Se há coisa de que me posso orgulhar é do facto de às vezes conseguir que até os ateus discordem de algumas das minhas posições no que toca a assuntos como a defesa da laicidade do estado, por exemplo.
Isto a propósito de querer relançar a discussão sobre uma matéria que abordei por três ocasiões durante o ano transacto no meu blog pessoal (aqui, aqui e aqui) sobre feriados religiosos.
Vejamos, então, os feriados nacionais para 2008:
Agora, adicionemos um feriado municipal que, salvo raríssimas excepções, também se encaixa no formato do feriado religioso e facilmente se constata que qualquer cidadão português beneficia de oito(!) feriados religiosos por ano!
Que justificação poderá existir para que um Estado com uma Constituição supostamente laica se permita esta enormidade? Independentemente da questão da produtividade, que lógica sustenta esta opção? Sinceramente, só encontro a resposta do hábito, da tradição… Mas, como sabemos, hábitos e tradições nem sempre transportam consigo os valores mais recomendáveis.
O único argumento sustentável que parece existir é o argumento da maioria. Mas, num Estado laico, esse argumento morre à nascença.
Por outro lado, quantos dos ditos crentes celebram de facto esses feriados enquanto celebrações religiosas? Serão estas celebrações descriminadas no calendário dos feriados para satisfação principalmente dessa espécie de potencial poder-sombra chamado clero? Se sim, então, estamos mal e temos ainda um grande caminho pela frente para atingir de facto a apregoada laicidade do Estado.
Gostava de conhecer a opinião dos nossos leitores, ateus e crentes sobre esta matéria. Acho que com este artigo vou conseguir que uma parte consideravel quer de uns, quer de outros, concorde em que qualquer desculpa é válida para passar umas horas à sombra da bananeira.
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Já escrevi sobre isto.
Grande parte dos católicos prefere a praia às celebrações religiosas. Vê-se isso pela taxa de ocupação no Algarve em Março/Abril.
O dia de Todos os santos, imaculada conceição, corpo de deus e a assunção de Nossa senhora são ridículos como feriado. Os restantes, nomeadamente o Natal, já são mais concensuais.
Claro que quem o queira tem todo o direito a celebrar, mas tirando um dia ou mais de férias do seu trabalho, nunca obrigando o país a parar. E que tal um referendo de modo a se instituir como feriado outros dias?
http://evilbrutalis.blogspot.com/2008/05/um-pas-que-se-diz-laico-no-pode-ter.html
O Estado é Laico as pessoas não… salvo erro, o Hélder se quiser também pode fazer o Dia do Ateu, bastanta reunir uma determinada percentagem da população… mas isso o Manuel Lopes deve saber melhor que eu.
Hmmm…em primeiro lugar, posso discordar da frase de entrada para o artigo:
“Não está nada mal, se acharmos que qualquer desculpa é válida para passarmos umas horas à sombra da bananeira”.
Não vejo qual o mal em passar umas horas à sombra da bananeira mesmo sem qualquer desculpa «válida»: quem souber aproveitar bem essas horas de banananço, pode cultivar o espírito ou o corpo – duas coisas cada vez mais negligenciadas na espécie lusa ou então, porque não simplesmente vegetar? Só tenho pena de não viver numa sociedade hindu: que belos meses de férias à conta do Ganesh & Comp. Ilimitada…
Quanto aos feriados religiosos tugas, não me importo que existam e se os cristãos quisessem, até podiam arranjar mais. Não penso que o problema esteja aí; talvez o problema resida na inadequação com que o nosso sistema económico e laboral faz a gestão desses dias. Por exemplo, quando há feriado, toda a carneirada vai de férias; se se mantivesse o feriado em simultâneo com a opção do seu cumprimento (quem quisesse ía comemorar os santinhos – com o devido desconto do dia – e quem quisesse, ficava a trabalhar), existiria algum inconveniente? (ponham-se na pele de um monárquico por exemplo: acham que o desgraçado comemora o 5 de Outubro? Ou ponham-se na pele de um gajo como eu por exemplo: acham que consigo comemorar o 1º de Dezembro? Lol…estou a brincar, estou a brincar….).
Com este método, até se poderiam arranjar muitos mais feriados (por exemplo, um feriado a comemorar a criação da AAP!). O problema parece ser só um: quem fosse muito dado a comemorações, poderia ter uma surpresa desagradável no recibo de vencimento ao final do mês.
Neste caso, não penso que o problema seja religioso. Penso é que o nosso sistema económico e laboral é demasiado monolítico para encarar situações de flexibilidade deste género.
Vivam os feriados e viva o banananço!
Ricardo, a maior crítica que tenho a fazer é a do uso da expressão “feriados religiosos”, quando o problema reside no facto de serem feriados católicos. Mesmo a única celebração não proveniente do catolicismo está neste momento apinhada em cristianismos, o Halloween, inclusivé chamado de Dia das Bruxas, evolução com muitas mitologias cristãs do festival celta de passagem de ano e comemoração da memória dos antepassados, Samhaim. Mesmo com a carga cristã envolvida, os festejos do Halloween ainda existem sem serem um feriado, e na minha opinião possuem muito mais razão de existência por invocarem valores humanistas e alegria Humana genuína, ao contrário dos feriados católicos atribuidos a amigos imaginários e a virgens com filhos, uma gigantesca palermice. A questão de paralisação também é pertinente, aquando da festa católica do Natal vejo-me em enormes dificuldades para arranjar um sítio para tomar um café e beber um copo.
Uma proposta fantástica sobre esta mesma temática é a do calendário Sexagesimal, que retira factores arbitrários e numerações não-universais e fornece uma hipótese de um calendário universal com festividades coincidentes com eventos astronómicos, equinócios e solstícios. Dentro da proposta de calendário, aqui fica a hipótese de dias adventícios:
- bacanal (dia de Baco, festa dos namorados, último dia do Carnaval, correspondendo ao dia 19 de Fevereiro actual),
- ceres (dia de Ceres cujo nome é aparentado às palavras crescimento e criação, festa do renascimento da natureza, 21 de Abril),
- música (festa da música, 21 de Junho),
- liber (dia do livro, festa da expressão escrita sob todas as formas, 21 de Agosto),
- memento mori (dia dos mortos, festa dos antepassados, 21 de Outubro),
- sext (dia sexto regressando todos os quatro anos pelo 21 de Dezembro).
http://www.sexagesimal.org
O 25 de Dezembro não é religioso, eu celebro o dia de troca de prendas (fica assim com este nome para não complicar).
Agora que os cristão se tenham apropriado do dia da troca de prendas e posto lá o nascimento de cristo azar o deles, o dia é o “Dia da Troca de Prendas” ou podia ser o “Dia após a Noite da Troca de Prendas”
Portugal continua e continuará, se Deus o quiser, com uma forte Tradição Católica. É nosso desejo que o nosso país assim mantenha este dogma da Fé (e manterá certamente, pois Nossa Senhora assim o predisse em Fátima nas palavras que inicam a 3ª parte do Segredo).
A nossa Padroeira é a Mãe de Deus e Mãe nossa e não deixará os seus filhos abandonados, intercedendo junto do para que a Tradição e Fé Católica prevaleça sobre as manhas do ateímo, do materialismo e do relativismo. O tempo é deles, mas virá o dia que triunfará o Criador e aí, todos nos prostaremos para O adorar.
É uma questão que também recentemente estava a ponderar.
Realmente num estado laico é muito mau haver tantos feriados religiosos.
As pessoas não precisam de estar sem trabalhar em dias como o “de todos-os-santos”. Era mesmo necessário?
Porque não fazer um feriado para cada uma das religiões, já agora? (dava-me jeito)
Isto é mau para o país, já não basta o facto dos portugueses serem perguiçosos e fecharem os establecimentos 10 minutos antes da hora, e ainda temos estes feriados todos, a maioria dos quais feriados católicos.
Space eye. Não leu o que foi escrito acima? Quer fazer um feriado Hindu, informe-se dos requisitos e siga em frente.
O estado ser Laico significa que se os Hindus conseguirem hipoteticamente esses requisitos terão o direito ao feriado tão facilmente como os Católicos.
Agore lembre-se estado Laico mas também democrático.
Cumprimentos
Estado*