Oitenta e oito por cento? Só podem estar a gozar comigo!

Com base num artigo da Agência Ecclesia gostaria de apresentar algumas estatísticas muito interessantes…

Entre 2000 e 2006, o número de sacerdotes diocesanos baixou de 3159 para 2894, cerca de 8%.

Em seis anos registou-se uma queda de quase 20 %. Segundo o mesmo artigo, para o período apontado, “por cada dois padres que morrem, apenas um é ordenado”, sendo que o “número de seminaristas (diocesanos e religiosos), (…) está abaixo dos 500“.

Os números mostram algo que já se tem falado nos últimos anos. O progressivo afastamento dos portugueses da vida religiosa e muita missa reduzida a meia dúzia de beatas, para não falar na raridade das “vocações”.

Em Portugal, no final do ano de 2006, comportava a notável quantia de “49 Bispos, 2894 padres diocesanos, 1052 padres de Institutos Religiosos, 198 diáconos permanentes, 327 religiosos professos e 5717 religiosas professas”, nas quais, desde o ano de 2003, houve uma quebra de “quase 8%“.

Quanto ao assunto que mais me interessa, o número de baptismos passou de 92 mil em 2000 para 77 mil em 2003, uma queda para cerca de 84% (apesar da diminuição há que ter em conta que o número de nascimentos tem decrescido, ao que corresponderá uma percentagem superior). Acrescentem-se os 5 mil baptismos de crianças com 7 anos ou mais.

Mas o que mais me intriga é a indicação de que a “percentagem de católicos no nosso país situa-se, segundo os dados da CEP, nos 88,10%“.

Qual é a definição de “católico”. E os “não praticantes”? Segundo os últimos censos cerca de três em cada quatro católicos era “não praticante”. Tal como um sócio do Benfica que não paga quotas.

E mais. Baptizar um ser cuja auto-determinação e vontade ainda não estão operacionais vai dando um pequeno empurrão às estatísticas. Há muitos seres baptizados e que fizeram a primeira e segunda comunhão ou mesmo o crisma (a categoria a que pertencem dependerá de alguns factores, como a idade em que se “emancipam” e as pressões sociais ou familiares) mas cuja interacção com a igreja é nula. Na sua geração ainda têm a pressão dos pais ou avós, mas na seguinte tudo se deve modificar. Alguns ainda casam pela igreja, tanto para fazer a vontade aos pais (onde se podem incluir “motivos financeiros”) como por questões estéticas, sendo normalmente obrigados a um pequeno estágio pré-matrimonial com missas e outras actividades incluídas para compensar a sua falta de comparência ao longo dos anos.

Estou desejoso de ver os resultados dos próximos censos. Se só se contabilizassem os indivíduos que levassem a sua vida religiosa a sério (praticantes), teríamos um país com cerca 22% de católicos. Quer dizer, seríamos uma nação católica não praticante, a religião maioritária, estimada em cerca de 66% da população.

E mesmo dentro destes “não praticantes” conheço muita gente que não se importaria de ter o seu baptismo anulado, mas não o fazem porque se estão nas tintas e porque não lhes faz diferença. Alguns tentaram-no mas tal não foi possível no momento. Mas entram para as estatísticas. Agora imaginem se decidissem fazê-lo…

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