Cada um vê o que quer
Por Ricardo Silvestre • 28 Ago, 2008 • Categoria: Internacionais, NotíciasNo sítio da Comunidade Islâmica da Web podemos ver que foi colocada esta notícia.
“Um estudo de pesquisadores britânicos observou que homens de países que permitem a poligamia – o casamento com mais de um parceiro – vivem em média mais que aqueles que vivem em países onde a prática é proibida.”
“Cientistas da Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, perceberam que homens acima de 60 anos de 140 países poligâmicos têm uma expectativa de vida em média 12% maior que a de homens de 49 nações monogâmicas.”
Lendo a notícia (e parte do estudo) com mais atenção, é claro ver que este é o estilo de conclusão que não tem qualquer validade científica. É mais um exemplo de data mining (termo em Inglês para descrever a utilização de grandes amostras para se encontrar aquilo que se quer). É o mesmo princípio da falácia estatística, “as grandes cidades têm muito crime, as grandes cidades têm muitas igrejas, logo, são as igrejas que causam os crimes nas grandes cidades.”
Aliás, algumas das hipóteses avançadas para explicar a observação são risíveis: “efeito avó”, “solidão na viuvez”.
Mas o mais interessante aqui não é a a pouca importância do estudo e das suas conclusões, mas sim o facto de tentar-se defender o que é indefensável. Se houvesse um estudo que demonstrasse que um psicopata vive mais tempo porque não sobra mais ninguém para além dele, podíamos dizer que esse comportamento é recomendável?
Poligamia é reprovável, e nenhum argumento pode branquear a imoralidade desse estilo de vida.
Porque é que poligamia é automática e inquestionavelmente reprovável e imoral? Discordo. O único problema da poligamia é que geralmente se refere a um homem ter várias mulheres. Mas uma verdadeira poligamia, em que um ser humano tem mais que um cônjuge ao mesmo tempo, não me parece necessariamente imoral nem reprovável.
Conheço aliás quem o faça e parecem-me os três felizes já há uns anos.
Caro José Magalhães.
apesar de esperar que não acontecesse, uma vez que é óbvio que não é esse é o caso neste post, já sabia que vinha alguém que que falava de poligamia consensual.
Isso é um debate nele mesmo, mas não é esse o assunto.
Estamos a falar em poligamia onde as mulheres (muito vezes jovens) não tem qualquer “opinião” no assunto. São prometidas pelos pais, são autorizadas pelos “lideres espirituais”, são enclausuradas em sistemas sociais de onde não podem fugir, nem sequer protestar.
Pologinia religiosa, portanto. Isso é efectivamente reprovável e imoral.
Acho importante salientar a diferença porque geralmente os religiosos (nomeadamente católicos) é que são contra a poligamia, e a apelidam de imoral.
O problema não é poligamia (apesar de eu achar imoral) mas sim o casamento não consensual.
Nuno José a 28 Agosto, 2008 às 5:40 pm:
“O problema não é poligamia (apesar de eu achar imoral) mas sim o casamento não consensual.”
As mulheres sao obrigadas a conviver com o mesmo homem uma vivendo sob o mesmo teto da outra, sendo obrigadas a fazer o q o marido ordena.
Mas nao sejamos hipócritas, muitos homens tem a fantasia de ter duas mulheres ao mesmo tempo.
Trata-se portanto de submissão de várias mulheres ao mesmo homem, algo parecido com ter várias propriedades para si. As mulheres, em vários Estados islâmicos, são submetidas a dominação masculina sob pena de morte pelo Corão. Uma mulher é plenamente capaz de satisfazer um homem. Querer mais que isso é subestimar a importãncia do papel feminino em uma relação. Agora, fantasia com duas mulheres todo homem tem ou já teve