“Duplo impacto”

Hoje temos uma dose dupla.

“Os Missionários Espiritanos estão espalhados pelo mundo. Os Jovens sem Fronteiras experimentam um pouco do carisma dos Missionários do Espírito Santo. Por isso, o Verão é tempo de férias missionárias, uma experiência forte para quem se preparou durante o ano. (…) Pe. Tony Neves, Missionário Espiritano explica ao programa ECCLESIA que todas as experiências que organizam em tempo de férias “são destinadas aos jovens” (…) Mas os jovens e crianças que “não saem em férias com as suas famílias são também prioridade nas aldeias onde trabalhamos”. E se o mês de Agosto é marcado pelas festas tradicionais dos padroeiros, também os JSF estão lá para ajudar na dinamização e celebrações. “

“Com o carisma da educação e o ensino, as férias não significam paragem para as Irmãs Doroteias. O Verão surge antes como um desafio onde as religiosas envolvem os jovens. (…) Dia 23 de Julho começa em Quarteira, no Algarve, a actividade «Dialogar com o Povo». Até ao dia 30 desse mês, a evangelização será feita na praia. Uma experiência que a Irmã Alice Simões, da Pastoral Juvenil das Irmãs Doroteias explica ao programa ECCLESIA ser repetida, há dois na os em conjunto com Loulé (…) A Fundadora das Doroteias, Santa Paula, dava especial prioridade à juventude. “Foi atendendo à juventude na sua época, no Séc XIX, que a Congregação nasceu”, explica a religiosa que aponta a atenção permanente aos jovens. Tendo a evangelização como base do seu carisma, a Congregação possibilita a vivência desta “experiências, especialmente aos jovens, pois acreditamos que isto os ajuda a crescer”. “

Ver aqui e aqui.

Portanto, como se pode ver, estamos a falar de uma estratégia bem delineada, bem pensada, com meios, com pessoas, com objectivos bem traçados. Sabem qual a população alvo, onde ela se encontra, como se pode chegar a essa população, como a “seduzir”. Os preparativos “têm um ano”, são “destinadas aos jovens”, a evangelização “será feita na praia” mas também será feita naqueles que “não saem de férias”, pois acreditam que “os ajuda a crescer”.

Eu sei que vou ser criticado por esta analogia que vou fazer, mas não consigo resistir. Enquanto lia estas linhas só me ocorria a imagem do filme da Leni Riefenstahl, “O triunfo da vontade”, com aqueles campos para jovens em Nuremberga, com os petizes a fazer actividades, e a fazer desporto, a fazerem acampamentos, e a cantar as musicas do Reich.

Reparem, a igreja tem boas acções. Eu admito isso. Nestas notícias onde tirei estes excertos também fala em ajudar idosos que se encontram sós. Aqui, também podemos ver que “A Ordem Hospitaleira de São João de Deu tem o carisma de cuidar de quem sofre e em particular de quem é vítima da doença mental e tantas vezes da indiferença da sociedade que tem ainda dificuldades em lidar com homens e mulheres doentes mentais.”. Apesar de, cada vez que uma destas acções tiver a palavra “evangelização” associada irá sempre fazer qualquer ateu ficar incomodado, certas populações podem (ou neste caso não precisam) se defender da parte da endoutrinação.

Mas não andem a evangelizar crianças!! Deixem-nas apreciar o seu período de férias. Deixem as passar tempo na praia, com as suas brincadeiras, com os seus jogos. Até, e porque não, vê-las a ir a uma festa popular em homenagem a uma qualquer santa padroeira. Todos nós o fizemos (e fazemos).

Mas não, não, aproveitem para encher as mentes dos jovens com as vossas “certezas e crenças”.

Vocês podem estar errados. Já pensaram nisso? Podem não estar a “ajudar o seu crescimento”. Deixem as crianças em paz. Se elas acharem que vocês têm algo para lhes oferecer, elas irão vos procurar.

E não devia ser o contrário: não deviam ter como vossa salvação pessoal a conversão dos outros aos vossos dogmas.

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