No bom caminho: igrejas começam a conformar-se com a realidade.
Por Ricardo Silvestre • 2 Jul, 2008 • Categoria: OpiniãoDe uma leitura atenta a um “comunicado curto” por parte dos nossos “adversários também na internet” (e digo-o com respeito) fico a saber que os secretários-gerais das “Conferências Episcopais da Europa” reuniram-se em Oviedo, de 26 a 30 de Junho, para um encontro que teve como tema “A situação religiosa: entre secularização e as questões sobre o sentido e a espiritualidade”.
O título da notícia é só por si de fazer levantar o meu sobrolho: “Bispos da Europa falam numa sociedade que já não é cristã”.
Bom começo. Vamos tentar perceber se vamos ter mais uma resposta histérica e declarações bombásticas e messiânicas por parte da comunidade religiosa.
Curiosamente não.
Para além da “informação para dentro”, ou seja, a constante propaganda para consumo dos seus seguidores e agentes religiosos (frases habituais como “Os cristãos têm uma oportunidade: testemunhar como a sua fé possui uma riqueza única para a humanidade”, “uma crescente abertura e interesse na dimensão religiosa. Muitos jovens procuram caminhos para superar um materialismo decepcionante e redescobrir a realidade do transcendente, verdade, beleza e bondade”) aquilo que mais desperta a minha atenção é: “O comunicado indica uma “tentação de secularização” dentro da própria Igreja (…)”.
Ah! Muito bem!
Claro que a frase esta dentro de um contexto próprio, pois o que vem a seguir é apresentado para acalmar o espírito mais aflito ou angustiado de algum crente que tivesse ficado preso na primeira parte da frase: “ (…) e defende que há uma expectativa em relação a uma luz que seja capaz de satisfazer as profundas aspirações da humanidade, alargando os horizontes da razão para além da mera cultura científica”.
Claro que a segunda parte do parágrafo é escrita para continuar a justificar a importância da religião – apesar da linguagem ser sempre ofensiva para um ateu. Esta necessidade de apresentar a crença em deuses como “a luz” (que belo eufemismo) que satisfaz “as profundas aspirações” e que “alarga horizontes” para além da mera “cultura científica” e mais uma vez um discurso empobrecedor, castrador e dogmático. Para além disso, mais uma vez demarca uma posição onde a “cultura científica” (seja lá o que isso quer dizer), quando comparada com a “cultura religiosa” (seja lá o que isso quer dizer) é mais limitada, menos espiritual, menos satisfatória: é novamente a conversa que “a razão não enxagua uma lágrima”.
Mas o importante é saber que há uma (e mesmo que seja só tentativa) tendência para um aumento do secularismo dentro da igreja católica. Sejam bem vindos ao século 21 (onde os anglicanos no Reino Unido e os protestantes no Canada já chegaram).
E acabamos a leitura com outra frase deliciosa.
Para as Conferências Episcopais da Europa, o principal desafio que se coloca hoje à Igreja é “(…) ganha visibilidade “um ateísmo humanista agressivo”, com grande cobertura mediática.”
Ahhhhh! Um ateísmo “humanista…agressivo”.
Ora bem. Estamos muito agradecidos pela vossa atenção. Por nos considerarem humanistas, mas principalmente por nos verem como agressivos. Continuaremos humanistas e agressivos, e continuaremos a tentar passar a nossa mensagem, com a visibilidade possível, e com mais ou menos (em Portugal, menos infelizmente) cobertura mediática.
Sejam bem vindos à arena do debate e da mudança civilizacional: mergulhem… a água está óptima.
AHAHAHAH
Das trevas da agressividade ruge o Ateísmo!
Cumprimentos para todos os “iluminados”! E como diz o sábio povo: “Ai Jesus que se apaga a luz!”
Renato Martins
Caro Ricardo Silvestre
Penso que há um equívoco. Os Bispos europeus não conhecem o portal ateu. Tem pouca expressão em termos de audiências e a esmagadora maioria dos visitantes vem do Brasil e Portugal. Quando se referem ao ateísmo agressivo e com grande impacto mediático com certeza que estarão a pensar em outras entidades. Por isso, penso que não se deve preocupar.
Pelo que percebi, o Portal Ateu está activo desde o início de 2008 (corrijam-me se estiver enganado).
Sendo assim, parece-me uma entrada algo forte. Não é para menos, o Portal conta com iniciativas praticamente diárias, por vezes duplas ou triplas. Há mais ou menos 3 meses que acompanho o trabalho que por aqui se faz, o qual é impressionante. Um portal acessível, artigos diários de conteúdo interessante (maioritariamente), podcasts, videocasts, colaboradores…
Quer dizer, têm tudo para crescer e causar um “grande impacto mediático”! O que irá certamente acontecer no espaço de alguns anos (ou menos).
Um abraço a todos os colaboradores, bom trabalho!
Renato
Mas quem é que estava a falar do Portal Ateu, Paulo Jazz?
O que escrevi é em relação aos ateístas que expressam a sua opinião na “arena pública” (nomeadamente o que se chama os “Novos Ateístas”, pessoas como Dawkins, Hitchens, Harris). Estava a falar por eles.
Não estava a falar de nós em particular aqui no Portal Ateu. Eu sei que é vaidade incluir-nos nesse grupo, afinal o Portal Ateu tem uma expressão muito pequena, sabemos isso bem.
Mas permita-me pensar que fazemos o melhor que pudemos para continuar este “ateísmo humanista e agressivo”, neste caso, em Português.
Renato, obrigado pelas suas generosas palavras.
Impressionante como os lobos uivam de alegria quando há uma notícia em que a reacção dita normal seria de desilusão, pois a Europa está a deixar toda a cultura cristã. Eu vejo isso como um motivo de extrema preocupação. Mas haja oração para que, quando os ateus e hereges se aperceberem da gravidde da situação, não seja tarde demais…
Sei que os próximos tempos não vão ser fáceis para os crentes, para os católicos portugueses. Mas repito o meu desejo de o nosso país manter a Tradição Católica e não se deixar “ir ao sabor dos ventos do modernismo”, ventos esses que são comandados em grande parte por ateus e descrentes.
Deixemo-los ter o seu (pouco) tempo de glória, porque a Verdadeira Glória, a de Deus, quando se manifestar não vai dar tréguas a quem não quis acolher a Sua Lei e a quem nao defendeu a Fé da Igreja.