Inquérito aos religiosos e crentes visitantes do Portal Ateu
Por Helder Sanches • 14 Ago, 2008 • Categoria: OpiniãoÉ normal e positivo que um local como o Portal Ateu seja visitado por crentes e que estes façam questão em comentar e se fazer ouvir. Desde o início que sempre incentivamos essa participação e ela tem sido mesmo por nós promovida através da secção Direito de Resposta. Sem a presença dos crentes, as discussões seriam certamente muito mais estéreis. No Portal Ateu, congratulamo-nos com o elevado nível com que, salvo raríssimas excepções, os crentes têm participado nas caixas de comentários dos artigos do portal.
Para os mais atentos ao meu blog pessoal, não é novidade que procedi recentemente a uma reestruturação do mesmo. Durante esse processo, revi alguns dos artigos mais antigos e houve uma afirmação de um ex-crente (e amigo, que não resistiu ao racionalismo durante as discussões com ateus) que na altura não explorei o significado e que gostaria de o fazer agora através do Portal Ateu (a afirmação é a seguinte: um religioso escolhe uma religião por gostar do que ela oferece, e não por ser verdade ou mentira).
Assim, para melhor entendermos o fenómeno religioso, gostaría que os digníssimos crentes respondessem às seguintes questões (sempre sob uma perspectiva pessoal):
De 1 a 10 qual a importância que a religião tem na sua vida?
Sente que escolheu a sua religião ou que foi a sua religião que o escolheu a si?
Se tivesse que optar entre liberdade religiosa e democracia qual seria a sua opção?
Com qual das frases mais se identifica:
- A minha religião é a única verdadeira
- Todas as religiões são verdadeiras, mas culturalmente identifico-me mais com a minha
- É irrelevante se as religiões são verdadeiras, o que importa são os valores que estas transmitem
Escolheu a sua religião pelo que ela oferece ou por ela ser verdadeira?
Considera que ser-se religioso contribui para se ser mais bem formado e assim ser-se mais útil à sociedade?
Se, por qualquer razão, fosse proíbido exercer a sua religião fá-lo-ia clandestinamente?
Considera o ateísmo uma religião?
Obrigado.
1. De 1 a 10 qual a importância que a religião tem na sua vida?
A religião tem na minha vida um grau de importância 10
2. Sente que escolheu a sua religião ou que foi a sua religião que o escolheu a si?
Fui educado como católico desde a infância, embora o meu pai fosse ateu. Neste sentido, posso dizer que a religião me escolheu. À medida, porém, que fui crescendo e me fui interessando pela ciência e pela filosofia, pude assumir a minha fé com espírito crítico, distinguindo, por exemplo, o que é essencial do que é secundário e identificando os elementos que nada têm a ver com o cristianismo. Dei-me conta de que nem a filosofia nem a ciência apresentam argumentos que falsifiquem o cristianismo, e que, por outro lado, este se tem adequado ao desenvolvimento cultural das sociedades. Neste sentido, houve aqui uma ‘segunda escolha’, a minha.
3. Se tivesse que optar entre liberdade religiosa e democracia qual seria a sua opção?
Sem democracia não há verdadeira liberdade religiosa, uma vez que não concebo a religião como algo de afastado da liberdade de expressão e da justiça. E sem liberdade religiosa não há verdadeira democracia. Só posso optar pelas duas, visto que não é aceitável nem possível optar apenas por uma delas.
4. Com qual das frases mais se identifica:
• A minha religião é a única verdadeira
• Todas as religiões são verdadeiras, mas culturalmente identifico-me mais com a minha
• É irrelevante se as religiões são verdadeiras, o que importa são os valores que estas transmitem
Não me identifico com nenhuma das frases. Acredito que a minha religião é verdadeira, mas isso não implica que todas as demais sejam completamente falsas. As grandes questões que estão na base da religião são basicamente as mesmas em todas as religiões, e as respostas têm muito em comum.
5. Escolheu a sua religião pelo que ela oferece ou por ela ser verdadeira?
Depois de ‘ter sido escolhido’ pelo cristianismo escolhi-o conscientemente porque me dá um suplemento de sentido para a vida que outras perspectivas não dão. A vida tem sentido em si mesma, mas o cristianismo aumenta esse sentido porque coloca a vida num horizonte de sentido mais amplo que a perspectiva ateia. Por outro lado, a minha relação pessoal com Deus proporciona-me também um suplemento afectivo que só nele encontro.
6. Considera que ser-se religioso contribui para se ser mais bem formado e assim ser-se mais útil à sociedade?
A religião dá-nos razões para sermos úteis à sociedade que o ateísmo não dá. Um dos equívocos do ateísmo é supor que a crença na imortalidade e numa ‘outra vida’ num ‘outro mundo’ desencoraja os crentes de se empenharem na vida social. É exactamente o contrário. Isto não quer dizer que um crente seja necessariamente mais empenhado na sociedade que um ateu, nem vice-versa. Cada um decide.
7. Se, por qualquer razão, fosse proíbido exercer a sua religião fá-lo-ia clandestinamente?
O ‘exercício’ da religião é basicamente o amor a Deus e aos outros. Não necessita ser clandestino. No que se refere a alguns aspectos como reuniões, liturgias, etc., numa sociedade em que não houvesse democracia ver-me-ia obrigado a participar nelas clandestinamente.
8. Considera o ateísmo uma religião?
Não considero o ateísmo uma religião, mas considero que se baseia numa longa lista de equívocos a respeito da religião.
Alfredo Dinis
Caro Alfredo,
Muito obrigado pelas suas respostas.
1. De 1 a 10 qual a importância que a religião tem na sua vida?
É de 10.
2. Sente que escolheu a sua religião ou que foi a sua religião que o escolheu a si?
Apesar de nascer num contexto, ambiente, e educação cristã fui eu que decidi veemente seguir o cristianismo (os meus pais davam-me liberdade), ao ponto de enveredar por algumas experiências de vivência intensa como: seminário e noviciado. A filosofia e teologia ajudaram-me (e ajudam-me) muito a purificar as “caricaturas” do cristianismo, para ser realmente uma escolha/vivência racional e com sentido.
3. Se tivesse que optar entre liberdade religiosa e democracia qual seria a sua opção?
Penso que a democracia é a condição de possibilidade da liberdade religiosa. Por isso escolho democracia.
4. Com qual das frases mais se identifica:
• A minha religião é a única verdadeira
• Todas as religiões são verdadeiras, mas culturalmente identifico-me mais com a minha
• É irrelevante se as religiões são verdadeiras, o que importa são os valores que estas transmitem
Prefiro antes esta: “Existem muitos caminhos para chegar à mesma meta”. Se nascesse num contexto budista certamente teria sido mais provável ser budista. Mas colocando todas as religiões em ponto de igualdade prefiro o cristianismo. Ao optar pelo cristianismo não estou a afirmar que por exemplo o judaísmo ou o hinduísmo não chegarão a uma mesma meta que o cristianismo. Mas, opto pelo cristianismo por me identificar totalmente com a sua mensagem (que é de amor para toda a humanidade), e que não contradiz os dados da ciência ou filosofia.
5. Escolheu a sua religião pelo que ela oferece ou por ela ser verdadeira?
Sou cristão (e leigo da ICAR) nomeadamente por aceitar a pessoa de JC que me ensina a viver uma praxis (amor total e incondicional ao próximo) e que dá um sentido esplêndido à minha vida. Considero o cristianismo uma verdadeira religião, pois, transmite claramente o significado profundo de religião (como “religare” [re-ligar], voltar a ligar a relação de amor entre toda a humanidade e com o Ser-Absoluto).
6. Considera que ser-se religioso contribui para se ser mais bem formado e assim ser-se mais útil à sociedade?
Segundo a concepção de religião como “re-ligar” penso que adquire todo o sentido o facto de esta ser útil à sociedade, pois, deseja-se viver uma civilização do amor, numa unidade fraterna, em felicidade e paz entre toda a humanidade (respeitando as crenças e desejos de cada um).
7. Se, por qualquer razão, fosse proíbido exercer a sua religião fá-lo-ia clandestinamente?
Para exercer o essencial do “re-ligar” (a religião) basta apenas amar os outros e a Deus. Mesmo num ambiente proibitivo é totalmente praticável este “re-ligar”. Agora para exercer cultos como a eucaristia certamente teria de ser em clandestinidade.
8. Considera o ateísmo uma religião?
Ateísmo não é uma religião, mas uma crítica exaustiva e sistemática à religião por vezes sem qualquer sentido ou fundamento, e na maior parte das vezes com a finalidade de denegrir e criar imagens totalmente absurdas da religião.
No entanto, um ateísmo mais sério, sincero e construtivo poderá ajudar a purificar algumas imagens ingénuas e caricaturas da religião.
Considero que o ateísmo ao ter apenas (normalmente) uma chave de leitura da realidade torna-se por vezes um pouco redutor. Normalmente o ateísmo não “vê” todas as dimensões da existência… nem tudo se escoa na imediatidade nem no fragmentário…
1. De 1 a 10 qual a importância que a religião tem na sua vida?
Tem a importância de nível 10.
2. Sente que escolheu a sua religião ou que foi a sua religião que o escolheu a si?
Desde a infância fui educado na Doutrina Católica. Passei por periodos de questionamento, em que pensei abdicar da fé, estudei a história e principios de outras religiões. Então, com um pensamento livre e esclarecido, como que escolhi por mim mesmo professar a Fé Católica. Considero-me uma pessoa com uma Fé madura, esclarecida e, ao contrário do que muito se diz por aqui, racional. Porque a verdadeira Fé não pode ser separada da razão.
3. Se tivesse que optar entre liberdade religiosa e democracia qual seria a sua opção?
Penso que numa democracia tem de existir liberdade religiosa.
4. Com qual das frases mais se identifica:
• A minha religião é a única verdadeira
• Todas as religiões são verdadeiras, mas culturalmente identifico-me mais com a minha
• É irrelevante se as religiões são verdadeiras, o que importa são os valores que estas transmitem
Acredito firmemente que que a minha religião é a verdadeira. Mas esta minha convicção não pressupõe que me considere superior ou melhor que os outros. Tratando-os com o respeito que merecem como pessoas, não posso no entanto concordar com as opções religiosas dos seguidores dos outros credos.
5. Escolheu a sua religião pelo que ela oferece ou por ela ser verdadeira?
Escolhi a religião Católica, como disse anteriormente, porque depois de um periodo de reflexao e de estudo (não só da Doutrina Católica mas também das outras crenças) percebi que fazendo parte dela consigo ter uma visão mais abrangente do mundo. Sendo uma pessoa ligada às ciências, para mim é uma mais valia pertencer à Igreja Católica, pois há uma visão mais ampla dos fenómenos e até na própria vivência quotidiana, a minha Fé (aliada à razão) ajuda-me a tomar algumas decisões.
6. Considera que ser-se religioso contribui para se ser mais bem formado e assim ser-se mais útil à sociedade?
Se houver uma Fé firme, racional, não supersticiosa e esclarecida, a religião pode conduzir a uma melhor formação, não só no que respeita à cidadania mas também no que respeita aos valores e à moral.
7. Se, por qualquer razão, fosse proíbido exercer a sua religião fá-lo-ia clandestinamente?
Se fosse proibido de exercer publicamente a religião iria certamente faze-lo clandestinamente, pois para um crente é necessária a participação nos Sacramentos, nomedamente na Santa Missa. Sem dúvida que o faria clandestinamente. E não teria medo de afirmar publicamente que sou católico, por muito que soubesse que poderia ir parar à prisão ou até ser morto por isso.
8. Considera o ateísmo uma religião?
Não. O ateísmo é a negação do Divino e muitas vezes argumentado e fundamentado com informações imprecisas e deturpações da verdade. Ninguém é obrigado a acreditar, mas penso que para se rejeitar uma coisa, terá de se ter conhecimento verdadeiro da mesma.
Um abraço
João
ERRATA
onde se lê “não posso no entanto concordar com as opções religiosas dos seguidores dos outros credos” ,
leia-se
“não posso no entanto aceita as ideias (no que respeita ao Sagrado) defendidas pelos seguidores dos outros credos, concordando e respeitando a opinião dos mesmo relativamente ao respeito mútuo entre pessoas de diferentes crenças” .
Obrigado Helder,
João
Pergunta aos ateus (tbm sou 1,claro!)
Se vcs fossem da GB, vcs cantariam “god save the queen”?
Eu jamais cantaria!!
João e Mingos,
Obrigado pelas vossas respostas.
Steven,
À partes da letra do hino nacional português que eu acho abomináveis. No entanto, canto-as de peito inchado. Mas sou um adepto da renovação da letra do nosso hino.
“que eu acho abomináveis. No entanto, canto-as de peito inchado. ”
Quais partes ????
Ah, por falar em hinos, os da Espanha e Alemanha tem 1 forte tabu! O hino espanhol é “mudo”, pq a letra (Viva España…) é taxada de franquista. Já o alemão tinha 3 estrofes, mas foram eliminadas 2 pq alegam que pregava superioridade alemã. (Deutschland über alles in der welt).
Adoro responder a inquéritos… Ai que pena não poder esponder a este…
na GB seria sim um adepto do “golpe de estado”…monarquia?!…direito divino de governar?!…bah!
1. De 1 a 10 qual a importância que a religião tem na sua vida?
Acredito em Deus mas reconheço a sua importância na condução das sociedades das estrelas (como as os primitivos não possuiam livros e o céu era a unica referência que não mudava; então “escreviam” nas estrelas o conhecimento que aprendiam na terra) á sociedade em que vivemos e que alguém disignou por sociedade electromagnética.
2. Sente que escolheu a sua religião ou que foi a sua religião que o escolheu a si?
Dispenso qualquer tipo de religião visto que as verdades religiosas não são eternas, pelo que depois de atingirem a idade adulta devem ser reformuladas.
3. Se tivesse que optar entre liberdade religiosa e democracia qual seria a sua opção?
A forma de governo está sempre subordinada á concepção religiosa do povo. A democracia só pode vingar se a mentalidade; não só dos governantes mas também do povo for uma mentalidade aberta, forçosamente teria que optar pela liberdade religiosa.
4. Com qual das frases mais se identifica:
• A minha religião é a única verdadeira
• Todas as religiões são verdadeiras, mas culturalmente identifico-me mais com a minha
• É irrelevante se as religiões são verdadeiras, o que importa são os valores que estas transmitem
Não aplicável.
5. Escolheu a sua religião pelo que ela oferece ou por ela ser verdadeira?
Não aplicável.
6. Considera que ser-se religioso contribui para se ser mais bem formado e assim ser-se mais útil à sociedade?
O homem como animal social que é necessita de rituais para manutenção de valores que o façam compreender que o mundo não é nosso mas que o pedimos emprestado aos nossos filhos.
7. Se, por qualquer razão, fosse proíbido exercer a sua religião fá-lo-ia clandestinamente?
Não aplicavel.
8. Considera o ateísmo uma religião?
O ateísmo não sendo uma crença não pode ser considerado uma religião. Mas tal como a religião judaica encontra as suas raizes na dúvida em relação a Deus; o nascimento de Israel deve-se á oposição a Deus do profeta Jacob, e como só acreditamos verdadeiramente naquilo em que colocamos em causa, então o ateismo tem um papel muito importante para a reformulação das verdades religiosas.
De 1 a 10 qual a importância que a religião tem na sua vida?
10
Sente que escolheu a sua religião ou que foi a sua religião que o escolheu a si?
O sentimento, a crença, a alegria de pertencer, não se escolhem, são uma descoberta maravilhosa que se aceita sem reserva.
Se tivesse que optar entre liberdade religiosa e democracia qual seria a sua opção?
A democracia é uma farsa políticamente correcta, a religião é Vida, Caminho e Verdade Absoluta.
A democracia, falsa liberdade e laicismo, tem retirado Deus da sociedade e destruído os mais Sagrados e Intocáveis Valores, como a Vida e a Família. Graças à democracia temos aborto, eutanásia, casamentos contra-natura e outras aberrações.
Com qual das frases mais se identifica:
A minha religião é a única verdadeira.
Escolheu a sua religião pelo que ela oferece ou por ela ser verdadeira?
Não escolhi. Impôs-se como Verdade Absoluta e Inquestionável.
Considera que ser-se religioso contribui para se ser mais bem formado e assim ser-se mais útil à sociedade?
Considera o ateísmo uma religião?
Considero o ateísmo uma deformação cívica e social, uma doença que pode ter cura mas que vai minando os valores e a vivência social. Basta abrir os olhos e receber a Verdade para se ser curado.
Em princípio, sim, mas apenas para a Boa Doutrina, para o Catolicismo Tradicional. O modernismo é uma heresia, uma corrupção da verdadeira Igreja Católica.
Se, por qualquer razão, fosse proíbido exercer a sua religião fá-lo-ia clandestinamente?
De certa forma, já o faço, devido ao CV2.
Pai de Família, gostei bastante das suas respostas. Partilho da sua opinião. ~
Fico contente em saber que existe no nosso país pessoas ainda defensoras do Catolicismo Tradicinal.
Bem haja.
Abraço
De 1 a 10 qual a importância que a religião tem na sua vida? Peço desculpa, mas nem tudo se resume a uma escala.
Sente que escolheu a sua religião ou que foi a sua religião que o escolheu a si? Fui eu que fui escolhido. A Verdade revelou-se a mim e a todo o mundo. A nós só nos resta aderir ou não.
Se tivesse que optar entre liberdade religiosa e democracia qual seria a sua opção? Não há democracia sem liberdade de religião, por isso a pergunta é idiota.
Com qual das frases mais se identifica:
A minha religião é a única verdadeira
Escolheu a sua religião pelo que ela oferece ou por ela ser verdadeira? Como já disse anteriormente, não escolhi a religião, aderi a ela porque a Verdade se revelou.
Considera que ser-se religioso contribui para se ser mais bem formado e assim ser-se mais útil à sociedade? O homem verdadeiramente religiosa, ou seja aquele que procura de coração aberto a verdade (mesmo que seja ateu) defende sempre a verdade e o bem, sendo por isso útil a sociedade.
Se, por qualquer razão, fosse proíbido exercer a sua religião fá-lo-ia clandestinamente? Sem dúvida.
Considera o ateísmo uma religião? Não. Considero que existem ateus que vêm um ateismo como uma posição anti-religiosa e acaba por se tornar fanáticos e fechado à realidade, lembrado de facto uma seita. Por outro lado, os ateus são simplesmente pessoas que não acreditam em Deus, podendo ser óptimas pessoas, muitos melhores que eu. Conheço alguns assim
Steven, por sua causa acabei de descobrir que hino do meu país foi escrito por um ateu, não tem nada de concreto que fale sobre algum deus, ou coisa do tipo.
Quem quiser conferir:
link: http://www.suapesquisa.com/religiaosociais/hino_nacional_brasileiro.htm
Nasci em família católica, e acho que todas as perguntas já seriam as respostas.
João, falas de…
Catolicismo Tradicinal ou fundamentalismo católico?
Afinal, qual é a diferença???
Falo de Catolicismo Tradicional. Aliás, a religião católica só tem sentido na Tradição, quando é fiel à tradição milenar, aliada ao Magistério do Santo Padre e às Escrituras, em vez de andar ao sabor das modas. Daí nunca poder revogar os dogmas que define.
Por muito dificil que seja manter a sua posição firme em determnados assuntos da actualidade, a Igreja não pode ensinar verdades relativas, em que o q é verdadeiro hoje, amanhã pode não o ser. Os tempos tem de se adaptar à Verdade e não o contrário. A Igreja deve ter a coragem de afirmar os seus dogmas, as suas Tradições mesmo em tempos dificies como estes, em que o ateísmo, o materialismo e o relativismo parecem prevalecer em relação aos valores, tradições e costumes que a Igreja sempre defendeu.
Cumprimentos
Penso que já percebemos…
Viva o Benfica!…
Porque sim!
Caro João C.,
Quero agradecer-lhe este seu último comentário. Ao fim de alguns anos a discutir estas questões do ateísmo, poucas são as surpresas que ainda vou tendo nas argumentações contrárias à minha. Isso faz com que às vezes desanime um bocado na minha actividade ateísta. Felizmente, uma vez por outra, lá aparece um daqueles comentários que me faz parar para pensar um bocadinho - não pela originalidade da argumentação - mas por me recordar os perigos que, infelizmente, pensamentos como o seu significam.
Se eu tivesse menos vinte anos, provavelmente responderia-lhe com outro tipo de linguagem, tal foi a má impressão que este seu último comentário me causou. Mas, durante os últimos vinte anos, se não aprendi mais nada, aprendi, pelo menos, que já que alguns não conseguem ser elevados na coerência, resta aos outros serem elevados na conduta e manterem-se firmes nas suas convicções.
O caríssimo João C. acha, portanto, que a Igreja deve ser cega em relação ao aprofundamento do conhecimento da humanidade, deve ignorar os melhoramentos éticos infligidos nas sociedades e deve fazer tábua rasa de todo o desenvolvimento individual e colectivo que ocorreu e continua a ocorrer nas diversas civilizações humanas.
Só que isto é pura demagogia; esse é o paradigma das Igrejas que o João fala: não podem acompanhar o progresso para se manterem vivas, mas também não o podem ignorar se não se quiserem tornar totalmente obsoletas! Qual é a solução, então? É manterem uma distancia controlada. Por outras palavras, as Igrejas não acompanham a par e passo o progresso - isso aniquilava-as em três tempos - para manter o mistério e a hipocrisia da superioridade moral, mas fazem-no após um compasso de espera que já tenha provocado outros novos desequilibrios que sustentem a tal superioridade aparente de valores. Tudo isto não seria muito grave se, no processo, não houvessem milhões de pessoas a sofrer as consequências de tamanho absurdo.
Em sociedade, não há valores absolutos, nem tradições inquestionáveis, nem costumes isentos de serem questionados. Só os poderão haver a nível individual e esses dizem respeito a cada um, dispensando as intervenções dogmáticas de líderes espirituais interesseiros que querem a liberdade individual reduzida aos padrões dos elementos de um verdadeiro rebanho. Em democracia, todos temos o direito de ser tresmalhados.
Amigo João,
A sua concepção de religião é sobretudo uma apologia ao retrocesso epistemológico.
você aponta uma série de frases sem sentido nenhum, tenta defender algo e não tem argumentos, apenas diz porque sim. Grande argumento esse!!!
Você diz: “religião católica só tem sentido na Tradição, quando é fiel à tradição milenar, aliada ao Magistério do Santo Padre e às Escrituras, em vez de andar ao sabor das modas”…
Questiono: porque é que a religião católica só tem sentido na tradição?
Como é que um homem (santo padre) pode dizer coisas infaliveis, ou seja, verdade totalmente certas?
As escrituras foram ditadas directamente por Deus? São uma visão neutral e totalmente verdadeira da realidade? por acaso não nasceram num determinado contexto (com certos valores e crenças)???
Como confiar na tradição???
Diz também: “Daí nunca poder revogar os dogmas que define”.
Questiono: se o ser humano é um ser finito, limitado, e ontologicamente carente, então como pode ter ou proferir uma verdade total, absoluta, e totalmente certa?
Temos que ser humildes!!! Ou será que sabemos absolutamente tudo ao ponto de fazer dogmas irrevogaveis?
Ah… se somos finitos e limitados, então, nunca alcançaremos uma verdade absoluta e total. Apenas nos poderemos aproximar relativamente de uma verdade, contudo, nunca a poderemos alcançar. Se conseguissemos alcançar uma verdade absoluta deixavamos de ser humanos para sermos Deus.
Você termina dizendo que: “A Igreja deve ter a coragem de afirmar os seus dogmas, as suas Tradições”.
Questiono: Deve manter tradições que despresam o papel na mulher na igreja? Porque é que as mulheres não podem ser sacerdotizas? porque é que as mulheres não podem ser diaconisas? Nos actos dos apostolos será que não diz que existiam diaconizas? porque é que o celibato tem que ser obrigatório? Pedro afinal não era casado? No evangelho entao não diz que ele tinha uma sogra? Então convem seguir a tradição para uma coisa, e para outras coisas já não convem seguir a tradição, não é???
…
O cristianismo tem como finalidade uma humanidade cada vez mais feliz… e não é para afastar a humanidade com dogmas ou tradições sem sentido!
Uma religião como o João pensa é uma religião apologista do crime de pensar… do crime de o homem ser racional.
Se Deus deu a faculdade da razão ao ser humano (atraves da evolução), porque é que o ser humano não aceita este dom maravilhoso de Deus???
Termino com algumas palavras de John Stuart Mill:
“Por pouco disposta que esteja uma pessoa que tem uma opinião forte a admitir a possibilidade de que a sua opinião seja falsa, tem de ser tocada pela consideração de que por mais verdadeira que seja, se não for frequentemente discutida por inteiro e sem medos, será mantida como um dogma morto, e não como uma verdade viva”…
–
PS - eu sou cristão; mas não sou fundamentalista irracional!
Agnus Deis, eu não concordo com certas posições do João C.. Mas acredito na tradição da Igreja (que é fonte de fé) e na infalibilidade do Papa e dos dogmas.
Acredito, porque sei que embora a Igreja seja constituida por pessoas é guiada pelos Espirito Santo, que actua através dessas pessoas.
Não é Joseph Ratzinger que é infalível em questões de fé. É o sucerros de Pedro, escolhido e guiado pelo Espirtio Santo que é.
Agora como poderemos distinguir uma atitude realizada pela acção do espirito santo e outra acção realizada por mero capricho??? Como sabemos que o papa age sempre pela acção do espirito santo? Não existiram papas que disseram e fizeram barbaridades??? Caro “Z” estás a perceber a dificuldade…? Questiono se alguns dogmas foram feitos por mero capricho (e às vezes politiquice cardinalicia do vaticano) ou se realmente pelo espirito santo?
—
Será que o espirito santo é “machista” para não permitir mulheres diaconisas??? ou será que os homens é que são machistas???
–
Já agora não será mais correcto dizer “indefectibilidade papal” como nos propõe o teólogo Hans Küng, do que “infalibilidade papal”?
(O conceito “indefectibilidade” quer dizer que a Igreja manter-se-á na verdade do Evangelho, apesar dos erros (não sem erros), sempre possíveis).
O Papa é infalível no que anuncia apenas quando fala de questões de Fé e Moral para toda a Igreja. Mais uma vez, fala-se do que não se tem conhecimento.
E nunca disse que a Igreja era contra o progresso e o desenvolvimento. Ela apoia o progresso e o desenvolvimento quando estes não são contrários aos principios morais e éticos que ela sempre defendeu.
“Em democracia, todos temos o direito de ser tresmalhados…” diz o Helder. Bem, numa democracia também há o dever de corrigir os que erram. E mesmo que não houvesse, era nossa obrigação, como católicos, chamar e convidar eses “tresmalhado” ao bom caminho.
Cumprimentos
Agnus Deis, como já disse o João, mas eu reforço, a infalibidade papal é só nas questões de Fé. Por isso o Papa pode errar em muitas outras coisas. Se o Papa disse que amanhã vai nevar, isso não é obrigatoriamente verdade
O Papa não age sempre por acção do Espirito Santo. ´Mas é o Espirito Santo que o escolhe e que guia a Igreja. Por isso, mesmo com os erros dos homens que a constituem, a Igreja mantém-se sempre no caminho do Senhor.
João, tu dizes: “O Papa é infalível no que anuncia apenas quando fala de questões de Fé e Moral para toda a Igreja”.
Agora tens que explicar qual é o mal de eu tomar a pílula??? Será pecado tomar a pílula como afirma a “Humanae vitae”?
Agora se vier um papa nos proximos tempos dizer que a concepção artificial já não é pecado, então está de certa forma a refutar a infalibilidade do papa Paulo VI…
—
Dizes tb: “principios morais e éticos que ela sempre defendeu”. Diz-me que principios morais existiam no século 1 sobre a fecundação “in vitro”? Será que a moral prática (em cada caso concreto) é sempre a mesma ao longo de todos os tempos???
—
Acha que o papa não pode errar necessariamente em questões de fé e moral? qual é a evidência para isso?
errata do post anterior:
Onde se lê “concepção” leia-se “contracepção”.
Olá Helder,
Cá vai.
«De 1 a 10 qual a importância que a religião tem na sua vida?»
10
«Sente que escolheu a sua religião ou que foi a sua religião que o escolheu a si?»
Fui baptizado em criança, logo, fui introduzido pelos meus pais no catolicismo.
Em adolescente, basicamente pude optar pelo rumo que bem entendesse.
Após um costumeiro período de dúvidas adolescentes, durante o qual recusei quase tudo o que me foi ensinado em matéria de religião, e depois de estudo e aprofundamento da fé, optei decididamente pela fé católica.
«Se tivesse que optar entre liberdade religiosa e democracia qual seria a sua opção?»
Liberdade religiosa.
«Com qual das frases mais se identifica:
A minha religião é a única verdadeira
Todas as religiões são verdadeiras, mas culturalmente identifico-me mais com a minha
É irrelevante se as religiões são verdadeiras, o que importa são os valores que estas transmitem »
Não me identifico com nenhuma. Se tivesse que escolher mesmo uma três escolho a primeira. Diria que a minha religião é a mais completa em termos de verdades doutrinais. Outras religiões contêm partes verdadeiras e partes falsas. Todas as outras religiões não conhecem Cristo como Filho de Deus, o que representa uma falha central em termos doutrinários.
A segunda resposta é ilógica, uma vez que há contradições insolúveis.
A terceira resposta é agnóstica, uma vez que não se preocupa com a verdade.
«Escolheu a sua religião pelo que ela oferece ou por ela ser verdadeira?»
Escolhi-a porque, sendo verdadeira, me oferece a verdade. Que é o que eu quero.
«Considera que ser-se religioso contribui para se ser mais bem formado e assim ser-se mais útil à sociedade?»
Sim, sem dúvida. Não diria que é algo necessário para tal, mas contribui certamente.
«Se, por qualquer razão, fosse proíbido exercer a sua religião fá-lo-ia clandestinamente?»
Sim, claro.
«Considera o ateísmo uma religião?»
Não. Considero o ateísmo uma doutrina filosófica.
Um abraço
Caro Helder,
Algumas palavras face à resposta que deu ao João.
Começaria por dizer que subscrevo a totalidade do comentário do João.
«Felizmente, uma vez por outra, lá aparece um daqueles comentários que me faz parar para pensar um bocadinho - não pela originalidade da argumentação - mas por me recordar os perigos que, infelizmente, pensamentos como o seu significam.»
A retórica é bonita: os “perigos” dos crentes que são coerentes.
É uma estratégia com provas dadas: demonizar o crente coerente. O uso do termo “fundamentalismo” também faz parte da estratégia.
«O caríssimo João C. acha, portanto, que a Igreja deve ser cega em relação ao aprofundamento do conhecimento da humanidade, deve ignorar os melhoramentos éticos infligidos nas sociedades e deve fazer tábua rasa de todo o desenvolvimento individual e colectivo que ocorreu e continua a ocorrer nas diversas civilizações humanas.»
Engraçado como o João não disse nada disto. Esta frase, Helder, é claramente “non sequitur”. De onde é que isto vem?
É como se o João dissessse “A”, e o Helder dissesse “Então, o João acha mesmo que B…”.
«Só que isto é pura demagogia; esse é o paradigma das Igrejas que o João fala: não podem acompanhar o progresso para se manterem vivas, mas também não o podem ignorar se não se quiserem tornar totalmente obsoletas! Qual é a solução, então? É manterem uma distancia controlada. Por outras palavras, as Igrejas não acompanham a par e passo o progresso - isso aniquilava-as em três tempos - para manter o mistério e a hipocrisia da superioridade moral, mas fazem-no após um compasso de espera que já tenha provocado outros novos desequilibrios que sustentem a tal superioridade aparente de valores. Tudo isto não seria muito grave se, no processo, não houvessem milhões de pessoas a sofrer as consequências de tamanho absurdo.»
Que grande confusão, Helder.
O ponto nevrálgico é a disussão entre progresso e verdade. Para mim, “progresso” é andar para a frente. Surge uma pergunta: para a frente é melhor? O simples decorrer positivo do tempo é uma garantia de melhoria? Nunca entendi esta lógica. O andar dos ponteiros do relógico para a frente é suficiente, repito, SUFICIENTE, para nos dizer que estamos a progredir em verdade? Não há conhecimento que se perca?
Os problemas científicos de um arqueólogo são suficientes para vermos que o conhecimento se perde. A ciência moderna não vive sem tradição. O “peer review” de um artigo científico é pura tradição em acção. O respeitar das regras da lógica e da matemática é puro dogmatismo axiomático.
«Em sociedade, não há valores absolutos, nem tradições inquestionáveis, nem costumes isentos de serem questionados.»
A frase é bonita: mas vem de onde? Onde está a prova disto?
Aliás, a frase é um puro disparate, desmentido pelo dia-a-dia.
A vida não é um valor absoluto? Não temos direito a viver? A verdade não é um valor absoluto? A justiça? O bem?
O Helder não se acha um democrata? Se se acha, então considera a democracia uma verdade indiscutível. Logo, acabou de se contradizer.
«Só os poderão haver a nível individual e esses dizem respeito a cada um, dispensando as intervenções dogmáticas de líderes espirituais interesseiros que querem a liberdade individual reduzida aos padrões dos elementos de um verdadeiro rebanho. Em democracia, todos temos o direito de ser tresmalhados.»
Cristo não diria de forma diferente. Nenhum Papa discordaria. O direito a errar é indiscutível.
Isso não impede que se tente evitar a perda de ovelhas do rebanho. O bom pastor não quer que a ovelha se perca, senão o risco é a morte. A forma como o Helder demoniza a pastorícia, pelo sinal negativo que dá à palavra rebanho, mostra que nunca ponderou sobre o simbolismo potente do Bom Pastor: é aquele que protege as suas ovelhas, o seu bem mais precioso, dando até a vida se necessário.
Peço-lhe, Helder, que dedique um pouco mais de esforço a procurar refutar de forma argumentada as ideias católicas, evitando a demonização fácil do adversário. Eu também poderia dizer que o Helder estava errado porque as suas ideias me dão arrepios. Posso ainda dizer que o pensamento do Helder é “perigoso”. Isso leva-me onde?
Uma última palavra para os católicos que gostam de parecer modernos e de insultar os que permanecem fiéis à doutrina…
Para mim, só há católicos, os que são fiéis à doutrina. Revejo-me na posição do João C., e nalgumas (mas não todas) posições de outros católicos que comentaram atrás. Não sei o que é um “católico fundamentalista”. Não percebo sequer o conceito.
Para mim, ser católico é professar a doutrina católica. É ser coerente. O resto são pevides.
Um abraço,
Bernardo
Bernardo,
De facto, é notória a “ditadura do relativismo”, como diz Bento XVI, em que vivemos hoje em dia. Nada mais é considerado absoluto. É tudo relativo. No entanto, ao defender este relativismo, entra-se em contradição, porque negando a verdade absoluta, até a própria afirmação deles é relativa…em que ficamos?…
E, na verdade, o conceito de Católcio não precisa de adjectivos. Não é preciso chamar de Católicos fundamentalistas modernistas, liberais ou coisa que os valha… Apenas se é Católico, conhecendo a Doutrina Sagrada e professar essa mesma fé de modo coerente. Sou apenas Católico Apostólico Romano e para mim basta, pois esta tudo definido
Um abraço
Como são parecidas as respostas daqueles que crêem ! .. E ainda dizem que o ateísmo é dogmático
Alexandre, antes ser dogmático, firme e coerente com o que se defende do que andar “ao sabor da maré”, no contexto de ditadura do relativismo que os ateus defendem…
Caro João C.,
Tão jovem e já tão desejoso do “Fim da História”?
Como é que acha que aprendemos as coisas na (e da) vida?
Mantendo dogmas à la carte de forma firme e “coerente”?
Ou será talvez andando ao “sabor da maré” que passamos a estar mais atentos às novidades, aptos e capacitados para as digerir, e talvez até tropecemos em algumas por nossa própria conta?
«Aconselha-te junto de quem tem dúvidas e desconfia de quem tem certezas.»
(Citação de um escritor francês… de que agora não me lembro o nome)
Para compensar, tenho aqui outras das quais sei o autor:
«É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos»
Autor: Orson Welles
«Dúvidas tornam as pessoas sábias»
Autor: Textos Judaicos Fonte: “Midrash Shmuel
«Não há progresso se este não surgir através das dúvidas»
Autor: Textos judaicos: Fonte: Pensamento hassídico
Talvez já aprecie mais esta:
«Deus é o único ser que, para reinar, nem precisa existir»
Autor: Charles Baudelaire
E esta, a avaliar pelo que afirma, deve ser das suas favoritas:
«Se duvidas, cala-te»
Autor: Zoroastro
Cumprimentos
João C.,
O que é hoje errado sempre foi. A escravatura ou discriminação das mulheres sempre foram erradas, a mentalidade das pessoas é que evolui ao longo dos tempos. Graças a essa “ditadura do relativismo” que estas e outras coisas horríveis desapareceram. Aliás existe outro nome para a “ditadura do relativismo”: democracia. Em muito melhor que a ditadura do dogmatismo.
A verdade é sempre a mesma obviamente, mas será que a “verdade” de alguma religião é a correcta?
Tudo é relativo. Mentir é sempre errado? Mesmo quando for para salvar vidas? E o aborto é sempre condenável? Mesmo que a vida da mãe (e do filho) estejam em risco? Não se pode aplicar a mesma “verdade” a todos os casos.
A prisão é uma simples evolução desde os tempos em que se apedrejava até à morte. Mas isso ainda acontece isso em certos países guiados pela ditadura do dogmatismo (teocráticos). Curioso…
1) De 1 a 10 qual a importância que a religião tem na sua vida?
10
2) Sente que escolheu a sua religião ou que foi a sua religião que o escolheu a si?
Foi e é uma escolha livre da minha parte, sujeita ao contexto cultural em que me encontro, por isso, o que “sinto” é que a resposta a esta pergunta compõe-se de um misto de ambas as hipóteses. Porém, com a maturidade na união e relação com Deus fui-me apercebendo que é uma escolha que faço cada vez mais com base na experiência humana de Deus no concreto do quotidiano.
3) Se tivesse que optar entre liberdade religiosa e democracia qual seria a sua opção?
Não vejo em como possam ser alternativas.
4) Com qual das frases mais se identifica:
X A minha religião é a única verdadeira
X Todas as religiões são verdadeiras, mas culturalmente identifico-me mais com a minha
X É irrelevante se as religiões são verdadeiras, o que importa são os valores que estas transmitem
Na verdade não me identifico inteiramente com nenhuma, por isso selecionei todas e adiciono estas notas. Na primeira frase: sei-o por experiência de vida, mas isso não implica que as restantes religiões não contêm algo de verdade (dimensão pessoal da identificação). Na segunda frase: todas as religiões são fruto da relação entre o natural e o transcedente, entre o humano e o divino, logo, existem verdades comuns quem tornam o diálogo inter-religioso possível (e.g. Regra de Ouro - dimensão tolerante da identificação). Na terceira frase: não diria “irrelevante”, mas “Independentemente se as religiões…, importa muito os valores…” (dimensão ética da identificação).
5) Escolheu a sua religião pelo que ela oferece ou por ela ser verdadeira?
Escolhi pelo que oferece e por ser verdadeira, mas reduzir essa escolha apenas a estes dois motivos seria pobre. Existe oferta e verdade contidas na experiência religiosa no quotidiano, mas existem também outras razões que me levam à escolha.
6) Considera que ser-se religioso contribui para se ser mais bem formado e assim ser-se mais útil à sociedade?
Considero que sim, mas considero que a ausência da dimensão religiosa não é impedimento para que uma pessoa de convicções não religiosas seja bem formada e dê um contributo positivo à sociedade.
7) Se, por qualquer razão, fosse proíbido exercer a sua religião fá-lo-ia clandestinamente?
É possível, mas reconheço que seria uma crise-oportunidade de aprofundar a união com Deus como nunca, porque na proibição veria uma oportunidade de juntar o meu silêncio ao silêncio de Deus. Porém a religião não se exerce, ou seja, não é um exercício, mas sim uma experiência de vida. Como Católico acredito em Deus-Amor, logo, se amar estou em Deus, se fôr amor estarei em comunhão com Deus. Duvido que seja alguma vez possível proibir de amar.
Não, mas há quem o viva de forma religiosa.
Nota: onde está
deveria estar 8 )