Previsivelmente, não demorou a que surgisse a primeira acusação de blasfémia a este artigo de humor do Ricardo Silvestre.
A facilidade com que hoje se acusa alguém de blasfémia é, no mínimo, preocupante; ignoram-se direitos essenciais à liberdade de expressão e esquece-se que a religião – seja ela qual for – não é constitucionalmente imposta como uma obrigação (nem sequer como um dever, apenas como um direito) de todos.
Mas, afinal, o que é a blasfémia religiosa? Em traços largos, poderá definir-se como um insulto ou um tratamento inconveniente ou ofensivo para com qualquer divindade ou religião. O que acontece de estranho nesta definição é que quem define o que é insultuoso, inconveniente ou ofensivo são os próprios membros de cada religião! Assim, quem não defender os mesmos valores ou princípios, está encurralado, não podendo, mesmo assim, abrir a boca para criticar – seja de que forma for – a religião em causa ou os seus símbolos. Era o mesmo que eu agora acusar de blasfémia quem afirmasse que os Rolling Stones são melhores que os Beatles – era o que mais faltava! Ou quem desenhasse um cartoon da Yoko Ono com o Keith Richards na cama a cantarem o “Give Peace a Chance”! Se acham esta comparação disparatada é porque desconhecem o facto de eu saber muito mais sobre os Beatles do que vocês alguma vez saberão sobre os vossos ídolos religiosos e que conheço as suas palavras (dos Beatles) melhor do que a maioria de vocês conhece a Bíblia.
Abandonando este exemplo algo irónico, qual a utilidade real do conceito de blasfémia? Simples e redutível a uma palavra: censura. O princípio é simples; determinam-se uma série de regras que não se podem infringir ao abrigo dum conceito que defende as crenças do próprio regulador. Et voilá, eliminam-se uns quantos opositores pelo silêncio, perpetuando-se conceitos e valores questionáveis mesmo pelos mais elementares princípios do bom senso.
Felizmente, os tempos mudaram e o verbo “blasfemar” já só faz sentido num pretérito repleto de imperfeições. Juntou-se a outros como “pecar” ou “profanar”… No futuro a lista será muito maior e incluirá termos como “evangelizar”, “baptizar”, “abençoar”, “pregar”, etc…
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Liberdade de expressão sim senhor, pena que muitos usem essem direito que custou a muita gente a ganhar, para a ofensa reles e barata. Queria ver se alguém chamasse “mulher da vida” a membros do sexo feminino da sua familia, se voce continuava com essa historia da liberdade de expressao. Porque verdade seja dita, se alguem achar que a sua mulher é uma p*ta tem todo o direito a dize lo certo?
Quero deixar claro que nao pretendo de modo algum ofende lo, embora a liberdade de expressao mo permita.
Liberdade de expressão?!… Denunciei e volto a denunciar as blasfémias proferidas contra a Mãe de Deus neste site… Que me insultem, que me tratem mal, que tenham opiniao diferente da minha, pouco me importa… Mas quando ofendem a Verdade Absoluta, isso ultrapassa os limites da tolerância e é nossa obrigação como católicos demonstrar e manifestar a nossa repulsa face aos ataques a Fé e à Doutrina Católica, defendendo-a sempre e coerentemente.
João
Uma coisa. Se um cidadão insulta ou profere acusações injuriosas contra outro pode ser levado à barra do tribunal por ofensas/ injúrias/ difamação.
Quando se insulta uma divindade (Virgem Maria, Jesus, Mohammad, Benfica) a coisa é bem diferente. Não se está a insultar nenhuma pessoa directamente.
Quando se insulta uma divindade (Virgem Maria, Jesus, Mohammad, Benfica) a coisa é bem diferente. Não se está a insultar nenhuma pessoa directamente.
Tem razão, aí só se está a insultar milhões de pessoas ao mesmo tempo.
Se a Fé e a Doutrina Católica começar a ruir com “ataques” como os apresentados nesse artigo, isso só mostra como essa fé é muito mas muito fraca.
Toda a gente tem o direito de dizer o que lhe apetecer. Em primeiro lugar, o que se diz reflecte, entre outras, coisas a educação dessa pessoa. Em segundo, todas as ofensas e acusações costumam ter consequências, para o acusador ou para o alvo ou ambos. E que eu saiba existe uma consequência para os blasfemadores: o inferno.
Proponho o seguinte às “virgens ofendidas”: deixem os blasfemadores acarretar com essa consequência em paz. Se a religião está certa então ele será castigado por tal. Se não, então não houve sequer uma ofensa pelo que não acontecerá nada de especial.
Luis nao sejas ridiculo, a fe nao ruiu nada…. o artigo é simplesmente é ordinario e insultuoso, nao tem nenhum argumento devastador a fe… tambem vindo de quem vem LOL…
Nenhum crente disse que ia castigar os que blasfemam… até estamos a avisá-los deviam dar-se por agradecidos.
João C
Verdade Absoluta? É sem dúvida um dos termos que melhor ilustra a arrogância dos crentes como você?
Essa “Verdade” é apenas verdade para si e para quem acredita nas mesmas ilusões. Portanto não tem nada de Absoluta.
cumprimentos,
Zé,
Não seja você ridículo, nem uma proposição condicional sabe reconhecer.
Ser ateu passa fundamentalmente por conhecer as religiões que se está a rejeitar, logo agradeço, mas qualquer “aviso” futuro é desnecessário.
Cumprimentos
Apenas posso concluir que quem ficou ofendido ficou-o de tal forma que até se esqueceu de contra-argumentar ou desmentir as afirmações do meu texto. Estive a relê-lo e, sinceramente, não encontro nenhuma falha, mentira ou erro técnico; nem sequer nada que fosse contra qualquer valor apregoadamente cristão, estivesse eu a falar de qualquer outra matéria.
Bem, talvez naquela parte de conhecer a palavra dos Beatles melhor do que a maioria dos crentes conhece a Bíblia haja uma pequena imprecisão: é que eu conheço muito bem, de facto, mas nem por isso deixo de ter a noção que se trata de um trabalho criativo, enfim, ficção.
Divindade !!! lol
Insultar melhoes de pessoas!!! lol
É só gente maluca.
Antes maluco do que pouco inteligente…
Rui e se alguém decidir ofender um parente ou amigo falecido seu? O que é que acha disso?
Zé,
A nível legal não sei como é que funciona, mas imagino que a respectiva famíla e demais relacionados com ofendido possam fazer alguma coisa em determinadas condições, nomeadamente quando tal os afecta indirectamente.
Não estou a perguntar a nível legal, estou a perguntar se acha moralmente aceitável. Qual a diferença entre ofender a avó falecida de alguém, ou Nossa Senhora que também tem significado para muita gente?
E se já sabem que vão magoar as pessoas, porquê ofender à mesma? Depois vêm com histórias que são todos muito morais….
Estou a falar da ofensa barata e não da crítica inteligente como é óbvio. A crítica inteligente tem algo de construtivo a ofensa não.
Sim, Zé, ofensa barata, foi exactamente o que foi publicado. Não repudio as criticas que são feitas à religião, pois o debate torna-se instrutivo. O que foi publicado foi,na verdade ofensivo e, repito, uma blasfémia.
João
Zé / João C.
Há diferenças entre ser uma entidade abstracta sobrenatural e uma pessoa concreta.
Não vou dizer se é moralmente aceitável, dependerá da situação (se bem que quem insulta em muitos casos perde a razão). Mas o mais provável é não achar piada.
Independentemente de ser ofensa barata ou crítica contructiva, o direito a se dizer o que se bem entender sobre entidades sobrenaturais deve ser preservado, dentro da liberdade de expressão. Se for de mau gosto tal deve ser passível de crítica dos seus semelhantes mas nunca entrando dentro do domínio penal ou sofrendo censura. Para isso já nos chegou a Santa Inquisição…
Rui,
Está no seu direito de dizer o que bem entender sobre “entidades sobrenaturais”..afinal, o Rui não acredita em nada disso!… Mas o facto de n acreditar, como não quer dizer que a sua opinião seja a correcta, devia como que jogar pelo seguro e ter o minimo de respeito pelo sagrado.
O que está aqui em questão não é uma ofensa a um ou muitos crentes. Pouco me importa que me insultem a mim ou que critiquem as minhas opiniões, enquanto católico. Mas é uma ofensa a Deus, mais directamente à Mãe de Deus, que, por sinal, também é sua Mãe Celestial… E é, repito, uma blasfémia, que volto a denunciar mais uma vez.
João
Helder,
Há uma linha no seu raciocínio que não segui.
Do que percebi, afirma que dizer a alguém que este blasfemou equivale a impedi-lo de falar?
Dizer a alguém “tu blasfemaste!” é atacar a sua liberdade de expressão?
Sinceramente, não entendo.
O post do Ricardo é, claramente, uma blasfémia de acordo com a definição cristã. Por isso, é normal que um cristão use tal expressão. Como, evidentemente, os cristãos não são relativistas, eles usam o termo “blasfémia” com a certeza de estar a aplicar um termo real a algo de bem real.
Se apenas os cristãos blasfemassem, não faria sentido chatear o Ricardo, que é ateu, dizendo-lhe que ele blasfemou. Portanto, é precisamente porque os cristãos dizem que Deus existe e deve ser respeitado, que o epíteto de blasfemo é aplicável independentemente da crença da pessoa que blasfemou.
Quem acusa alguém de blasfemo é que manifesta, nesse acto, a sua crença. O blasfemador tanto pode ser ateu como cristão.
E nada disto é um impedimento ao Ricardo. O post saiu no vosso site. O teclado do Ricardo continuou a funcionar durante a escrita dos últimos caracteres do post. O site continua em pé.
Não vejo onde está a ligação argumentativa entre o apelidar o post do Ricardo de blasfémia (que é, de facto), e qualquer tipo de ataque à liberdade de expressão.
Um abraço
Vou, então, tentar simplificar:
Imagine que o Bernardo é árbitro de futebol e eu sou jogador de rugby. Faz algum sentido o Bernardo apitar para falta se eu fizer uma placagem durante um dos meus jogos, com as minhas regras, legais no rugby? Como é que o Bernardo se sentiria se, no meio do relvado e em pleno jogo, quisesse dar um cartão a um jogador que lhe dissesse “Bernardo, essas não são as nossas regras. Aplique-as na sua modalidade, não nesta”. E como é que eu me sentiria se depois a Federação de Futebol me quisesse aplicar uma sanção disciplinar? Não acha que toda a situação seria ridícula?
Um abraço.
Essa situação é ridícula porque não tem nada a haver com o assunto.
1) a federação de rugby não tem um site próprio para dizer mal de futebol
2) um murro na cara merece sanção disciplinar em qualquer modalidade.
Zé,
É impressionante que você consiga imaginar seres abstractos com tanta facilidade e depois não consiga estabelecer paralelismos da simplicidade apresentada. Sem dúvida, curioso.
Peço desculpa se você não percebeu o meu ponto….enfim mais uma grande mente ateísta.
Helder,
«Imagine que o Bernardo é árbitro de futebol e eu sou jogador de rugby. Faz algum sentido o Bernardo apitar para falta se eu fizer uma placagem durante um dos meus jogos, com as minhas regras, legais no rugby? Como é que o Bernardo se sentiria se, no meio do relvado e em pleno jogo, quisesse dar um cartão a um jogador que lhe dissesse “Bernardo, essas não são as nossas regras. Aplique-as na sua modalidade, não nesta”. E como é que eu me sentiria se depois a Federação de Futebol me quisesse aplicar uma sanção disciplinar? Não acha que toda a situação seria ridícula?»
O Helder faz aqui uma analogia interessante, e que até certo ponto se aplica.
Mas não entendeu ainda o meu ponto de vista:
a) eu não defenderia qualquer lei ou regra que impedisse o Ricardo de escrever aquela (e outras) blasfémias; já há na lei limites claros, bem definidos, que permitem a uma pessoa que seja difamada responder a essa difamação: isto existe para proteger a pobre criatura humana; Maria, Mãe de Deus, não vê uma só grama das suas vestes brancas manchada com a brincadeira do Ricardo; por isso, eu não vejo porque razão seriam necessários tribunais humanos para julgar as blasfémias (aí está uma relíquia do passado que eu não quereria desenterrar)
b) logo, eu estou apenas a defender a máxima liberdade que me assiste, e a qualquer crente, de chamar blasfémia ao post do Ricardo; a mesma liberdade de expressão que o deixa exprimir-se aplica-se a quem quer exprimir-se sobre o post do Ricardo
Em resumo, a analogia do rugby e do futebol falha no seguinte:
a) nem o post do Ricardo é uma falta impeditiva que me impeça de me manifestar como cristão (o árbitro ateu não “apita”, com efeitos punitivos, no jogo cristão)
b) nem o meu epíteto de “blasfémia” é uma falta impeditiva que impeça o Ricardo de expressar o seu ateísmo (o árbitro cristão não “apita” com efeitos punitivos no jogo ateu)
Abraço!