We band of brothers

Por Ricardo Silvestre • 23 Jun, 2008 • Categoria: Opinião

From this day to the ending of the world,
But we in it shall be remembered-
We few, we happy few, we band of brothers;
For he to-day that sheds his blood with me
Shall be my brother; be he ne’er so vile,
(Shakespeare, Henry V)

Este fim-de-semana estiverem juntas 5 pessoas que acontece serem ateístas.

Se não fosse essa filosofia de vida, muito possivelmente nunca se teriam encontrado: teriam se calhar se cruzado nas ruas de Coimbra, ou do Porto, ou de Lisboa, mas a probabilidade de não identificarem naquela pessoa a condição que agora as aproxima é muito elevada.

Mas assim não foi neste caso.

E assim se encontraram, assim se conheceram pessoalmente, assim cruzaram ideias e convicções, assim passaram momentos de distracção, assim passaram momentos de fraternidade.

Jantaram juntos à mesma mesa, sentaram-se no mesmo espaço do Bairro Alto, encontraram-se num largo com uma igreja como cenário, se sentaram em ciclo de amizade e partilha à frente de uma mesa bem posta, bem guarnecida, bem oferecida: com dedicação e num primor de bem receber.

E estes ateístas se conheceram melhor: com mais ou menos cabelo, com roupas mais ou menos coloridas, com mais ou menos perímetro da cintura, com linguagens mais ou menos complicadas, com frases mais ou menos estapafúrdias.

Foram trocados argumentos sérios, foram contadas histórias inacreditáveis, foram ditas banalidades, foram partilhadas crenças e filosofias de vida.

Falou-se em música, em geologia, em cinema, em arte, em ciência. Falou-se de sociedade, em gastronomia, em cevada, e pasme-se (o horror, o horror!!) em karaoke.

E assim se despediram. Mais convictos que não estão sós. Convencidos que o ateísmo pode ser uma fonte de inspiração, de encanto, de propósito. Contentes por participarem num objectivo comum, e de poderem ter tido a oportunidade de passar para além de um écran ou de uma voz num telefone.

Carpe diem, “band of brothers”.

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10 Respostas »

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  1. O karaoke é coisa do demo…

  2. Parabéns pelo texto, Ricardo. Ficou mesmo a faltar a fotografia para a posterioridade.

    Quanto à cena do karaoke… bem, cabe-me o papel de Lúcifer, certo? ;)

  3. [...] tanto deste texto do Ricardo Silvestre no Portal Ateu que passo a colocá-lo na aqui na íntegra com a devida vénia: [...]

  4. Gosto muito da citação. Podia ter posto todo esse discurso, ficaria aqui muito bem…

  5. [...] Publicado originalmente no Portal Ateu [...]

  6. Excelente artigo, boa forma de emanar uma fotografia em forma de palavras, também tomei a liberdade de roubar indecentemente o artigo.

    Cumprimentos.

  7. «Falou-se em música, em geologia, em cinema, em arte, em ciência. Falou-se de sociedade, em gastronomia, em cevada, e pasme-se (o horror, o horror!!) em karaoke.»

    Lanço o desafio…
    E não se poderiam organizar alguns desses jantares com crentes?
    Sem me querer impingir (mas é o caso), porque não um jantar com crentes? Não somos bichos, sabemos estar sentados à mesa sem roubar a comida do prato do lado e sem entrar em degradantes lutas de comida (a não ser que a situação o exija, claro).

    É justo que queiram fazer jantares só com ateus. Às vezes é relaxante poder falar com pessoas que, para variar, concordam connosco em muitos temas. Mas de vez em quando, metam uns crentes ao barulho!

    Só acho má ideia essa história do karaoke.
    Não é por nada: eu até cantaria. O problema é esse…

    Um abraço,

    Bernardo

  8. lê o Shakespeare em vez de sub-rupiares com a moeda do pensamento passivo e da fragilidade identitária que busca uma grupalidade de alienada representação.

    carpe diem sem a atracção pelo vazio do tempo que escorre, sinal gritante da ausência de reflexão viva.

    je commence à peine à vous faire comprendre que je ne joue pas ce jeu; mas os néscios nunca compreenderão, pois toda a compreensão é um espelho de si próprio.

    no glorioso tempo da negatividade moderna, havia uns arrivistas como vocês. sempre os tratámos com o desprezo adequado, sem que geralmente fossem necessárias medidas mais extremas.

  9. Caro Bernardo,

    Se prometer que não nos obriga a “dar graças” antes da refeição, então estamos combinados. Será apenas uma questão de agenda.

  10. Hélder, Hélder,…

    ;)

    Nada no cristianismo é obrigação. No entanto, deveria dedicar alguma atenção às orações usadas para agradecer a refeição. Nelas se refere a gratidão a Deus que proporciona-nos alimentos bons na Natureza, mas também se agradece a quem os confeccionou. Se imagino que o Helder não queria agradecer a Deus a parte dos alimentos, não vejo como é que a parte de agradecer a quem os confeccionou possa beliscar um ateísmo imaculado! ;)

    Concordo com a questão de agenda: é só marcar uma data que dê jeito a todos.

    Um abraço

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