A opinião de Johann Hari (parte 1)

Johann Hari, um jornalista vencedor de vários prémios de jornalismo, e que escreve para jornais como o Independent, o New York Times, o Los Angeles Times, o Le Monde, o Le Monde Diplomatique, o The New Republic, entre outros, deixou aqui uma opinião sobre como derrotar o extremismo muçulmano.

Deixo em duas partes algumas das suas ideias.

“O relatório da “Ameaça Terrorista” da última quinta-feira continha uma ameaça de um grupo de quatro jovens muçulmanos de Leeds, Yorkshire e Aylesbury. Suicícdio bombista é algo que normalmente é associado com campos de refugiados em Gaza, ou com os mercados de Bagdad (…). Mas neste caso, esta história está repleta de clichés e “postais Ingleses”: jovens que gostam de ver cricket, que trabalham em lojas de fish and chips, amigos que os descrevem como “de confiança”, e com ideias de fazer rebentar um autocarro de dois andares em Londres.

Estes homens não são pobres, nem perseguidos, não são pessoas que sofrem humilhações pessoais. Para encontrar a explicação do porque estas pessoas que vivem nestes meios suburbanos pensarem e agirem desta maneira temos de entender o poder extraordinário e tóxico de ideias políticas. Para encontrar soluções eficazes temos de entender que esta luta contra os muçulmanos extremistas não pode ser ganha simplesmente com meios militares ou policiais. É também uma batalha de fazer desacreditar uma ideologia.”

Parte 1.

“Uma forma realista de despoletar a “bomba relógio” do jihadismo é combater o seu desprezo pelas mulheres. Todos os jihadistas que conheci, desde Gaza até Finsbury Park, são defensores acérrimos de misoginia e repressão sexual, resultado da sua convicção da inerente inferioridade e fraqueza das mulheres. Se nunca falou com um extremista muçulmano é difícil entender o quanto eles são obcecados por um apartheid sexual.

Uma das formas possíveis de minar a confiança dos jihadistas é iniciar uma rebelião de mulheres muçulmanas: as suas próprias mulheres, filhas e irmãs. Quando as mulheres islâmicas são livres para combater os extremistas elas mostram uma incrível tenacidade e força intelectual. No Iraque, protestos em massa por mulheres conseguiram impedir a introdução da lei sharia em 2003. Na Europa e USA, mulheres corajosas como Irshad Manji, Yasmin Alibhai-Brown e Ayaan Hirsi Ali, são vozes com impacto na questão muçulmana da libertação das mulheres.

Os fundamentalistas sabem que “feminismo islâmico” é uma grande ameaça para o seu futuro. É por causa disso que no Iraque, a “resistência” tem sistematicamente perseguido e assassinado as líderes de organizações defensoras dos direitos de mulheres muçulmanas.

Quando a “Reforma Islâmica” chegar, ela estará banhada em estrogénio.”

Domingo, a segunda parte deste artigo.

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