Falar pelos outros

Reparo num fenómeno interessante na relação entre crentes e não crentes.

Isto acontece um pouco por todo o lado, e é repetidamente apresentado em fóruns de ateísmo.

Vamos falar em particular de Portugal: a um nível “micro” aqui no Portal Ateu, mas também a nível macro quando pensamos nas reacções dos “líderes espirituais” a situações que têm a ver com os seus dogmas, e que são discutidas em “praça pública” (nomeadamente na imprensa escrita ou audiovisual).

Não chegam (para os crentes) as acusações de blasfémia e de que quem as realiza irá sofrer eternamente por causa disso. Não chega o facto de os crentes repetirem que estão preocupados com a nossa salvação e que querem impedir que façamos o que estamos a fazer em prol de uma salvação dessa condenação. Se ficássemos só por ai, qualquer ateu encolhia os ombros, abanava a cabeça em descrédito e continuava a fazer aquilo que acha que deve ser feito.

Mas a “chantagem” religiosa é bem mais interessante de escalpelizar quando se começam a ver padrões de respostas às ditas “blasfémias”.

Quando se critica as “aparições de Fátima”, ou a “transubstanciação de Jesus Cristo”, ou a “missão evangélica”, imediatamente somos acusados de “ofender a comunidade católica”. Ofendemos directamente a avó que esteve em Fátima, a tia que sentiu o espírito santo, o pai que acredita que há deus, a mãe que reza antes de ir para a cama, a criança que está na catequese, o periquito que está por debaixo da imagem da última ceia.

Imediatamente também temos a acusação que estamos a ofender “milhões de pessoas” e que com essa atitude estamos a desrespeitar todas essas pessoas que nunca sabemos quem são, ou o que realmente pensam.

Eu, se fosse católico, iria sentir-me severamente “ofendido” por ser colocado tão levianamente num “grupo de pessoas ofendidas” sem antes me perguntarem a opinião se estava “ofendido ou não”.

Acabam por ser sempre os religiosos histéricos que falam por todos os outros. O mesmo se vê no islão, no cristianismo e no judaísmo.

A reflectir.

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