coisa que irá contra a tónica geral:
Hitler cometeu monstruosidades, mas não era um monstro. Era um ser humano e, como qualquer um de nós, produto das circunstâncias – e não só: aclamado por uma considerável percentagem da população. Leiam os dois volumes (Nemesis e Hubris) da biografia de Hitler do Ian Kershaw por favor.
Não há nada pior do que estar a demonizar um ser humano para nos isentar da ideia de que também nós podemos ser Hitlers em potência. Quem o duvide, é só olhar para a ex-Jugoslávia: pessoas iletradas, licenciadas ou doutoradas, todas pegaram nas suas espingardas e soltaram o pior que havia em si – Sarajevo foi um festival de matança e demonstrou aquilo que Hobbes já disse há muito tempo e que desde então, toda a gente percebeu que jamais se alteraria enquanto o ser humano fosse…humano: “o homem é o lobo do homem”.
Quanto a Deus, a resposta está já dada nas considerações anteriores: qualquer pessoa (crente ou ateia) que pegue numa arma – ou controle de qualquer forma o poder da vida e morte dos outros, está já a arvorar-se em «deus». Quantos Hitlers vejo eu na política, nos conselhos de administração de algumas empresas e…no trânsito! A única coisa que muda são as circunstâncias do exercício de poder e o tempo em que esse poder lhes é concedido.
Podem vir para aqui falar do Adão, da Eva, da maçã e da Queda. Mas no fundo tudo se resume a isto: somos animais e enquanto a tecnologia não nos retirar a humanidade, seremos sempre uns bichos que agirão por compaixão umas vezes e por ódio outras.
E sim: realmente essa história do Hitler, Mao, Estaline, crente, não-crente, blá, blá, blá… é conversa de chaxa.
Cumprimentos
Limitei-me a responder a Amadeus,que asseverara que “o católico Hitler perseguiu todo o mundo”.O rigor histórico tem a sua importância,ainda que relativa,mas também concordo que Hitler foi um exemplo de perversidade humana,independentemente da questão religiosa e do facto de ter sido instruido no Satanismo, na Sociedade de Thule e pelo diabólico Eckart,sob a inspiração do mito do Super-Homem,endeusado por Friderich Nietzsche em Assim Falava Zaratustra e no Anti-Cristo…