Intelligent Design como hipótese científica
A Teoria do Intelligent Design (ID) afirma que “certas propriedades do Universo e dos seres vivos são melhor explicadas por meio de uma causa inteligente e não por leis físicas e processos naturais”.
A visão popular ( incompleta) do ID é que os processos do Universo e seres vivos são tão complexos que requerem um criador/designer, se o ID fosse apenas isto caíria facilmente por Terra; os movimentos de uma folha ao vento ou de um grão de areia numa corrente marítima são demasiado complexos e dificilmente traduzíveis por fórmulas matemáticas, mas como é óbvio não é preciso nenhum ser inteligente para tais ocorrências. A explicação é feita apenas com as Leis da Física. Muitos dirão que as Leis em si são inteligentes, mas não é esse o ponto, para explicar os fenómenos mencionados bastam as Leis da Física, mesmo que estas requiram elas próprias uma explicação, porém no ID é dito que as Leis da Física “não dão conta o do recado”.
Então qual a visão correcta? Aliada à necessária complexidade é preciso observar-se um determinado padrão específico e objectivo.
O ID é um caso particular de criacionismo, uma das diferenças para outros tipos de criacionismo é que os cientistas do ID procuram demonstrar cientificamente que os seres vivos e Universo tiveram um Design; usando métodos para detecção do mesmo.
Estes métodos para a detecção de inteligência já têm vindo a ser utilizados na procura de vida inteligente extraterrestre, um projecto científico, nomeadamente na avaliação dos sinais vindos do Espaço, onde é preciso decidir se estes sinais são aleatórios ou se são resultado de uma inteligência.
Como já foi referido, para serem resultado de uma inteligência, tais sinais têm de satisfazer um determinado grau de complexidade (tendo como consequência uma elevada improbabilidade) e de obedecer a um determinado padrão. Uma sequência de 100 números primos é um óptimo exemplo, para além da sua enorme complexidade, tão grande que ainda ninguém conseguiu descobrir a sua fórmula genérica, engloba um padrão objectivo – todos os números pertencentes a esta sequência são apenas divisíveis por si próprios e por um. Se esta sucessão de números fosse recepcionada pelos investigadores do SETI eles poderiam certamente abrir as garrafas de Champagne.
Para ser uma teoria científica o ID terá de seguir o método científico, Observação, Hipótese, Experimentação e Conclusão .
Observação: O modo como seres inteligentes operam no nosso mundo é observável todos os dias, e quando os mesmos agem geram elevados níveis de informação complexa e padronizada (especificada), William Dembski inventou o termo CSI (Complex Specified Information), para tais tipos de informação. Os exemplos mais óbvios são os programas de computador ou a nossa própria linguagem.
Da nossa experiência elevados níveis de CSI têm sempre uma causa inteligente.
Hipótese: Se um objecto do mundo natural ( e.g. organismo vivo) foi “desenhado” deverá ter níveis de CSI semelhantes aos objectos desenhados por nós humanos.
Experimentação: A experimentação do ID na sua vertente biológica, consiste em verificar se esses elevados níveis de CSI existem nos organismos vivos, e passa por examiná-los fazendo um “reverse engineering” das suas maquinarias cujas partes per si aparentam não ter qualquer utilidade ao organismo (Irreducible Complexity).
Conclusão: Como elevados níveis de CSI são encontrados nas diversas maquinarias, que são especificadas pois têm arranjo particular para as mesmas funcionarem, e complexas o que torna o arranjo pouco provável, conclui-se que os mesmos organismos foram desenhados.
Teorias Científicas devem também ser capazes de fazer previsões. Os proponentes do ID dizem ter feito várias previsões:
1) A não (ou pouca) existência de DNA lixo. Determinadas porções de DNA, que se pensavam inúteis, foram descobertas como tendo funções biológicas importantes.
2) Complexidade/diversidade no Registo Fóssil tende a aparecer sem antecedentes, num curto espaço de tempo, dando origem aos conhecidos gaps. Um exemplo evidente é a explosão Cambriana ou Câmbrica.
http://www.ideacenter.org/contentmgr/showdetails.php/id/1136
Uma objecção frequente ao ID como Hipótese Científica, é que o mesmo apela ao sobrenatural. O objectivo da teoria não é definir a Natureza do Designer, poderá ser Deus, mas não necessariamente; pode ser uma qualquer espécie extraterrestre. Tal definição não é possível ser feita pelo método científico, a partir dos dados que actualmente dispomos.
Para além disso, é muito subjectivo discutir o que é natural ou sobrenatural; há uns anos atrás, ondas invisíveis que se deslocam a uma velocidade de 300.000 km/s (ondas electromagnéticas) poderiam parecer entidades sobrenaturais para nós . Mesmo recentemente, num dos vídeos que pude ver aqui no Portal Ateu, Michael Shermer aborda este tema do sobrenatural, e dá um exemplo da leitura dos pensamentos de outrém (à primeira vista um fenómeno místico e sobrenatural) e duma possível explicação natural recorrendo a física quântica. O sobrenatural é na minha opinião apenas uma realidade natural, que ainda não foi detectada e comprovada pela ciência. Como seria de esperar muitas das realidades são consideradas sobrenaturais inicialmente pois o método científico é mais demorado e rigoroso que qualquer outro método de observação empírica.
Outra objecção é que esta Teoria levanta mais questões “como quem desenhou o Designer?” “Ou que métodos utilizou o Designer? ” , mas faz parte de qualquer teoria científica responder a determinadas questões e levantar outras, pelo que não é um argumento válido.
O ID não é uma teoria antagónica à teoria da evolução pretendendo apenas complementá-la (na minha perspectiva) , uma vez que toda a gente sabe que o DNA sofre mutações aleatórias, e que também existe uma força chamada Selecção Natural que se encarrega da sobrevivência dos animais mais bem adaptados ao ambiente. Pelo que não há maneira de negar as mudanças nas espécies ao longo do tempo- Evolução.
Embora muitos proponentes do ID sejam Cristãos ( o que não implica que sejam parciais ou pouco sérios) e alguns deles tenham uma agenda de outra ordem como muitos sabemos, a teoria em si não deve sofrer com isso, é a teoria que deve ser discutida e não os cientistas.
Também gostaria de concluir que o ID, vai de encontro à premissa de certos Filósofos que apenas inteligência pode gerar inteligência. .
A minha principal fonte, foi o www.ideacenter.org onde tem mais bem explicado em Inglês o método científico que segue o ID, outras previsões da teoria, tem vários artigos como resposta às supostas refutações do CSI, do IC do Flagellum da Bactéria, Bactéria que come Nylon etc.
João Ribeiro
Outros artigos relacionados:
“Uma sequência de 100 números primos…todos os números pertencentes a esta sequência são apenas divisíveis por si próprios e por um”
Isto não tem nada a ver com o assunto, mas não posso deixar de dar uma nota já que a definição que “os números primos são aqueles que são apenas divisíveis por si próprios e pela unidade” está errada.
Apesar de estar errada é uma definição muito divulgada e portanto isso ainda torna mais urgente que eu me refira a ela, já que vai passando de geração para geração ( é um méme?) e criando alguns problemas na aprendizagem na matemática, área em que a aprendizagem já não é facil para a maioria.
Essa definição falha para o número “1″, que não é primo.
Se for necessário usem a definição parecida usem “um número é primo se tiver exactamente 2 divisores” (podem acrescentar DISTINTOS, não é necessário, mas pode lá ficar).
O facto de “1″ não ser primo á afinal uma questão de escolha, não haveria nenhum problema fundamental em considerar o “1″ como primo, mas a definição moderna exclui “1″ de ser primo. Esta exclusão é apenas de ordem prática, mas definições são definições, não vamos ainda confundir mais as gentes.
O texto que refiro pode ainda ser interpretado de outra maneira, mas não vamos criar + confusão.
José Simões
Sou contra essa IDiotice!!
Caro José Simões,
A sua nota, para um leigo, parece um preciosismo a nível da definição geral de um número primo, até que porque nem sequer existe (ainda), como sabemos, uma fórmula para a sua determinação.
Podemos dizer que, no fundo, e para nossa profunda vergonha, a nossa civilização ainda não domina os números primos!
Pergunta pertinente:
- E isso interessa para alguma coisa?
Vendo bem, e como penso que concordará, a resposta é sim.
O desconhecimento dos números primos que existem, é paradoxalmente muito útil á nossa sociedade, sendo até alguns mantidos “religiosamente” em segredo, para aplicações diversificadas, desde a encriptação de sinais em spread spectrum para as comunicações militares, até às inocentes aplicações civis bancárias, como a atribuição de um “verdadeiro” número de cartão de crédito.
Assim sendo, diante de infinitos números primos ainda “desconhecidos”, qual é afinal a importância e a atenção a atribuir a um formalismo sobre o número 1, e aferir com rigor se se trata ou não de um verdadeiro número primo?
Se porventura ainda não viram o filme “Contact” baseado no romance do mesmo nome de Carl Sagan, irão reparar que os sinais úteis recebidos de Vega são embuidos em tranches de sinais numa sequência de números primos que começa em dois e não em um. Para esta inteligência – ou para Carl Sagan que a criou – os números primos começam em dois e não em um.
Quando li o livro e posteriormente vi o filme, interroguei-me sobre este preciosismo formal sobre o número 1 como número primo e o facto dele não aparecer naquela sequência, mas nunca tive paciência de o explorar…
Folgo em saber que afinal não estava isolado nesta “preocupação” depois de ler o seu comentário.
Cumprimentos
Sobre o ID:
Sabendo-se que complexidade possui basicamente duas origens:
- Desenrasque em cima do joelho.
- Desenho prévio apurado.
Qual é a mais provável para um arquitecto que desenha no Ser Humano a área de lazer junto da área de esgotos?
Mais uma prova que afinal, fomos criados para utilizar aquilo que muitos chamam apenas de” área lazer” na sua aplicação fundamental: procriar!… Quem nos criou sabe o que faz
Mais uma prova que afinal, fomos criados para utilizar aquilo que muitos chamam apenas de” área lazer” na sua aplicação fundamental: mijar!… Quem nos criou sabe o que faz
Claro que que sabe!
As DST então, são a maravilha da criação!
(Para a malta aprender, certo?)
Dê cumprimentos meus à sua divindadezinha, que eu vou ali e já venho!
dia 28/9, será o 30° aniversário da morte de JP1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Jo%C3%A3o_Paulo_I#Enfarto_do_mioc.C3.A1rdio_ou_assassinato.3F
Enfarto do miocárdio ou assassinato?
A brevidade de seu pontificado suscita até hoje especulações a respeito de que teria sido vítima de uma conspiração, algo nada novo na tradição do Vaticano. As suspeitas de envenenamento são amplificadas pelo fato de o Vaticano jamais permitir uma autópsia no corpo santo de um Papa. Sua saída repentina do cenário daria espaço a setores da Igreja ligados à Cúria Romana, mais empenhados em combater as tendências socialistas então emergentes no clero em vários países. Essa tese ganhou força com a eleição de João Paulo II, um pontífice conservador em relação a diversas questões, como aborto, contracepção e política. De fato, o ainda bispo Luciani desejara ao menos uma revisão das posições tradicionais da Igreja Católica sobre estes temas, consultando-se com especialistas em reprodução humana e com filósofos e pensadores de distintas religiões.
Se Paulo VI teve um relatório médico extremamente preciso quando de sua morte (até mesmo os horários das complicações médicas foram anotados), o mesmo não ocorreu ao Papa Sorriso; seu corpo foi embalsamado imediatamente após o falecimento, e as verdadeiras causas do óbito nunca chegaram ao público. Não é preciso muito esforço mental, portanto, para imaginar as inúmeras especulações surgidas acerca deste trágico evento. Muitas delas foram condensadas em um polêmico livro, do não menos controverso escritor David Yallop, conhecido por sua vigorosa atuação no jornalismo investigativo.
Um dos inúmeros boatos surgidos após a morte de João Paulo I diz que seu pontificado entrara em choque com idéias e interesses da Opus Dei. Durante o funeral, foram ouvidos fiéis aturdidos, que diziam: “Quem fez isso com você?”, “Quem o assassinou?”, já desconfiando de que a morte do Papa Sorriso não decorrera de causas naturais.
Caro Steven,
Agradecemos que não coloque comentários fora do contexto do respectivo artigo.
Obrigado.
As IST (actualmente denominam-se de Infecções Sexualmente Transmissíveis) não são maravilhas da Criação, obviamente. São, fundamentalmente, (des)maravilhas da promiscuidade que existe hoje em dia… e a prova é o descontrolo que estas doenças hoje atingem o Homem, esse sim, maravilha da Criação.
Cumprimentos
Caro João C.,
- Prove-nos, por favor, que hoje há maior propagação de ISTs do que há 100 anos
- Prove-nos que hoje em dia há mais promiscuidade do que há 200 anos
Em relação aos restantes defensores do ID, agradecia que me esclarecessem como é que explicam que um desenhador/criador/arquitecto tenha tido necessidade de criar um universo de tal forma vasto que ainda não conhecemos com exactidão a sua dimensão e tenha apenas aplicado os seus dotes num planeta irrelevante que circula à volta de uma estrela igualmente irrelevante? Que desperdício de espaço que vai por esse universo fora, não é? Chamem-lhe inteligente, se quiserem, mas, por favor, não lhe chamem poupadinho…
Se estamos numa de preciosismos, não entendo porque se dá sempre a definição de números primos sem falar do seu conjunto os Naturais.
Caro João,
Um Deus amor tem necessariamente que usar a evolução para deixar o cosmos ser verdadeiramente aquilo que é. Se Deus utiliza-se o ID estava a “obrigar” o cosmos ser isto e não aquilo. Então, seria como um “pai ditador” ou uma “mãe galinha” que não deixam o seus filhos serem aquilo que são em liberdade. Um pai que ama os seus filhos não os obriga a seguirem determinado plano. Por exemplo: Um pai diz para o filho – “Tens que ser padre”. o filho não sente essa vocação, mas o pai insiste eternamente. Será que o pai estará a amar? Só se ama quando se deixa espaço para o cuidado e para a liberdade. Uma alegoria interessante encontra-se em: http://domingosfaria.vimacopia.com/site/index.php?option=com_content&task=view&id=181&Itemid=2
O teólogo John Haught defende esta perspectiva defendendo que “Deus não domina o mundo, nem o força a conformar-se a um plano rígido. Pelo contrário, Deus deseja que o mundo “se torne ele próprio” tão plenamente quanto possível. Isto significa que o mundo deve ter o espaço e o tempo necessário para avançar por tentativas, para experimentar diversas possibilidades. Sendo a mente de Deus a fonte de todos os caminhos alternativos possíveis que o universo pode percorrer na aventura evolutiva, podemos razoavelmente supor que um Deus que é amor não iria obriga-lo a seguir obrigatoriamente um plano pré-fabricado. Se Deus ama o mundo, então podemos assumir que ele lhe concede um certo grau de liberdade para experimentar na sua evolução um conjunto de possibilidades”.
Cf. HAUGHT, John – Responses to 101 Questions on God and Evolution. New York: Paulist Press, 2001, pp. 49-50.
Saudações cordiais,
Perdão, Helder! Mas foi só pra lembrar do 30° aniversário da morte de JP1. Se você puder escrever.
Tentativa de balanço parcial:
De acordo com “quem sabe o que faz”, ficámos a saber que a procriação terá de conviver com a proximidade da área de esgotos…essencialmente por questões relacionadas com a filosofia largamente disseminada do “Toma lá, dá cá…e não pies muito!”…
Assim como uma espécie de compensação por “rien de tout”…
«Queres lazer? Então toma lá primeiro com a área de esgotos para provares que estás mesmo interessado(a)…»
Justo!…
E depois:
«Despacha-te lá depressa com a procriação, pois não tarda nada que a área de esgotos se comece a manifestar em toda a zona!…»
Para além de justo, eficaz!…
Sabendo-se que «Deus deseja que o mundo “se torne ele próprio”» segundo o teólogo John Haught, parece que através do brilhante ID, obriga-nos a conviver com a área de esgotos para que percebamos quão importante é a procriação!
Absolutamente brilhante!
Nem eu me lembraria de uma destas!
Neste deambular de comentários, também ficámos a saber que existem mui nobres representantes da nossa sociedade que manifestam simpatia por este posicionamento….
PS: O facto de o tal de ID ter andando a fazer o mesmo com todas as outras espécies – misturar áreas de lazer e áreas de esgotos – e o facto de todos sabermos que os animaizinhos são todos uns parvinhos e não percebem nada de sexo, só nos pode levar a concluir que praticamente todas as espécies sexuadas actuais são assim apenas por arrasto….
Afinal, o que interessava mesmo era chatear os infelizes dos Homo Sapiens Malandrecus – ou porque comeram maçãs maradas, ou porque adquiriram conhecimentos proibidos, ou porque…
Comparar-se a “complexidade” do movimento de uma folha ao vento com o sistema de informação existente dentro dos seres vivos é de facto muito corajoso.