Mais sobre a “festa”
Tal como apresentado aqui, esse “maravilhoso” livro que é a bíblia está em “festa” e está em Portimão de forma a “levar a bíblia aos veraneantes”.
Está agora disponível o programa de festas. Vamos ver algumas das “iniciativas” que vão decorrer. Entre parênteses rectos estão comentários meus.
01 Junho – Segunda
15,00 e 21,30 – Leitura de histórias bíblicas para crianças.
[Gostava muito de saber quais são as “histórias” que vão ser contadas, como é que vão ser apresentadas, se como alegorias ou como “mais ou menos verdadeiras”, e principalmente qual é que vai ser a “moral religiosa” que vai ser dada a história no final da mesma ser contada]
02 Julho – Quarta
21,00 – Comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Debate: A Bíblia e os Direitos Humanos
[Direitos Humanos? Como por exemplo o “direito de deter escravos”, como é apresentado tanto no antigo como no novo testamento?]
04 Julho – Sexta
21,00 – Ano Internacional do Planeta
Conferência: “Os dois livros de Deus” – a Palavra e a Criação
[Mais uma vez, e apesar de alguns dos nossos visitantes aqui no Portal defenderem o contrário, continua a haver a tentativa de falar em processos de “criação” como é apresentada nos “livros de deus”]
06 Julho – Domingo
17,00 – Dia Mundial da População Debate + festa: A Bíblia e a Multiculturidade – viver a pluralidade
[A multiculturidade e a pluralidade?, Na bíblia? A sério? E que tal a multiculturidade e a pluralidade na bíblia direccionada aos hititas, girgashitas, amoritas, cananeus, perizitas, hivitas, jebusitas, egípcios, etc?]
07 Julho – Segunda
15,00 e 21,30 – Leitura de histórias bíblicas para crianças
[Mais promoção de irracionalidade e sobrenaturalismo para crianças que não têm maneira de saber melhor – para aquelas que não foram endoutrinadas nos dias anteriores]
09 Julho – Quarta
15,00 – Workshop: Envelhecer com a sabedoria da Bíblia (Público alvo: População sénior)
[Qual sabedoria da bíblia? Tem a bíblia algum tratado sobre gerontologia? Sobre como manter a saúde articular? Como manter a mobilidade funcional? Como viver os últimos dias na terra com prazer e intensidade? Ou é “envelhecer com medo do que vem a seguir”?]
11 Julho – Sexta
21,00 Conferência: Europa: Identidade colectiva e tradição comum – A presença e o papel da Bíblia na construção da civilização ocidental
[Principalmente os 500 anos de obscurantismo, dogmatismo e irracionalidade que nos impediu de progredir um metro que fosse para um progresso e iluminismo civilizacional]
12 Julho – Sábado
17,30 – Painel: A família na Bíblia e a Bíblia na família
[A história de como colocar uma faca no pescoço de um filho porque assim o ordenou deus, ou como sacrificar uma filha porque foi a primeira pessoa que saiu de casa para cumprimentar o pai quando este voltou de uma batalha e tinha prometido ao seu deus essa oferta se deus o ajudasse, ou como tratar as mulheres como seres submissos ao homem como se lê nas cartas de São Paulo]
A sério, incomoda-me que as pessoas acreditem em deus, porque acho que estão enganadas, mas defendo o direito que têm de fazer os seus rituais de crença. Mas não promovam a bíblia como um “livro santo”, como a “palavra de deus” e como um guia para aqueles que acontece terem nascido numa “cultura” católica, como é a Portuguesa.
Principalmente com as crianças.
Artigos relacionados
8 Comentários
Feed RSS de comentários a este artigo »Deixe um Comentário
Você deve estar logado para enviar um comentário.










Mas que ser humano minimamente inteligente e a gozar férias é que troca a praia, as sardinhadas e os copos por uma festa da bíblia? Só se houver cerveja de graça…
Pois é, será que nas estorinhas do Gênesis, eles irão incluir o episódio em que Ló entrega sua filha para ser violentada sexualmente pelos Sodomitas só pra salvar a pele de dois anjos? Ou irão citar o estupro praticado pelo bondoso Rei Davi e o conseqüente aborto realizado por Iavé?
Prefiro ir pro inferno a ter que olhar na cara de um deus assim.
Ricardo és um grande literalista biblico.
Mas, mts cristãos não lêem a biblia à letra como estas constantemente a ler.
Porque é que a bíblia tem que ser um retrato jornalístico, um manual de história ou de ciência?
Ah… nunca conseguirás provar que Deus não existe. Eu tb não consigo provar que Deus existe. Mas pode-se ter boas razões para acreditar em Deus. Porque é que as pessoas estão enganadas ao acreditarem em Deus? Não será que estás a cometer a falácia da generalização? Tudo bem que mtas possam estar enganadas, mas serão todas? Sou bastante céptico em relação aos teus argumentos… penso que o extremismo ou o anti-não-sei-quê não é uma boa solução.
Considero que fazes mt bem em eliminar imagens erradas daquilo que é religião. Mas, acho que erras quando tomas a parte pelo todo.
de mingos
“Porque é que a bíblia tem que ser um retrato jornalístico, um manual de história ou de ciência?”
Porque é assim que ela é apresentada pelos “líderes espirituais” que falam em nome do vosso deus e da vossa religião.
…de Ricardo:
«Porque é assim que ela [a bíblia] é apresentada pelos “líderes espirituais” que falam em nome do vosso deus e da vossa religião».
Ricardo, tens razão… muitas, muitas, e muitas vezes a bíblia é apresentada pelo “líderes espirituais” como um jornal noticiário. É o grande exemplo da igreja evangélica que só lê a bíblia à letra, e até dizem mesmo que existiu Adão e Eva que comeram o fruto proibido
.
No entanto, não podemos exagerar nem generalizar. Actualmente, existem movimentos de pensamento cristão que defendem que a bíblia não poderá ser um retrato jornalístico, um manual de história ou de ciência. Foi o que te disse o doutor Carreira das Neves….
Penso que deves ler a bíblia e sobretudo o antigo testamento como lês por exemplo o “Mito de Sísifo” de A. Camus. Certamente não vais ler este texto do filosofo Camus literalmente. Mas, vais certamente tentar ler nas entrelinhas o que significa para nós, homens de hoje, o facto do Sísifo ter que levar eternamente a pedra para o cume da montanha. Este mito pode-nos dizer alguma coisa nas nossas vidas, principalmente quando levamos uma vida monótona. De forma análoga, penso que a bíblia funciona como o mito de Sísifo; pois, pode dar ou não alguma “luz” sobre a nossa vida.
Não é só a bíblia que está carregada de horrores… todos os mitos têm os seus horrores; parece que isso faz parte do mito. Por exemplo, nos mitos gregos vemos “Cronos” que come os seus filhos.
E tive que estudar nas aulas de história (e ainda tenho que estudar) estes mitos cheios de barbaridade, mas que no fundo poderão ajudar-nos na nossa vida. Penso que a bíblia só pode ser bem entendida neste horizonte….
Caro “mingos”
Folgo em saber que existem “movimentos de pensamento cristão” que defendem que a bíblia não pode ser vista como um manual de história ou ciência (e espero que defendam também que não seja vista como um modelo para a “moral”), mas onde estão esses pensadores? São uma percentagem substancial dentro da ICAR? Um grupo à margem? Um grupo de teóricos que vão emitindo uns pareceres?
Compreenda a minha inquietação: enquanto me diz que há esses movimentos, e que há o doutor Carreira das Neves, há centenas de “alinhados”, bispos e padres colocados em lugares bem mais influentes, prontos a defender que a bíblia é a palavra de deus e que deve ser tomada como tal
Ainda recentemente o Sr. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa, dizia que “aquilo que nós chamamos ‘Palavra de Deus’ afunila-se na palavra bíblica”, mas esta é “um instrumento de mediação, que tem na sua origem já a marca de Deus, o fenómeno da inspiração, para que o crente possa chegar a escutar o que Deus tem a dizer à pessoa e ao seu povo”.
O “mingos” diminui o impacto do seu argumento quando faz uma comparação disparatada: os mitos Gregos estão enterrados nessa grande “vala” histórica que se chama “mitologia”, enquanto os mitos cristãos continuam hoje a determinar a politica das igrejas, e consequentemente, dos Estados que não conseguem implementar o laicismo que deviam ter.
E assine lá com o seu nome, isto de estar a escrever para o “mingos” faz-me sentir ridículo.
Olá Ricardo,
“Mingos” é um diminutivo de Domingos. Quase toda a gente me trata assim. Mas se preferires trata-me então por “Domingos”.
É óbvio que a moral de mínimos tem que ser pluralista. Tem que ser tanto para crentes como para não crentes. E a Igreja não pode impor uma moral de mínimos. A Igreja só pode ir para uma fracção da moral de máximos, que só a segue quem se sentir inclinado para isso. Também se pode seguir outra qualquer moral de máximos, desde que nos leve à felicidade.
Não pode existir laicismo puro e neutral. Só pode existir laicismo na moral de mínimos, e convém mesmo que exista, pois, se não existir não conseguiremos conviver uns com os outros. Mas, quando vamos para a moral de máximos o laicismo deixa de fazer sentido, pois, adoptamos por um modelo concreto que nos levará à felicidade. E esse modelo concreto que nos levará à felicidade tanto pode ser a crença em Deus como a não crença.
Agora acho absurdo querer implantar o laicismo na moral de máximos. Seria então o fim do sentido da vida.
Na moral de mínimos só temos as regras de convivência uns com os outro e aí têm todo o sentido o laicismo… mas numa moral de máximos já não tem sentido.
Tu tens razão quando falas que a igreja invade campos que não deveria invadir, E isso acontece quando a Igreja invade o campo da moral de mínimos… Isto é o grande problema…