“Duplo impacto”

Por Ricardo Silvestre • 10 Jul, 2008 • Categoria: Juventude, Nacionais, Notícias

Hoje temos uma dose dupla.

“Os Missionários Espiritanos estão espalhados pelo mundo. Os Jovens sem Fronteiras experimentam um pouco do carisma dos Missionários do Espírito Santo. Por isso, o Verão é tempo de férias missionárias, uma experiência forte para quem se preparou durante o ano. (…) Pe. Tony Neves, Missionário Espiritano explica ao programa ECCLESIA que todas as experiências que organizam em tempo de férias “são destinadas aos jovens” (…) Mas os jovens e crianças que “não saem em férias com as suas famílias são também prioridade nas aldeias onde trabalhamos”. E se o mês de Agosto é marcado pelas festas tradicionais dos padroeiros, também os JSF estão lá para ajudar na dinamização e celebrações. “

“Com o carisma da educação e o ensino, as férias não significam paragem para as Irmãs Doroteias. O Verão surge antes como um desafio onde as religiosas envolvem os jovens. (…) Dia 23 de Julho começa em Quarteira, no Algarve, a actividade «Dialogar com o Povo». Até ao dia 30 desse mês, a evangelização será feita na praia. Uma experiência que a Irmã Alice Simões, da Pastoral Juvenil das Irmãs Doroteias explica ao programa ECCLESIA ser repetida, há dois na os em conjunto com Loulé (…) A Fundadora das Doroteias, Santa Paula, dava especial prioridade à juventude. “Foi atendendo à juventude na sua época, no Séc XIX, que a Congregação nasceu”, explica a religiosa que aponta a atenção permanente aos jovens. Tendo a evangelização como base do seu carisma, a Congregação possibilita a vivência desta “experiências, especialmente aos jovens, pois acreditamos que isto os ajuda a crescer”. “

Ver aqui e aqui.

Portanto, como se pode ver, estamos a falar de uma estratégia bem delineada, bem pensada, com meios, com pessoas, com objectivos bem traçados. Sabem qual a população alvo, onde ela se encontra, como se pode chegar a essa população, como a “seduzir”. Os preparativos “têm um ano”, são “destinadas aos jovens”, a evangelização “será feita na praia” mas também será feita naqueles que “não saem de férias”, pois acreditam que “os ajuda a crescer”.

Eu sei que vou ser criticado por esta analogia que vou fazer, mas não consigo resistir. Enquanto lia estas linhas só me ocorria a imagem do filme da Leni Riefenstahl, “O triunfo da vontade”, com aqueles campos para jovens em Nuremberga, com os petizes a fazer actividades, e a fazer desporto, a fazerem acampamentos, e a cantar as musicas do Reich.

Reparem, a igreja tem boas acções. Eu admito isso. Nestas notícias onde tirei estes excertos também fala em ajudar idosos que se encontram sós. Aqui, também podemos ver que “A Ordem Hospitaleira de São João de Deu tem o carisma de cuidar de quem sofre e em particular de quem é vítima da doença mental e tantas vezes da indiferença da sociedade que tem ainda dificuldades em lidar com homens e mulheres doentes mentais.”. Apesar de, cada vez que uma destas acções tiver a palavra “evangelização” associada irá sempre fazer qualquer ateu ficar incomodado, certas populações podem (ou neste caso não precisam) se defender da parte da endoutrinação.

Mas não andem a evangelizar crianças!! Deixem-nas apreciar o seu período de férias. Deixem as passar tempo na praia, com as suas brincadeiras, com os seus jogos. Até, e porque não, vê-las a ir a uma festa popular em homenagem a uma qualquer santa padroeira. Todos nós o fizemos (e fazemos).

Mas não, não, aproveitem para encher as mentes dos jovens com as vossas “certezas e crenças”.

Vocês podem estar errados. Já pensaram nisso? Podem não estar a “ajudar o seu crescimento”. Deixem as crianças em paz. Se elas acharem que vocês têm algo para lhes oferecer, elas irão vos procurar.

E não devia ser o contrário: não deviam ter como vossa salvação pessoal a conversão dos outros aos vossos dogmas.

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4 Respostas »

  1. “Apesar de, cada vez que uma destas acções tiver a palavra “evangelização” associada”
    Isto não é verdade. As duas coisas não têm nada que estar associadas. Esta a dizer isto só para desvalorizar.

    As crianças não deixam de ser felizes ou de ter férias e brincadeiras por serem evangelizadas. A Igreja acredita que oferece um ideal de vida para todos e assim tem obrigatoriamente que evangelizar, tal como outros grupos e associações que defendem determinados valores.
    Como sabemos por vários exemplos esta evangelização não obriga as crianças a seguírem e a manter uma vida católica.

  2. “As crianças não deixam de ser felizes ou de ter férias e brincadeiras por serem evangelizadas”

    Mas as crianças NÃO TÊM de ser evangelizadas…a religião é um tema deveras complexo para lhes ser aplicado. Deixem-nas brincar (para isso é que elas são crianças),que depois quando crescerem terão muito tempo para pensar nesses assuntos.

  3. “É de pequenino que se torce o pepino”

  4. Lógico…quando se é criança não se questiona muitas das coisas que nos são colocadas, aceita-se e pronto! Aceita-se porque os pais ou avós assim o disseram! Que razões terá a criança para não o aceitar?!…não existem, porque a criança aceita qualquer coisa como certo.
    Se há muitas coisas que só se pode fazer até uma determinada idade, será por alguma razão.
    Os pais têm a responsabilidade de proporcionar aos seus filhos uma aprendizagem e crescimento em que estejam cientes da, ou das religiões, para que quando tenham cabecinha possam decidir por si, e não porque lhes foi imposto quando ainda pensavam que o pai natal é que lhes deixavam as prendas!
    Acho que é o mínimo que se pode pedir.
    Os filhos não têm que ser uma cópia das vontades e gostos dos pais, por muito que se goste e respeite a família, como pessoas têm as suas qualidades e defeitos…tratando-se de religião, e como muitos crentes o defendem são do foro íntimo, portanto há que dar espaço ás crianças que se estão a formar para que cheguem ás suas próprias conclusões.

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