Dose dupla das Arábias

No clip abaixo podemos ver a história de uma mulher Saudita, Waheha Al-Huwaider, que colocou um clip dela própria a conduzir um carro nas ruas de Riade, algo que é proibido pelas leis desse país, no YouTube. As mulheres não têm autorização para conduzir carros, e se se quiserem deslocar, ou um homem da família tem de as levar, ou têm de alugar um táxi.

A peça da CNN é bem intencionada e com um bom retrato da sociedade Saudita e da luta pela libertação das mulheres de certas imposições que resultam do Whabismo.

Mas, a um certo momento, o jornalista de nome Willf Dinnick diz: “se haverá algo que pode ajudar as mulheres a ganharem o direito de conduzirem é a o impacto económico que daí resultaria, uma vez que quando as mulheres poderem conduzir, o número de carros vendidos irá aumentar”.

Wait!!! What?!?!

É por causa do dinheiro da venda de carros que as mulheres podem ter começar a ter os mesmos direitos que os homens em relação poderem ter uma vida autónoma e independente??! E que tal como razão… oh, o facto de SEREM IGUAIS AOS HOMENS NOS SEUS DIREITOS?!?

Are you freaking kidding me!!??

Estamos, como sociedade, tão condicionados a pensar nas coisas em termos relativos que já perdemos a vista a certos absolutismos que têm de existir em sociedades democráticas, plurais e progressistas?

Os benfeitores das minorias vão deixar de ser a ONU ou a UNESCO, e vão passar a ser a BMW e a Mercedes. Ridículo!!

A segunda notícia que vem da Arábia Saudita parece uma peça dos Gato Fedorento (e uso este exemplo por causa de ter um animal no nome do grupo de cómicos).

“Todos os homens sabem: passear um cão num parque é uma maneira de atrair mulheres. Por causa disso, a polícia religiosa islâmica da Arábia Saudita, no seu zelo de tentar manter os membros de sexos opostos separados, quis se assegurar que essa técnica não pode ser utilizada nos parques de Riade.

A solução, banir a venda de cães e gatos como animais de estimação, e proibir o seu passeio em público.

Ver aqui.

Não, não é uma brincadeira. Parece, mas não é.

Outros artigos relacionados:

  1. Um olho chega
  2. É um começo, principalmente bem vindo.
  3. Este dia não chega à Arábia Saudita
  4. Porcos e macacos… mas dentro do seu contexto
  5. A opinião de Johann Hari (parte 1)