Ir a Roma e não ver o Papa…

O nosso estimado Presidente da República deslocou-se a Itália para um encontro com empresários, aproveitando para fazer uma visita a Bento XVI, não como cidadão católico mas sim como Presidente católico de um Estado (teoricamente) laico.

«Para mim, como católico e chefe de Estado de uma nação que tem uma forte tradição católica, é sempre um acto de alguma emoção, mas eu trazia uma agenda bem definida para as conversas com o Santo Padre e com o secretário de Estado, o cardeal Bertoni»

Conta o jornal Público que o curto encontro (20 minutos) serviu para Cavaco e Ratzinger discutirem alguns temas, terminando com uma troca de cumprimentos e de presentes. Cavaco ofereceu uma reprodução da Bula papal que reconheceu a independência de Portugal (provavelmente a única conservatória da altura), o sumo pontífice retribuíu com uma medalha comemorativa do pontificado em ouro, assim como um rosário em madrepérola para a primeira-dama.

Entre os temas discutidos estiveram o “não” irlandês no referendo ao Tratado de Lisboa, Timor Leste e as relações entre Portugal e a Santa Sé. Não se sabe se foram abordados outros temas importantes na sociedade portuguesa, como o processo de canonização dos pastorinhos, o desempenho da selecção nacional no Europeu e a criação da Associação Ateísta Portuguesa.

Eis algumas das palavras de Cavaco:

«Há uma comissão paritária que está neste momento a trabalhar com resultados positivos e Portugal irá respeitar totalmente a letra e o espírito da Concordata (…)  Há já propostas no que diz respeito à acção da Igreja nas prisões, nos estabelecimentos militares e nos hospitais. Isso foi muito bem acolhido pela Santa Sé»

O representante máximo de um país que se diz laico deslocou-se ao Vaticano para informar sua excelência pontifícica do decorrer dos trabalhos relacionados com um tratado anticonstitucional que devia ser abolido.

Que falta de raça…

Outros artigos relacionados:

  1. Cavaco Silva no Vaticano
  2. Sistema Católico de Saúde
  3. Concordata: o arrepio na espinha de um Estado laico
  4. “Não é por causa de uma letra que deixa de ser canonizado”
  5. Um Papa laboral