Um terço que apareceu no lugar errado
Em paralelo com a polémica do batráquio cervejeiro crucificado, a mais recente edição da Playboy no Brasil causou polémica.
«Três dias depois de um juiz do Rio de Janeiro ter ordenado à Playboy brasileira para se abster de fazer novas tiragens que incluam a polémica fotografia, a revista continua à venda nas bancas e a empresa editora assegura que ainda não foi notificada da ordem judicial.
(…)
O juiz Oswaldo Henrique Freixinho, através de uma providência cautelar, deu provimento parcial a uma petição do grupo católico Juventude pela Vida e do sacerdote Luiz Carlos Lodi Da Cruz que exigiam que a revista fosse retirada das bancas por conter una fotografia que, na sua opinião, ofende os valores religiosos e os fiéis católicos.
O juiz, todavia, só proibiu a distribuição de “novas revistas” com a foto impugnada sob pena de multa diária de mil reais (cerca de 423 euros).» [JN]
A actriz brasileira Carol Castro faz a capa da edição de Agosto. Numa das fotos aparece com um terço na mão, o que causou a reacção de um grupo de jovens católicos e de um clérigo local. A foto em que ostentava o terço foi baseada na personagem Dona flor, de um livro de Jorge Amado, já interpretada por Carol.
Numa notícia da página do grupo “Juventude pela Vida“, responsável pela acção, aparece a seguinte referência à legislação brasileira:
«Ultraje a Culto e Impedimento ou Perturbação de Ato a Ele Relativo- Art. 208 – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena – detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.»
Quando a “protecção do sentimento religioso” se traduz em restrições à liberdade de expressão estamos em presença de um retrocesso civilizacional.
Com uma lei como esta (embora possa depender da interpretação do juíz), creio que cada vez que se quiser fazer um filme, sessão de fotografia ou qualquer expressão de arte que ostente um símbolo religioso seja necessário pedir uma autorização às entidades (em teoria) ofendíveis para que possam pôr o lápis azul em funcionamento. Nestes termos, creio que tal podia ser aplicado às declarações dos bispos, padres e entidades religiosas quando os temas em causa são a sexualidade, contracepção ou natalidade. Também ofendem muita gente apesar do direito que têm à sua opinião.
Claro que depois desta acção (muito publicitária) a procura da revista de certeza que subiu e aposto que os lucros compensarão uma eventual multa.
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7 Comentários
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Realmente, que brincadeira mais sem graça, estragar as fotografias de uma jovem tão bem parecida com um terço…não há condições.
Se houvesse uma associação de “jovens bem parecidas” muito provavelmente também se insurgiriam contra o terço…
Vou já fazer minha parte em protesto e comprar a revista a qual nem costumo comprar !
E pensávamos que o caso Hustler era coisa do passado… O maior perigo representado pelos religiosos é a volta de instituições como a censura, o autoritarismo e, se for possível, claro, da Santa Inquisição.
é engraçado, eu já conheci varias pessoas que se diziam atéias e na hora da aflição clamavam a Deus por socorro.
ai ai…
E?