Em sintonia com Manuela Ferreira Leite

Por Rui Janeiro • 20 Jul, 2008 • Categoria: Discriminação Religiosa, Informação Jurídica, Juventude, Nacionais, Notícias

Depois da líder do PSD ter assumido que o primário objectivo do casamento é a “procriação”, surge o líder dos Socialistas Católicos (categoria cuja existência eu ignorava) a opor-se aos casamentos homossexuais. Isto no seguimento das palavras do recém eleito líder da JS, Duarte Cordeiro, que afirmou que o “casamento entre pessoas do mesmo sexo vai continuar a ser uma ‘bandeira’ daquela estrutura“.

«O líder dos Socialistas Católicos, Cláudio Anaia, demarcou-se hoje da posição da Juventude Socialista (JS) de defesa do casamento homossexual, considerando que se trata de uma proposta «aberrante»»[Sol]

Apesar de ter todo o direito a concordar ou não com a proposta, o insulto que profere (”aberrante”) revela uma faceta que considero reaccionária e mesmo ofensiva, mas tendo em conta que vem de um grupo católico não surpreende nada.

«o líder dos Socialistas Católicos, que é também militante da JS, demarca-se, contudo, da posição dos ‘jotas’, sublinhando que «o casamento é uma instituição que, mesmo no plano civil, é celebrada entre pessoas de sexo diferente»

Ou seja, o casamento é para ser celebrado entre pessoas de sexo diferente, mesmo na sua vertente mais rasca, “no plano civil”. Subentenda-se que a verdadeira instituição é o sagrado matrimónio.

«à ideia de casamento está indissociável a constituição de uma família, que possa haver filhos, com pai e mãe» (…) «Qual o limite para a vida em sociedade? Porque permitir o casamento entre homossexuais e não permitir a poligamia aceite, por exemplo, noutras sociedades? Ou o casamento incestuoso?»»
Considere-se que a existência da poligamia é incoerente sem a sua vertente complementar, a poliandria, não deixando de ser uma “tradição” bárbara de sociedades patriarcais (e muito influenciadas pela religião) onde a mulher era considerada como um ser inferior. O casamento incestuoso é polémico, havendo mesmo um casal de irmãos na Alemanha que pretende derrubar esse tabu. E tendo em conta a associação do casamento à procriação, acho mais provável que um católico conservador defenda um casamento incestuoso do que um homossexual.

Mas, em relação ao casamento, o verdadeiro problema vem de dentro. Em vez de apontarem as armas para o casamento homossexual mais deviam preocupar-se com a progressiva baixa das uniões (civis) e matrimónios (religiosos). É uma instituição em queda cuja sobrevivência nas sociedades mais evoluídas começa a estar algo ameaçada, tanto estatisticamente (menos casamentos e cada vez mais tarde, para além do progressivo aumento das uniões de facto) como pela alta taxa de divórcios (sendo que o que aumenta mais é mesmo o casamento em segundo grau ou superior).

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17 Respostas »

  1. Os socialistas católicos??? Mas o que é isto? Lá estão uns qq idiotas a misturar o que não devem!
    Este “agrupamento” não pertence ao PS nem à JS q é um partido laico!

  2. Caro Rui Janeiro,

    «Depois da líder do PSD ter assumido que o primário objectivo do casamento é a “procriação”, surge o líder dos Socialistas Católicos (categoria cuja existência eu ignorava)»

    O Rui achava que havia uma espécie de “juramento laico-ateu” para a admissão ao Partido Socialista?

    «a opor-se aos casamentos homossexuais. Isto no seguimento das palavras do recém eleito líder da JS, Duarte Cordeiro, que afirmou que o “casamento entre pessoas do mesmo sexo vai continuar a ser uma ‘bandeira’ daquela estrutura“»

    Claro que vai. Que mais ideias políticas tem Duarte Cordeiro e os seus colegas juventudo-políticos para o país senão ideias geniais destas? Falamos de pessoas que, não tendo carreiras profissionais nem experiência de trabalho, e aspirando seguir os passos dos “séniors” que estão no Parlamento, precisam de dizer coisas “jovens” e “irreverentes”, coisas que atraiam os “media” sequiosos destas “questões fracturantes”, porque qualquer dia serão eles a enfrentar o hemiciclo e a chamar nomes às mães dos seus adversários das outras bancadas. E nisto, nenhuma “jota” se safa, desde a centrista à comunista…

    Será que deveríamos esperar da JS, ou de qualquer “jota”, a proposta de questões económicas? Precisavam de saber de Economia.
    Será que deveríamos esperar deles a proposta de questões sociais? Precisavam de saber de Sociologia.
    Será que deveríamos esperar deles a proposta de questões técnicas? Precisavam de saber das matérias técnicas em questão.

    O que é que é preciso saber para propor o casamento homossexual?
    É só preciso saber pintar uma bandeira em arco-íris, e já está.

    «Apesar de ter todo o direito a concordar ou não com a proposta, o insulto que profere (”aberrante”) revela uma faceta que considero reaccionária e mesmo ofensiva, mas tendo em conta que vem de um grupo católico não surpreende nada.»

    Não percebo: o Rui não considera aberrante a rejeição do casamento homossexual?
    Parece quase que o Cláudio Anaia deu um tiro a alguém.
    Será que ele não pode dizer o que pensa sem se considerar que isso é ofensivo para alguém?
    E porque é que usou a palavra “reaccionária”? Não vejo como aplicá-la… O que entende por esta palavra?

    «Ou seja, o casamento é para ser celebrado entre pessoas de sexo diferente, mesmo na sua vertente mais rasca, “no plano civil”. Subentenda-se que a verdadeira instituição é o sagrado matrimónio.»

    Para o católico, isso é trigo limpo. No entanto, eu não chamaria “rasca” ao casamento civil. Com o que este tem de racional e de sensato, eu diria mesmo que, hoje em dia, o casamento civil entre um homem e uma mulher é um oásis de racionalidade e de sensatez no marasmo tonto dos nossos tempos. Hoje em dia, é raro ouvir alguém dizer em voz alta, e sem vergonha, que uma família existe melhor com um pai masculino e uma mãe feminina, e que um miúdo gosta de ter um pai que é homem e uma mãe que é mulher. Chamem-me antiquado por tentar defender a razão, quando todos já a abandonaram…

    «Considere-se que a existência da poligamia é incoerente sem a sua vertente complementar, a poliandria, não deixando de ser uma “tradição” bárbara de sociedades patriarcais (e muito influenciadas pela religião) onde a mulher era considerada como um ser inferior.»

    A mulher é considerada um ser inferior na tradição judaico-cristã?
    Em que livro é que leu isso?

    «O casamento incestuoso é polémico, havendo mesmo um casal de irmãos na Alemanha que pretende derrubar esse tabu.»

    Tabu?
    Sabia que há consequências genéticas muito negativas? Não chega ouvir a voz da Natureza?
    O Rui casaria com uma irmã sua? A ideia não lhe causa repulsa? União sexual com a filha do seu pai e da sua mãe? Não toca uma campainha na cabeça, a dizer “não”? Vamos tentar arranjar uma justificação freudiana para esses impulsos quase animalescos?

    «E tendo em conta a associação do casamento à procriação, acho mais provável que um católico conservador defenda um casamento incestuoso do que um homossexual.»

    Um católico não defende um disparate contra um disparate. O mundo não traz apenas duas opções. Um católico (não sei o que é isso de “católico conservador”) não defende nem o incesto, nem a homossexualidade.

    «Mas, em relação ao casamento, o verdadeiro problema vem de dentro. Em vez de apontarem as armas para o casamento homossexual mais deviam preocupar-se com a progressiva baixa das uniões (civis) e matrimónios (religiosos).»

    Ah, então a promoção da agenda LGBT não tem nada a ver com isto?
    Com activistas LGBT a entrar pelas secundárias a dentro, a dizer aos miúdos que procurem o “gay” e a “lésbica” que trazem dentro de si, e que os seus órgãos sexuais de nascimento não têm nada a ver com a sua “orientação” sexual, como se aquilo que nós somos como pessoas não tivesse nada a ver com os nossos corpos, acha que estas burradas gnósticas não afectam a sociedade?

    Se o Rui notar, a nova vaga da “ideologia do género” é apenas uma reinvenção laica e ateia da heresia gnóstica. A ideia de que o nosso “eu interior” não tem nada a ver com o nosso corpo. Paulo Coelho não poderia gostar mais desta ideia tão gnóstica…

    «É uma instituição em queda cuja sobrevivência nas sociedades mais evoluídas começa a estar algo ameaçada, tanto estatisticamente (menos casamentos e cada vez mais tarde, para além do progressivo aumento das uniões de facto) como pela alta taxa de divórcios (sendo que o que aumenta mais é mesmo o casamento em segundo grau ou superior).»

    Eu diria que o Rui está desactualizado. A justificação do tão desejado fim da religião (que nunca mais chega, hã?) pelo darwinismo social está totalmente fora de moda. O Rui olha para as estatísticas das quedas na prática cristã - não é de espantar, esta queda! Pessoas que, como o Rui, vêm defendendo a ideologia materialista estão nos círculos de poder desde há mais de um século, a tentar inculcar o materialismo ateísta aos jovenzinhos logo a partir dos bancos de escola. Como é que a prática religiosa não haveria de decair?

    Hoje em dia, não há miúdo que acabe o Secundário sem ouvir, pelo menos, um professor dizer-lhe, com ar doutoral, que a Igreja Católica está ultrapassada. Só sobrevivem os heróis, os que resistem à propaganda do regime. Recordo-me, ainda na adolescência, de ser bombardeado por colegas meus que me perguntavam como é que eu podia ser cristão, agora que havia a ciência…

    O problema, Rui, é que com a queda da prática cristã, está a crescer, e como nunca, o fenómeno do New Age. Nunca como hoje vemos tantos “vegans”, “budistas”, praticantes do “ioga” de ginásio, adeptos do feng shui, malta que corre atrás do Dalai Lama cada vez que ele vem cá, adeptos dos cristais e dos búzios… nem imagina a quantidade de gente que se junta semanalmente em Sintra para rituais celtas e para se vestirem de branco como se fossem druidas…

    O problema, caro Rui, é que quando se deixa de acreditar em Deus, passa-se a acreditar em qualquer coisa… Não espere um aumento dos ateus materialistas. Ele nunca se verificou. Há, isso sim, uma conversão das massas da prática religiosa verdadeira do cristianismo para falsas práticas religiosas. É que as pessoas não vão à baila com o materialismo ateísta. E, infelizmente, como as massas têm, regra geral, pouca formação, não conseguem discernir a qualidade do cristianismo da enorme falta de qualidade das opções alternativas.

    Cumprimentos

  3. Também desconhecia a existência dos Socialistas Católicos, não é uma questão de espanto, simplesmente de ignorância.

    Folgo em verificar que, depreendendo as tonalidades religiosas da retórica do Bernardo, é capaz de aplicar pelo menos em relação à política uma qualquer medida cepticismo. É pena que não utilize a mesma desconfiança em relação à religião católica. Mas dá-me a hipótese de retribuir os mesmos argumentos que os religiosos usam; o que seria da sociedade cívil sem a democracia parlamentar? Ainda não conseguimos arranjar um sistema melhor. De qualquer maneira a sua receptividade a totalitarismos celestiais se calhar traduz-se em totalitarismos políticos. Não me surpreendiria.

    Será que um padre deveria saber de psicologia antes de dispensar conselhos dessa natureza? Ou antes de opinar sobre questões sociais deveria ter formação em sociologia? Ou já que o casamento existe primariamente para procriação talvez uma licenciatura em sexologia? Para muitos católicos certas pontificações têm força de legislação por isso talvez devesse aplicar o mesmo critérito.

    Os dados ainda são poucos sobre a influência que ter dois pais ou duas mães tem sobre uma criança. É uma prática muito recente e não generalizada. Qualquer pessoa que afirmasse o contrário seria intelectualmente desonesta. De resto todos os homossexuais provêm de familias não “aberrantes”, o que danifica um pouco a teoria que tal união do mesmo sexo teria efeitos perniciosos sobre uma criança.

    Adoro quando os acólitos passam imediatamente da homossexualidade para o incesto, a pedofilia ou mesmo a zoofilia. Mostra sempre grande solidez de pensamento. O católico defende todos os dias, aliás como vemos nesto portal, disparates. Acha que devemos acreditar em si quando professa disparates um dia e qualifica de disparates o que os outros fazem?

    Ouer que os movimentos de homossexuais e lésbicas deixem de “perverter” essas pobres crianças? Tenho uma sugestão: façamos com aulas de religião e moral nas escolas abordem sem reservas dogmáticas a sexualidade humana.
    Se esta opção causa-lhe algum tipo de choque não se oponha a aulas de Educação Sexual, não se ofenda quando afirmarem que as relações entre dois individuos do mesmo sexo não são algo do qual se deva ter vergonha ou suprimir. Estou a favor de impedir a entrada dessas organizações nas escolas, desde que o Estado assuma a função de educar essas crianças de modo a terem um sexualidade saudável e não reprimida. Ora o que de resto aconteceria se realmente essas pessoas de ideologia materialista estivessem de facto nos círculos de poder. Infelizmente isso não acontece. Culpe antes, Bernardo, as práticas indecentes aos mais vários níveis das religiões organizadas e a democratização do ensino para as baixas verificadas na prática religiosa. Gostariamos de ficar com os louros por esta positiva tendência mas não seria correcto.

    “E, infelizmente, como as massas têm, regra geral, pouca formação, não conseguem discernir a qualidade do cristianismo da enorme falta de qualidade das opções alternativas”. Cuidado com o que pede Bernardo. Se as massas tiverem formação a mais talvez abandonem de vez até o cristianismo. Pergunto-me o que preferiria o Bernardo: o total abandono do cristianismo ou a transição para as “opções alternativas” de baixa qualidade? Aliás um católico acusar falta de qualidade a outras denominações religiosas é como um roto a se rir dum esfarrapado.

  4. Bernardo,

    Uma coisa é discordar de uma ideia, outra é catalogá-la como “aberrante” (mais parece que está a chamar de “aberrações” aos envolvidos).
    “Reacionário” como contra a liberdade.

    “A mulher é considerada um ser inferior na tradição judaico-cristã?
    Em que livro é que leu isso?”

    Vai-me dizer que as religiões e as sociedades muito influenciadas pela religião tratam a mulher como tratam o homem?

    “Tabu?
    Sabia que há consequências genéticas muito negativas? Não chega ouvir a voz da Natureza?
    O Rui casaria com uma irmã sua? A ideia não lhe causa repulsa? União sexual com a filha do seu pai e da sua mãe? Não toca uma campainha na cabeça, a dizer “não”? Vamos tentar arranjar uma justificação freudiana para esses impulsos quase animalescos?”

    Quer queira quer não é um tabu. E claro que me causa repulsa.

    “Com activistas LGBT a entrar pelas secundárias a dentro, a dizer aos miúdos que procurem o “gay” e a “lésbica” que trazem dentro de si, e que os seus órgãos sexuais de nascimento não têm nada a ver com a sua “orientação” sexual, como se aquilo que nós somos como pessoas não tivesse nada a ver com os nossos corpos, acha que estas burradas gnósticas não afectam a sociedade?”

    Quer queira quer não, há gente que nasce assim e/ou que se vai descobrindo à medida que cresce. Pode-lhe fazer confusão, mas prefere as pessoas infelizes com o que são ou felizes numa sociedade que os aceita?

    “O Rui olha para as estatísticas das quedas na prática cristã - não é de espantar, esta queda! Pessoas que, como o Rui, vêm defendendo a ideologia materialista estão nos círculos de poder desde há mais de um século, a tentar inculcar o materialismo ateísta aos jovenzinhos logo a partir dos bancos de escola. Como é que a prática religiosa não haveria de decair?”

    Haviam de incultar o quê? É essa a justificação que arranjou para o facto da prática religiosa ser (estatisticamente) inversamente proporcional ao nível de educação das pessoas?

    “O problema, Rui, é que com a queda da prática cristã, está a crescer, e como nunca, o fenómeno do New Age. Nunca como hoje vemos tantos “vegans”, “budistas”, praticantes do “ioga” de ginásio, adeptos do feng shui, malta que corre atrás do Dalai Lama cada vez que ele vem cá, adeptos dos cristais e dos búzios… nem imagina a quantidade de gente que se junta semanalmente em Sintra para rituais celtas e para se vestirem de branco como se fossem druidas…”

    Pode-se chamar a isso concorrência desleal?
    Infelizmente muita gente é influenciável por estas pirosices. Mas pelo menos são inofensivas (com excepção do Dalai Lama), a menos que se trate da carteira.

    “O problema, caro Rui, é que quando se deixa de acreditar em Deus, passa-se a acreditar em qualquer coisa… (…) Há, isso sim, uma conversão das massas da prática religiosa verdadeira do cristianismo para falsas práticas religiosas. É que as pessoas não vão à baila com o materialismo ateísta. E, infelizmente, como as massas têm, regra geral, pouca formação, não conseguem discernir a qualidade do cristianismo da enorme falta de qualidade das opções alternativas.”

    Quando se deixa de acreditar num deus não se passa necessariamente a acreditar noutra coisa. Até parece que as pessoas trocam de divindade como trocam de camisa…
    Grande parte do que referiu são coisas influenciadas pelo factor “moda”, curiosamente um dos pilares que sustenta a fé desde a tenra idade, ou seja, estão lá não por consciência mas sim por influência indirecta dos seus comuns.

    Abraço,
    RJ

  5. Desde já digo que só ateia à vários anos e embora tenha sido educada numa sociedade que segue os valores cristãos, defendo à mudança destes para a criação de uma sociedade mais fraterna, livre e igualitária.
    Sou defensora do casamento homosexual e sempre serei. Se este casamento for aprovado pela sociedade, não implicará que todos teremos de nos casar com pessoas do mesmo sexo, mas ficará ao critério de quem o quiser. O facto de ser proibido é tão ridículo como estar escrito num livro qualquer que as marias não se podem casar com antónios. Vou até mais longe e digo que concordo com a adopção de crianças por homosexuais, penso que uma criança bem cuidada e bem educada é superior a convenções sociais retrógadas que ainda fazem deste país um lugar de discriminação, em que se segue à regra “não basta ser, tem que se parecer”.
    Basta de preconceitos mesquinhos que por vezes impedem a felicidade dos outros. Pergunto-me estaremos nós a caminhar para uma sociedade moderna ou pelo contrário estamos a regredir no tempo das ideias? Nunca foi tão actual esta questão como agora, cada vez mais assistimos a crimes contra pessoas que professsam as suas orientaçãoes sexuais, está provado que a homosexualidade nada tem a haver com o meio em que somos criados ou com a religião que seguimos é algo que já nasce connosco, o que nos aprisona é o facto de estarmos ligados a valores cristãos.
    Casamento igual a procriação penso que já uma ideia defendida num best-seller internacional, que sociedade é esta que estamos a construir? Em vez de fazermos uma revolução cultural e social cada vez mais vemos personalidades a defenderem o tradicional, instituições que já fizeram o seu papael mas que agora a sua simples existência não se justifica, é altura de sairmos das prisões ideológicas e de valores e de vivermos numa sociedade fraterna, livre e igualitária. Só assim poderemos expressar as nossas verdadeiras opiniões.

  6. “Infelizmente muita gente é influenciável por estas pirosices. Mas pelo menos são inofensivas (com excepção do Dalai Lama)”

    Qual é o perigo do Dalai Lama?

  7. Se leram o “Tintin no Tibete” sabem que a levitação pode ser bastante perigosa… ;)

    Tintin no tibete

  8. Rita,

    Estamos em sintonia.

    Ricardo Sá,

    O Dalai Lama é um tonto a quem dão demasiada importância.
    O tibete era uma teocracia antes da invasão da China, completamente devota ao seu líder espiritual. Daí o facto de não o achar tão inofensivo.

  9. Como é que se pode ser socialista católico e ainda por cima ser contra o casamento entre homosexuais? Esses tipoos nao existem!

  10. Caro Luís Nascimento,

    «Os dados ainda são poucos sobre a influência que ter dois pais ou duas mães tem sobre uma criança. É uma prática muito recente e não generalizada. Qualquer pessoa que afirmasse o contrário seria intelectualmente desonesta. De resto todos os homossexuais provêm de familias não “aberrantes”, o que danifica um pouco a teoria que tal união do mesmo sexo teria efeitos perniciosos sobre uma criança.»

    Então, se os dados são poucos sobre os efeitos dessas “experiências”, que crianças é que vamos sacrificar nos testes de laboratório social?

    Eu até concordo com experiências médicas em ratinhos. Mas experiências sociais em crianças? E a troco de quê?

  11. Rui,

    «Vai-me dizer que as religiões e as sociedades muito influenciadas pela religião tratam a mulher como tratam o homem?»

    Não tratam a mulher como tratam o homem porque o homem é diferente da mulher. No entanto, não entendo a lógica do seu raciocínio: o Rui disse que a mulher era tratada de forma “inferior”: eu perguntei-lhe pela sua fonte, pela referência que usou para esta afirmação. E o Rui respondeu pela evasiva, como se eu tivesse afirmado que as religiões tratam o homem do mesmo modo que a mulher. “Tratar de modo diferente” não implica tratar pior um face ao outro.

    «Quer queira quer não é um tabu. E claro que me causa repulsa.»

    Mas eu não tenho problemas nenhuns em que se fale nisso. O que me preocupa não é que se fale de certos assuntos. É que não se compreendam certos assuntos. Se o Rui vê claramente o carácter abjecto do incesto, está tudo bem e não tenho nada a dizer.

    «Quer queira quer não, há gente que nasce assim e/ou que se vai descobrindo à medida que cresce.»

    De onde lhe vêm as suas certezas?
    Eu não estou a dizer que certas pessoas não nasçam com tendências homossexuais. Estou apenas a perguntar-lhe como é que chegou a essa conclusão. E, para além disso, também há pessoas que nascem com uma montanha de problemas físicos e psicológicos, e no entanto, a sociedade vê tais questões como problemas e tenta fazer alguma coisa em relação a isso.

    O que é aberrante neste caso é que certa parte fracturante desta “nova” sociedade, não só se recusa a ajudar estas pessoas, como sugere mesmo que se trata de vivências louváveis e saudáveis.

    «Pode-lhe fazer confusão, mas prefere as pessoas infelizes com o que são ou felizes numa sociedade que os aceita?»

    Prefiro uma sociedade na qual as pessoas se preocupam com os problemas dos outros. E não uma sociedade que manipula e explora pessoas com tendências homossexuais só para promover uma “guerra cultural”.

    «Haviam de incultar o quê? É essa a justificação que arranjou para o facto da prática religiosa ser (estatisticamente) inversamente proporcional ao nível de educação das pessoas?»

    Acha que sou mal educado?
    Sinceramente, Rui. Perante tantos casos esmagadores de pessoas bem formadas e mesmo com carreira científica (que não é o meu caso, mas existem muitos), como é que ainda tem o descaramento (e o paternalismo elitista) de dizer que a religião só sobrevive na falta de educação das pessoas?

    «Pode-se chamar a isso concorrência desleal?»

    Sim, quando se vende o falso pelo verdadeiro, isso é banha da cobra. E concorrência desleal.

    «Infelizmente muita gente é influenciável por estas pirosices. Mas pelo menos são inofensivas (com excepção do Dalai Lama), a menos que se trate da carteira.»

    Eu não acho nada inofensivas. Tudo o que nos induz em erro é ofensivo. A ciência não teria evoluído se achassemos “inofensivos” os erros intelectuais.

    «Quando se deixa de acreditar num deus não se passa necessariamente a acreditar noutra coisa. Até parece que as pessoas trocam de divindade como trocam de camisa»

    Não faz sentido usar expressões como “num deus”. Deus é um conceito exclusivo. Não se “troca de divindade”, do mesmo modo que é absurdo dizer que se troca o Infinito por “outro” infinito. Se assim fosse, então o primeiro caso não seria verdadeiramente Infinito. O politeísmo, ou mesmo o relativismo religioso, são erros lógicos.

    Deveria ser evidente que todo o crente respeitador da realidade divina está a respeitar a mesma realidade. Está a acreditar em Deus. Por outro lado, as formas religiosas não são todas iguais. Há uma complexa mistura de verdades e erros. Por isso, mesmo aceitando a força lógica de um Deus uno, idêntico objecto de adoração de todo o crente, qualquer que seja a sua raça ou credo, é também certo que as religiões são todas diferentes, e que não têm doses iguais da verdade.

    «Grande parte do que referiu são coisas influenciadas pelo factor “moda”, curiosamente um dos pilares que sustenta a fé desde a tenra idade, ou seja, estão lá não por consciência mas sim por influência indirecta dos seus comuns.»

    Eu falo por mim: tive uma educação cristã. Passei por um agnosticismo de juventude (tão típico), e pela também frequente rebeldia geracional. Felizmente, tive a graça de poder acordar para uma fé adulta, e persistir no estudo destas questões. Hoje em dia, eu diria que tenho a plena consciência da fé que professo, do que ela implica, e desse modo sou um bom contra-exemplo para a frase errada que o Rui escreveu. E conheço muitos outros contra-exemplos.

    Mas, se quiser, pode ignorar esses contra-exemplos, adoptar a ideia de que “já me topou”, a mim e a outros como eu. Pode adoptar a posição cómoda de supor que todos os adultos crentes, que tenham reflectido racionalmente sobre a sua crença, e permaneçam crentes, são adultos cujo cérebro foi “lavado” ou influenciado de forma negativa por forças obscuras.

    Essa atitude de negação é uma atitude que lhe deve gerar grande conforto mental. Mas não permite que se corrija o erro.

    Cumprimentos,

    Bernardo

  12. Olá Bernardo

    É deveras cuirioso que, em todos os que adoptem uma posição mais tradicional, seja imediatamente identificada como causa desta posição a influência cristã que nos veio da infância e bla bla bla… E dito por quem não tem conheceimento de causa. Falando pessoalmente também tenho, como tu, plena consciência da Fé que professo uma vez que também passei pelos períodos típicos do agnosticismo na adolescência ( e não passou assim tanto tempo, pois só tenho 22 anos…), tendo-me depois interessado pela teoria espírita, da qual fiquei com grandes conehcimentos acerca desta “doutrina”. Li os livros de Kardec, tendo adquirido bastantes conhecimentos nesta área. Admiti as teorias orientais, a reecarnação, a iluminação e até considerava a NOva Ordem Mundial, onde, com a criação de uma religião comum a todas a s existetntes, praticamente todos os males do mundo iriram desaparcer.

    No entanto, e curiosamente (ou não), quando pesquisava mais sobre a “doutrina” espírita, veio-me parar às mãos um livro, do qual já nao me recordo o nome, mas cujo tema eram comentários (negativos) às obras de São Tomás de Aquino. Procurando algo que contadissesse o que a Igreja ensina, para defender o que me parecia na altura o caminho certo, fui encontrar um compêndio de catecismos que foram o ponto de partida para o verdadeiro encontro com a Verdade.

    Hoje considero-me uma pessoa com vastos conhecimentos em relação ao que professam outras crenças, mas na verdade, instruído de todas esses conhecimentos, é uma Fé adulta na Igreja Católica que professo, pois é nela e só nela que se adora o Verdadeiro e Único Deus.

    Como vês, também a minha Fé é professada de maneira livre e esclarecida.

    Só para terminar, Bernardo, continuo a pensar que, amantermos as nossas convicções, mais dia menos dia teremos de combater o bom combate e dar testemunho da nossa Fé. E sinceramente…que alegria para mim será…

    Um abraço!

    João

  13. Bernardo,

    “Não tratam a mulher como tratam o homem porque o homem é diferente da mulher. No entanto, não entendo a lógica do seu raciocínio: o Rui disse que a mulher era tratada de forma “inferior”: eu perguntei-lhe pela sua fonte, pela referência que usou para esta afirmação. E o Rui respondeu pela evasiva, como se eu tivesse afirmado que as religiões tratam o homem do mesmo modo que a mulher. “Tratar de modo diferente” não implica tratar pior um face ao outro.”

    Claro que são diferentes. Considero que o tratamento é, por exemplo, muito pior entre os muçulmanos e em algumas sociedades africanas do que dentro da tradição judaico-cristã.
    Mas mesmo entre os cristãos o tratamento dado às mulheres é pior e discriminatório. É-lhes negado o acesso ao sacerdócio (pelo que sei até são ameaçadas de excomunhão as que são ordenadas). A ICAR nega-lhes o direito ao aborto (que eu considero fundamental e onde as nossas posições divergem). Dentro das questões da sexualidade a mulher é vista, historicamente, como um ser quase demoníaco. São Tomás de Aquino e Santo Agostinho que o digam…

    Para não falar nas situações de injustiça social associados à nossa sociedade nas passadas décadas, dentro de uma ditadura influenciada pela ICAR. Questões como o divórcio, família tradicional, acesso a empregos sempre foram mais discriminatórias para as mulheres.

    “De onde lhe vêm as suas certezas?
    Eu não estou a dizer que certas pessoas não nasçam com tendências homossexuais. Estou apenas a perguntar-lhe como é que chegou a essa conclusão. E, para além disso, também há pessoas que nascem com uma montanha de problemas físicos e psicológicos, e no entanto, a sociedade vê tais questões como problemas e tenta fazer alguma coisa em relação a isso.”

    Há trabalhos que apontam causas genéticas para a homossexualidade. A nível cerebral há semelhanças entre homens homossexuais e mulheres heterossexuais, segundo um estudo que li há algum tempo na imprensa. Não é só o ambiente cultural…

    “O que é aberrante neste caso é que certa parte fracturante desta “nova” sociedade, não só se recusa a ajudar estas pessoas, como sugere mesmo que se trata de vivências louváveis e saudáveis.”

    Corrija-me se estiver errado, mas (pela sua conversa) vê a homossexualidade como um problema psicológico? Só há trinta anos é que saiu dos livros de psiquiatria…

    “Prefiro uma sociedade na qual as pessoas se preocupam com os problemas dos outros. E não uma sociedade que manipula e explora pessoas com tendências homossexuais só para promover uma “guerra cultural”.”

    Não acha que dentro dos “problemas dos outros” se insere um homossexual que não consegue exercer o seu direito à liberdade por medo de represálias e da censura alheia?
    (Não percebi bem o que quis dizer com “sociedade que manipula e explora pessoas com tendências homossexuais”.)

    “Acha que sou mal educado?
    Sinceramente, Rui. Perante tantos casos esmagadores de pessoas bem formadas e mesmo com carreira científica (que não é o meu caso, mas existem muitos), como é que ainda tem o descaramento (e o paternalismo elitista) de dizer que a religião só sobrevive na falta de educação das pessoas?”

    Não disse que era mal-educado e peço desculpa se me fiz entender mal.
    Se quiser reformulo. Considere que é menor a prática religiosa em países onde o índice de desenvolvimento humano é maior (penso que apenas os EUA e a Irlanda destoam). E pode crer que quanto mais burro e iletrado é um povo mais facilmente sobrevive a religião.

    “Eu falo por mim: tive uma educação cristã. Passei por um agnosticismo de juventude (tão típico), e pela também frequente rebeldia geracional. Felizmente, tive a graça de poder acordar para uma fé adulta, e persistir no estudo destas questões. Hoje em dia, eu diria que tenho a plena consciência da fé que professo, do que ela implica, e desse modo sou um bom contra-exemplo para a frase errada que o Rui escreveu. E conheço muitos outros contra-exemplos.”

    Compreendo. Conheço casos de gente que se diz católica por uma questão de “e se eles têm razão?”. Tecnicamente cumprem os rituais mas (conscientemente) não aparentam ter fé. Gente que cresce num ambiente religioso e que se mantém nos rituais muito mais por uma questão de tradição e hábito do que de consciência.

    “Mas, se quiser, pode ignorar esses contra-exemplos, adoptar a ideia de que “já me topou”, a mim e a outros como eu. Pode adoptar a posição cómoda de supor que todos os adultos crentes, que tenham reflectido racionalmente sobre a sua crença, e permaneçam crentes, são adultos cujo cérebro foi “lavado” ou influenciado de forma negativa por forças obscuras.”

    Toda a gente tem o direito à crença (a liberdade religiosa é fundamental). Não posso ter a arrogância de dizer no que devem ou não acreditar. Apenas espero que sejam honestos consigo próprios.

    Abraço,
    RJ

  14. «..O Rui casaria com uma irmã sua? A ideia não lhe causa repulsa? União sexual com a filha do seu pai e da sua mãe? Não toca uma campainha na cabeça, a dizer “não”? Vamos tentar arranjar uma justificação freudiana para esses impulsos quase animalescos?..»

    Exmoº sr Bernardo, a união sexual entre irmãos só cria repulsa quando eles crescem juntos na mesma familia.Quando eles crescem separadamente (filhos adoptivos por exemplo) a ideia de existir um sentimento desses é no meu entender perfeitamente patética, e então essa dos impulsos animalescos é pura conversa de chacha.
    Não se faça de moralista, se procurar na Biblia Cristã vai benzer-se 50 vezes quando se aperceber da “avalanche” de casamentos e ligações incestuosas que foram tidas pela religião católica como “normais” para a época que ocorreu.
    Quem criou o Tabu não foi Deus (nem poderia), foi o homem.
    Para Deus criar esse tabu, teria que desistir de criar o ser-humano!
    Não acredita? Então pense um pouco. Não somos nós todos o produto de um incesto??
    Adão e Eva tiveram 2 filhos,Abel e Caim, um matou o outro, e nós? Foi Caim que acasalou com a mãe? Adão e Eva fizeram mais filhos? Mas se tiveram, tive que haver um incesto entre irmãos, certo?
    Já viu se tivesse havido um sentimento de repulsa quando eles quiseram molhar o bico? Nenhum de nós estaria aqui hoje, certo?
    E outro coisa, conheço muitas casais que são primos directos, cujo namoro foi considerado nojento mas que deixou de o ser quando pagaram a congrua ao padre da freguesia.
    Não sejam hipocritas!!

  15. Caro tantofaz,

    É claro que se dois irmãos não se conhecerem não existe esse sentimento de repulsa.
    Mas o acasalamento entre pessoas do mesmo sangue causa quase sempre nascimentos com diversos problemas físicos e mentais além de que muitos filhos nasceriam inférteis. Se a humanidade alguma vez tivesse dependido do acasalamento entre elementos da mesma família todo o ser humano estaria condenado a ter sérias deficiências ou mesmo à extinção.
    O que só prova que a histórias bíblicas de Adão e Eva e do Dilúvio entre outras são ridículas.

  16. Caro sr Luis, as suas deduções vão inteiramente de encontro às minhas, mas ainda assim não resisti a chamar a sua atenção para um pormenor delicioso.

    «..Se a humanidade alguma vez tivesse dependido do acasalamento entre elementos da mesma família todo o ser humano estaria condenado a ter sérias deficiências ou mesmo à extinção..»

    - Sr Luis, olhe a sua volta e observe bem o mundo. Quer maiores deficiências do que aquelas que o ser humano já mostra ter?
    Todas as religiões são ridiculas porque foram inventadas pelo homem!

    Cumprimentos.

  17. tantofaz,

    Confesso que fiquei confuso com o seu último comentário.
    Afinal acredita que descendemos de Adão e Eva como fazia transparecer no 1º cometário?
    Mas depois diz que “todas as religiões são ridículas porque foram inventadas pelo homem”.
    Estava a ser irónico no 1º comentário ou acredita em Deus mas acha que as religiões são uma treta?

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