Ratzinger e a dinâmica da imutabilidade

Por Bruno Miguel Resende • 27 Ago, 2008 • Categoria: Cultura, Departamentos, Opinião, Psicologia & Sociologia

Erros repetidos durante séculos tendem a tornar-se eternos, do prisma interno o erro é repetido até saturação ou perda de contacto com a realidade, as ausências de factores de comparação aceleram a avalanche, e a contaminação pela ignorância de massas produz o restante, e na imutabilidade reside o poder de controlo, imutabilidade que requer extremas dinâmicas de luta contra o evolucionismo para que o equilíbrio seja atingido, artificialmente, apenas as moscas mudam…

Do império fascista vaticanista se encontram tais manobras, centralizando-se os poderes se controlam perfeitamente os tentáculos, se no âmago da putrefacção católica se censurar o diálogo e o mínimo pensamento autónomo se consegue a ordem social perfeita, o fascismo máximo e o individualismo mínimo, a troco da deificação da imagem papal se submetem os cordeiros de deus, papolatria no caso específico, ou se revoltam os minimamente iluminados pelo Humanismo, as inquisições surgem…

Josef Ratzinger teve a ascêndencia normal nas normais lides fascistas, as eleições democráticas o são, liberdade total em tudo, apenas as consequências serão diferentes, em 1981 ascende o déspota a líder das inquisições, pomposamente chamadas de Doutrinas da Fé, em forma de Congregação, as mudanças de nome não escondem o mesmo esterco, aos menos atentos talvez… Inquisidor por nomeação papal, Wojtyla sempre se manifestou pela intenssidade do seu fascismo de raposa, nas lides internas as hipocrisias são desnecessárias, os Direitos Humanos não entram nas terras do deus, Secularismo nem pensar, filtro fascista que pode ser emanado em contornos de democracia, é totalmente livre obedecer cega e fanaticamente ao detentor das saias mais foleiras e da maior quantidade de ourevisarias pendulares no pescoço, vulgo papa.

Se nos murmúrios vaticanistas se congeminavam rebeliões, nos urros papais se elaboraram inquisições, Ratzinger deveras habituado às lides nazis, não foi novidade a nova tarefa, perfeitamente se desenrolou o que se tinha de desenrolar, radicalização do dogmatismo, proibição de toda e qualquer teologia de libertação, e sempre assim foi, porque mudar se tudo sempre foi perfeito para o império das sotainas? Aos pés da inquisição caíram Paulo Evaristo, Uta Ranke-Heineman, Pedro Casaldáliga, Gustavo Gutiérrez, Benjamín Forcano, María Catarina Jacobelli, e a lista continua em nomes, que são apenas mais nomes, de salientar aqueles cuja rebeldia mais se salientou, Hans Kung e Leonardo Boff, quem sabe um dia sonharam com uma mínima humanização da seita católica, falha de percepção do contexto pois com certeza.

Entre as inúmeras inquisições católicas ao rebeldes, hereges, infiéis, o que quer que se queira chamar aos acusados de práticas de pensamento, se exemplificará as técnicas das novas fogueiras, não com corpos desta feita, com pensamentos que passa mais despercebido. Desde demissões de cátedras a manipulações de ideologias, se extrai um exemplo simples e típico da inquisição do pensamento, a condenação a “silêncio voluntário”, uma mera contradição dos termos, em lides fascistas a lógica é absoluta, noutras é demencialidade. Assim Boff foi condenado após comparecer no tribunal da inquisição, Sagrada Congregação para a Doutrina Católica se se preferir os floreados e a cabeça bem enterrada na areia, obrigação do silêncio voluntário, anos em lutas desiguais, em perdas de tempo com imutabilidades, e Boff conta a quem quiser ouvir como funcionam as lides internas da seita católica, “Antigamente a repressão da Igreja chamava-se Inquisição e queimava pessoas na fogueira. Depois sentiram alguma vergonha e chamaram-lhe Santo Ofício; de novo se envergonharam e chamaram-lhe Sagrada Congregação para a doutrina da Fé. Hoje a tortura já não é física mas psíquica e com todo um mecanismo de denúncia e informação semelhante aos corpos de segurança do Estado.”.

Hans Kung também demonstrou o que é dedutível, pelo bom-senso e pela História, desprovido da licença de docente eclesiástico, o teólogo suíço sumarizou o contexto vaticanista, “Cada dia se vê mais como o sistema romano se desenvolve como uma ditadura espiritual.”, aludindo às práticas fascistas pelos seguintes temos: “Preservam-se critérios acerca do divórcio e do controlo da natalidade que não são humanos.”.

Da extensa panóplia de inquisições do déspota Ratzinger, saliente-se ainda a acusação ao Vaticano de infantilização pela teóloga Uta Ranke-Heineman, onde as simples mas sempre eficazes alusões a virgindades estúpidas solidificam tal afirmação, “Com a sua mania da virgindade de Maria, o papa levou a cabo um programa de infantilização à escala mundial.”, nada que seja inovador, nada que seja novidade, apenas interessante pela voz de alguém que partilha, ou partilhou, todo um conjunto de afinidades religiosas, o erro foi e é, nascimentos apoteoticamente tortos não endireitam com o tempo, no caso se entortam mais, e a falha de percepção evidente sana-se, e a lucidez brota de um abismo negro de onde não seria suposto um pestanejar de luz. As mudanças são impossíveis no fascismo vaticanista, mudança destruiria o império pelas bases, a única luta é a externa, a conquista de terreno pelo Secularismo até abafar a demencialidade das papolatrias. Séculos de dinâmicas exacerbadas da imutabilidade não caem com lufadas, apenas com rajadas…

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14 Respostas »

  1. e tu quando é que ascendes em alguma coisa ó pequeno frustrado? inútilzeco

  2. Bruno,

    É muito engraçado e divertido assistir a este exercício de retórica…
    O Bruno quer mesmo convencer-nos de que esta defesa dos “descarrilados” é uma defesa desinteressada da sua parte?
    No fundo, no fundo, que lhe interessará a si de um Boff ou amigos senão que o possam ajudar a demolir o catolicismo?
    Que vantagens tira do pensamento destas pessoas? Apesar de já não partilharem do catolicismo (por vontade própria), continuam a acreditar em Deus, ao contrário do Bruno.

    Por isso, que outro interesse haverá em apoiar os dissidentes senão reconhecer a sua utilidade para a causa anti-católica?

    Seria um bocado como se eu louvasse um comunista “moderno” por reprovar o Manifesto Comunista. Sendo eu totalmente contra o comunismo por o considerar um modelo social errado, qual seria o meu interesse em louvar um comunista dissidente? Obviamente, só poderia ser porque tais dissidentes, pela sua posição, prejudicam sempre a unidade da ortodoxia comunista.

    Como anti-comunista, eu só posso querer que o comunismo se desmembre numa chuva de dissidentes dispersos e zangados.

    Como anti-católico, o Bruno só pode querer que o catolicismo se desmembre do mesmo modo, e os dissidentes são valiosos para a sua causa!

    Não somos todos tontos, hã…

    Para um ateu coerente, tanto vale um dissidente como Boff como vale um ortodoxo como Schonborn…. Para um ateu coerente, todos os crentes, ortodoxos e obedientes, ou dissidentes e desobedientes, têm por força que estar equivocados…

    Esta pérola, então esta pérola sua:

    “quem sabe um dia sonharam com uma mínima humanização da seita católica”

    Que bonito! Que visão romântica dos dissidentes… Ah, esses humanizadores rejeitados pela cruel Igreja Católica, déspota ditadora…

    Alguém o leva a sério, Bruno?
    Não é que eu ache que o Bruno esteja a fazer-nos de parvos. Eu acho que isto não chega a tanto. Parece-me que estes textos seus são exercícios de estilo. Um pouco como escrita criativa. Uma escrita num estilo de iconoclastia anárquica, de escrever por puro gozo de apreciar o caos e a desordem da mensagem que quer transmitir.

    E é por isso que, no fundo no fundo, estes seus textos não argumentados, quase puros desabafos, também não devem dar grandes armas argumentativas a qualquer ateu sério que queira controntar um crente bem preparado.

    Cumprimentos,

    Bernardo

  3. Caro Bernardo,

    Um com agrado que constato que chegou de férias cheio de “pedalada”. É bom sinal e um grande bem haja por continuar a ter pachorra para nos aturar.

    Fugindo um pouco à sua argumentação, ao ler e reler o seu comentário interroguei-me se o Bernardo se esqueceu - apenas por breves instantes - de que o Cristianismo original também foi, em tempos, uma mera dissidência do Judaísmo. E, no entanto, veja o que deu… ;)

    Um abraço.

  4. Olá Helder!

    Espero que as férias tenham sido boas!
    É verdade: usei as férias para amadurecer argumentos para os debates que se avizinham! ;)

    «Um com agrado que constato que chegou de férias cheio de “pedalada”. É bom sinal e um grande bem haja por continuar a ter pachorra para nos aturar.»

    Isto de aturar é recíproco. Eu também sou aturado, cada vez que me lêem.

    «Fugindo um pouco à sua argumentação, ao ler e reler o seu comentário interroguei-me se o Bernardo se esqueceu - apenas por breves instantes - de que o Cristianismo original também foi, em tempos, uma mera dissidência do Judaísmo. E, no entanto, veja o que deu…»

    Livra: que bela questão…
    Como é que eu me vou safar desta?
    Pensando assim de repente, sem me ir socorrer de nenhuma literatura, eu diria que há uma boa explicação para tal.

    1. Para um judeu, é certo que todo o cristão é um dissidente

    2. No entanto, todo o judeu espera o Messias, ainda hoje

    3. Assim, em teoria, a ideia de um Cristo (um messias, literalmente, o que não é o mesmo que Deus) é totalmente esperada pelos judeus e compatível com o judaísmo, e nada tem de dissidente

    4. A divergência está em ver “aquele” homem como o Messias; e pior ainda, como o próprio Deus feito Homem; aqui, sim, há uma enorme diferença entre as duas religiões

    5. Se Cristo não fosse Deus, nem sequer fosse o Messias esperado pelos judeus, então ele seria um dissidente, e a nova religião seria uma seita

    6. Se Cristo não fosse Deus, mas fosse o Messias esperado pelos judeus, então como poderia ser ele um dissidente? seriam os judeus os distraídos e a dormir na forma… a figura do Messias tem todo o poder para administrar o sagrado.

    7. Sendo Cristo Deus, bem como o Messias (se bem que não reconhecido como tal pelos judeus), há uma clara ruptura.

    A questão é a de saber se Deus pode fazer estas rupturas.
    Parece-me claro que pode.
    Se Deus fez a Velha Aliança com o povo hebreu, bem pode renová-la em vestes novas, fazendo uma Nova Aliança, desta vez com toda a humanidade (hebreus e gentios), na figura do Seu Filho, manifestado ao Mundo na forma humana.

    O Cristianismo não pode ver, obviamente, Cristo como um dissidente, fundador de uma religião dissidente. Para o cristianismo, e é um tema revisitado ao longo do ano litúrgico, a Nova Aliança suplantou a Velha. Sem lhe retirar valor, Cristo trouxe ao mundo uma religião mais completa do que o judaísmo, porque era a definitiva.

    Se uma religião A’ sai da religião A, isso é dissidência.
    Se uma religião A’ amplia definitivamente a religião A, suplantando-a, isso não é dissidência.

    Não estou muito inspirado. A resposta certa à sua inteligente questão deve andar aqui perto.

    Um abraço

  5. Apenas uma dúvida idiota e inoportuna:

    Se uma religião A’ sai da religião A, isso é dissidência.
    Se uma religião A’ amplia definitivamente a religião A, suplantando-a, isso não é dissidência.

    Como fica então o Islão nesta sequência temporal?
    Parece que “alguém” voltou a fazer uma nova aliança entre os gentios - com os árabes, desta feita - e com tal sucesso, que até ouvi dizer que o número de fiéis muçulmanos já ultrapassou os do cristianismo…

    Não se trata portanto de uma simples dissidência,…
    E a credibilidade é seguramente maior, pois encontra-se nitidamente à frente em quantidade e qualidade!

    Será que afinal o Islão é que é a tal de “Verdade Absoluta” anunciada pelo caro João C.?

  6. Abrasivus,

    A Verdade não está no Islão. O Islão incorpora, de facto, algumas ideologias provenientes do Judaísmo. Os seguidores do Islão não reconhecem a Divindade de Jesus, apenas vêem n’Ele um profeta como tantos outros. Os Judeus esperam ainda a vinda do Messias, não reconhecendo Jesus como tal.

    Ora, isto vai contra a palavra de Jesus “…Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: Antes que Abraão existisse, EU SOU.” (João 8: 58) Esta declaração “Eu Sou” tinha sido proclamada no Antigo Testamento por Deus Pai ” … Disse Deus a Moisés: EU SOU O que SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.” (Êxodo: 3: 14 ). Assim, o próprio Jesus afirmou que era o próprio Deus humanado. Sendo Jesus o edificador da Igreja Católica, parece óbvio que esta mesma Igreja é de facto a renovação da Antiga Aliança que Deus selara com os Judeus. Nova Aliança esta que Jesus selou com o Seu próprio sangue, com a morte na cruz. O Catolicismo Deriva então do Judaísmo no sentido de que amplia este último e o supera. O Islão, não aceitando Jesus como o próprio Deus, não pode ser a crença detentora da Verdade pois Jesus disse “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

    Daí a Igreja se afirmar detentora da Verdade, uma vez que foi fundada pelo prórpio Deus, o mesmo Deus de Isaac, de Abraão e de Jacob, que em Seu Filho firmou a Nova e Eterna Aliança em favor do Seu povo que é a Igreja Católica.

    João

  7. Caro Bernardo, seria muito correcto e interessante de sua parte argumentar sobre o cerne da questão e não sobre as periferias, ainda para mais tentanto criar um espantalho do que um ateu deve ou não ser, tentando ainda pior colocar gostos e interesses que não são os meus em mim, e retirar gostos e interesses por ter uma dogmatização sobre o ateísmo. Ao definir-me como ateu não me coloco em plena concordância com ninguém nem em plena discordância com ninguém, absolutismo atrás de absolutismo de sua parte, e assim se produzem os erros.

    Relativamente às “dissidências”, ou está muito fora do contexto, ou então apenas produz propaganda católica, a contar com tais dislates já tinha introduzido no artigo a correcta percepção, “desprovido da licença de docente eclesiástico”, isto relativamente a Hans Kung, se tentar pensar em contornos laborais se aperceberá facilmente que se pode falar num despedimento, e não num abandono do posto de trabalho, ou seja, inquisição e expulsão e não aquilo que tenta fazer passar de forma tão falaciosa.

    Comparações com o comunismo são complexas, especialmente porque no cerne do artigo está a descrição do fascismo católico pela centralização de todos os poderes, e o comunismo nada tem que ver com isso, não existe uma entidade central mundial que elabore fascismos para o mundo inteiro, apesar de tudo, neste contexto, poderia-se falar de um paralelismo com o kimilsungismo, na organização social, idolatrias, messianismos e calendários acentes no nascimento do messias, nessa fracção de comunismo acomparação é válida, ou o antagónico, comparação de cristianismo com comunismo, ambos com tendências para o fascismo, mas com algumas ramificações mais democráticas, comparar comunismo com catolicismo é pouco mais que populismo.

    Para mim não existe um ateu coerente, existe um Bruno Miguel Resende coerente, muito diferente, que respeita pessoas mas desrespeita ideias, então se as ideias me afectarem a liberdade posso inclusive odiá-las, e o relativismo existe, essas teorias do absolutismo não me dizem respeito nem fazem sentido algum, talvez numa mente orientada para o sectarismo. Admiro Boff em algumas ideias, assim como Kung e como Mário da Lixa, que entre outras coisas produziu um livro interessantíssimo de nome Salmos XXI como uma actualização minimamente humanista do esgoto de barbárie dos Salmos originais, usados ainda hoje pelo catolicismo, neste caso concreto posso dizer que são textos que me metem nojo. A credibilidade do deus que acreditam é a mesma da credibilidade do deus em que você acredita, nenhuma, noutros assuntos outras credibilizações.

    Todos os crentes estão equivocados, possuem irracionalidades no seu pensamento, varia a quantidade das irracionalidades e a potencialidade de certas convicções se tornarem em acções mais danosas que outras. Muitas convicções irracionais não afectam negativamente o mundo, outras destroem-no, entre o preto e o branco existem muitos tons de cinzento, e, inclusive, existem cores! Porque não existem seguidores de Reiki a explodir em autocarros? Porque a irracionalidade das convicções não potencia tal coisa, já a irracionalida abraamica abre as portas e dá carta branca à barbárie.

    Cumprimentos.

  8. Caro João C., vejo que está minimamente à vontade no tema do anti-semitismo e das acções decorrentes, como o nazismo, pelo menos percebe relativamente bem as bases, matar pessoas por se acreditar em estupidezes diferentes é crime e é estúpido, 2000 anos depois e contiuam os lemas do “matai-vos uns aos outros”, não sei se já reparou que onde existem as três religiões dos desertos existem também a barbárie pela diferença de estupidez. Parvoíces diferentes dão asneira! Não sei se reparou mas a sua religião, detentora da verdade absoluta, assim como é definido por um islâmico e por um judeu, é a religião mais estúpida à face da Terra, define-se como monoteísta e tem vários deuses, o deus, o diabo, a virgem maria, o cristo, logo na base cai de tão idiota erro matemático. Felicidades na religião da idiotice absoluta!

    Cumprimentos.

  9. Abrasivus,

    «Como fica então o Islão nesta sequência temporal?»

    Bom, não fica. É que não há sequência temporal, porque o Islão está realmente separado. Maomé não era nem judeu nem cristão. Não há qualquer ligação concreta, por isso, Maomé não é um dissidente. O Islão inspira-se muito no judaísmo e no cristianismo, mas é uma religião bastante incompleta. O João C. já apontou o facto de que o Islão está gravemente errado em relação a Cristo (que é o próprio Deus), e para além disso, há ainda um problema complicado para a gestão da relação entre o Islão e a Ciência. É que o conceito de Deus para os muçulmanos não é o de um Deus-Logos, ou seja, um Deus-Razão. Para o Islão, Alá não pode sequer estar “preso” pelos “limites” da razão.

    Isto é um erro teológico grave: a Razão não limita coisa nenhuma. A Razão divina é intrínseca à noção correcta de divindade. A irracionalidade não corresponde a nada de ontologicamente real. O irracional vale um puro nada, logo, nenhuma noção correcta de Deus pode dispensar a Razão.

    A quantidade de fiéis não é, de forma alguma, um garante de veracidade ou qualidade. Não percebo de onde é que isso vem.

    Cumprimentos,

    Bernardo

  10. Caro João,

    “Pilatos replicou-lhe: «Que é a verdade?»” (Jo 18, 38).

    Fala-se de verdade, falamos de verdade, falas de verdade… mas, afinal que quer dizer verdade? Qual é a definição de verdade para ti?

    Caro Bernardo, a tua seguinte premissa: “todo o judeu espera o Messias, ainda hoje” é muito dúbia… existem várias correntes de judaísmo. Por exemplo, o filósofo judeu Lévinas não sei se concordaria muito com essa premissa, pois, ele parece sugerir que nos encontramos com o Messias quando somos responsáveis pelo outro, e quando estabelecemos com o outro uma relação de amor. E no rosto do outro encontramos todos os outros incluindo o infinito…

    Saudações cordiais,


    PS - Caro João C., não é por mal, mas num horizonte racional penso que estas a confundir o “saber que” com o “pensar que sei que”…

  11. Olá Bruno,

    «Caro Bernardo, seria muito correcto e interessante de sua parte argumentar sobre o cerne da questão e não sobre as periferias»

    Ah, se eu tivesse percebido qual era o cerne da questão neste seu post, e como eu gostava de ter percebido, teria certamente preferido falar sobre esse cerne.

    «ainda para mais tentanto criar um espantalho do que um ateu deve ou não ser, tentando ainda pior colocar gostos e interesses que não são os meus em mim, e retirar gostos e interesses por ter uma dogmatização sobre o ateísmo. Ao definir-me como ateu não me coloco em plena concordância com ninguém nem em plena discordância com ninguém, absolutismo atrás de absolutismo de sua parte, e assim se produzem os erros.»

    Ou seja, a sua noção de ateísmo, para não ser “dogmatizada” é assim uma coisa flexível, que dá para muita coisa, certo?
    Basicamente, se uma pessoa não tiver que definir as suas ideias (para evitar “dogmatizá-las”), então fica mais à vontadinha para se poder desviar das balas, certo? Estilo filme “Matrix”: Keanu Reeves a não obedecer às leis da Física para não ser atingido pelas balas, certo?

    Mas esse “dodging” argumentativo é lixado para qualquer pessoa que queira debater consigo. Se o Bruno não explica as suas ideias, ou se estas ideias não estão definidas (para evitar a tal famigerada “dogmatização”, ou “absolutização”), então como é que se debate consigo?

    Sinceramente, que raio de argumento é esse, Bruno?
    !”Ah, e tal, não vale a pena atacarem as minhas ideias, porque eu não concordo nem discordo de ninguém, e tal e coisa…”
    Que treta…

    «Relativamente às “dissidências”, ou está muito fora do contexto, ou então apenas produz propaganda católica, a contar com tais dislates já tinha introduzido no artigo a correcta percepção, “desprovido da licença de docente eclesiástico”, isto relativamente a Hans Kung, se tentar pensar em contornos laborais se aperceberá facilmente que se pode falar num despedimento, e não num abandono do posto de trabalho, ou seja, inquisição e expulsão e não aquilo que tenta fazer passar de forma tão falaciosa.»

    Que grande confusão.
    O que eu quis dizer foi algo simples: Kung exercia a profissão de professor de doutrina católica. A partir do momento em que deixou de a ensinar como ela é, e depois de muitos avisos e conversas com o próprio, foi afastado do cargo. Imagine que um professor de Física começava, de repente, a meio do ano lectivo, a debitar as tretas teosóficas de “madame” Blavatsky e a ensinar o teosofismo blavatskiano aos alunos? Não corria o mesmo risco?

    «Comparações com o comunismo são complexas, especialmente porque no cerne do artigo está a descrição do fascismo católico pela centralização de todos os poderes, e o comunismo nada tem que ver com isso,»

    Hã?
    O que é “fascismo católico”?
    É também daquelas definições ao estilo do Bruno, que não concordam nem discordam com ninguém?

    «não existe uma entidade central mundial que elabore fascismos para o mundo inteiro, apesar de tudo, neste contexto, poderia-se falar de um paralelismo com o kimilsungismo, na organização social, idolatrias, messianismos e calendários acentes no nascimento do messias, nessa fracção de comunismo acomparação é válida, ou o antagónico, comparação de cristianismo com comunismo, ambos com tendências para o fascismo, mas com algumas ramificações mais democráticas, comparar comunismo com catolicismo é pouco mais que populismo.»

    Eu acho que não percebeu o que eu escrevi.
    A minha analogia era simples: do mesmo modo que eu ganharia ao louvar os dissidentes de uma ideologia que eu repudio, também o Bruno ganha ao louvar os dissidentes de uma fé que repudia. Está claro, agora?

    «Para mim não existe um ateu coerente, existe um Bruno Miguel Resende coerente, muito diferente, que respeita pessoas mas desrespeita ideias, então se as ideias me afectarem a liberdade posso inclusive odiá-las, e o relativismo existe, essas teorias do absolutismo não me dizem respeito nem fazem sentido algum, talvez numa mente orientada para o sectarismo. Admiro Boff em algumas ideias, assim como Kung e como Mário da Lixa»

    Ah, claro, o padre da Lixa, essa bela peça de virtudes sacerdotais! ;)

    «que entre outras coisas produziu um livro interessantíssimo de nome Salmos XXI como uma actualização minimamente humanista do esgoto de barbárie dos Salmos originais, usados ainda hoje pelo catolicismo, neste caso concreto posso dizer que são textos que me metem nojo. A credibilidade do deus que acreditam é a mesma da credibilidade do deus em que você acredita, nenhuma, noutros assuntos outras credibilizações.»

    Então, se percebi, apesar de achar que Deus não existe, acha mesmo que os dissidentes católicos que referiu têm qualidade? Em quê? Se não é no seu catolicismo, é na sua dissidência?
    Sinceramente, eu acho que o aparente gosto do Bruno pela anarquia é que explica porque razão gosta tanto de dissidentes.

    «Todos os crentes estão equivocados, possuem irracionalidades no seu pensamento, varia a quantidade das irracionalidades e a potencialidade de certas convicções se tornarem em acções mais danosas que outras.»

    Isto é argumentar?
    Então, cá vai disto:

    «Todos os ateus estão equivocados, possuem irracionalidades no seu pensamento, varia a quantidade das irracionalidades e a potencialidade de certas convicções se tornarem em acções mais danosas que outras.»

    E agora, hã?
    Ganda resposta, a minha, hã?
    Troquei a palavra “crentes” pela palavra “ateus”, e ficou bestial!

    «Muitas convicções irracionais não afectam negativamente o mundo, outras destroem-no, entre o preto e o branco existem muitos tons de cinzento, e, inclusive, existem cores! Porque não existem seguidores de Reiki a explodir em autocarros?»

    Porque a esmagadora maioria dos verdadeiross seguidores do Reiki duvidam, sequer, que o autocarro exista.

    «Porque a irracionalidade das convicções não potencia tal coisa, já a irracionalida abraamica abre as portas e dá carta branca à barbárie.»

    Não existe tal coisa como “irracionalidade abraâmica”, só na sua cabeça, Bruno.
    Lamento não conseguir debater melhor consigo. Se calhar, grande parte é falha minha, mas não consigo mesmo construir um debate consigo.

    Cumprimentos,

    Bernardo

  12. Caro mingos,

    Sim, a correcção feita é justa. Eu deveria ter escrito que “todo o judeu ortodoxo espera hoje ainda o Messias”.
    O judaísmo, hoje em dia, já tem muito que se lhe diga, e a ortodoxia judaica perde representatividade a cada dia que passa. Efeitos da diáspora!

    Abraço

  13. Caro Bernardo,

    «Ah, se eu tivesse percebido qual era o cerne da questão neste seu post, e como eu gostava de ter percebido, teria certamente preferido falar sobre esse cerne.»

    O cerne está na inquisição da Sagrada Congregação para a Doutrina Católica, e nos mecanismos de ditadura vaticanista, penso ser bem explícito, uma estrutura de ordem social quase absoluta de abafamento de minimalismos de individualismo, os ganhos seculares foram feitos pelas estruturas externas e não advindas de uma possível evolução vaticanista, uma mentira muito em voga pelos clericalismos.

    «Ou seja, a sua noção de ateísmo, para não ser “dogmatizada” é assim uma coisa flexível, que dá para muita coisa, certo?
    Basicamente, se uma pessoa não tiver que definir as suas ideias (para evitar “dogmatizá-las”), então fica mais à vontadinha para se poder desviar das balas, certo? Estilo filme “Matrix”: Keanu Reeves a não obedecer às leis da Física para não ser atingido pelas balas, certo?

    Mas esse “dodging” argumentativo é lixado para qualquer pessoa que queira debater consigo. Se o Bruno não explica as suas ideias, ou se estas ideias não estão definidas (para evitar a tal famigerada “dogmatização”, ou “absolutização”), então como é que se debate consigo?»

    Nunca defeni o meu ateísmo como algo presente, existente, é o contrário, é um filtro às ideias estúpidas e às afirmações sem validades nem evidências, do ponto de vista pessoal não me considero ateu, considero-me por uma questão social de fascismo teológico, caso existisse uma mesma estrutura social baseada nas ideias de que o elvis está vivo eu possivelmente me defeniria socialmente como “aelvis”, depende do lunatismo presente à minha volta, se bem que por definição pessoal considere o ateísmo a filtragem das irracionalidades envolventes, uma espécie de filtro que quando enche é despejado no balde do lixo mais próximo. O ateísmo na minha perspectiva é anti-ideológico, anti-irracionalidade, portanto a questão não está nas minhas ideias mas sim no meu confronto às ideias dos outros. Posso definir algumas afinidades com algumas ideologias, ou seja, não uma dogmatização ideológica, mas uma criação de determinados padrões para mais fácil identificação social, nesses campos posso dizer que tenho várias afinidades com o hedonismo, o surrealismo, o satanismo, o goticismo, o anarquismo, o psicadelismo, etc, mas em relação ao assunto em causa estes “padrões” não me parecem pertinentes de serem debatidos. Neste artigo não existem formas de “desvio de balas”, tão simplesmente porque é anti-ideologico, e não ideológico, seria diferente se tivesse escrito algo sobre ideologias hedonistas.

    «Então, se percebi, apesar de achar que Deus não existe, acha mesmo que os dissidentes católicos que referiu têm qualidade? Em quê? Se não é no seu catolicismo, é na sua dissidência?»

    O mundo não gira à volta da Igreja Católica, gira à volta do Sol, essa sua obssesão-compulsiva com a “dissidência católica” faz-me lembrar teoria da conspiração, tenho respeito pelas pessoas em causa e respeito por algumas das suas ideias, do ponto de vista económico por exemplo, ideias de maior igualdade económica e, claro está, a luta contra o fascismo capitalista católico. Algumas ideias são apenas interessantes, outras uma espécie de descoberta da roda novamente, mas de qualquer das formas são ideias que potenciam um veículo de informação para pessoas menos sapientes e com maior potencialidade de serem usadas como carneirada para as necessidades capitalistas católicas, e no caso de Boff, das necessidades capitalistas evangélicas brasileiras, quanto maior o parasitismo católico e evangélico no Brasil, maior a pobreza, a ignorância e a ausência das necessidades básicas (bíblias e templos de pedra com crucifixos não incluídos obviamente, são de difícil digestão!)

    «Todos os ateus estão equivocados, possuem irracionalidades no seu pensamento, varia a quantidade das irracionalidades e a potencialidade de certas convicções se tornarem em acções mais danosas que outras.

    E agora, hã?
    Ganda resposta, a minha, hã?
    Troquei a palavra “crentes” pela palavra “ateus”, e ficou bestial!»

    Ficou estúpido, muito estúpido. Não se pode substituir um plano ideológico por um plano anti-ideológico e ter algo credível, apenas uma contradição… estúpida.

    «Kung exercia a profissão de professor de doutrina católica. A partir do momento em que deixou de a ensinar como ela é, e depois de muitos avisos e conversas com o próprio, foi afastado do cargo. Imagine que um professor de Física começava, de repente, a meio do ano lectivo, a debitar as tretas teosóficas de “madame” Blavatsky e a ensinar o teosofismo blavatskiano aos alunos? Não corria o mesmo risco?»

    A Física é racional, a teologia não. A Física é debatida com as ideias de várias pessoas sobre provas e evidências, a teologia não. Se se comprovar que determinada questão Física está errada corrige-se, em teologia não. A comparação é incomparável. Talvez se a comparação fosse feita com Filosofia… As ideias são para ser debatidas, no caso é proíbido ter ideias, e eu não gosto de clones, gosto de indivíduos. Não gosto de fascismo, gosto de anarquismo. A censura é algo que provoca nojo. Proibir ideias é aberrante, impôr que se desligue o cérebro é estúpido e impossível.

    «Hã?
    O que é “fascismo católico”?
    É também daquelas definições ao estilo do Bruno, que não concordam nem discordam com ninguém?»

    Michel Onfray, por exemplo, entre muitos outros que partilham perspectivas semelhantes.

    «A minha analogia era simples: do mesmo modo que eu ganharia ao louvar os dissidentes de uma ideologia que eu repudio, também o Bruno ganha ao louvar os dissidentes de uma fé que repudia. Está claro, agora?»

    O comunismo não tenta elaborar leis universais, e nasce da racionalidade Humana, com teorias sólidas, racionais, e honestas, certas implementações seguiram as tendências religiosas, mas no espectro local, não global, e aí reside imensa diferença, não existem infiéis para o comunismo, do ponto de vista pessoal o kimilsungismo não me perturba, pois não interfere na minha liberdade pessoal, o caso contrário com o catolicismo, nasce da irracionalidade, inventa leis universais baseadas em nada, e ainda interfere na vida de todos os indíviduos do mundo sem eles autorizarem tal aberração. Por exemplo, os dogmas hindus pouco me preocupam do ponto de vista pessoal, não existe uma tentativa de lesgislação universal e nem existe o conceito de “infiéis”, portanto as analogias são muito pouco credíveis.

    «Porque a esmagadora maioria dos verdadeiross seguidores do Reiki duvidam, sequer, que o autocarro exista.»

    Não existem seguidores de Reiki, existem praticantes, não é uma ideologia de 24 por 24 horas, é uma prática espiritual. Da mesma forma que vou ao hospital e lá posso ser tratado como doente, não o serei quando de lá sair. É momentâneo. Uma terapia baseada em empirismo com efeitos muitas vezes positivos, se bem que pouco científicos, não presupõe seguidores, e todas as pessoas que conheço praticantes e mestres de Reiki que conheço não duvidam que o autocarro existe.

    «Não existe tal coisa como “irracionalidade abraâmica”, só na sua cabeça, Bruno.»

    Apeteceu-lhe dizer isso a que propósito? Esqueceu-se de iniciar a frase seguinte com um “Porque…”.

    Cumprimentos.

  14. Bruno,

    «Esqueceu-se de iniciar a frase seguinte com um “Porque…”.l»

    Sim, nessa frase, esqueci-me de colocar uma justificação.
    Enquanto que em todo o seu comentário de respsta, seriam necessárias dezenas de justificações. O Bruno tem ideias feitas, gosta de dar um ar de que é livre e não preconceituoso, mas está carregado de ideias pré-feitas, e não traz justificações para nenhuma delas.

    Além disso, há uma doença de adjectivação quase mórbida, exemplificada na frase “fascismo capitalista católico”. Se “fascismo católico” é contradição nos termos, e se “capitalista católico” também o é, a frase “fascismo capitalista católico” é uma dupla contradição.

    Assim, sem regras, sem rei nem roque, não consigo mesmo debater. O Bruno é um alvo em movimento. Não se define, ou usa definições confusas ou agnósticas.

    Sinceramente, não sei bem por onde começar um debate consigo que seja compreensível e útil para os dois.

    Cumprimentos,

    Bernardo

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