Números
Por Ricardo Silvestre • 13 Jun, 2008 • Categoria: Ciência & Educação, Nacionais, NotíciasO Sr. António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro, em escrita refinada (não se consegue perceber muito bem para onde, mas está aqui para quem tiver mais paciência) diz que, “A Diocese de Aveiro viu crescer no último ano lectivo o número e a percentagem de alunos matriculados nas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC)”.
Ficamos interessados em saber quais os números.
Mais 250 alunos? Mais 500 alunos? Mais 5?
10% mais de alunos? 15% mais? 2% mais? 0.05% mais?
Nenhuma explicação adicional é dada. “Viu crescer” é suficiente para quem consome estas cartas dos prelados.
Mas algumas das conclusões apresentadas pelo Sr. Santos são interessantes de esmiuçar:
“Com o título «Dar valor e sentido à vida», o prelado realça neste documento que este acréscimo “exprime e revela uma procura responsável e lúcida de valor humano e de sentido cristão para a vossa vida”.” Isto é destinado aos pais das crianças, não esquecer. O “valor”, “sentido” “responsabilidade” e “lucidez” na vida são consequências naturais da procura do cristianismo: não vão esses ateístas sem alma, morais ou medo do “grande olho no céu” andar a envenenar a mente das pobres das criancinhas.
“A presença da Igreja nas Escolas tem “sido reconhecida, respeitada e assumida ao longo dos tempos no nosso País”.” Estas pessoas dizem aquilo que querem quando lhes dá mais jeito. Se é para falar mal do estado laico quando tenta reduzir a influência da igreja nas escolas, a“igreja está sob ataque das forças do secularismo e valha-nos deus, nosso senhor, que estamos a ser perseguidos”, se é para dizer que a EMRC é importante, então já se pode afirmar que a presença em sido “reconhecida e assumida” nas escolas.
Não se percebe nada.
Provavelmente tiveram mais um ou dois alunos a juntar aos vinte ou trinta que andam na EMRC em todo o distrito de Aveiro.
Creio que um jovem de 10-12 anos anda mesmo numa “procura responsável e lúcida de valor humano e de sentido cristão para a” sua “vida” quando procura as aulas de EMRC. Acho que se fizerem um inquérito a resposta não andará muito longe disso…
Quando andava no meu 8º ano de escolaridade decidi inscrever-me pela primeira vez na “disciplina” de EMRC. A razão era mais que óbvia na altura: ir aos passeios e ter algumas “bricadeiras” com elementos do sexo feminino…lol por outras palavras tratava-se de uma “procura responsável e lúcida de valor humano e de sentido cristão para a minha “vida”!
Este Bispo nao percebe que comentários devem ser baseados em factos reais, coisas concretas…e numeros para justificar esses mesmos comentários.
Quando eu era aluno nao havia escolha e enfim tinha de ser. Claro está que temas relacionados com o sexo, homessexualidade entre outros estiveram fora dos debates.
Só hipocrisia!