Os Feriados Religiosos

Se há coisa de que me posso orgulhar é do facto de às vezes conseguir que até os ateus discordem de algumas das minhas posições no que toca a assuntos como a defesa da laicidade do estado, por exemplo.

Isto a propósito de querer relançar a discussão sobre uma matéria que abordei por três ocasiões durante o ano transacto no meu blog pessoal (aqui, aqui e aqui) sobre feriados religiosos.

Vejamos, então, os feriados nacionais para 2008:

Agora, adicionemos um feriado municipal que, salvo raríssimas excepções, também se encaixa no formato do feriado religioso e facilmente se constata que qualquer cidadão português beneficia de oito(!) feriados religiosos por ano!

Que justificação poderá existir para que um Estado com uma Constituição supostamente laica se permita esta enormidade? Independentemente da questão da produtividade, que lógica sustenta esta opção? Sinceramente, só encontro a resposta do hábito, da tradição… Mas, como sabemos, hábitos e tradições nem sempre transportam consigo os valores mais recomendáveis.

O único argumento sustentável que parece existir é o argumento da maioria. Mas, num Estado laico, esse argumento morre à nascença.

Por outro lado, quantos dos ditos crentes celebram de facto esses feriados enquanto celebrações religiosas? Serão estas celebrações descriminadas no calendário dos feriados para satisfação principalmente dessa espécie de potencial poder-sombra chamado clero? Se sim, então, estamos mal e temos ainda um grande caminho pela frente para atingir de facto a apregoada laicidade do Estado.

Gostava de conhecer a opinião dos nossos leitores, ateus e crentes sobre esta matéria. Acho que com este artigo vou conseguir que uma parte consideravel quer de uns, quer de outros, concorde em que qualquer desculpa é válida para passar umas horas à sombra da bananeira.

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