Típico de quem fica aflito

Por Ricardo Silvestre • 11 Set, 2008 • Categoria: Discriminação Religiosa, Informação Jurídica, Nacionais, Notícias

“Os intervenientes do painel sobre «Cuidados Continuados» do I Congresso da Pastoral Social fizeram críticas à excessiva estatização e à falta de articulação entre o Estado e as instituições sociais que trabalham nesta área. A decorrer em Fátima até amanhã (dia 11), neste congresso, com o tema «Intervir na Sociedade, Hoje! Memória e projecto», José da Costa Fernandes, presidente da Federação Instituições da Terceira Idade (FITI), acusou as “dificuldades” com que as organizações têm sido confrontadas, “decorrentes da gradual e consistente estatização da acção social e de nacionalização da solidariedade”.

Ainda neste domínio, apontou, há um “claro desinvestimento do Estado” na política de cooperação. Lembrando que “as instituições sociais não acordaram hoje para as necessidades da terceira idade”, lamentou a duplicação de estruturas e as “sobreposições de actuação, em áreas geográficas cujas necessidades estão já cobertas pela iniciativa solidária”. Há uma “actuação isolada do Estado nestes domínios, contrária ao espírito de parceria”, acusou. Mas disse que “importa reforçar a articulação” entre o Estado e o sector social e que “as instituições do sector social consideram essencial melhorar as suas relações com o Estado”.”

Ver aqui.

Pois, é sempre um encanto ver as preocupações dos “líderes espirituais” a virem ao de cima quando se trata de perder influência na sociedade.

Onde se lê:

“decorrentes da gradual e consistente estatização da acção social e de nacionalização da solidariedade”

e

“sobreposições de actuação, em áreas geográficas cujas necessidades estão já cobertas pela iniciativa solidária”,

deve-se ler:

“quando o Estado, na sua natureza secular, vem e proporciona um serviço que nos retira a possibilidade de realizarmos o nosso proselitismo, isso causa dificuldades, para além de não achamos nada bem”.

Típico.

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2 Respostas »

  1. TÍPICO DE QUEM NÃO FAZ: CRITICA

    Um Estado Secular é um Estado que respeita os seus cidadãos e a possibilidade de Livre Associação que é um Direito Humano inalianável.

    Um Estado Secular não significa uma Sociedade Secular!!!!

    O Estado é Secular na medida em que não é Confessional, mas os seus cidadãos podem ou não sê-lo. Por exemplo, os Estados que se sustentam em filosofias de carácter Ateu ou Anti-Clerical e se têm tendências ou exercícios de carácter Totalitário é que procuram por todos os meios controlar as crenças e modos de associação dos seus cidadãos.

    Compreendo que para um ateísta ou para um anti-clerical exista a tendência de ver em qualquer associação de crentes, mesmo que ela contribua para o bem comum, independentemente da filiação, ou não, religiosa, apenas uma acção concertada de proselitismo - que por vezes é tolerado para tudo menos para os religiosos…

    No entanto, para além de ser sempre perigoso generalizar - a indução pressupõe sempre uma possibilidade de má inferência - pois decerto não se foi conhecer todas as instituições, não se pode negar que as Instituições que prestam serviços à população, embora tenham carácter confessional, prestam valências que deveriam ser da responsabilidade e execução estatal, que se demite.

    Ao longo da História sempre as religiões- nomeadamente as Igrejas Cristãs - se colocaram ao serviço em diversos campos e só depois vieram os estados.

    De qualquer modo, como o proselitismo e a propaganda não são um exclusivo das associações de crentes, nada impede que os ateus- já que consideram ajudar os outros pura propaganda e extensão tentacular ideológica - fazerem o mesmo pois não falta campo onde começar o apoio aos que diversas razões necessitam - e com toda a dignidade.

  2. Por princípio, o Estado teria de prover o que fosse necessário às demandas do cidadão.
    Se, por exmeplo, ninguém carecesse de ajuda financeira, não haveria motivo para doações. Na prática, nem sempre se cumprem tais objetivos.
    Onde o Estado não chega (ou não é eficiente), chega o voluntariado. Não se trata de criticar a ação bem intencionada dos voluntários. O problema é que isso é usado de diversas maneiras, como ocorre com qualquer “oportunidade de mercado”. E, concordando quanto a isso com Carlos Reis, não se pode generalzar.

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