Fazer política
Por Ricardo Silvestre • 26 Ago, 2008 • Categoria: Internacionais, Nacionais, Notícias“O cardeal Ângelo Bagnasco, Presidente da Conferência Episcopal italiana, no encontro do Movimento Comunhão e Libertação, em Rimini disse perante os crentes que assistiam à sua missa que “A Igreja não é um sujeito político, mas isso não significa que ignore a política. A igreja deve ter a capacidade de participar da vida política”.
O também Arcebispo de Genova afirmou existir uma tendência de negar a dimensão pública da fé, limitando-a apenas ao plano intimo. “A todos, é reconhecida como sagrada a liberdade de consciência, mas pretende-se dos católicos que prescindam da fé, que forma a sua consciência”. Tal comportamento é insensato, afirmou o Cardeal.
“Certos valores, como os que se referem à vida humana, à família, à concepção da pessoa, da liberdade e do Estado, embora iluminados pela fé, são antes de tudo conceitos da razão”.
“Os bispos dão voz às pessoas e são atentos, acompanham a vida das pessoas, famílias e grupo, são fiéis à sua missão pastoral”. Manifestando-se contra uma construção social “contra o próprio homem”, o Cardeal Bagnasco apontou que “o Estado para não trair o conjunto de ideias e valores espirituais e éticos, que constituem a alma da nação”.
Ver aqui.
Sem se desviar um milímetro das linhas programáticas do centro de decisão,
“o Bispo Auxiliar de Braga D. Antonino Dias exortou ontem os jovens a envolveremse [o erro ortográfico aqui não é meu, mas sim o que está na página da Agencia Ecclesia] «na diversidade dos campos da actividade humana, incluindo a política, para que, através de um serviço humilde e competente, contribuam para um projecto de comunidade mais justo e humano».
«Escutar e anunciar a Palavra de Deus implica também educar para esta arte nobre e difícil que é a política. […] A Igreja – esclareceu o prelado – quer que os cristãos se tornem participativos na construção da comunidade humana, inclusive através da política.”
Ver aqui.
Portanto, caros colegas em ateísmo, ficamos a saber (mais uma vez) qual a estratégia da igreja católica para uma intervenção na vida política, que directamente nos afecta a todos.
“A igreja deve ter a capacidade de participar da vida política”.
“(..)existir uma tendência de negar a dimensão pública da fé, limitando-a apenas ao plano intimo (…) pretende-se dos católicos que prescindam da fé, que forma a sua consciência”
Certos valores (…) embora iluminados pela fé, são antes de tudo conceitos da razão”.
““o Estado para não trair o conjunto de ideias e valores espirituais e éticos, que constituem a alma da nação”.
“Escutar e anunciar a Palavra de Deus implica também educar para esta arte nobre e difícil que é a política” (…) A Igreja (…) quer que os cristãos se tornem participativos na construção da comunidade humana, inclusive através da política.”
Por onde começar?
Se a Igreja quer ter uma participação na vida política, formem um partido, e entrem no jogo democrático. Alias, a razão de não o fazerem é óbvia, no momento em que apresentassem um programa de governo, era ver os seus constituintes a colocarem-se à margem de tais ideias e políticas. Tirando as “chefias espirituais” que tem a sua própria “agenda”, é minha convicção que a maior parte das pessoas (e inclusive dos Portugueses) nunca se associaria a tentativas de impor “leis de deus” na sociedade.
Ninguém quer que os católicos “prescindam da sua fé”. Isto é mais uma vez propaganda política, e da mais rasteira que pode haver. Mas o Sr. Bagnasco está correcto quando observa que existe uma tendência para “negar a dimensão pública da fé”. Principalmente quando “pública” quer dizer no vocabulário destas pessoas “política”.
A “alma de uma nação”… poético, mas inconsequente, Uma expressão como “alma de uma nação” nada diz a nível de qual a natureza sociológica de um pais e de um povo. A “alma da nação” é tão mensurável como a “alma do individuo”, ou seja, zero.
Claro que a igreja quer os cristãos participativos. E isso é um direito destas pessoas, como cidadãos em pleno direito, de um estado de direito. Mas que deixem os seus dogmas “à porta” quando passarem pela entrada dos “corredores de poder”, e que deixem de querer “anunciar” a palavra de deus como parte integrante da sua intervenção na sociedade.
Quando a instituição anda em queda de crentes (só comparável à da natalidade) há que disparar em várias frentes.
Tal como disseste, que formem um partido que seja transparente nas suas ideias cristãs em vez de andarem por aí a meter veneno de vez em quando. Na Polónia há partidos assumidamente cristãos, como a Liga das Famílias Polacas. Por cá ainda podem aproveitar a onda deixada por Alberto João Jardim na ameaça de formação de um partido. Um homem que é um exemplo para todos os cristãos…
Alguém me explica o que tem a Carol Castro a ver com a igreja católica?
Parace que vos escapou esta importante noticia, amigos ateus
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Gente/Interior.aspx?content_id=1006300