Every sperm is sacred

Celebram-se hoje os 40 anos da Encíclica Humanae Vitae, documento sobre a regulação da natalidade da autoria do Sumo Pontífice Paulo VI e, muito provavelmente, um dos principais responsáveis pelo afastamento dos fiéis nos passados anos.

A maior polémica prende-se à volta da contracepção artificial e do aborto. No mundo de hoje, onde as pessoas são livres e mais informadas, a doutrina sexual e conjugal da ICAR é vista como arcaica e retrógada por grande parte dos jovens. Toda e qualquer credibilidade que a ICAR poderia ter dentro deste tema esbarra na sua intransigência em relação à contracepção, ainda por cima num mundo fustigado pela SIDA e outras DST, e onde a procriação passou para um plano inferior.

Passo a mostrar os pontos mais interessantes desta encíclica:

«é absolutamente de excluir, como via legítima para a regulação dos nascimentos, a interrupção direta do processo generativo já iniciado, e, sobretudo, o aborto querido diretamente e procurado, mesmo por razões terapêuticas (…)  É de excluir de igual modo, como o Magistério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta, quer perpétua quer temporária, tanto do homem como da mulher (…) É, ainda, de excluir toda a ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas conseqüências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação.»

Ou seja, a uma mulher com uma gravidez ectópica é negado o direito de abortar. Vasectomias, laqueações de trompas e contraceptivos em geral estão proibidos. Tal permanece válido para a contracepção natural, que pode ir desde o método sintotérmico até ao “clássico” coito interrompido, passando ainda pela castidade:

«Queremos nesta altura chamar a atenção dos educadores e de todos aqueles que desempenham tarefas de responsabilidade em ordem ao bem comum da convivência humana, para a necessidade de criar um clima favorável à educação para a castidade, isto é, ao triunfo da liberdade sã sobre a licenciosidade, mediante o respeito da ordem moral»
  

Mas há quem tente mudar as coisas mesmo dentro da própria Igreja, como o movimento internacional Nós Somos Igreja.

Homens e mulheres católicos deste movimento afirmam que a ICAR «“precisa de uma nova doutrina da sexualidade”, que signifique abandonar a recusa da utilização dos métodos de contracepção considerados artificiais, como a pílula ou preservativo (…) nasceu há dez anos e advoga, entre outros pontos, uma “valorização positiva da sexualidade”», segundo o jornal Público.

Será preciso esperar mais quarenta anos?

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