Um primeiro-ministro ateu. Será possível? (parte 2)

Antony (AC) Grayling escreveu um artigo de opinião para o Jornal Inglês, The Guardian, sobre os benefícios sociais e políticos para a Inglaterra de ter um primeiro-ministro ateu em Downing Street.

Apresento hoje algumas considerações por parte de AC sobre algumas das justificações para ter esse mesmo líder.

O original pode ser encontrado aqui.

“Quando os membros do Conselho de Ministros de Tony Blair foram questionados sobre quais as suas crenças religiosas (após a conversão de Blair ao Catolicismo) verificou-se que mais de metade dos Ministros eram não crentes. Os mais vocais no seu ateísmo foramao Ministro da Saúde, Alan Johnson) e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Davil Millband.

O facto de Millband ser um ateísta é um factor de especial interesse uma vez que é provável que ele venha a ocupar o Nº10 [a residência oficial do Primeiro Ministro Inglês] num futuro próximo.

A religião é uma escolha, ao contrário de raça, idade, género. Qualquer pessoa pode mudar a sua religião, ou não ter nenhuma. É verdade que muitas pessoas são condicionadas a ter fé desde que são crianças, e é difícil abandonar esses sistemas de crença quando se tem receio que a comunidade, a família, as pessoas que prezamos, nos possam criticar, ou marginalizar por causa dessa decisão.

Mas contínua a ser basicamente um processo voluntário. Como tal, deve ser um processo que tem os seus custos e que deve “entrar na fila” de todos os outros processos de escolha. Isso é algo que um primeiro-ministro ateu diria, e tem tudo para se tornar numa grande vantagem social.

Apesar de ser promulgar o contrário, a religião não está a ter um ressurgimento no mundo, o que acontece é que as “vozes religiosas” aumentaram o seu volume. Este fenómeno é a resposta a um aumento do secularismo exigido por pessoas que estão cansadas das disfunções, obstruções e conflitos que as religiões causam consecutivamente. Um afirmação pública de ateísmo por parte de um líder político que pode liderar este país é apenas um indicador que a “maré” está a mudar: e isso é um indicador bem-vindo.”

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