Direito de resposta ao “Direito de resposta”

Por Ricardo Silvestre • 19 Ago, 2008 • Categoria: Opinião

Não querendo entrar em troca de comentários directa com o Sr. João Ribeiro (se alguém tiver interessado em saber porque, digamos que eu não aceito faltas de educação ou de civismo numa troca de ideias, mesmo que seja na blogoesfera), não posso deixar passar no Portal Ateu algumas gravidades escritas pelo Sr. Ribeiro no seu artigo Intelligent Design como Hipótese Científica.

Apenas pessoas sem qualquer conhecimento de como se produz, promulga e defende ciência, pode dizer que o “Desenho Inteligente” (DI) é uma teoria científica.

A comunidade científica, representada por aqueles que são os legítimos organismos para falar pela mesma (ao contrário dos Discover Institutes que pululam um pouco por toda a América – e até mesmo agora na Europa); a Academia Nacional de Ciências Americana, a Associação Americana para o Avanço da Ciência, a Associação Americana de Professores Universitários, a Sociedade Americana de Astronomia, a Sociedade Americana de Química, o Instituto Americano de Física, a União Geofísica Americana (entre outras), são claros em relação à “polémica do DI”: “creacionismo ou DI, assim como outras formas de criação que tenham raiz numa crença no sobrenatural não são consideradas ciências uma vez que não podem ser testadas pelo método científico. DI não pode ser demonstrado como uma teoria científica (National Academy of Sciences, 1999)”.

Os argumentos apresentados pelos proponentes de DI (e como se pode ver pela fraqueza dos argumentos apresentados no texto do Sr. Ribeiro) são argumentos baseados em ignorância. O raciocínio é sempre o mesmo (e cansativo): na ausência de uma evidência indisputável que o processo que causou a existência da molécula, ou do sistema, em questão foi natural, então essa falta de evidência é a demonstração cabal como houve um designer por detrás do processo.

Um dos “padroeiros da seita”, Michael Behe, tem sido um dos “campeões” desta falácia, aproveitando qualquer ausência de explicação de um fenómeno natural para “encaixar” a teoria que: “se não podemos explicar de um forma natural, essa é a evidência como foi desenhada inteligentemente”.

Mas o mais importante para a crítica desta charlatanice, e principalmente na óptica de uma cientista (classe essa a que me orgulho de pertencer) é a incapacidade sistemática e documentada de os “defensores da teoria científica do DI” de terem um artigo científico publicado numa revista científica (Kitzmiller v. Dover Area School District, 2005).

Eu, que não sou por ai além um cientista muito prolífico, tenho no entanto artigos científicos publicados em algumas das melhores revistas científicas mundiais e Portuguesas, e sei o quanto custa defender uma descoberta: o rigor no desenhar da hipótese, o cuidado na recolha dos dados, a aplicação de um tratamento estatístico correcto, a analise correcta dos resultado e a sua compreensão para fazer uma boa discussão das conclusões que encontramos.

E esperam que eu aceite que fantasistas e lunáticos venham me dizer que a “ciência” é também aquilo que não é testável, aquilo que não é natural, aquilo que é ilusório.

Em Setembro de 2005, 38 Prémios Nobel emitiram uma declaração onde se podia ler que “DI é fundamentalmente não científico, não pode ser testado como uma teoria cientifica devido ás suas conclusões se basearem numa crença central que existem intervenções de agentes sobrenaturais (The Elie Wiesel Foundation for Humanity, 2005).

Mas nada disto parece ter qualquer peso. Os “iluminados” que vêem no DI, a solução para as dúvidas científicas (a filosofia deixo-a para os filósofos) continuam a faze-lo com a mesma fundamentação que os seus “primos religiosos”: se é demasiado complicado para explicar, vamos dizer que foi um ser superior que criou (um extraterrestre, um super-computador, um deus). O que é importante é fomentar a ignorância e o comodismo.

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4 Respostas »

  1. AHA, realmente neste texto confirmam-se as debilidades do Ricardo Silvestre, para além de ter variados erros de sintaxe como ja tenho vindo a referir..

  2. De volta das férias e o meu regresso começa logo com uma grande gargalhada. Para além de nenhum dos meus pontos ter sido rebatido, o autor deste texto cujo o nome me começa a dar nojo em escrever não faz ideia do que é o Intelligent Design.

    Senão vejamos:

    (No “quem somos”)
    “Vinte e dois anos depois, numa classe de Fisiologia Humana, o Professor que estava a dar a aula, um cristão “renascido” (born again Christian, no original) sugeriu aos seus alunos irem assistir a uma palestra com o (infame) Prof. Behe, sobre a “teoria” do Desenho Inteligente (onde os crentes defendem que certos sistemas biológicos SÃO TÃO COMPLEXOS que só podem ter sido criados por Deus)”

    A típica frase de quem não percebe nada do ID e como eu referi no meu texto : “A visão popular ( incompleta) do ID é que os processos do Universo e seres vivos são tão complexos que requerem um criador/designer, se o ID fosse apenas isto caíria facilmente por Terra……”

  3. Caro autor do comentário anterior,

    Vamos lá ver se nos entendemos: o senhor vem aqui porque quer, ninguém o obriga. Também ninguém o obriga a concordar com as ideias que defendemos. Exigimos, isso sim, ser tratados respeitosamente, tal e qual tratamos todos os que nos visitam e que sabem distinguir confronto de ideias de confronto pessoal.

    Se o senhor estiver à altura, continuará a ser bem vindo como todos os demais. Caso contrário, passe bem.

  4. Helder, isto não é consigo…sabe perfeitamente que eu não imbirro com ninguém pelo simples facto de ser ateu. Como já disse tenho o maior dos respeitos por si.
    O autor do texto em questão é que tem vindo a perder o juízo…

    Cumprimentos

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