Mau serviço jornalistico

Por Ricardo Silvestre • 24 Jun, 2008 • Categoria: Ciência

Mais um exemplo de mau serviço jornalístico aconteceu nas páginas do New York Times (e de pensar que este é um dos jornais de referência naquela cidade e no país no geral).

O grupo Academics in Philadelphia organizaram uma acção chamada o “Ano da Evolução” (Year of Evolution no original) para celebrar o trabalho e a vida de Charles Darwin. Esta é uma iniciativa que celebra a ciência, e ao mesmo tempo tenta ser informativa e didáctica, criando um espaço para as pessoas dessa cidade e do Estado de saberem mais sobre o progresso científico no último século e meio. 

O NY Times publicou uma reportagem sobre esse evento, onde no primeiro paragrafo se pode ler “No combate cultural que continua a se desenrolar entre criacionismo e evolução,  Philadelphia desfere o mais recente golpe.”

O QUE?!?!

Será que podemos dizer que a abertura de uma “Jornadas de Teologia” na Liberty University podem ser consideradas como um ataque à razão? Ou um encontro de muçulmanos em Nova York uma ameaça à segurança pública?

Que raio?

O NY Times devia ser um jornal de sofisticação e idoneidade jornalística, mas pelos vistos, não consegue resistir à histeria religiosa Americana, ao ponto de colocar um encontro científico como uma tentativa de passar mensagens anti-religiosas, e assim poder colocar cientistas como os “maus da fita”. Inclusive tiveram o mau gosto e a incrível decisão de convidar para contrapor a iniciativa o idiota Ken Ham para dizer que “a batalha cultural está a aquecer”.

Não, não está! Não há batalha possível. O criacionismo está derrotado, enterrado e serve de poluente para a terra e lençóis de água.

E a pensar que era só em Portugal que a imprensa estava enviesada.

Artigo inspirado neste texto.

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4 Respostas »

  1. Ricardo,

    Como já reparou, eu tendo a escrever quilómetros sobre tudo, e este tema fascina-me.
    Mas gostava de partilhar consigo um aspecto genérico do meu ponto de vista:

    a) eu acho que o Darwinismo não é a última coca-cola no deserto, apesar de ser notório que há provas de que houve um qualquer tipo de evolução biológica cujo mecanismo está longe de ser conhecido na sua totalidade

    b) como sabe, eu Deus como o Criador do Cosmos, e por isso, não me preocupo grandemente se Deus fez um Cosmos evolutivo ou se Deus criou as espécies uma a uma; partindo dos dados científicos, duvido de que Deus tenha criado todas as espécies, mas já acho credível que a vida seja de origem divina, e talvez algumas espécies principais, dando espaço para uma evolução das espécies entretanto criadas.

    O que me parece importante, à parte da minha crença em Deus e o seu ateísmo, é que respeitemos a Ciência.
    Ora, uma posição darwinista dogmática, que não permite que se ataquem as teorias de Darwin, ou que diga que teorias concorrentes (científicas ou não, má ciência ou boa ciência) são “inconstitucionais” é uma abordagem cientificamente má.

    Quando for preciso defender teorias científicas através dos Tribunais, está tudo escangalhado.
    Eu acho que o Darwinismo tem que ir “à luta” através dos factos. De apresentar os factos da evolução despindo-os de interpretações filosóficas materialistas. Darwin não cedeu à tentação de dar “a sua” interpretação filosófica dos factos, e a moda pegou.

    Porque razão se apegam os darwinistas a essas teorias, como se não admitissem sequer a possibilidade de que surjam novas teorias, melhores e mais completas?

    Sabe que há poucas teorias científicas que tenham durado mais do que um século… Newton foi um recordista: sobreviveu até Einstein. Será que Darwin sobrevive mais um século?

    Ao contrário da (verdadeira) religião, que se apoia em verdades imutáveis porque divinas, a humana ciência não se deve reger por dogmas. É verdade que o materialismo filosófico, disfarçado de “ciência” é uma forte arma para impor o materialismo como sendo coisa “científica”, para se tentar classificar Deus como uma crença incompatível com a Ciência.

    Mas sejamos sérios. O darwinismo, nas suas várias vertentes, é uma interpretação possível dos factos. Deixemos a Ciência evoluir, caramba. Porquê tanto proteccionismo, tanto receio? Porque razão se daria protecção legal a uma simples teoria científica, que ainda tem o seu caminho a percorrer?

    Um abraço,

    Bernardo

  2. «E a pensar que era só em Portugal que a imprensa estava enviesada.»

    E acho engraçado que diga isto!
    Quando a esmagadora maioria dos media nacionais são enviesados no sentido anti-católico.
    Quando não é possível ler um só artigo sobre religião católica sem detectar milhares de erros e de distorções…
    Seja bem-vindo! São os media que temos, e às vezes os media também dão machadadas iinjustas noutras vítimas…

    Um abraço

  3. O Bernardo não pode estar a falar a sério!

    “Quando a esmagadora maioria dos media nacionais são enviesados no sentido anti-católico.”

    Só pode estar a brincar.

    O contrário é que se aproxima da verdade: os artigos de opinião de ateístas não saem nos jornais, ao contrário da opinião de defensores da religião que até existem em formato semanal.

    Na televisão nunca se ve uma peça sobre a ausência de crença em deus (tirando o que aconteceu no programa da Júlia, e mesmo assim). Qualquer passo da CEP tem logo cobertura televisiva, qualquer assunto relacionado com Fátima tem logo um directo, qualquer frase do Ratzinger é logo tratada como notícia.

    Entendo que não concorde comigo, mas não seja faccioso.

  4. A ciência não pode fazer do Darwinismo um dogma, ele é apenas uma TEORIA, e sendo a ciência “criada” pelo homem, não pode ser dogmática e imutável, como e Ciência Divina. O criacionismo não está nem de perto morto nem enterrado, mas se pensar assim vos faz mais felizes, estejam à vontade =) Pesquisem, sejam honestos com vocês próprios e tirem as vossas conclusões.

    Não podem negar q hoje em dia, como diz o Bernardo, ha um espécie de sentimento anti-católico. Mesmo na comunicação social é destaque a visita dos líderes muçulmanos, é destaque as novas filosofias esotéricas, é destaque as maiores afrontas ao Catolicismo. E, no entanto, quando dele tratam, podemos apontar dezenas, senão centenas de erros e deturpações acerca do que realmente foi dito. Isto deve-se, em grande parte, à falta de formação católica que hoje se está a evidenciar.

    Que rejeitem a (verdadeira) religião, com sabedoria, inteligência e conhecimento de causa é uma coisa. Mas que a rejeitem apenas por rebeldia, baseado no diz-que-disse (como a maioria das noticias relacionadas com o Papa, Vaticano e afins, distorcendo quase 90% da informação) e sem esforço algum para compreender os fundamentos da Verdadeira Fé, é inconcebível e só mostra a limitação e preguiça mental que têm os que assim pensam. Por muito “pseudo-científicos” que queiram parecer.

    Cumprimentos

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