Emancipações Norueguesas
Por Ricardo Silvestre • 18 Jun, 2008 • Categoria: Ciência & Educação, OpiniãoØystein Elgarøy é um professor Norueguês de astrofísica com um trabalho alargado no seu país natal, sendo inclusivamente agraciado uma medalha de mérito por parte do Rei da Noruega.
O Prof. Elgarøy era também um devoto cristão e defensor que não existia qualquer conflito entre ciência (nomeadamente no seu campo) e a existência de deus. Pelo contrário Elgarøy defendia que o cosmos apontava para exactamente para essa existência: “existe uma simetria encantadora e leis simples que governam a natureza (…) onde eu vejo Deus é na beleza das leis naturais” disse Elgarøy uma vez numa entrevista.
No entanto, tudo mudou quando Elgarøy viu o debate entre Christopher Hitchens e Allister McGrath.
“De repente vi-me a concordar muito mais facilmente com Hitchens do que com McGrath. Simplificando, eu concordava mais com a pessoa com quem devia estar em desacordo. Foi ai que percebi a consequência de ter chegado a essa conclusão. Eu não podia continuar a viver numa ilusão.”
Elgarøy afirma que apesar de Dawkins e Hitchens serem “imprecisos e não avançarem com os argumentos mais sofisticados contra a fé religiosa” que é difícil para os cristãos sequer rebater o argumento que não existe uma evidência empírica para o cristianismo ou para qualquer outra religião poder afirmar como sendo verdadeira.
“E isso não é suficiente para mim. Como cientista e astrofísico eu estou habituado a rejeitar hipóteses que não servem Isso foi o que causou que eu não conseguisse manter a minha crença de uma hipótese de Deus”. Eu não conseguia suportar essa crença de uma forma racional”.
“Milagres e curas milagrosas, por exemplo. Como cientista não acredito que essas coisas aconteçam agora, o que torna ainda mais difícil acreditar que tenham acontecido há 2000 anos atrás também.”
Quanto interrogado se a perda da fé o tinha afectado pessoalmente, Elgarøy responde que, “não foi uma experiência que me tivesse deixado triste. Absolutamente não. De repente eu estava livre para usar a minha energia para coisas melhores do que andar a defender dogmas religiosas que são contraditórios neles próprios e justificar porque me chamava a mim mesmo cristão. Foi um alívio poder deixar as coisas desaparecerem dessa maneira”.
Quem diria, os (novos) autores do ateísmo a fazerem mossa!
Seja bem-vindo à nossa comunidade, Prof. Elgarøy.

Artigo inspirada nesta notícia.
Para mais vaidades, ver aqui.
Por vezes precisamos mesmo deste tipo de ‘ignição’ para cair na real e reconhecer que 1) não faz sentido acreditar no sobrenatural; e 2) não precisamos de acreditar para que a vida faça sentido.
Assim, ao contrário daquilo que alguns dos visitantes católicos deste Portal gostam de afirmar, não se trata de ‘ir atrás’ do que o Sr. Hitchens disse, mas antes uma tomada de consciência acerca duma realidade que esteve sempre chapada à nossa frente.
Cumprimentos.
Só posso concordar com o Ernesto. Foi o que me aconteceu com o “Novo Ateísmo”.
E agora olhe, sou acusado de andar a “papagear” Dawkins, Harris e Hitchens. Ele há coisas.
Ah esses católicos são tramados….
Chegou o fim da minha participação no Portal Ateu, estas discussões realmente consomem muito tempo e vou andar ainda mais ocupado a partir de agora…
Desejo a todos as maiores felicidades.