Abusos infantis

“A 19 de Agosto de 1917 a aparição deu-se no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque no dia 13 as crianças tinham sido levadas pelo Administrador do Concelho, para Vila Nova de Ourém. Em Vila Nova de Ourém, os Três Pastorinhos foram submetidos a múltiplos interrogatórios e ameaçados com violentos castigos. Por fim, foram entregues aos pais.

No Domingo seguinte, 19 de Agosto, Nossa Senhora apareceu-lhes nos Valinhos e pediu-lhes que continuassem a ir à Cova da Iria no dia 13 e que rezassem o terço todos os dias. “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”, disse Nossa Senhora.”

Ver aqui.

Fez ontem 91 anos que a “nossa senhora” apareceu aos pastorinhos. Já foi por aqui debatido o suficiente sobre a irracionalidade desta crença, e a incrível perpetuação deste mito: os crentes recusam-se terminantemente a por sequer a hipótese que tudo o que aconteceu pode ter sido uma ilusão, ou uma mentira, ou um engano. E por sua vez, os ateístas, e cada ano que passa só poderá ajudar mais a essa atitude, continuam a reclamar a evidência que realmente existiram visões e milagres:a franquia religiosa que mantém o negócio de Fátima a rolar.

Mas esta notícia dos nossos “adversários na NET” despertou-me a atenção (como sempre faz) pela grosseria e falta de respeito por fenómenos psicológicos e emocionais que felizmente entendemos muito melhor em 2008 do que em 1917.

“”Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”. Isto “dito” a crianças. Crianças assustadas, temerosas, analfabetas, incapazes de convencer os adultos que as rodeavam. E os crentes acham que uma coisa destas é aceitável, e mais, que é uma demonstração em si mesma da “veracidade” e da “santidade” deste episódio.

E esta “responsabilidade” é a carga que uma “semi-deusa” coloca sobre 3 crianças. Podia ter escolhido homens respeitados pela comunidade, ou podia ter escolhido mulheres com experiência e com competência, ou podia ter escolhido uns quaisquer representantes da autoridade, fidedignos e objectivos. Mas não.

Não só essas crianças foram sujeitas a muitas coisas pelo qual não devia ter passado, como inclusive as suas vidas foram destruídas por causa do fardo de terem sido “escolhidas pela virgem Maria”.

Não me parece que a “nossa senhora” tivesse pensado bem no que fez.

Ou então, a conclusão é bem mais óbvia.

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