Porquê o mal, se existe Deus?

Por Ricardo Silvestre • 5 Ago, 2008 • Categoria: Direito de Resposta

De Domingos Faria:

“Olhando para o mundo poderemos exclamar sem receio: o mal existe! Deparamo-nos com «mal moral» e «mal natural». Mas, porque é que existe o mal? Se existe Deus, então, porque permite todo o mal e sofrimento? Se Deus é o criador do universo porque é que o criou com tanta imperfeição e mal? Deus não poderia criar um universo melhor?

Um Deus omnipotente (pode fazer tudo) e sumamente bom certamente teria evitado todo o mal e sofrimento. Então, se existe sofrimento e mal, porque é que Deus (omnipotente e bom) o permite? Será que Deus é sumamente bom, mas não é omnipotente, e assim não é capaz de eliminar o mal? Ou será que Deus é omnipotente, mas não é bom, e desta forma possibilita o mal? Ou, então, será que “a única desculpa de Deus em face do mal e do sofrimento só poderia ser a Sua inexistência”?

É um problema relevante, pois, a existência do mal, a atitude de concebermos Deus como omnipotente, omnisciente e sumamente bom, e o facto d’Ele não impedir o mal, poderá conduzir ao ateísmo, ou à crença que existe um deus ex machina que não se interessa pelo universo.

Pretendemos defender que o mal não nega a existência de Deus, mas poderá ajudar a purificar a imagem que temos d’Ele. Consideramos que toda a vida é manifestação de Deus amor.

Pensamos que o mal poderá começar a ser inteligível dependendo da imagem que temos de Deus. Talvez ainda existam muitos essentes (seres finitos) humanos que “se consideram possuidores de uma visão total, coerente e integrada de Deus, do universo e da vida, não tendo portanto quaisquer dúvidas sobre o quer que seja”, acreditando em dogmas rigidamente formulados sem hipótese de serem discutidos criticamente. Até podem chegar a conceber Deus como ditador, empresário, polícia, tapa-buracos, violador, alienante, castrador, bombeiro, negociante… Não conseguiremos uma inteligibilidade do mal se tivermos uma imagem de Deus como as que salientamos, ou se concebermos também um “Deus que faz tudo, em que o mundo é o seu teatro de marionetas, tudo dança ao som da sua música. Assim, tudo não passa duma peça que Deus escreveu ao longo da eternidade”.

Tendo em conta todos os atributos mencionados, e atendendo ao próprio paradoxo lógico de se afirmar a omnipotência e a bondade infinita de Deus que parece contradizer a existência do mal, certamente isto tem constituído a razão da famosa declaração nietzchiana da “morte de Deus”, à qual estamos condenados a não ouvir mais nada para lá do ruído dos coveiros que enterram Deus. Para muitos as experiências de mal são de um modo totalmente gratuito e Deus parece manter-se de tal forma indiferente a isso (apesar dos atributos de omnipotência e bondade) que só poderá levar à afirmação da “morte de Deus”.

Mas, parece que todas estas acepções do divino são expressões ampliadas do essente humano; atributos que estão presentes em muitas relações do nosso mundo, e que são projectados de um modo infinito em Deus; ou como radicalmente afirma Block no filme Sétimo Selo: “há que criar uma imagem do nosso medo e chamar-lhe Deus”.

Assim, a “morte de Deus” parece-me ser não a eliminação do Ser-Absoluto, mas sim a aniquilação da antropomorfização do divino; ou seja, é a eliminação das formas e atributos sempre restritos que o homem dá a Deus. Deste modo, consideramos que a problemática do mal não pode ser aproximadamente entendida num horizonte de “morte de deus”, nem de antropomorfização de Deus, mas apenas num horizonte onde temos uma imagem mais purificada daquele Ser-Absoluto que nem sequer tem nome e que nós normalmente nomeamos por Deus.

Contudo, é impossível sair do nosso contexto, cultura, linguagem, e situação espacio-temporal. Todas as razões que se apresentam acerca do Ser-Absoluto (que é trans-espacio-temporal) são sempre com uma linguagem espacio-temporal. Assim, poderá existir o perigo de reduzir o Ser-Absoluto às nossas categorias contingentes e finitas, e por conseguinte levar a mais mortes de deus. Isto não quer dizer que não se pode falar acerca do Ser-Absoluto, mas verdadeiramente só o é possível num horizonte de analogia.

Pensamos que Nicolau de Cusa pode ajudar-nos a purificar a imagem do Ser-Absoluto. Para este filósofo e teólogo as distinções, o pensamento que compara, são um pensamento da realidade finita; mas, a verdadeira sabedoria consiste em termos conhecimento da nossa ignorância, dos limites do nosso conhecimento (douta ignorância). Temos que reconhecer que nunca sabemos tudo, que nunca vamos conhecer de modo perfeito, pois, as nossas medidas habituais passadas ao infinito deixam de fazer sentido, existe uma relatividade nas nossas distinções. O Ser-Absoluto (verdade absoluta e essência de todas as coisas) não nos é acessível, apenas nos podemos ir aproximando. Ser-Absoluto “é a mesma verdade inefável”. Deste modo, do Ser-Absoluto poderemos dizer mais facilmente aquilo que ele não é, do que aquilo que ele é (teologia negativa). Ao pensar o Ser-Absoluto tocamos no enigma do totalmente outro. O Ser-Absoluto “está para além de todas as coisas”, sendo a coincidência e a superação dos opostos, e simultaneamente a razão de todos os essentes. Assim, perante o Ser-Absoluto e uma possível inteligibilidade do mal, consideramos que a razão toca nos seus limites.

Inserindo-nos, então, num horizonte de analogia poderemos percepcionar que “o Ser-Absoluto é necessário não primordialmente porque só por ele se podem explicar os outros seres mas porque ele mesmo, por mais filosoficamente misterioso que nos pareça, não pode deixar de ser”. Do mesmo modo, se o Ser-Absoluto é aquilo que nada falta, perfeição plena, então é impossível postular outra plenitude igual, ou ser causado por outro; então, tudo o resto só pode ser contingente e finito perante a plenitude do Ser-Absoluto.

Para evitar equívocos antropomórficos, Júlio Fragata concebe a acção criativa (sinal de bondade e amor) do Ser-Absoluto não como uma actividade produtiva, induzida, deduzida, reduzida, que são próprias dos essentes. “Deus, propriamente, nada produz mas tudo «duz»”. A actividade «dutiva» do Ser-Absoluto não é menos profunda e fundamental; «dução» “que implica a origem do mundo a partir da potencialidade livre do Ser-Absoluto. (…) [E] é sobre este fundo bondoso desta causalidade dutiva que se torna possível qualquer índole de causalidade mútua entre os essentes e em especial a causalidade produtiva”. Assim, os essente só são na medida em que derivaram do Ser-Absoluto. Então, por um lado, cada essente é em relação ao Ser-Absoluto. Mas, por outro lado, cada essente só é também (na relação) com os outros essentes.

Esta relação do essente com o Ser-Absoluto e com os outros essentes implica, segundo Júlio Fragata, três princípios: interioridade, exterioridade, e totalidade, (ou princípio de Sistência, de Ex-sistência, e de Consistência). Deste modo, em primeiro lugar, “um essente só é na medida em que se assemelha ao ser mesmo, mantém com ele uma unidade, uma intimidade, uma interioridade que o singulariza”. Mas, “o essente não só deriva do ser mesmo, estando configurado por ele, mas distingue-se dele”; assim, o essente é exterior ao Ser-Absoluto e aos outros essentes, para ser ele mesmo. Por fim, a “interioridade e exterioridade só são concebíveis numa unificação de totalidade”.

Pensamos que o princípio da exterioridade (ou ex-sistência) é a fonte do livre-arbítrio (sempre relativo) dos essentes. Assim, podemos constatar que a actividade «dutiva» do Ser-Absoluto não obriga a um plano determinado (só interioridade ou sistência), mas conduz os essentes à efectivação/escolha de diversas possibilidades (livre-arbítrio).

Nesta perspectiva, na qual o Ser-Absoluto tem “desígnios de amor para com o mundo que continuamente acalenta em actividade dutiva”, só poderemos considerar que o Ser-Absoluto é amor. Pois, a vivência do amor verdadeiro “exige deixar-me ser-para-o-outro e deixar o outro ser-para-mim”. Então, se o Ser-Absoluto é realmente amor não poderia obrigar o essente a ser necessariamente para o Ser-Absoluto, para o bem ou amor; pelo contrário, deixaria o essente ser ele mesmo. Se o Ser-Absoluto impedisse o essente de ser ele mesmo tal qual é, estaria de certa forma a objectualizar o essente. Ora, como o Ser-Absoluto «duziu» uma liberdade relativa para o essente, deixando-o ser; então, o Ser-Absoluto só pode ser amor.

Este desígnio de amor do Ser-Absoluto certamente consistiu em «duzir» essentes simples (que se orientam relativamente por si mesmos), e que portanto podem evoluir para essentes mais complexos e passíveis de ter consciência. De um modo análogo, cientistas (da Inteligência Artificial) defendem que se queremos realmente que uma máquina seja livre e autónoma, e não um mero programa de computador, temos que a “soltar” de um modo semelhante ao que o Ser-Absoluto usou com os essentes. Pois, só quando um criador deixou de controlar de certo modo o sistema é que se pode considerar que este tem livre-arbítrio. Assim, o Ser-Absoluto não poderia programar em detalhe; teria que usar algo parecido com a evolução, porque só isso coloca entre as intenções dos essentes e as do Ser-Absoluto distância suficiente para que os actos sejam realmente livres.

Do mesmo modo, Jurgen Moltmann considera que o Ser-Absoluto tinha que usar a evolução para criar vida inteligente. Deste modo, a evolução resultou numa ferramenta perfeita para ele criar essentes capazes de pensar, de aprender, e de terem uma liberdade consciente.

Contudo, o mal é uma possibilidade constante num cosmos em evolução. Júlio Fragata diz-nos que “no mundo em evolução, como já salientou Teilhard de Chardin, o avanço implica sempre renúncias dolorosas”. O grande problema da inteligibilidade do mal é termos a imagem de um Ser-Absoluto antropomórfico. Então, “se consideramos a acção de Deus no mundo como produtiva, torna-se muito difícil eximir Deus de certa interferência, pelo menos «permitiva», dos males que acontecem no mundo”. Contudo, a acção do Ser-Absoluto não é produtiva, mas «dutiva» de essentes livres; assim, são os essentes (e não o Ser-Absoluto) que produzem o bem e o mal nas suas possibilidades. Desta forma, “não pensamos correctamente quando imaginamos que Deus, na sua bondade omnipotente, deveria orientar tudo para que o mal fosse suprimido do mundo”.

Perante a concepção do Ser-Absoluto como um ser trans-espacio-temporal, e tendo também em conta a nossa condição de essentes em evolução, consideramos que talvez teremos um melhor conhecimento do Ser-Absoluto.

A omnipotência divina tem que ser um conceito reformulado. Vários autores já começaram a repensar o conceito de omnipotência o qual não entra em contradição com a possibilidade do mal: Moltmann defende que o Ser-Absoluto já não é omnipotente, já não é omnisciente, mas encontra-se à nossa espera, cheio de expectativas. É portanto melhor falar de um Ser-Absoluto expectante do que um rei todo-poderoso que está no céu. A parábola do filho pródigo é um bom exemplo disto. Alfredo Dinis pensa que a omnipotência divina “só pode ser bem entendida se for contextualizada numa realidade feita de relações interpessoais no interior das quais Deus pode criar seres dotados de tanta autonomia e responsabilidade quanto lhe permitir a sua natureza”. Para Joseph Ratzinger só fica claro o que quer dizer omnipotência “quando se chega às condições do presépio e da cruz. Só aí, quando o Deus professado como Senhor do Universo assume a impotência extrema de entrega à menor das suas criaturas, é que pode ser formulado, na verdade, o conceito cristão de Deus que é o Senhor de tudo”. Por fim, Júlio Fragata considera que a omnipotência divina consiste “em poder duzir os acontecimentos do mundo, mesmo as nossas maldades, de tal maneira que tudo resulte finalmente, dum modo embora misterioso (….), em maior bem do universo”.

Segunda as nossas crenças de controlo Deus amor «duz» essentes num processo evolutivo para que (livremente) se tornem eles próprios; para isso, o cosmos avança por tentativas implicando, de certo modo, a possibilidade do mal. Porém, os essentes que se tornaram mais complexos e conscientes poderão evitar muito mal se não se deixarem guiar pelo egoísmo; mas, pela consciência que só são com o outro, podendo também desenvolver estudos e técnicas para evitar possíveis males naturais que afectem outros essentes devido ao cosmos em evolução.”

Pode ler o artigo completo com notas de rodapé e bibliografia aqui

Domingos Faria
www.domingosfaria.net

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89 Respostas »

  1. Começo eu.

    Se o ser-absoluto é “amor”, e como prova desse amor deixa os essentes serem eles próprios (sendo assim que o essente não tem necessariamente de viver em função do ser- absoluto e não tendo de ser objectualizado), não está justificada a opinião que esse “amor” é no mínimo “incompreensível”? Se o ser-absoluto faz a prova suprema do seu amor deixando os essentes optar qual o caminho que querem percorrer, “ele” saberá (inevitavelmente) que essa “prova de amor” pode ser perder na consequência desse livre-arbítrio. Se, por causa dessa escolha, o essente decidir fazer o mal, e com isso ser odioso (e provocar miséria noutros) não foi uma má escolha por parte do ser-absoluto dar essa escolha ao essente? Não só a mensagem de amor não é concretizada, como o somatório de todas essas escolhas de todas essas pessoas acumulam demasiada infelicidade e injustiça num mundo que… se quer bondoso.

    Mas fico satisfeito que certos conceitos (leia-se dogmas) estão a começar a ser repensados pelos teólogos e pelos “líderes espirituais”. Continuem a fazer essa reforma, é sempre bem vinda pelos ateus e pelos secularistas.

  2. “no mundo em evolução, como já salientou Teilhard de Chardin, o avanço implica sempre renúncias dolorosas”.

    Domingos Faria

    O texto indicado é apenas um montão de frases de significado dúbio, em que não se sabe o que é que o quê e cheio de proposições introduzidas de validade dúbia.

    Vou só analisar a frase acima transcrita

    1. O que significa evolução neste contexto? Evolução darwiniana? Evolução tecnológica? Evolução literária? Outra?

    2. “avanço implica sempre renúncias dolorosas”. O que é o avanço? O avanço é diferente da evolução? Não vejo porquê
    o avanço implica SEMPRE renúncias dolorosas. Até acho que conseguia arranjar um contra-exemplo, mas claro, se eu arranjar um contra-exemplo vou logo ouvir dizer que o “o avanço implica sempre renúncias dolorosas”. Portanto se NÃO implica renúncia dolorosa, não é VERDADEIRAMENTE um avanço. É portanto um caso em que um contra-exemplo a uma proposição está SEMPRE de acordo com a proposição, e portanto a proposição não faz qualquer sentido. É como afirmar que os números irracionais são mas doces que os racionais…

    José Simões

  3. Caro Ricardo,

    Muito obrigado pelo seu comentário.

    Acho que é interessante aprofundar o conceito “amor” e ver se este se aplica de facto ao ser absoluto.
    Considero que convém definir bem o termo “amor”, uma vez que é um vocábulo muitas vezes “prostituído” e utilizado indevidamente. Podemos definir “amor” de uma forma simples, como: “tornar-me prenda e oblação ao outro”, ou seja, “o amor constitui a concreção máxima e última da realidade do homem como ser-para-o-encontro. A vivência do amor-comunhão exige deixar-me ser-para-o-outro e deixar o outro ser-para-mim”. Desta forma, “não posso renunciar à minha condição de sujeito tornando-me objecto, nem posso objectualizar o outro, impedindo-o de ser ele mesmo tal qual é”. Esta relação de encontro com o outro não descreve, portanto, uma relação de propriedade, de possessão; mas sim apela à vida pessoal como processo de doação, encontro, e desvelamento permanente. Este amor (marca da pura gratuidade – amo porque amo!) aponta numa convergência de “eu” e “tu”, a qual se torna amor-comunhão, e se vislumbra na oblação recíproca. Este amor-comunhão, que é esvaziamento de si e impulso para o outro, é sinal da “pobreza” do “eu” (incompletude, carência), o qual só é ele mesmo no encontro com o outro; assim, existe um aperfeiçoamento e enriquecimento mútuo quando cada um se torna plenitude para o outro.
    No caso do ser-absoluto, no qual não há “pobreza” no seu ser (mas excelência), o impulso para os essentes é sinal da sua “abundância” ontológica. No entanto, se o ser absoluto ama não obriga os essente a seguir obrigatoriamente determinado plano, para os essentes serem eles próprios. Certamente um essente (como eu) ficava inibido de sentido da vida e de beleza da existência se fosse apenas uma marioneta nas mãos do ser-absoluto.
    Portanto, o amor não pode ser sufocante… amor não é obrigar a seguir por este ou aquele caminho (no máximo é propor um caminho!). Amor exige sempre dar um grau de livre-arbítrio, pois, não seria amor se não fosse assim, mas imposição e obrigação.
    Por exemplo, uma namorada que ama verdadeiramente o namorado não o “obriga” a ama-la… pois, amor é doação, e não egoísmo.
    Santo Agostinho falhou em muita coisa, mas acertou em muitas outras. Quando ele profere a afirmação: “ama, e faz o que quiseres” penso que está a definir correctamente o amor.
    Um outro exemplo poderá ser o amor de uma mãe ou pai em relação aos filhos… nos primeiros anos de vida da criança existe uma dependência total da criança; mas, à medida que a criança cresce os pais vão-lhe dando cada vez mais liberdade até atingir na idade adulta uma autonomia. Quando o filho atinge a autonomia torna-se ele próprio e vai seguir o seu projecto de vida, a sua vocação, que o vai possibilitar de ser feliz. Penso que os pais não amariam o filho (autónomo) se o obrigassem a seguir necessariamente determinado caminho.
    É claro que pode comportar riscos como referis-te no teu comentário. No entanto, considero que apesar de tudo o amor é mais direcção de mim ao outro, de que obrigar o outro em direcção a mim. Porém, também é verdade que o outro pode aceitar ou rejeitar o meu dom gratuito para ele, e deste modo é livre de “cortar” a relação e fazer mal. Mas, isto não nega o facto de eu ter amor ao outro, apesar do outro não aceitar esse dom.
    Num horizonte de analogia penso que o ser-absoluto dá o seu dom (sobretudo no estabelecimento de relações de amor entre essentes humanos), mas os essentes também têm a capacidade de aceitar ou rejeitar esta relação com o outro e com o ser-absoluto (que aparece sempre mediado no outro com quem me posso relacionar, o outro poderá ser ou não ícone de transcendência). Se o ser-absoluto me obrigasse a relacionar-me com ele e com os outros essentes seria tudo menos amor.

    Fizeste uma boa questão de resposta difícil: “Se, por causa dessa escolha, o essente decidir fazer o mal, e com isso ser odioso (e provocar miséria noutros) não foi uma má escolha por parte do ser-absoluto dar essa escolha ao essente?”
    Penso que não. Como analogicamente também penso que não é má escolha os pais darem liberdade a um filho com 25 anos para sair de casa para realizar o seu projecto de felicidade, no entanto do mesmo modo existe a possibilidade do filho poder encontrar más companhias e optar pela droga, ou outras coisas negativas. Mas, se não déssemos liberdade ao filho ele nunca poderia ter a possibilidade de realizar o projecto de felicidade…

    Não será muito mais bonito e alegre contemplar um mundo que avança por possibilidades evolutivamente em liberdade (embora com possibilidade do mal), do que um mundo totalmente pré-destinado e sem espaço para sequer rejeitar o ser-absoluto?
    Obrigado novamente pelo teu comentário… ainda tenho muito que aperfeiçoar e aprender… mas, de facto a ideia de um ser-absoluto que não é castrador mas amor, e que por isso dá a todo o essente uma liberdade e possibilidade para aceitar ou não a relação de amor, parece-me fascinante.

    Apesar de tudo, penso que a nossa missão (quer sejamos ateus ou religiosos) é na realidade construirmos uma civilização do amor, onde se viva uma verdadeira humanidade na unidade relacional, onde todos os essentes humanos são amor, amor que é uma vivência, que consiste em morrer para si mesmo (p.e. egoísmos), para nascer no outro, e fazer feliz o outro na sua diferença…

    Saudações cordiais

  4. Caro José Simões

    Quando falo de evolução estou a referir-me à evolução darwinista que, por exemplo, possibilitou a emergência de consciência nos essentes humanos, e por sua vez a possibilidade dos essentes humanos aceitarem o bem ou o mal, a relação de amor ou egoísmo.
    Escrevi “avanço” como sinónimo de evolução darwiniana; mas também pode ser sinónimo da regulação dos ciclos e leis da natureza. Por exemplo, a movimentação de uma placa tectónica poderá ser um avanço para a regulação dos ciclos da natureza, mas pode também provocar um tsunami e inundar cidades matando milhares de essentes humanos e deste modo ser uma renúncia dolorosa.
    Se o mundo fosse fixista, estático e criado sem evolução por Deus como defendem os criacionistas como explicar o mal natural? Tínhamos que recorrer infelizmente (como fazem os criacionistas) ao mito e à lenda do Adão e Eva…
    O mal natural penso que se deve sobretudo ao facto do mundo não ser estático e fixista, mas totalmente dinâmico e em evolução.

    Obrigado pelo seu comentário, e por colocar dúvidas pertinentes que me podem ajudar muito…

    Saudações cordiais,

  5. Domingos, acho que reside aqui a nossa diferença de entendimento do fenómeno da crença.

    Para mim, um ser-absoluto tem de ter associado a si mesmo um conceito de determinismo e de causa-efeito. Deixar as coisas ao “acaso”, ou neste caso, à “livre escolha” do essente não faz qualquer sentido dentro da visão de “preocupação divina” que este ser-absoluto tem de ter obrigatoriamente com a sua criação. A comparação com os país que deixam sair o filho de casa não é totalmente clara: o ser-absoluto tem (pelo vosso ponto de vista) uma “responsabilidade” muito maior para deixar o livre arbítrio decidir qual o futuro do seu essente. Ele é o garante de moralidade, de entendimento, de essência divina, e ultimamente de recompensa (ou punição) depois da morte. Como pode um criador como este deixar que a sua criação possa fazer sua própria interpretação da sua existência (como é o caso do ateísmo) e com isso ir ser destinado a um “sofrimento eterno”. Essa prova de “amor” quase pode ser vista como uma oportunidade para esse ser-absoluto de poder punir a sua própria criação. O Domingos afasta coisas uma das outras, que o vosso credo (religioso) não dissocia.

    Já no islão, há que acrescentar, a verdadeira devoção implica a crença que tudo está nas mãos de alá, que tudo é decidido e regulado por ele. No cristianismo, há mais opiniões diferentes, como posso ver pela sua. Um sinal de modernidade e progressismo. Um bom sinal.

    E concordo em absoluto quando diz que devemos “trabalhar para formar uma sociedade de paz e felicidade”. Here, here!

  6. Caro Ricardo

    Como referi no artigo temos que purificar a imagem do ser absoluto. Pois, podemos correr o risco de falar de deuses espacio-temporais, e não do verdadeiro ser-absoluto trans-espacio-temporal.
    No teu comentário falas numa série de conceitos que penso que já estão ultrapassados. Pelo menos não necessito deles para a minha cosmologia e filosofia da religião.
    Por exemplo: porque é que o ser-absoluto tem que ser o “garante de moralidade, de entendimento, de essência divina, e ultimamente de recompensa (ou punição) depois da morte”?
    Acho absurdo essa teoria que existe uma alma que se separa do corpo e que depois tem recompensas ou punições. Isto parece-me mais filosofia grega do que propriamente religião. (o que poderá acontecer é viver depois da morte na «memória» de outros essentes, e talvez na “memória” do ser-absoluto)…
    Achas que o ser-absoluto sendo amor, permitirá um “sofrimento eterno”?!
    Caro Ricardo, pessoalmente penso que não devemos complicar… (durante séculos muitos teólogos e filósofos só complicaram).
    Acho que o mais importante que poderemos conceber do ser-absoluto é o amor, a relação que ele estabelece através de todos os essentes. É claro que poderemos negar o ser-absoluto, pois, este nunca se desvela directamente, mas sempre mediado pelos outros essentes. A nós cabe ou não aceitá-lo. Por ventura, quando estabelecemos uma relação com alguém estamos de certo modo (implicitamente) a relacionarmo-nos indirectamente com o ser-absoluto (podemos ficar só pelo ícone ou se aceitarmos o ser-absoluto poderemos transcender o ícone). Lembro-me de à muitos anos o JP2 falar sobre os cristão anónimos; são aquelas pessoas que não se considerem cristão, mas que são de tal modo altruístas, dando a sua vida e dedicando a sua vida aqueles que mais sofrem e precisam, que podem até ser considerados até mais cristãos que os cristãos.
    Penso que a relação é o mais importante. Qual é a essência do ser? É ser relação! Tudo está interligado, tudo está relacionado… mas, também temos livre-arbitrio para cortar a ligação com os outros essentes.
    Pergunto, porque é que a religião não poderá ser o re-ligare (religião, re-ligar, voltar a ligar) da relação de amor entre toda a humanidade em paz e felicidade? Não afirmo que é o único caminho… mas não poderá ser um caminho?

    Obrigado pelo teu comentário e sugestões que me fazem pensar, saudações cordiais,

  7. ZzzzzZZZZzzzzZZZz….

    Antes de mais, as minhas saudações para o filo-teólogo Domingos Faria.

    Eu sinceramente admiro a capacidade de alguns crentes em gastar rios de pixels a tentar justificar o injustificável. Não sei se será para camuflar alguma angústia existencial se para demonstrar dotes na arte da retórica; seja como for, vamos lá tentar pegar naquilo em que é possível pegar.

    “porque é que existe o mal?”
    Antes de mais, o mal não “existe”. O que existe são as plantas, os animais, as pedras, as casas, os barcos, etc. Querer dotar o mal de carácter ontológico é logo um péssimo ponto de partida para chegar a algum lado – no entanto, é óbvio que é um excelente ponto de partida para os teístas: autonomizando (ainda que metafisicamente) a existência tanto do «bem» como do «mal», podem obviamente referenciá-lo no sentido objectivo (ou seja, como algo que tem realidade fora da nossa mente).

    Portanto, o mal não «existe»: o mal «pratica-se» ou «não se pratica». E esta prática tanto pode ter como destinários nós como os outros.

    A partir daqui tudo se pode desmontar: “Então, se existe sofrimento e mal, porque é que Deus (omnipotente e bom) o permite?” A pergunta correcta seria: “se o mal se pratica, porque é que nós o praticamos – a nós ou aos outros?” Passar a bola a Deus é uma boa maneira de sacudir a água do capote não é caros amigos teístas?

    “Pensamos que o mal poderá começar a ser inteligível dependendo da imagem que temos de Deus”; correcção: “Pensamos que o mal é inteligível quando temos uma imagem correcta nossa e dos outros”.

    “Como radicalmente afirma Block no filme Sétimo Selo: “há que criar uma imagem do nosso medo e chamar-lhe Deus”. O Block utiliza isso em segunda mão: o copyright dessa mensagem é do Freud.

    “Assim, a “morte de Deus” parece-me ser não a eliminação do Ser-Absoluto, mas sim a aniquilação da antropomorfização do divino; ou seja, é a eliminação das formas e atributos sempre restritos que o homem dá a Deus. Deste modo, consideramos que a problemática do mal não pode ser aproximadamente entendida num horizonte de “morte de deus”, nem de antropomorfização de Deus, mas apenas num horizonte onde temos uma imagem mais purificada daquele Ser-Absoluto que nem sequer tem nome e que nós normalmente nomeamos por Deus.” Uoooo Uoooo Uooo….que grande misturaça de ideias! Vamos por partes então:

    “Assim, a “morte de Deus” parece-me ser não a eliminação do Ser-Absoluto, mas sim a aniquilação da antropomorfização do divino; ou seja, é a eliminação das formas e atributos sempre restritos que o homem dá a Deus”. Aparte o conceito disparatado de «Ser-Absoluto», não estamos a chegar a nenhuma conclusão inovadora: um leitor atento de Nietzsche já até aí tinha chegado.

    “Deste modo, consideramos que a problemática do mal não pode ser aproximadamente entendida num horizonte de “morte de deus”, nem de antropomorfização de Deus, mas apenas num horizonte onde temos uma imagem mais purificada daquele Ser-Absoluto que nem sequer tem nome e que nós normalmente nomeamos por Deus”. Traduzindo: “Deus não morreu porque aquilo que pensávamos que era Deus (e que nós matámos), eram apenas as formas absurdas com que o catalogámos; por isso, em relação ao mal, resolvemos metê-lo numa carta, enviando-o em correio azul para um sítio bem longe dos chatos que querem apanhá-lo para nos lixarem a vida, ao cuidado de «Ser-Absoluto» Apartado 1900-430 Lisboa Codex”.

    “Assim, poderá existir o perigo de reduzir o Ser-Absoluto às nossas categorias contingentes e finitas, e por conseguinte levar a mais mortes de deus. Isto não quer dizer que não se pode falar acerca do Ser-Absoluto, mas verdadeiramente só o é possível num horizonte de analogia”. Nova Tradução: “Assim, antes que os sacanas dos cépticos descubram onde fica esse off-shore secreto onde guardamos o «Ser-Absoluto», contaminando-o igualmente com as suas manápulas perscrutadoras imundas, convém ter um bote salva-vidas sempre a postos que ponha o «Ser-Absoluto» em fuga para outro off-shore mais seguro chamado «horizonte de analogia»” Pisga-te «Ser-Absoluto»! These guys are going to get you!

    “O Ser-Absoluto (verdade absoluta e essência de todas as coisas) não nos é acessível, apenas nos podemos ir aproximando. Ser-Absoluto “é a mesma verdade inefável”. Deste modo, do Ser-Absoluto poderemos dizer mais facilmente aquilo que ele não é, do que aquilo que ele é (teologia negativa). Ao pensar o Ser-Absoluto tocamos no enigma do totalmente outro […] Inserindo-nos, então, num horizonte de analogia poderemos percepcionar que “o Ser-Absoluto é necessário não primordialmente porque só por ele se podem explicar os outros seres mas porque ele mesmo, por mais filosoficamente misterioso que nos pareça, não pode deixar de ser. Do mesmo modo, se o Ser-Absoluto é aquilo que nada falta, perfeição plena, então é impossível postular outra plenitude igual, ou ser causado por outro; então, tudo o resto só pode ser contingente e finito perante a plenitude do Ser-Absoluto”. Por favor! Eu pago o que for preciso, mas não publiquem mais livros do Sampaio Bruno, do Leonardo Coimbra, do José Marinho & Comp. Ilimitada! Please! Poupem o país dessa imundice!

    “Contudo, o mal é uma possibilidade constante num cosmos em evolução”. Urrayyy!! Finalmente uma frase com sentido! Já estava a desesperar com as aventuras atribuladas e psicadélicas do «Ser-Absoluto»! Prefiro as estórias do Casanova.

    “O grande problema da inteligibilidade do mal é termos a imagem de um Ser-Absoluto antropomórfico. Então, “se consideramos a acção de Deus no mundo como produtiva, torna-se muito difícil eximir Deus de certa interferência, pelo menos «permitiva», dos males que acontecem no mundo”. Tradução: “Se Deus é preso por ter cão ou preso por não ter, toca a recambiá-lo para o «horizonte de analogia», sítio extraordinário onde Deus não pode ser culpado por não ter lido o livro de reclamações onde o cliente humano insatisfeito com a sua existência, gosta de deixar os seus queixumes!”

    “Porém, os essentes que se tornaram mais complexos e conscientes poderão evitar muito mal se não se deixarem guiar pelo egoísmo; mas, pela consciência que só são com o outro, podendo também desenvolver estudos e técnicas para evitar possíveis males naturais que afectem outros essentes devido ao cosmos em evolução”. Estás a ver? Não custava nada teres chegado a uma conclusão tão simples sem o recurso a tanta palha!

    Em síntese: continuamos a viver num país onde o exercício gratuito de calejar as pontas dos dedos nas teclas de computador, é tão nobre quanto a expectativa de podermos vir a alcançar um dia, através da Selecção Nacional, a conquista de um campeonato de futebol.

    Cumprimentos-Absolutos

    PS: Então Ricardo? Lá por ser Verão, não tens obrigatoriamente de apanhar a Nau Catrineta comandada pelo «Ser-Absoluto»! Já te andam a seduzir com as «mamocas-absolutas» na ilha do «horizonte de analogia»? Seu maroto…vê lá se não perdes a cabeça…absolutamente! :)

  8. Caro Lucas Samuel,

    Obrigado pelo teu comentário. Apontas-te coisas interessantes… mas, fiquei um pouco triste por me deturpares os argumentos com traduções cómicas. LOL. Mas na boa!
    Eu não tenho pretensão de convencer ou seduzir ninguém com a minha concepção da realidade e do ser-absoluto. Aliás, felizmente temos livre-arbítrio para aceitar ou rejeitar o ser-absoluto. E ninguém vai literalmente para o lugar inferno por rejeitar este Ser :-)
    É impossível falar de um modo inequívoco e totalmente claro do ser-absoluto. Pois, sendo um ser que transcende o nosso universo físico-quimico e que do mesmo modo transcende o espaço e o tempo, então as nossas categorias (que se referem apenas a fenómenos espacio-temporais) são muito limitadas para se referirem ao ser-absoluto. Daí defender que só poderemos falar do ser-absoluto de forma análoga (semelhante), ou seja, num horizonte de semelhança ou analogia. Pois, se não recorrermos ao horizonte de analogia estamos então a falar apenas de um qualquer fenómeno espacio-temporal ou físico-quimico, sem nos referirmos veemente ao ser-absoluto.
    Porquê utilizar ser-absoluto em vez de Deus? Porque a palavra Deus está saturada e tem conotações indevidas e demasiado físico-quimicas. Numa visão ontológica o “ser-absoluto” é a plenitude de ser, ou como Anselmo afirma é o ser maior que o qual nada se pode pensar. Se existem ser finitos e limitados será ilógico postular um ser absoluto e ilimitado? Depende… podes dizer que é ilógico… mas nunca conseguiremos provar definitivamente isso. Apesar de tudo, penso que não é ilógico.
    Obrigado pelo tua sugestão na questão da “existência” do mal. O mal pratica-se pelos essentes humanos (mal moral). E o mal natural existe ou pratica-se??? Não é a minha pretensão dotar o mal de um carácter ontológico…mas apenas defender que é uma possibilidade.
    O que pretendo com este artigo é mostrar uma nova forma de ver a religião (nomeadamente a cristã) e para isso não tenho que acreditar tradicional e literalmente em alma, em céu, em inferno, em purgatório, em pecado original, em ene outras cenas que só são empecilhos… penso que o essencial é a relação de amor.
    Defendo claramente que a religião tem que submeter a uma séria crítica para cada vez ser mais purificada…

    Saudações cordiais,

  9. Saudações Mingos.

    Estou deveras surpreendido com o teu fairplay. Bolas pá! Eu gosto de vos irritar mas não consegui nada contigo desta vez. Lol. :)

    Eu compreendi toda a estrutura do teu texto Mingos. Aliás, a minha provocação, contendo elementos que em tudo relacionam o teu «Ser-Absoluto» com uma ambiência de ilha (barco salva-vidas, off-shore, Nau Catrineta) foi propositada. Não sei se percebeste a analogia exactamente com o tipo que mencionaste: o Anselmo. Pois…é que a minha «ilha», é a «ilha-absoluta» que Gaunilo de Marmoutiers utilizou para desmontar a lógica estrutural do argumento de Anselmo para a existência de Deus.

    “O que pretendo com este artigo é mostrar uma nova forma de ver a religião (nomeadamente a cristã) e para isso não tenho que acreditar tradicional e literalmente em alma, em céu, em inferno, em purgatório, em pecado original, em ene outras cenas que só são empecilhos… penso que o essencial é a relação de amor.”

    Mingos, lamento decepcionar-te mas essa forma não é nova. Agostinho da Silva por exemplo, transmite exactamente as mesmas intenções que as tuas; só que para ele, esse «Ser-Absoluto» dá pelo nome de «Paracleto». Se estás interessado em descobrir mais acerca disso, lê o Agostinho. Contudo, é uma pena ver-te embrenhado em filosofia mistificadora, mas enfim…tu é que sabes. Força com isso: pior do que ler treta, é não ler nada. :)

    Cumprimentos

  10. Olá novamente Lucas…

    Apesar de termos crenças e filosofias diferentes não é razão suficiente para haver irritação. Lol. As crenças e filosofias diferentes até nos poderão ajudar… por isso em vez de irritar pode alegrar :-)
    Não tive pretensões no meu texto de defender o argumento ontológico da existência de Deus. É um argumento interessante, apesar das debilidades que vários autores foram apontando desde Gaunilo até Dawkins (em The God Delusion). Contudo, é também um argumento que mesmo com as debilidades apontadas costuma ressurgir. Será que isto quer dizer que ainda não se conseguiu refutar definitivamente este argumento? Normalmente os defensores deste argumento dizem que só se pode aplicar num horizonte de ultimidade de ser… ultrapassando assim a mera físico-quimica. Daí talvez não se possa aplicar à melhor ilha que todas as outras. Mas, sem dúvida é um argumento débil.
    Apesar disso penso que não existe um argumento racional e lógico definitivo para provar ou reprovar o ser-absoluto. No máximo poderemos evidenciar o porquê de sermos religiosos ou ateístas.
    Não me identifico totalmente com Agostinho da Silva. Apesar de gostar muito da apologia à liberdade.
    Talvez não chamaria à minha filosofia mistificadora… mas uma filosofia que pretende ver e purificar o essencial da religião, como o re-ligar da relação entra toda a humanidade.

    Obrigado pelo teu comentário e sólidas objecções,

    Saudações cordiais,

  11. Eu sinceramente adoro ficar lendo esses debates. Vocês são verdadeiros idiotas! IDIOTAS MESMOS!!!.

    Aposto que ficam o tempo todo lendo livros difícies e preparando uma resposta mais inteligente do que o colega que contra argumentou.

    Não sabemos de nada. Absolutamente nada. Somos ignorantes e viveremos no máximo 90 anos. Daí achamos que uns mízeros 20 ou 30 anos de estudo são capazes de me responder milhares ou bilhares de anos de mistérios e segredos.

    Deus existe. Nossa inteligência é prova disso. Mas isso não é a grande discussão. A grande é porque nos embebedamos com tanta bobagem.

    joão.

  12. Caríssimo João

    «Eu sinceramente adoro ficar lendo esses debates. Vocês são verdadeiros idiotas! IDIOTAS MESMOS!!!.»

    Quem é mais idiota? O idiota, ou quem lhe dá atenção?

    «Aposto que ficam o tempo todo lendo livros difíceis (e não difícies) e preparando uma resposta mais inteligente do que o colega que contra argumentou.»

    É claro que lendo livros fáceis ficamos muito mais bem preparados para perceber tudo o que nos rodeia.
    A minha tia, por exemplo, é especializada em imprensa cor-de-rosa e diz a todos que já não tem mais nada para aprender. É assim que você quer ser quando for grande?

    «Não sabemos de nada. Absolutamente nada. Somos ignorantes e viveremos no máximo 90 anos»

    Muito interessante a sua confissão . Mas não estamos aqui para falar de si pois não?

    «Daí achamos que uns míseros (e não mízeros) 20 ou 30 anos de estudo são capazes de me responder milhares ou milhares (e não bilhares) de anos de mistérios e segredos.»

    Talvez para si seja uma surpresa, mas a cultura humana é assim mesmo.
    Acumular conhecimento refinado (às vezes nem por isso) e passá-lo à geração seguinte, e de preferência recorrendo a suportes físicos de memória.

    «Deus existe. Nossa inteligência é prova disso»

    Interessante. Já agora, o facto de um caracol não ser inteligente por aí além é prova de quê?

    «Mas isso não é a grande discussão. A grande é porque nos embebedamos com tanta bobagem.»

    Tem razão. Existem coisas muito mais terra-a-terra como por exemplo o futebol.
    Eu sempre me tentei interessar por jornais desportivos por questões de sociabilização pois constatei que em determinados almoços de negócios, é conveniente estarmos informados sobre assuntos importantíssimos para a nossa espécie tal como a possível transferência do jogador X para o clube Y.
    Não sei porquê, mas nunca consegui interessar-me por esses assuntos…
    Muito provavelmente porque ande bêbado com miudezas idiotas, quer profissionalmente quer para me distrair e cultivar…

    Cumprimentos

  13. Não tinha jeito de resumir isso tudo não ?
    O texto está tomado por neologismos e rebuscamento totalmente dispensáveis!
    Excesso de preciosismo não acrescenta nada a ninguém tampouco motiva quem não tem conhecimento dos autores citados no texto.

  14. Caro Alexandre,

    Peço desculpa por escrever um texto árduo.
    No entanto, considero que não devo baixar o nível de argumentação para tentar explicar minimamente estes problemas complexos.
    O último paragrafo do texto apresenta-se como conclusão e resumo do texto.
    Obrigado pelo teu aviso… existem sempre coisas a melhorar.

    saudações cordiais,

  15. “Deus é tão perfeito que até do mal tira o bem.” (São Tomás, Doutor da Igreja.

    Na verdade, num mundo materialista e cada vez menos crente em que vivemos, as desgraças e os sofrimentos são um “mal a abater”. Esquecem-se, no entanto, que as desgraças e sofrimentos que existem no mundo são temporários, enquanto a verdadeira desgraça e sofrimentos (bem como a verdadeira alegria) são eternos.

    Não queiramos um mundo sem sofrimento, pois este ha-de sempre fazer parte da história da humanidade. É necessário que o mal exista, nem que seja para o Bem prevalecer. Pois o sofrimento, quando vivido com o auxílio da Graça Divina é santificante. Não tenhamos medo de sofrer temporalmente, mas sim eternamente.

    São louváveis os esforços para combater o sofrimento, seja no alivio da dor física, no apoio psicologico, espiritual, moral. No entanto, não se deve ter aversão a esse sofrimento mas sim pedir auxílio Divino para o suportar. E assim, Deus, realmente, do mal tirará um Bem muito maior.

    João

  16. caro João,

    O que pretendes dizer com a seguinte afirmação: “Esquecem-se, no entanto, que as desgraças e sofrimentos que existem no mundo são temporários, enquanto a verdadeira desgraça e sofrimentos (bem como a verdadeira alegria) são eternos”? porque é que a desgraça e sofrimento verdadeiros são eternos?

    “Não queiramos um mundo sem sofrimento”??? porquê??? Não será melhor um mundo de alegria e amor…?

    Achas que a seguinte frase tem sentido: “é necessário que o mal exista, nem que seja para o Bem prevalecer”?

    O que significa sofrer eternamente? não será algo absurdo e contraditório se Deus é amor???

    Achas que um Deus amor permitiria um sofrimento eterno? Isso seria tudo menos Deus amor. Mas seria antes um Deus castigador… nao achas?

    Saudações cordiais

  17. Caro Mingos

    De facto Deus é amor. Deus é infinitamente bondoso mas também infinitamente justo. Ora, sendo nós pecadores, porque não oferecer os nossos sacrifícios e sofrimentos em expiação dos nossos pecados? Porque Deus, apesar de não querer que ninguém se condene eternamente ao fogo do Inferno, deu-nos liberdade para escolher entre o bem e o mal. Infinitamente justo, não poderá admitir um pecador na sua Santa Presença, depois da morte. Como fracos que somos, facilmente caimos na tentação. Porque não aproveitar os sofrimentos temporais neste mundo e oferece-los em reparação pelos pecados que cometemos? ou preferimos morrer em pecado mortal e sofrer eternamente no Inferno?

    Não queiremos ter o Céu na Terra, pois a verdadeira alegria, a verdadeira paz e o verdadeiro amor só os atingiremos no Céu. Neste mundo é puramente utópico termos uma sociedade perfeita onde reina a harmonia, a paz, o amor. Devemos trabalhar para q a humanidade de aproxime o máximo possivel dessa perfeição. Mas a verdadeira paz, amor e felicidade só teremos plenamente no Céu, se assim o merecermos.

    Cumprimentos

  18. Caro João…

    Se Deus é amor e é o ser-absoluto, então para que é que precisa dos nossos sofrimentos e sacrifícios?
    Se Deus fosse comerciante ou negociante aí percebia porque é que deus precisaria de tais horrores…
    Como tens a certeza que Deus não poderá admitir “um pecador na sua Santa Presença depois da morte”?
    Como é que pode o sofrimento reparar um pecado?

    Desculpa João… Mas, considero toda a tua argumentação ilógica e contraditória com um Deus AMOR. Se Deus é amor não pode condenar ninguém, nem castigar, mas apenas amar… não achas???

    Do mesmo modo, a tua concepção dualista da realidade (corpo - alma / este mundo - outro mundo) não tem fundamento racional.

    O céu, purgatório e inferno não podem ser lugares algures num outro mundo… O que é o céu? o que é o inferno? Como tens a certeza da existência ontológica de tais realidades? e como é que as pessoas vão para essa realidade?

    Toda a tua concepção de realidade vai contra o que dizem as ciências empíricas, nomeadamente as neurociências.

    Considero que deve ter uma mente mais aberta e questionante, e não adoptar ingénua e dogmaticamente doutrinas sem muito fundamento racional e que no fundo são contraditórias com o cristianismo.

    saudações cordiais,

  19. Se os cristãos confiam tanto em deus, pq alguns deles andam com segurança??? o papa ke o diga!!!!

  20. Caro Steven

    O facto de se acreditar ou confiar em Deus não implica necessariamente que faça aquilo que nós gostaríamos que fizesse.
    Uma coisa é um “ente de razão”, outra coisa é um “ente real”.
    O problema é que o “ente de razão” normalmente nunca coincide ou aproxima-se apenas relativamente do “ente real”. Aí reside a grande dificuldade - passar do pensamento (desejos e crenças) para a ontologia (o que existe).

    …e se Deus interferisse em todas as nossas acções onde estava o espaço para o amor e liberdade???
    Em vez de ser um Deus amor seria um deus castrador, inibidor… de facto seria uma imagem terrivel de deus.

    Saudações cordiais,

  21. Mingos, qem precisa de sacrificios não é Deus. Somos nõs

  22. Mingos, qem precisa de sacrificios não é Deus. Somos nós. assim como Deus não precisa da oração. Somos nós que precisamos de Lhas dirigir. Para nosso bem, não para o mérito d’Ele… Sendo ele absoluto, como o Mingos diz e muito bem, não precisa em nada de se lhe acrescentar seja glória, seja orações para proveito d’Ele. O proveito é sempre para o Homem.

    Pergunta como o sofrimento pode reparar um pecado. Começo a perguntar-me se o Mingos não é um ateu (ou anti-catolico, mais precisamente) disfarçado. Mais uma vez espero sinceramente que estas ideias não sejam sequer pensadas nas suas “catequeses”. Ideias que são tudo menos católicas. Como acha que Jesus reparou os pecados do mundo, ou como os redimiu? Com o Seu sangue, na cruz…sofrendo! também por si, que rejeita esse supremo sacrificio que se renova em todas as Missas. Um cristão que sofre, seja na alma, na mente, ou no corpo, deerá ter a atitude de respeito pelo Templo de Espirito Santo que é o seu corpo, tratando-o evidentemente, mas deve oferecer os sofrimentos em união ao sacrificio de Jesus. Em Fátima, A Senhora pediu orações e sacrificios pelas almas que não têm que peça e reze por elas. O sofimento, quando vivido em atitude cristã, com aceitação, resignação e confiança em Deus, a par da colaboração com os profissionais de saúde, é enriquecedor e fortalecedor das três virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade.

    Finalmente, como catequista, penso que deve ler a enciclica do Santo Padre Bento XVI “Spe Salvi”, onde estas questões estão muito bem desevolvidas. Lembre-se Mingos que falar de Deus é muito mais do que resumir tudo ao “Deus é Amor”. Certamente, mas ainda não compreendeu o tipo de amor infinito que Ele tem por nós. Pense em fazer uma formação de Catecismo e Doutrina da Igreja, se realmente é catequista, para difundir no meio dos jovens a Verdade e o que a Igreja ensina e não o que o Mingos pensa. Ou o Mingos é protestante e está tudo explicado.

    Cumprimentos

  23. João,

    Há duas coisas que me deixam sempre impressionado: a capacidade de síntese e o seu inverso.

    Passe bem.

  24. Helder, a mensagem numero 22 foi, por lapso, enviada apenas com as primeiras duas frases :) peço desculpa pelo mal entendido…

    abraço!

  25. Caro João,

    Não é o sofrimento que pode reparar o “pecado” (traduz-se numa linguagem normal por: desumanidade existente no mundo). Mas, só o AMOR e a relação de encontro com o outro poderá conduzir a uma humanização do mundo.
    Jesus reparou ou redimiu os pecados do mundo com amor, ensinando a amar e a relacionar-se com a humanidade para que todos sejam um.
    É ilógico conceber um Deus amor que exige sacrifício. Cristo não morreu na cruz por ser bom sofrer… Cristo não morreu sequer para pagar um resgate (ao diabo??? Ou a quem???) nem sequer morreu para aplacar a ira de Deus. Mas, Cristo morreu para testemunhar a verdade incrível que Deus é amor, que é oblação total. Na missa celebra-se este Deus amor… não um deus egoísta que exige o sofrimento dos seres humanos como forma de pagamento (que deus terrível esse!)

    Volto a repetir: Sou cristão (acredito no grande tipo chamado Jesus Cristo) e sobretudo acredito na mensagem de AMOR.
    Sou catequista, mas não quero enganar os meus catequizados com a filosofia aristotélico-tomista que se incorporou indevidamente na doutrina cristã, nem com filosofias de substâncias ou acidentes, matérias ou formas, actos ou potências, que apenas só levam a problemas em vez de os resolver.
    Pretendo alertar toda a gente (crianças, jovens e adultos) que ter uma fé acritica e dogmática é um grande fundamentalismo e comporta muito perigo. É necessário uma fé racional que esteja de acordo com os dados da ciência e das neurociências, etc…
    A religião tem que ser criticada até ao limite, pois, necessita de ser purificada de tudo aquilo que é superstição e fundamentalismo irracional.
    O ser humano não é dono da verdade… vivemos todos num contexto… temos todos os nossos “óculos” de leitura da realidade… nunca vemos neutralmente… Logo, penso que é uma séria falta de desonestidade intelectual e uma falta de sinceridade reclamar sem mais nem menos a verdade para algo que não se tem a certeza.
    As dúvidas são necessárias… é um grande caminho para nos aproximarmos relativamente da verdade inalcansavel. Nada melhor que a falsificabilidade (cf. Popper) que para além de ser aplicada à ciência, penso que também se poderá aplicar à religião e ao cristianismo.

    Sou cristão… Não sou um ateu camuflado… apesar que os ateus me ajudam muito a radicalizar a razão critica e assim a purificar cada vez mais uma religião e cristianismo que vive veemente a relação de amor.
    Gosto de ler Dawkins e Dennett… como também gosto de ler teólogos (Apesar de muitos o acharem conservador, Ratzinger é um grande pensador, nomeadamente pelo que escreveu no livro “Introdução ao Cristianismo”. Nas últimas páginas até esclarece que o dualismo [corpo-alma] é incompatível com o cristianismo).
    Tudo ajuda… temos é que ter uma mente e pensamento aberto… porque ninguém (essente) é dono da verdade.
    Despeço-me com uma citação de um professor meu, que também é padre: “o ateísmo é o primeiro momento da fé”! pois, este “despe” (é a nudez ontológica)… e só quando for “pobre” de tudo é que posso ser “rico” de tudo…

    Saudações cordiais,

  26. ah… João eu não rejeito a oblação de amor de Cristo em todas as eucaristias.

    Não coloque na minha boca palavras que eu não disse… a calúnia é muito feia… nem é digna de um cristão!

    Saudações

  27. O cristianismo não é apologista do sofrimento pelo sofrimento; isso seria masoquismo.
    A redenção dos pecados (ou a humanização do cosmos) não é pelo sofrimento, mas pelo AMOR.

    É claro que o amor pode implicar sofrimento. Por exemplo, para uma pessoa deixar a tranquilidade do seu eu e dirigi-se ao outro para o amar pode comportar uma espécie de sofrimento ao abandonar o seu egoísmo.

    O amar é “morrer” para si (para egoísmos) para nascer no outro e fazer feliz o outro na sua diferença. Este morrer para si para nascer de novo no outro (em relação de amor) pode gerar sofrimento (pelo facto de não seguir inatamente os seus instintos egoístas, nem interesses individuais). Mas, o que humaniza o mundo (ou redime o pecado) não é o sofrimento em si mesmo, mas o AMOR. O amor é que permite humanizar o mundo. Neste contexto o sofrimento poderá aparecer ou não como um meio, mas o fim é sempre o amor. É também importante salientar que o sofrimento não é necessariamente um meio para se chegar ao amor; alguém do mesmo modo poderá chegar ao amor sem qualquer sofrimento.

    Num outro contexto, o sofrimento em si (quer seja físico ou mental), ou seja, o sofrimento como fim em si mesmo é um mal a evitar. É óbvio que ninguém deseja sofrer se daí não se obtiver um bem (reconforto) melhor.
    Em situações limite (ou momentos de ruptura ôntica) a religião poderá dar um reconforto importantíssimo para ultrapassar estes sofrimentos. Ao voltarmos a ligar a relação com o outro em amor (, isto é a religião), não poderemos deixar o outro sofrer ou morrer sozinho. A nossa missão em amor consiste em reconfortar o outro na sua agonia, sendo nós próprios um instrumento a partir do qual o Ser-Absoluto actua no mundo, e a partir do qual nós amamos o Ser-Absoluto no outro que sofre. Neste contexto o sofrimento ganha outro vigor, no sentido de se dirigir para um bem maior, ou seja, amor.

    Penso também que é importante referir o papel da “compaixão” num horizonte cristão. Este conceito não se refere apenas ao negativo. Mas, “Compaixão” refere-se à relação que estabelecemos com o outro, e ao facto de participarmos no que outro está a viver ou experienciar (quer seja positivo [alegria] quer seja negativo [sofrimento])… assim, a “paixão” de um é a “paixão” do outro. Vemos, então, que “compaixão” é com-paixão, ou seja, participar do ser do outro em amor.

    O que veemente interessa é o amor…

  28. Os “democráticos” cristãos são especialistas em “doublethink”(pensar duplo), Mister Sanches!

  29. Orwell,

    Não entendi onde queria chegar com esse comentário!

  30. Mingos, o que realmente interessa é o amor, de facto. O amor que Deus tem por nós, um amor tal que o Seu FIlho se ofereceu como vítima, morrendo na cruz para nos redimir. De facto, Jesus morreu por amor, por amor ao Homem, para que todo o que n’Ele acredita seja salvo. Isto pode confirmar facilmente com os documentos da Igreja e com o Catecismo da Igreja Católica. De facto, Jesus, sendo Deus, amou-nos de tal modo que se ofereceu ao Pai sofrendo morte horrivel na cruz. Como vê, concordo consigo quando diz que se sofre por amor, pois o expoente máximo do sofriento por amor é a morte de Jesus por amor à humanidade.

    É nesta prespectiva que o amor de Deus redimiu a humanidade, mas como pode ver, foi com sangue, com o sofrimento do Seu Filho na cruz. Não podemos definir nem compreender na totalidade este amor incondicional de Deus por nós, pois não se trata de amor mundano, humano, sendo este sentimento apenas um pequenissimo reflexo do verdadeiro amor que Deus tem por nós. Um amor de Pai, um amor infinito e sobrenatural qu nós, limitados, apenas podemos sentir espelhado.

    Por isso, sendo este o maior acto de amor (Deus dar ao mundo o Seu Filho e ter uma morte horriver numa cruz), o expoente máximo do amor que foi manifestado com tanto sofrimento, parece lógico que o sofrimento faz parte da redenção. No entanto, e como diz muito bem o Mingos, na base está de facto o amor infinito que Ele tem por nós.

    Cumprimentos

  31. “Duplipensar é a capacidade de guardar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias, e aceitá-las ambas.”
    Duplipensar é um conceito criado por mim no livro 1984.

  32. 1984

    Guerra é Paz;
    Liberdade é Escravidão;
    Ignorância é Força.

    Para acreditar nessas diretrizes da Religião é preciso duplipensar. Cada um destes lemas pode ser usado em sentido oposto, dependendo do seu uso.

  33. Ah… Ok!

    Porque é que não deu ao outro seu livro o título de “A derrota dos porcos”. “Derrota” é “Triunfo”, certo?

    :-? :-? :-?

  34. O nome do livro é “Animal Farm” (O Triunfo dos Porcos, em PT).
    Ah, vou te citar 1 “triplopensar” dos cristãos.
    Jesus é filho de Zé e Maria.
    Jesus é filho de deus.
    Jesus é deus.

    Pela “lógica”, Michael Douglas seria Kirk Douglas ou então Bush Jr. seria Bush, “correto”?

  35. sobre o “Animal Farm”.
    lá vai 1 “parody”:
    Todos os cristãos são iguais perante deus mas alguns são mais iguais do que outros.

    (Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais do que outros.)

  36. Um apontamento para acrescentar no comentário a Lucas Samuel…
    A resposta de Anselmo ao contra-argumento de Gaunilo: uma ilha perfeita é um objeto empírico, e sua perfeição está restrita pela sua condição de ilha. Uma ilha perfeita, diríamos, pode ter predicados numerosos, mas o número deles é finito. Tudo que podemos atribuir a uma ilha, nós atribuímos. Mas, além disso, não podemos dar mais passos, para não descaracterizá-la como ilha. Todavia, Deus não é desse carácter. Não tem atributos limitados. Por isso ele cabe de modo único na fórmula “aquilo em relação a que nada de mais perfeito pode ser pensado”. (Paulo Ghiraldelli).

    Certamente não será um argumento para deixar de existir ateus! ;-)

  37. Penso que alguém poderá não se torna crente somente por argumentos, mas sobretudo pela vivência de uma relação de amor com o outro e com o ser-absoluto. Algo que exige também fé…

  38. Saudações para ti Mingos,

    Lamento, mas pareces ter caído num equívoco (isso é o que dá andares atrás do Anselmo Rebelo de Sousa. Lol):

    “Uma ilha perfeita é um objeto empírico, e sua perfeição está restrita pela sua condição de ilha. Uma ilha perfeita, diríamos, pode ter predicados numerosos, mas o número deles é finito”

    Ora, em primeiro lugar, é dúbio o que Anselmo entende como “ilha perfeita”, no entanto, se queres chamar a perfeição para o debate, recorro a Platão e à sua teoria das formas: a “forma perfeita” de uma ilha estaria para lá do tempo e espaço (e portanto, sem fronteiras de contenção empírica como Anselmo quer fazer crer). Assim, o carácter de “ilhicidade” (bonito nome, hein?) formal, poderia igualmente colocar-se no mesmo patamar de imesurabilidade infinita em que o conceito de Deus é colocado.

    Dirás no entanto…

    “Deus não é desse carácter. Não tem atributos limitados [como seriam supostamente os atributos de uma ilha, mesmo em forma platónica]. Por isso ele cabe de modo único na fórmula “aquilo em relação a que nada de mais perfeito pode ser pensado”. Ah! Mas aqui comete-se uma imprecisão lógica ao querer colocar Deus como bitola do absoluto sem limitações de atributo: se Deus não tem limites, Deus é o bem e o mal, o feio e o belo, o abarcador infinito. Ora, se um dos atributos de Deus é ser “infinitamente bom”, é lógico que compete a Satanás ser “absolutamente mau”; se os atributos se sobrepuserem, vai haver batatada no Céu e no Inferno! A não ser que queiras negar o conceito tradicional de Deus… be my guess…mas depois, eu irei igualmente contrapor (não penses que dou folga ao teu Ser-Absoluto!). lol.

    Como vês, mesmo operando no campo da fantasia, a lógica desmonta tudo,

    E este foi certamente um dos muitos argumentos para deixarem de existir crentes! :)

    Cumprimentos

    PS: És um rapaz com potencialidades, mas andas a estragar-te à força toda com essa treta esotérica! :)

  39. Penso que não será muito adequado recorrer a Platão, nem à teoria das formas, nem sequer ao mundo sensível (que é cópia imperfeita das formas) vs mundo inteligível (hades / mundo das formas), nem sequer à alma que tem que se libertar do ciclo de reencarnações para contemplar a verdadeira realidade, nem sequer etc, etc, etc…

    Estás a pensar erradamente quando fazes a correlação entre: “aquilo em relação a que nada de mais perfeito pode ser pensado” e “colocar Deus como bitola do absoluto sem limitações de atributo: se Deus não tem limites, Deus é o bem e o mal”. Estás aqui a dar um salto indevido em lógica. O facto de Deus ser absoluto e o mais perfeito que pode ser pensado, isto não implica que seja esse absoluto perfeito algo que contrarie essa mesma perfeição. Será mais perfeito Deus ser mau ou ser bom? Penso que concordaremos na nota ser bom, pois, a bondade é mais constitutivo de ser do que a maldade.

    Deus não tem limites, não na caracterização que o homem faz Deus (até podemos fazer aleatoriamente), mas nos atributos da sua perfeição absoluta em si.

    Atenção: eu não digo que Deus não tem limites; mas digo que Deus não tem limites na sua perfeição absoluta. São coisas diferentes! Logo, se Deus é “aquilo em relação a que nada de mais perfeito pode ser pensado”, então não pode estar implicada a maldade, pois, a maldade é “menos perfeita” que a bondade.

    De um modo sintético, Deus é o ser no qual se realiza de modo total e pleno a realidade do ser. Ora, se Deus é o ser em relação ao qual nada de mais perfeito pode ser pensado, comporta em si mesmo os transcendentais (unidade, verdade, e bondade) de um modo absoluto.

    É também importante salientar que a realidade existente não esgota plenamente a perfeição. E se o ser-absoluto é plenitude absoluta e simplicidade total, então esgota plenamente aquilo que é. Por isso é absurdo postular nele a alteridade. Deste modo, não tem sentido a doutrina maniqueísta de um princípio do bem em simultaneidade com um princípio do mal. Como então explicar o fenómeno do mal? Foi o que eu tentei fazer no meu artigo… Neste contexto, o “absolutamente mau” seria o nada de ser.

    Saudações cordiais,

  40. Olá de novo Mingos,

    Disseste que “não será muito adequado recorrer a Platão, nem à teoria das formas”, contudo, não justificaste o porquê dessa indequação.

    Disseste igualmente que estou a pensar erradamente e a dar um salto indevido em lógica pois “O facto de Deus ser absoluto e o mais perfeito que pode ser pensado, isto não implica que seja esse absoluto perfeito algo que contrarie essa mesma perfeição. Será mais perfeito Deus ser mau ou ser bom? Penso que concordaremos na nota ser bom, pois, a bondade é mais constitutivo de ser do que a maldade”. Existem várias falhas na tua argumentação:
    1 – Estás a fazer uma partição de conceitos que de todo não podem ser fragmentados (por ex.: “absoluto perfeito”. Ora, não existe um “absoluto perfeito” e um “absoluto imperfeito”; o absoluto comporta tudo)
    2 – “Será mais perfeito Deus ser mau ou ser bom?” Ora, quando pretendes introduzir valorações de pendor moral num argumento lógico, a resposta é necessariamente subjectiva ou inválida. No caso em apreço, eu poderia dizer “Shiva é perfeita porque é boa e má, porque é simultaneamente destruidora e renovadora”. Se quiseres prender-te ao conceito Judaico-Cristão, o erro é ainda maior porque, sendo mais perfeito um Deus bom, aquilo que se caracteriza como a abrangência ilimitada do seu poder, não se verifica no aqui e agora – surgindo assim o problema da teodiceia. Ora, que absoluto é este não manifesto na realidade física? Um absurdo obviamente!
    3 – “Penso que concordaremos na nota ser bom, pois, a bondade é mais constitutivo de ser do que a maldade”. Outro engano. Se me dissesses “a bondade DEVERIA ser mais constitutiva do ser”, a tua argumentação ainda poderia ter alguma sustentação (estarias a manifestar um desejo pessoal e não a constatação de um facto); assim, todo o teu argumento cai por terra: se a bondade fosse mais constitutiva do ser, não existiria obviamente a necessidade de um teodiceia! Como diria Pangloss, “este mundo seria o melhor dos mundos possíveis”!

    Dizes também que “Deus não tem limites, não na caracterização que o homem faz Deus (até podemos fazer aleatoriamente), mas nos atributos da sua perfeição absoluta em si.” Mau-maria…voltaste outra vez ao Ser-Absoluto! Desculpa que te diga, mas a tua insistência numa abstracção que pretende harmonizar tudo e o seu contrário, não nos leva a lado nenhum. Cairemos inevitavelmente no paradoxo.

    “Atenção: eu não digo que Deus não tem limites; mas digo que Deus não tem limites na sua perfeição absoluta. São coisas diferentes! Logo, se Deus é “aquilo em relação a que nada de mais perfeito pode ser pensado”, então não pode estar implicada a maldade, pois, a maldade é “menos perfeita” que a bondade.” É o que eu digo: paradoxo, paradoxo, paradoxo…

    “De um modo sintético, Deus é o ser no qual se realiza de modo total e pleno a realidade do ser. Ora, se Deus é o ser em relação ao qual nada de mais perfeito pode ser pensado, comporta em si mesmo os transcendentais (unidade, verdade, e bondade) de um modo absoluto”. A realidade do ser realizada de modo total e pleno em Hannibal “the Cannibal” Lecter tem acolhimento em Deus? Segundo a tua “lógica”, deveria. Quanto a essas conversa megalómana relacionada com a “unidade, verdade e coisa e tal”, epá…isso é treta inventada por professores de filosofia que não tem mais nada de importante para fazer.

    “É também importante salientar que a realidade existente não esgota plenamente a perfeição. E se o ser-absoluto é plenitude absoluta e simplicidade total, então esgota plenamente aquilo que é. Por isso é absurdo postular nele a alteridade”. Para levares os teus argumentos a algum lado tu tens uma estratégia muito engraçada: disparar para o infinito! “plenitude absoluta”…”simplicidade total”… “esgota plenamente”… “absurdo postular a alteridade”… Assim é fácil argumentar! Vou dar um exemplo: Pergunta-“Então como te correu hoje o dia?”; Resposta-“não existe dia enquanto tal: existe apenas uma série infinita de momentos entre o despontar do sol e o seu cair que a nossa compreensão limitada entende apenas como segmentada mas que um ser-absoluto apreende como infinita em toda a sua plenitude e possibilidades. Entre o ponto 1 e o ponto 2 não existe um segmento de recta, mas sim uma recta que perceberemos enquanto tal se a percepção da sua distância for entendida numa escala dinâmica”. Pois… vamos lá entrar em especulações envolvendo a Teoria da Relatividade e a Física Quântica para tentar justificar o pote de ouro no fim do arco-íris!

    “Como então explicar o fenómeno do mal? Foi o que eu tentei fazer no meu artigo… Neste contexto, o “absolutamente mau” seria o nada de ser”. O “absolutamente mau seria o nada de ser”??? O que é que é isto? Epá…segue o que eu te digo: deita os Leonardos Coimbras e os Josés Marinhos pela janela fora…essa tralha não te anda a fazer nada bem ao miolo…:)

    Cumprimentos

  41. Olá novamente Lucas, :-) Obrigado pelos teus comentários…

    Infelizmente penso que ainda não compreendes-te o meu argumento. E considero que é uma má estratégia de compreensão o facto de recorreres a versões deturpadas do meu argumento para o objectar.

    Todo o pensamento que formulei no post anterior está num horizonte de ontologia. Se não nos inserirmos neste contexto nem sequer poderemos compreender incompreensivelmente o ser-absoluto.

    Dizes que estava a dar pendor moral à argumentação, mas estava-me a referir à bondade num plano ontológico e não num plano moral. Então, se o ser-absoluto é perfeição e valor absoluto é bondade absoluta, é a bondade. E num horizonte de perfeição e absoluto é lógico que bondade é mais constitutivo de “ser” do que a maldade.
    Por outro lado, cada sente é totalmente bom, mas esta bondade total não é absoluta mas derivada (finita e limitada). É por isso que o ser humano pode apetecer desordenadamente. O ser-absoluto não pode apetecer desordenadamente, pois, ele é a bondade.

    O ser-absoluto não é uma abstracção que pretende harmonizar tudo e o seu contrário. Pelo contrário, é um ser no qual se manifesta de modo plena e absoluto a realidade do ser; logo, é um ser em unidade, verdade, e bondade absoluta. Pois, se fosse um ser que não manifestasse de modo pleno e absoluto a realidade de ser, então, seria um ser de morte, erro, e mal; e em ultima instância postular um ser de morte, erro, e mal absoluto seria o nada de ser. Mas, para isso precisas antes de compreender o que são os transcendentais.
    De um modo simples e pessoal posso sintetizar por ser-absoluto um ser de amor total.

    Penso que andas a ver demasiados paradoxos onde eles não existem…

    (O que não me faz bem aos miolos é ser acritico, ter uma atitude verificacionista (não olhando a contra-exemplos), estar apenas mergulhado no positivismo, ou ter apenas uma chave de leitura da realidade…)

    Saudações cordiais, ;-)

  42. No entanto, pessoalmente não considero o argumento ontológico de Santo Anselmo um argumento definitivo e sem margens para dúvidas.
    Mas, você considera a inexistência de Deus uma posição totalmente fundamentada, definitiva, e sem qualquer margem para dúvidas???

    Não é assim tão simples reflectir sobre toda a realidade existente, sobre o ser que nos habita e no qual estamos mergulhados…

  43. Ei,mingos!!! Vi Deus!!! falei com Ele…
    Ele me disse que é fruto da minha “viagem”, tá ligado???

  44. caros crentes…. parem de viajar em LSDeus.

  45. Caro “Marijuana boy” e “Realista”…
    É então com essas provocações que dizem que os crentes são irracionais?! Muito bem, tou a ver que vão longe… :-(
    Os vossos comentários são totalmente falaciosos: 1-estão a generalizar (passar de um caso particular para todos os casos). 2-estão a confundir religião com substâncias psicotrópicas.

    Só espero que elevem o nível de discussão… Estamos aqui a argumentar racional e logicamente para aprendermos uns com os outros, e não estamos aqui para ofender uns aos outros…

    Saudações cordiais,

  46. Ahaha Mingos

    Tem de perceber que há uma diferença enorme em termos evolucionários entre os ateus e crentes.
    Os crentes estão num nível superior aos ateus que não têm capacidade de raciocínio lógico-dedutivo, basta ver que os ateus estão ao mesmo nível dos babuínos, dos mosquitos etc… tais animais também são ateus..

    Ateu= Acéfalo

  47. Caro mingos,

    Essa argumentação critica ao ateísmo de leitura única da realidade não me convence~, é falaciosa e tenta transpor para o entendimento da realidade princípios que se devem limitar ao respeito pela opinião alheia. Ora, ciência não é opinião. É a ciência e não a religião que procura alternativas constantemente para uma explicação cada vez mais profunda da realidade.

    Por exemplo, se eu for da opinião que a música jazz é, genericamente falando, um estilo musical mais elaborado e complexo que a música pop, ambos temos o direito de ter a nossa opinião diferenciada. Se eu for da opinião que o portal Ateu fica melhor de azul e o mingos achar que ficava melhor de verde, ambos temos o direito de ter a nossa opinião.

    Mas, quando toca a confirmarmos a realidade, ela terá que ser só e apenas uma, olhemos sob que prisma olharmos. Se a Terra demora um pouco mais de 365 dias a dar a volta ao Sol, por mais chaves que experimente, irá sempre encontrar esses dados. Ou, então, as chaves não funcionam.

  48. xor Helder, a ciencia e uma entidade completamente diferente do ateismo, ponha isso na sua cabeca. O ateismo tbem nao procura alternativas….e sempre a certeza irracional que Deus nao existe.
    Para alem que oico muitos crentes que duvidam muitas vezes da existencia de Deus ou seja poem alternativas como Deus nao existir como se faz em boa ciencia. Coisa que o ateu nao faz….Deus nao existe e pronto..

  49. Caro Helder,

    Obrigado pelo seu comentário.

    É óbvio que a ciência é fundamental para a compreensão do cosmos espacio-temporal. Mas, será que a ciência poderá provar uma realidade trans-espacio-temporal e trans-empírica?
    Ou será que se quer eliminar a metafísica como tentaram fazer (sem sucesso) os neopositivistas???

    Dizer que só a ciência compreende e explica exaustivamente (de modo definitivo e sem margens para dúvida) tudo o que é ser, penso que é limitar todo o ser ao fenómeno empírico e físico-químico.
    Do mesmo modo, não vejo oposição entre ciência e religião. A ciência ajuda mesmo a religião…

    A ciência é sem dúvida a condição necessária para a compreensão da realidade, mas será a condição suficiente???

    Contudo, não compreendo como se pode ter apenas uma chave de leitura de todo o ser.

    Saudações cordiais,

  50. (mingos)

    POR QUE NO TE CALLAS ??

  51. “Caro “Marijuana boy” e “Realista”…
    É então com essas provocações que dizem que os crentes são irracionais?! Muito bem, tou a ver que vão longe… :-(
    Os vossos comentários são totalmente falaciosos: 1-estão a generalizar (passar de um caso particular para todos os casos). 2-estão a confundir religião com substâncias psicotrópicas.”
    religião e drogas são similares pois deixam as pessoas “antenadas na realidade”. Religioso falando de generalização… pois bem, se é assim… nem todo satanista é mau. nem todo islâmico é terrorista, nem todo cigano é ladrão.
    certo?

    “Só espero que elevem o nível de discussão… Estamos aqui a argumentar racional e logicamente para aprendermos uns com os outros, e não estamos aqui para ofender uns aos outros…”
    e por acaso religião é alto nível?? Hahahahaha! Religião combina com racionalismo?? Bela anedota!

  52. Continua o Juan Carlos I com os tesourinhos deprimentes dos seus comentários de quem tem uma cabecinha oca e simplesmente manda calar toda a gente…mas entao porque não se faz ouvir?

    Realista, os teus textos (assim como os do Juan Carlos I e do Marijuana Boy), so servem para baixar o nivel das trocas de opiniões que aqui se manifestam…baixa o nivel e, desta vez, baixa também o interesse…pq não dao o vosso contributo em vez de terem esse tipo de comentários?….

    cumprimentos..

  53. POR QUE NO TE CALLAS ???!!!

  54. Porque é que a religião não pode combinar com racionalismo? Somente ateus como o sr. “Realista” vêem essa incompatibilidade… se vivessem a religião talvez poderiam reflectir melhor sobre isso… mas nem sequer o “Realista” consegue chegar a reflectir, pois para ele pensa que toda a religião é uma treta e uma irracionalidade. Infelizmente este sr. está mergulhado numa mentalidade verificacionista onde quer provar a tese: “crença = irracional” . No entanto, este sr. esquecesse dos contra-exemplos, e generaliza como se conhecesse realmente todo o fenómeno religioso, logo são comentários totalmente descabidos.

    Por outro lado, a religião não implica necessariamente pessoas a viver “antenadas na realidade”. Pelo contrário, se atendermos à própria raiz da palavra “religião” veremos que esta quer dizer “re-ligar”, ou seja, voltar a ligar a relação de amor entre toda a humanidade, todo o cosmos, todo o ser, incluindo o ser mais absoluto que exista…
    Esta atitude, antes de nos fazer “antenados na realidade”, faz-nos pessoas que querem um mundo, uma humanidade mais feliz, com mais alegria e amor, onde existe entre todos uma relação. E que por isso se esforçam por fazer que todo o ser seja uma civilização do amor. (É óbvio que infelizmente existem exemplos que contrariam esta visão da religião, no entanto penso que uma religião veemente vivida aponta antes para a “relação com, para, no, em”).

    Nem sequer são dignos de resposta os comentários de Juan Carlos I e do Marijuana Boy.

  55. mingos…. quando você provar q deus existe, nós conversamos!

  56. mingos diz: “2-estão a confundir religião com substâncias psicotrópicas”. Faz sentido sim. O efeito religioso no cérebro da pessoa tem um efeito de deturpação da realidade visto que vários hormônios como serotoninas, dopaminas são ativadas durante uma conversão. Neste caso, você tropeça da especulação para bater de frente com o que as experiências das neurociências têm demostrado.

    Áreas do cérbro ligadas ao prazer e recompensa são responsáveis por experiências místicas ou sobrenaturais, a própria comunicação com “deus”. Da recompensa e da punição; dos enigmas sobre os fenômenos naturais; da satisfação de se resolver um problema; do prazer, da beleza e do encantamento estéticos tudo está na origem biológica do indivíduo e ainda, cogita-se que a religião ou a experiência mística nasceu fruto da evolução para garantir a sobrevivência de grupos tribais primitivos. Se você não sabia, o organismo humano possui ópios naturais e a experiência com deus ou “transcedental” nada mais são do que fluxos químicos e físicos da cuca. Mais nada.

  57. Mingos…. imagina se alguém aparece aki dizendo ke sereias, gnomos etc. existem e disser que isso é racionalismo?? COmo é ke vc reagiria a isso? você consideraria essa pessoa racional?

  58. Caro Alexandre Chacon,

    Será que somos programados para acreditar em Deus?

    As neurociências, ciências da mente, estudam o nosso cérebro. Os neurocientistas através dos seus estudos chegaram à conclusão que cada área do nosso cérebro comanda parte do nosso ser. E do mesmo modo, defendem que as experiências religiosas não são diferentes de outras experiências, como por exemplo estéticas, sendo tudo fruto da evolução. Estes cientistas que estudam o cérebro vêem um correlacionamento íntimo entre a área emocional da religião e as áreas da agressividade e sexualidade. Portanto, a religião não tem nada de transcendente; está tudo na “nossa cabeça”.
    Desta forma, “especialistas na área da cognição demonstram que a nossa aptidão para crer em algo superior tem origem não no céu, mas no nosso cérebro”. As experiências religiosas são um produto do nosso encéfalo, dependendo do grau de serotonina, que é um neurotransmissor que para além de outras funções (relacionadas com a sensação de fome, sede e sono), pode também activar a nossa religiosidade. Assim, quanto mais elevada for a taxa de serotonina, maior é a religiosidade demonstrada; sente-se, por conseguinte, uma presença de Deus, uma comunhão com o cosmos, e poderá também acontecer experiências místicas.
    E ter este sentimento de estar perto de Deus poderá ser produzido excitando-se certas regiões específicas do cérebro com impulsos electromagnéticos. Os neurocientistas podem colocar na nossa cabeça um campo magnético, o qual dispara a actividade eléctrica dos lóbulos temporais, provocando consequentemente a experiência espiritual.

    Então, se somos crentes, é porque o nosso encéfalo nos programou para isso? Onde, do mesmo modo, talvez Deus não passará de uma simples construção dos nossos cérebros?

    É verdade que as neurociências têm vindo a esclarecer e revelar o grande enigma maravilhoso que é o nosso cérebro. Contudo, esta ciência é ainda ingénua em campos como o religioso. E o grande erro destes especialistas na área da cognição deve-se ao facto de confundirem a espiritualidade com a religião, e a religião com sentimentos e experiências específicas; concomitantemente, sugerir que o cérebro é a única fonte das nossas experiências espirituais é muito reducionista. Mas, é preciso atender que a fé é mais que um sentimento.
    Assim, pelo facto de existir um Deus e por sermos crentes não quer dizer que o nosso cérebro nos programou para isso. Por exemplo: “para vermos Cristo num doente com sida, ou para amarmos os nossos inimigos, não temos necessidade de nenhumas alterações especiais nos nossos circuitos cerebrais. Nem a eficácia de uma celebração eucarística depende da existência de ondas cerebrais colectivas da comunidade. (…) A religião compreende uma grande variedade de actividades e ideias que se referem a uma ordem transcendente mas não exigem necessariamente uma experiência transcendente”.
    O facto de alguém ter momentos de grande elevação (como a união com o cosmos) não é necessariamente experiências religiosas. O que caracteriza verdadeiramente um religioso e um seguidor de Cristo é o “Ama ao próximo”, e isso exige um grande esforço de auto-transcendência. Deste modo, o cristão nega o eu (não significa elimina o eu), para ir ao encontro do outro, para ajudar o outro. O cristianismo não é algo de extraordinário, espectacular, mas tem a ver com fenómenos normais, do dia-a-dia, das relações interpessoais que estabelecemos. Assim, no cristianismo o amor ao próximo deve ter sempre prioridade em relação à união com Deus. Os cristãos são cristãos pela sua caridade e não pelas suas experiências místicas.

    Saudações cordiais,

  59. Caro “Realista”

    Em primeiro lugar, a minha argumentação está num horizonte de ontologia (ou estudo do ser). Será que não poderá existir uma ser mais excelente ou perfeito que todos os outros??? Racionalmente pode-se conceber que sim, que pode existir um tal ser; o argumento ontológico é um exemplo disso… No entanto, toda esta argumentação não está totalmente fundamentada, nem sequer é a visão definitiva e totalmente certa da realidade, deixando assim muito espaço para a dúvida. Porém, tento que a “logia” se aproxime cada vez mais do “onto”. Mas, pelo facto de sermos sentes finitos e limitados nunca conseguiremos chegar definitivamente à verdade, apenas podemos ir aproximando…

    Em segundo lugar, deixo uma citação para todos nós reflectirmos do filósofo ateu A. Comte-Sponville: “ninguém sabe, no sentido forte da palavra, se Deus existe ou não. Se encontrardes alguém que vos diga: ‘Eu sei que Deus não existe’, esse não é em primeiro lugar um ateu, é um imbecil”.

    Saudações cordiais,

  60. mingos… deus é tão real como 1 sereia….

  61. Caro “Realista”

    Então, apresente-me uma CVJ a provar isso…

    Mas, você infelizmente nunca vai provar ou reprovar com uma certeza absoluta uma realidade trans-espacio-temporal.

    Você parece ser um ateu com certezas absolutas, logo, um ateu fundamentalista ou um “imbecil” como afirma o filósofo Comte-Sponville.

    Saudações cordiais,

  62. Caro mingos,

    Peço perdão pela intromissão no vosso debate, mas após lê-lo atentamente, não consigo resistir a tecer dois ou três comentários:

    Temos falado bastante e de forma salutar sobre as coisas que estão para além da razão, ontologicamente falando:
    Causa primeva da existência do espaço-tempo onde assumimos a nossa consciência, o ser absoluto, a ordem incógnita transversal ao Multiverso, etc – e até deus, nas suas releases mais popularuchas.

    Tudo isto é muito interessante e divertido mas não é nenhuma simples conversa de salão como desconfio que concordará – mas aqui neste portal, felizmente até “dá para conversar”, salvo algum ruído – com mea culpa também.

    Sei que me vai acusar de materialismo fundamentalista, mas penso que o sentido de “tudo isto” se resume tão somente à sua utilidade intrínseca.

    Vou tentar explicar-me melhor:
    Como predadores de topo – classificação aliás, arduamente conquistada – sabemos melhor que ninguém se “as coisas” são úteis ou não:
    - É útil saber a que horas os “gnus” vão beber água ao charco…
    - E é seguramente útil saber a que horas os leões também vão beber água ao charco…
    - Não digam a ninguém, mas ainda mais útil é saber, quando é que as raparigas e os rapazes da tribo vizinha vão beber água ao charco!…

    Graças à nossa capacidade de planeamento em prol da utilidade, a nossa espécie acabou por ser promovida meteoricamente a predador de topo, após agonizar num estágio de milhares de anos no estatuto desprezível de comida ocasional para leões Dentes-de-Sabre.
    A utilidade é tudo!
    Descodificando: A cultura só faz sentido existir se for útil.

    Entretanto, e para nosso espanto, culturalmente e através da nossa imaginação, deparamo-nos com acesso total a experimentar reflexões sobre “coisas estapafúrdias” tais como seres absolutos e causas primevas.

    - Temos esta capacidade de borla, ou seja, é ainda e apenas uma mutação “à espera” de que venha a ser útil de alguma forma?
    - Seremos a única espécie com esta borla?
    - É tudo apenas de acordo com o tal inatingível, não inteligível e (já agora) incompreensível de todo, plano divino?
    - Ou tudo não passa apenas de uma grande confusão, que aliás, é a confusão de que andamos para aqui a tentar deslindar?

    Para estas coisas, há quem inclusivamente lhe dedique algumas zonas específicas de activação no cérebro, o que lança de imediato outras questões de pormenor como:
    - Alguém que se torna ateu ao longo da vida é porque sofre de alguma deficiência cerebral? (Foge!)
    - Se esta zona do cérebro for extraída, esse alguém torna-se ateu? (Livra!)
    - Uma criança adoptada e educada por uma loba (existem vários casos documentados) desenvolve esta zona do cérebro de forma inata? Ou fica atrofiada por não adquirir o respectivo “recheio cultural”?

    Penso sinceramente que existe uma grande confusão nestes estudos.
    Não nos estudos em si, mas à volta da publicação das suas conclusões, que foram entretanto mediatizadas e distorcidas de acordo com as tendências editoriais de cada publicação.
    Não sou especialista nesta área – tal como já devem ter notado, e existem colaboradores neste portal mais bem documentados que eu nestas matérias - mas na minha humilde opinião, só se justificaria existir uma zona específica no cérebro para - grosseiramente – tratar da gestão das “coisas de santinhos”, se isso do ponto de vista evolutivo fosse de alguma forma útil…

    E talvez até possa ter sido, mas mais uma vez, por acaso:
    Quem sabe se, por exemplo, as regras rígidas de contratos matrimoniais estabelecidos entre tribos com base em preceitos religiosos, para além de garantirem a não consanguinidade, também tenham garantido a partilha da diversidade de imunidade biológica a doenças, e a posterior dinamização migratória de populações?

    Talvez até tenha sido útil para a nossa espécie, estar capacitado para reflectir sobre coisas estapafúrdias. E daí? Passam a menos estapafúrdias por isso?

    Para finalizar, e porque o lençol já vai longo e para além disso, estão a chamar-me para um petisco;-)

    Que fazer perante tudo isto?

    Bom…Como predador de topo que sou, vou depredar dentro de momentos uma outra espécie que, apesar de possuir um cérebro notável e inteligentíssimo, capacidade de comunicação desenvolvida e orgãos de manipulação externos capazes de desenvolver uma cultura tecnológica, não possui todavia uma cultura social de partilha de conhecimentos – como nós - que lhe permita desenvolver em grupo (por enquanto), defesas eficazes diante da nossa capacidade de depredação.

    Nota: É só uma salada de polvo… e deus, é-lhe útil?

  63. Mingos… prove a inexistência das sereias e gnomos!!

  64. Saudações mingos,

    Peço desculpa por tardar na resposta mas, tal como o nosso confrade Abrasivus, também eu fui chamado para um festim predatório de fim de semana o qual contribuiu, não para a extinção das cada vez mais raras espécies marinhas, mas para as cada vez mais raras peças de caça no solo alentejano – atenção: numa zona de caça respectivamente sancionada pelo Governo para o efeito. Sim: tal como qualquer ser humano (e os vegetarianos que não se ponham à sombra pois também o seu impacto cumulativo não é despiciente), também eu contribuo para rapinar o planeta. Logo, se eu sou feito à imagem de Deus, Deus é um predador. Falar-me-ão do pecado original e coisa e tal, que isto só se tornou assim porque a Eva começou a sua predação com uma maça e acabou-a com uma banana. Até pode ser verdade, só que, se Deus lançou a escória humana para um inocente pedaço de planeta que nada tem a ver com os dramas celestiais, a Deus não poderá ser atribuído o título de “ecologista”.

    Depois destas divagações, comecemos então as respostas (tentarei ser breve):

    “Todo o pensamento que formulei no post anterior está num horizonte de ontologia. Se não nos inserirmos neste contexto nem sequer poderemos compreender incompreensivelmente o ser-absoluto”. Vou fazer aqui uma pequena provocação: imagina que eu imagino que tu estás a utilizar a Internet numa qualquer ala psiquiátrica de um hospital português; porque é que deveria tomar a tua visão de um “horizonte de ontologia” como válida? É apenas a tua, e eu nem sequer sei quem és. Estás a tentar remeter-me para um princípio de autoridade: “acreditem nas minhas teorias acerca daquilo que é uma visão ontológica”. Ora, se eu me “inserir no teu contexto”, teria toda a obrigação de me inserir no contexto de outros que pugnam por opiniões bem diferentes da tua e sobre as quais, nada me diz que não possam ter uma compreensão bem mais sofisticada sobre um “ser absoluto”. Estou-me a lembrar por exemplo de um Ken Wilber. Porque é que deveria levar qualquer uma das duas visões em consideração? Existe algo que me deva fazer aceitar essas opiniões como válidas?

    Tudo o resto se segue a partir destes pressupostos de autoridade:

    “se o ser-absoluto é perfeição e valor absoluto é bondade absoluta, é a bondade. E num horizonte de perfeição e absoluto é lógico que bondade é mais constitutivo de “ser” do que a maldade.
    Por outro lado, cada sente é totalmente bom, mas esta bondade total não é absoluta mas derivada (finita e limitada). É por isso que o ser humano pode apetecer desordenadamente. O ser-absoluto não pode apetecer desordenadamente, pois, ele é a bondade”

    Dizes tu! Eu falo diariamente com um “ser de luz” que me diz exactamente o contrário. Refuta-me se puderes. Eu refutar-te-ei de seguida. E ambos conseguiremos levar as nossas refutações ad infinitum porque simplesmente estaremos a falar fora de uma dimensão em que seja possível o discernimento e a verificação (tipo “conversa de malucos”).

    “é um ser no qual se manifesta de modo plena e absoluto a realidade do ser; logo, é um ser em unidade, verdade, e bondade absoluta. Pois, se fosse um ser que não manifestasse de modo pleno e absoluto a realidade de ser, então, seria um ser de morte, erro, e mal; e em ultima instância postular um ser de morte, erro, e mal absoluto seria o nada de ser. Mas, para isso precisas antes de compreender o que são os transcendentais.
    De um modo simples e pessoal posso sintetizar por ser-absoluto um ser de amor total”

    Idem, idem, “, “.

    “(O que não me faz bem aos miolos é ser acritico, ter uma atitude verificacionista (não olhando a contra-exemplos), estar apenas mergulhado no positivismo, ou ter apenas uma chave de leitura da realidade…)”

    Terminaste em beleza: REALIDADE! Ou seja: tudo aquilo de que não estiveste a falar! Lol! :)

    Saudações

  65. Caro Lucas Samuel,

    Obrigado pelo teu comentário. ;-) A minha argumentação está no horizonte do estudo do ser (ontologia); se toda a realidade é ser, não vejo nenhum mal de tentar compreender a realidade estudando o “Seiend” enquanto “Sein” (ou seja, estudando toda a realidade que é, quer seja finita ou infinita, enquanto exerce a actividade do ser; sendo o “sente” todo o ser finito concreto; o “ser” é a realidade que faz com que o sente seja; e o ser-mesmo [ou ser-absoluto] é o ser no qual se realiza de modo total e pleno a realidade do ser).

    Dizes que “E ambos conseguiremos levar as nossas refutações ad infinitum porque simplesmente estaremos a falar fora de uma dimensão em que seja possível o discernimento e a verificação”. Pois é… e assim ninguém vai conseguir provar ou reprovar com uma certeza absoluta e sem margem para dúvidas a existência de Deus, ou como afirma o filósofo ateu Comte-Sponville “ninguém sabe, no sentido forte da palavra, se Deus existe ou não”. E assim, torna-se totalmente absurdo um ateu dizer que sabe (conhece) realmente (com uma certeza absoluta) que Deus não existe. Um ateu não sabe (conhece em sentido forte) que Deus existe ou não existe; apenas pensa que sabe que Deus não existe. Temos que ser humildes! Em relação a um crente é parecido, duma forma similar pensa que sabe que Deus existe.

    Apenas poderemos aceitar ou rejeitar Deus, mas nunca o poderemos provar ou reprovar a existência de Deus. Existem motivos para aceitar ou rejeitar Deus. Eu ao longo desta página dei-te a ver os meus motivos, tu deste-me os teus.

    Em ambos os casos (ateus e crentes) somos constantemente assaltados pela dúvida. Crentes: “e se Deus não existe realmente?”, Ateus: “e se Deus existe realmente?”. O crente fica “incomodado” com o ateu; e o ateu fica “incomodado” com o crente. Se assim não fosse nunca haveria estas discussões, nem sequer seria criado este portal ateu ou outras divulgações do ateísmo, nem sequer haveria meios de divulgação dos crentes. Cada um fica assaltado com a palavra “Talvez”… talvez esteja errado, talvez esteja certo… mas sempre “talvez”, e nunca uma certeza totalmente fundamentada, absoluta, e sem margens para dúvidas.

    Considero que ter fé em Deus não é ter uma atitude dogmática, mas antes caminhar sobre o fio da navalha, sempre sujeito a ferir-me… penso que um ateu também não deve ter uma atitude dogmática, mas pensar que também poderá talvez estar completamente errado.

    Mas, o que eu acho intelectualmente e racionalmente desonesto é um ateu dizer que sabe (conhece) realmente (com uma certeza absoluta e sem margens para dúvidas) que Deus não existe; o que parece que não é o teu caso… :-)

    Saudações cordiais,

  66. Boas Mingos!

    Vamos lá adormecer o pessoal com as nossas conversas mais uma vez! Ehehehe…

    “Se toda a realidade é ser, não vejo nenhum mal de tentar compreender a realidade estudando o “Seiend” enquanto “Sein” (ou seja, estudando toda a realidade que é, quer seja finita ou infinita, enquanto exerce a actividade do ser; sendo o “sente” todo o ser finito concreto; o “ser” é a realidade que faz com que o sente seja; e o ser-mesmo [ou ser-absoluto] é o ser no qual se realiza de modo total e pleno a realidade do ser)”

    Epá…isto é ainda mais grave do que eu pensava: já estás contaminado de Heidegger. Lol. :)

    “Pois é… e assim ninguém vai conseguir provar ou reprovar com uma certeza absoluta e sem margem para dúvidas a existência de Deus, ou como afirma o filósofo ateu Comte-Sponville “ninguém sabe, no sentido forte da palavra, se Deus existe ou não”

    Mas se é assim, porquê confinarmo-nos apenas ao conceito clássico de “Deus”? Se vale tudo o que a nossa mente conjurar, vamos abrir o leque até ao limite das possibilidades (que é como quem diz: até ao infinito da nossa imaginação): ET’s, espíritos, deuses olímpicos, fadas, dragões, Gaia, etc. Quem quiser levar a sua vida ao sabor daquilo que a sua imaginação lhe diz ser mais condizente com o seu “horizonte de ontologia”, be my guest! O problema desse delírio pessoal não se coloca no plano individual: coloca-se no plano colectivo (ou social). Quereremos uma civilização fundamentada na assumpção da legitimidade de qualquer um desses produtos fantasiosos? Se alguém responder que sim, boa viagem até África com o “Pai” Jim Jones… que fiquem apenas os lúcidos.

    Eu acho o Deísmo uma postura bem mais sóbria do que qualquer forma de “religiosidade institucional”; é que pelo menos, o Deísmo assume uma transcendência não objectivada – ou até mesmo, singularizada. Da mesma forma, a propensão para o delírio colectivo patrocinado pela “tralha religiosa institucional”, não pode nunca ser enfatizada pelo Deísta: a relação com essa “transcendência” realiza-se num plano puramente pessoal (não será assim de estranhar que essa consciência elevada de separação entre Igreja e Estado tivesse sido levada a cabo pelos Founding Fathers americanos – na sua maioria Deístas).

    Perguntar-me-ás: “porque não és Deísta então?” A resposta é simples: porque não preciso (nem acho necessário) equacionar um deus ex machina de características transcendentes para confirmar aquilo que eu vejo e sinto como realidade. Que muitas coisas nos estão escondidas na realidade, é óbvio que sim! Mas dizer que o armário está fechado e não temos as chaves é uma coisa; dizer que existe um mundo perfeitamente identificado e “revelado” para lá do armário, significa dizer outra coisa totalmente diferente – e absurda! Não é por acaso que o mistificador do C.S. Lewis escolhe essa simbologia para criar Narnia… mas também não é por acaso que ele escolhe crianças para acreditarem que possa existir algo para lá do fundo do armário: é a idade da ingenuidade que se quer preservar; e com ela, a perpetuação da ignorância.

    Cumprimentos.

    PS: vou fingir que o teu “ser-absoluto” faz parte do teu Deísmo inconsciente… ;)

  67. Olá Lucas

    Porque é que não simpatizas com Heidegger?
    Estás a confundir ET’s, espíritos, deuses olímpicos, fadas, dragões, Gaia, etc com o ser no qual se realiza de modo total e pleno a realidade do ser.
    Dizes que “Quem quiser levar a sua vida ao sabor daquilo que a sua imaginação lhe diz…”, mas estudar o ser não é uma questão de imaginação. Porventura não existem seres que realizam melhor a realidade de ser do que outros??? Ou será que o teu ser é menos perfeito e constitutivo do que uma laranja ou do que uma minhoca? :-) Se nós somos mais perfeitos que outros seres, porque é que não poderá existir um ser mais perfeito e constitutivo do que o nosso ser e que seja um ser no qual se realiza de modo total e pleno a realidade do ser??? Nós somos causa fiendi, verdade apreensiva ou projectada, somos finitos, limitados, etc… por outro lado, um ser no qual se realize de um modo total e pleno a realidade do ser seria a causa essendi, verdade projectiva ou constituinte, infinito, ilimitado, etc… Perante o nosso ser contingência penso que não será absurdo existir um ser no qual realize de modo total e pleno a realidade de ser. Mas, é óbvio que não poderemos provar ou reprovar um tal ser; apenas podemos aceitar ou rejeitar, mas isso não invalida uma existência ôntica de tal ser.
    Porém devido à limitação que caracteriza a mente humana pode haver uma deficiente apreensão da inteligibilidade do ser, da verdade ôntica. Por isso, somos sempre assaltados pelo “talvez”, sendo nós crentes ou ateus. Será insensato um ateu dizer que compreende completamente a realidade, e dizer com uma certeza inabalável e e sem margens para dúvidas que tem a certeza absoluta que que Deus não existe. talvez sim, talvez não, talvez…

    Saudações cordiais,