Despedido por pertencer a uma banda de Black Metal

Por Rui Janeiro • 2 Jul, 2008 • Categoria: Cultura, Discriminação Religiosa, Internacionais, Juventude, Notícias

Mais conhecido como Yxmarder, guitarrista da banda de Black Metal Blodsrit, o sueco Emil Koverot foi aceite em inícios de Junho como professor na escola secundária de Hammargymnasiet em Västervik, no Sul da Suécia.

Recém-licenciado e ansioso por começar a dar aulas, chegou a recusar outras ofertas de emprego. Só que, no espaço de uma semana, o director da escola mudou de ideias quanto à sua permanência.

Apesar da sua banda ter sido falada na entrevista de emprego e da sua fama como guitarrista na pequena comunidade sueca, o director da escola justificou o seu afastamento baseado na imoralidade da música que pratica.

Koverot suspeita que alguns pais e funcionários da escola pertencentes a uma igreja pentecostal pressionaram o director com vista ao seu despedimento. Decidiu apresentar queixa por discriminação, sentindo-se julgado por causa das suas “crenças e hobbies”.

A liberdade de expressão é um dos pilares da democracia e não pode, de nenhuma maneira, ser restringida. Ninguém pode ser discriminado daquela maneira, ainda por cima num país tão próspero como é a Suécia. Independentemente da suposta “imoralidade” da música dos Blodsrit, isso não faz do seu guitarrista uma melhor ou pior pessoa ou pedagogo.

Aliás, estas suspeitas têm dois pesos e duas medidas. Pode-se desconfiar de um músico irreverente com formação académica mas dá-se carta branca à padralhada cuja conduta, um pouco por todo o mundo, chega a ser criminosa.

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21 Respostas »

  1. Agora, imagine se fosse ao contrário um mediocre guitarrista destas bandinhas pentecostais que existem por ai?
    Estaria emprega por toda sua vida! E ainda seria convidado para o almoço de domingo depois da missa show!
    Um absurdo.

  2. Mai nada!

    Obviamente que este Yxmarder nunca poderá ser um bom exemplo para a juventude. Queremos exemplos que levantem a MORAL nas escolas! Exemplos assim como… a Ana Malhação (ups, perdão: Ana Malhoa).
    Fora com o Yxmarder! Ecce Homo? O

  3. Ecce Homo? O tanas: Ecce gajas!

  4. A música de inspiração cristã, no que concerna ao Rock peca muito em qualidade…

    Este caso, acima de tudo, será bom para a banda em termos de publicidade. Uma reacção negativa de grupos conservadores funciona melhor do que todo o investimento na produção de um álbum.

  5. “Não vá ele ensinar os putos a tocar guitarra com essas distorções horríveis, vamos já cortar o mal pela raiz!”

    Sem dúvida um despedimento sem justa causa! Basear-se em gostos e preferências de alguém sem sequer a conhecer pessoalmente é completamente ridículo. Se é licenciado, é porque está apto a tomar o cargo.
    O conteúdo musical/poético é extra-laboral, ou assim deve ser, a área da Educação é bastante melindrosa no sentido de que o que deve ser ensinado, a meu ver, não são os juízos de valor mas sim o procedimento para chegar a eles, e compreendo que nem sempre é fácil o professor tomar uma atitude imparcial referente aos conteúdos leccionados. Este acto por parte do director da escola seria justificado caso o professor demonstrasse de facto atitudes imorais, mas assim…
    Fico igualmente admirado isto ocorrer num país em que estamos habituados a um nível de cultura acima da média. Não me parece que a justiça sueca passe por cima disto assim sem mais nem menos…

    Ainda por cima a música até tem alguma qualidade ;)

  6. A Suécia é o país da Europa com mais bandas de metal (entre outras). Ao contrário do ensino quase salazarista de música que eu apanhei enquanto estudava, na Suécia é incentivada a prática de um instrumento desde a tenra idade. As bandas são muito apoiadas.

  7. Eu peço imensa desculpa por não fazer “méé méé” como os demais, mas eu entendo a posição do director da escola. Aliás, se eu sou contra qualquer manifestação, politica ou religiosa numa escola, necessariamente olharia com descrédito que um dos elementos do sistema fosse incentivar qualquer reflexão contra ou a favor de qualquer religião. Francamente não concordo quando o autor do artigo afirma: A liberdade de expressão é um dos pilares da democracia e não pode, de nenhuma maneira, ser restringida,”. Na democracia a liberdade de expressão é um direito fundamental tal como o direito à liberdade religiosidade, e um só pode ser exercido se não atropelar o outro.
    Aliás a única coerência neste artigo é a transversalidade com os outros na insistência em acusar a “padralhada” de pedófilos, “dá-se carta branca à padralhada cuja conduta, um pouco por todo o mundo, chega a ser criminosa.”

  8. Edgar,

    Nada está provado quanto ao incentivo à “reflexão contra ou a favor de qualquer religião”. O homem só lá está para dar aulas.
    A liberdade de expressão não afecta a liberdade religiosa. Uma pessoa tem de ser livre para dizer o que bem entender, desde que não ofenda os outros directamente. Se assim fosse ainda andávamos a ser punidos por blasfémia…

  9. Parece-me que o Rui está equivocado, a liberdade de expressão pode e deve ser exercida DESDE QUE NÂO afecte a liberdade religiosa. Apesar de eu pensar que a liberdade de expressão é mais importante do que o direito religioso, devo respeitar as regras da democracia pois é assim que funciona, se não gosta azar, pelo menos tenha a dignidade de não enumerá-las apenas e só quando lhe dá jeito. Quanto ao homem estar lá só para dar aulas? Nunca iremos saber. Mas o efeito dessa pessoa numa sala de aulas seria o mesmo de um deputado de batina na Assembleia da Republica. Se os pesos da balança equiparam-se.

  10. O direito à blasfémia e a dizer mal da divindade X e Y é uma coisa, outra coisa é insultar directamente as pessoas. Muitos crentes insurgem-se por se considerarem ofendidos, mas o que se ofende é o “Deus” deles e não eles próprios.

    “Mas o efeito dessa pessoa numa sala de aulas seria o mesmo de um deputado de batina na Assembleia da Republica.”

    Não percebi.

  11. Não faria sentido isto ter acontecido numa grande cidade sueca, mas como foi numa pequena cidade provinciana já faz algum sentido.
    A Suécia é um país demasiado desenvolvido e com demasiada tradição musical (muito também no metal) para que isto pudesse acontecer. Foi um caso apenas, nada de comum.

  12. Edgar:
    Estavas à espera (méé) que este senhor (méé) fosse para dentro duma sala de aula (méé) todo pintado “à Kiss” e cheio de correntes?? (mééééé)
    E mesmo que isso acontecesse, em que é que isso afectaria a liberdade religiosa de cada um? Não percebi esse comentário. Que tem a haver as regras da democracia com esta situação?
    Concordo, nunca saberemos se ele está lá para dar aulas, mas então é melhor pormos-te já atrás das grades não vás tu cometer um crime…

    Cumprimentos,
    Renato

  13. Eu considero que o tal sueco candidato a professor teria toda a legitimidade para exercer a sua profissão desde que ocultasse os seus hobbies, caprichos ou crenças. Acho que seria despropositado um professor surgir com uma indumentária própria de um guitarrista de uma banda de black metal para uma sala de aulas, tão pouco proferir quaisquer consideração em torno da qualquer religião.
    Se o ideal é uma sociedade laicizada, tem de ser para todos e não só para alguns. E sociedade laicizada significa não-religiosa, e não anti-religiosa, como alguns idiotas fazem crer, mas podem me corrigir se eu estiver enganado.

    Fica bem Renato

  14. Edgar,

    Lá porque o homem pertence a uma banda anti-religiosa isso não significa que ele tivesse a intenção de se manifestar sobre o assunto, muito menos iniciar uma campanha de desevangelização na escola. É claro que um contacto mais próximo com os alunos poderia levar alguns a querer seguir a sua ideologia, mas isso é inevitável em qualquer contacto humano, fora ou dentro da escola, e não é o mesmo que proselitismo.
    Se atendermos à sua perspectiva, então os professores só deveriam ser recrutados na condição de serem neutros em relação a uma variedade de assuntos sensíveis. Como é que podemos garantir que, por exemplo, um professor militante de uma partido de direita não vai influenciar, nesse sentido, a maneira de pensar dos seus alunos?
    O Edgar parece que tem de ser sempre do contra mesmo quando não arranja justificação para tal.

    cumprimentos,

  15. Ernesto,

    Faço minhas as tuas palavras.

    Edgar,

    As pessoas que praticam o swing à partida não divulgam esse hobby junto dos seus colegas. Mas quem pertença a um grupo de rock, metal, a uma filamónica, escreva livros ou poesia, etc, acho natural que fale disso no trabalho.

    E esta malta só se pinta para os concertos. São pessoas normais fora disso e arrisco-me a dizer que grande parte são ateus. Uma coisa é aparecer com uma t-shirt de uma banda (eu felizmente posso fazê-lo na minha vida profissional) nas aulas, outra coisa é aparecer com corpse-paint (nome dado às pinturas “black metal”).

    Não vejo nenhum mal em ter gente vestida com t-shirts, doc martens e correntes em profissões que não exijam um código de indumentária rígido. Acho muito mais importante a higiene pessoal e a competência profissional.

    Em Portugal a aparência conta muito. Em Londres vemos punks com cabelo rapado dos lados, tatoos e piercings a atender ao balcão. Por cá, um amigo meu teve as melhores notas nos testes para ir trabalhar para os correios mas não foi aceite porque se recusou a cortar o cabelo (comprido).

  16. HAIL BLACK METAL!!!

  17. Não é ser do contra, mas sim ver as coisas como elas são sem dois pesos nem duas medidas. O problema dos ateístas é que agem em rebanho como os crentes religiosos. Vamos lá ver se alguém os tem no sítio para contrapor este facto. Qual é a diferenças entre um professor que louve a religião fora da escola e um professor que é manifestamente contra-religião fora da escola? Nenhuma desde que um professor desempenhe a sua função sem exercer qualquer pressão ou influência da escolha religiosa do aluno. Não podemos nos esquecer que a escola é um determinante agente de socialização na vida de um cidadão. Mas será que um padre pode leccionar Matemática? Eu considero que sim, desde que não surja na sala de aulas de batina e no meio das equações louve os dez mandamentos. E um guitarrista de uma banda Black Metal leccionar geologia? Evidentemente que sim, desde que não apareça na sala de aulas com correntes, unhas pintadas e maquilhagem ao estilo dos Kiss e diga que se o corpo de Jesus Cristo fosse tão duro como o granito nunca teriam conseguido pregar na cruz. A batina têm o seu lugar que é na Igreja, e a indumentária de uma banda que por sinal era anti-religiosa, é num concerto do género. Será que é tão difícil perceber isto? E qual é a diferença entre os que se sentam na Igreja e os que vão ao concerto? Nenhuma também, fazem todos méé, méé.

  18. Caro Edgar,

    E você a insistir na indumentária… O homem não foi impedido de leccionar porque queria aparecer de ‘corpse paint’ nas aulas nem porque tinha intenções de desevangelizar a miudagem. Pelo que nos é dado saber foi tão simplesmente porque toca numa banda de black metal nas horas vagas!
    Agora diga-me lá como é que você “entende a posição do director da escola”? Com que argumentos é que justifica tal posição. Baseado na suspeita de que o homem tem uma agenda oculta e não vai para a escola apenas para dar aulas?
    Também não vejo com bons olhos que um professor de matemática ou de geologia utilize o tempo das aulas para discursar sobre religião, politica ou criação de galinhas. Mas no contacto informal com os alunos (que por vezes é frequente) dentro da escola, não vejo porque razão o dito professor teria de se obrigar a “ocultar os seus hobbies, caprichos ou crenças”. Isso não passa pela cabeça de ninguém!
    Agora, será que exprimir uma opinião religiosa num contexto informal é “exercer qualquer pressão ou influência de escolha”? Pressão não é. Pode sem dúvida influenciar o interlocutor mas isso, como já disse, é inevitável em qualquer contacto humano.

    E qual é o problema de haver consenso entre um grupo de ateístas? Só por isso já somos um rebanho como os crentes religiosos? Francamente!!… O Edgar tem de ser diferente à força, nem que para isso tenha de atirar pérolas como esta.

    cumprimentos,

  19. Então se é aceitável a decisão do director da escola, pelo facto de ele pertencer a uma banda anti-religiosa…então o mesmo se aplicava para qualquer crente. Pois pelo que percebi ele na entrevista não disse que acreditava no deus apolo ou em thor nem em nada do género, ele apenas referiu uma actividade que lhe puderia favorecer o currículo (ou então não). Se o director não o quis na escola para que não influênciasse os alunos com os seus pensamentos anti-cristãos, rituais satânicos, whatever…o mesmo deveria ser aplicado a qualquer candidato ao cargo que fosse crente, right?
    Só é estranho é ver constantemente acontecimentos destes a sucederem-se em países já mais que habituados a este estilo musical.

  20. Ernesto
    Provavelmente o Ernesto tem razão, eu sou do contra, e assumo-o porque entendo que os religiosos e os ateus devem ter o exactamente o mesmo grau de importância na sociedade, e acredito que esta posição seja necessariamente contra religiosos e ateístas, afinal se por um lado a religião quer ser mais importante que tudo do outro os ateus reclamam que estão num patamar acima de religião.

    FilipeC
    Eu concordo com tudo o que escreveu.

  21. apesar de eu ter 11 anos eu ouço metal supremo conhecido como black metal,e blodsrit é uma banda muito boa,eu acredito q se o professor escolher-se entrar na escola ele n causaria algum mal pois poderia ser processado ou parar na prisão mais agora fizeram um pré-julgamento ,só por que o guitarrista trabalha em uma banda de metal supremo o kra n pod entrar ,aff eu acho issu uma idiotice aposto q se o kra fosse padre deixariam ele trabalhar, tem pessoas catolicas q ouvem e tocam numa banda black metal e n dexa de ser catolico e nem liga pras falas da musica so importa com quem esta tocando e para alegrar os fãs , nenhum black metalero quer o mal de alguem so se for satanista ,mais pow o kra tava todo feliz pq conseguiu um emprego quero ver se fosse vcs no lugar dele ,e muitaaa injustiça , eu acho q o diretor deveria se preso pq ele fez um pré-julgamento e issu e crime!! agora quero ver a opnião de vcs!

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