Venham a mim as criancinhas

Por Ricardo Silvestre • 11 Jun, 2008 • Categoria: Juventude, Opinião, Psicologia & Sociologia

De Lucas Samuel:

No dia 10 de Junho de 2008, como em todos os dias 10 de Junho, comemorou-se Portugal…e Fátima.

“Alegria, colorido, festa, surpresa e animação são palavras que, uma vez mais, marcaram a Peregrinação das Crianças a Fátima, este ano na 30ª edição. Milhares de crianças de Portugal inteiro e também um pequeno grupo da Áustria participaram naquela que é uma das mais singulares peregrinações a este santuário mariano”. Ver aqui.

É óbvio que só existe uma palavra para qualificar (ou melhor dizendo, desqualificar) este evento: nojento. A operação de lavagem cerebral cujos destinatários são crianças, merecia adjectivos bem mais violentos que tentarei não utilizar para não ferir susceptibilidades.

Em primeiro lugar: que cada católico maior de idade queira participar nas pantominas que bem entenda, está no seu direito. Agora, que pais e catequistas queiram condicionar crianças a obedecer a uma mensagem religiosa específica, isso só pode merecer o mais vivo repúdio de qualquer livre pensador. Já Dawkins afirmava e bem, que não existem “crianças cristãs”; nem cristãs, nem muçulmanas, nem hindus, nem comunistas, nem socialistas, nem fascistas. Existem apenas crianças. Pequenas criaturinhas cuja formação a todos os níveis, é ainda um “work in progress”.

Mas qual é o problema de tudo isto? dirão alguns. Comecemos pelo ridículo da mensagem que se tenta passar às crianças: “A marcar a diferença, o tema escolhido para este ano: “Jesus, só tu és a verdade”, que procurou sensibilizar, através de gestos, símbolos e de exemplos de vida, a importância de verdade como gesto de amor”.

“A importância da verdade como gesto do amor”. É bonito e até tem a sua lógica. A pergunta que se coloca então é: que “verdade” é essa? Segundo D. António Marto, a verdade é que “Jesus precisa de vós como precisou do pequenito Francisco, Pastorinho de Fátima, para através de vós levar o amor da verdade e verdade do amor”, exclamou ao sublinhar que Jesus “não se esquece de cada um de vós” e que, por isso, “quer que sejais grandes no amor à verdade, no amor aos outros e grandes a alegria de viver”.

Ficamos então a saber que a verdade…é a verdade! E a verdade é o amor…e o amor é a verdade…e Jesus é o amor… e Jesus é a verdade…e Deus é amor…e a verdade é a verdade… e o amor é o amor…e a vida é amor…e amor é vida…e a vida é verdade…e Jesus é vida e… a verdade… o…a… e coisa e tal!

É assim que se estimula a cultura crítica e a racionalidade de um povo. Aceitando “a verdade” (seja lá isso o que for). Não é de estranhar por isso, que Portugal seja um país do “prontos!” e do “portantes!”. É assim que podemos dialogar melhor, né….prontos! Porque coisa e tal e…olha…o quécsáde fazer? Só se portantes, coisa e tal, né? Viva a verdade, Jesus e prontos!

A festança da alienação não poderia terminar sem que fosse distribuída propaganda do Reich católico: “Jesus, só Tu és a verdade” é o título do livro oferecido a todos os meninos e meninas que participaram na Peregrinação das Crianças 2008. Uma edição para crianças com textos do Leccionário Litúrgico, Domingo a Domingo, até ao Domingo de 11 de Junho de 2009! Pois…porque para o ano há mais! E esqueçam lá a bonecada do Toys‘R’Us porque a criançada precisa já é começar a formar-se enquanto “bom cristão” e não enquanto “consumista alienado”. Mundo maniqueísta este o dos cristãos…

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“A palavra de Deus enche-nos o coração. (…) É o que vamos tentar fazer ao longo destes domingos: ajudar-te a perceber o que Jesus nos quer dizer e nos manda fazer, para transformarmos o nosso mundo num mundo mais parecido com Deus”, escreve Maria da Graça Fernandes na introdução da publicação”.

Para já não falar na treta do coração (existe alguma obsessão cardíaca cristã?), é muito interessante a frase “ajudar-te a perceber o que Jesus nos quer dizer e nos manda fazer, para transformarmos o nosso mundo num mundo mais parecido com Deus”. Ficamos então a perceber que Deus não tem capacidade para fazer do mundo aquilo que ele próprio idealizou. Deus é um incompetente que tem de recorrer à mão-de-obra infantil para levar o seu intento esclavagista a bom termo.

Todas as bestas nacionais que, a começar pelos jornalistas das várias televisões que entrevistaram as criancinhas no recinto de Fátima, acham “ternurenta e fofinha” a imagem de um petiz adorando o “menino Jesus e os pastorinhos”, revelam bem a ignorância saloia que grassa em Portugal. Nesta sociedade mentecapta de role models impingidos, ninguém quer crianças que desenvolvam a sua personalidade: temos apenas crianças à imagem de Cristo ou à imagem de Cristianos Ronaldos; e para se cumprir a tríade fascizante, só nos faltam mesmo as imagens fadisteiras.

Mas o “bom educador católico” ripostará: “eu quero educar as minhas crianças na moral cristã!”. Pois…talvez até queira, mas se algum dia descobrir que moral é essa, é conveniente que a registe em conservatória: com tanta seita por aí, ainda se arrisca a criar um(a) pequeno(a) fundamentalistazinho(a).

A uma criança que pergunte, “Deus existe?”, qual deveria então ser a resposta de um pai/mãe ateus? Se responder “não”, estará a cometer o mesmo erro dogmático do católico, fechando-lhe o mundo para a existência “do outro”; se disser “sim”, estará a ser hipócrita. Que caminho resta? A da opinião sincera: “o pai/mãe não acreditam, mas há pessoas que acreditam. Brinca e vive a tua infância como se nada disso importasse e quando fores mais velho(a), se tiveres alguma vez de escolher, fá-lo-ás por tua livre e espontânea vontade”. E tal como os ateus, também os cristãos deveriam proceder da mesma maneira – ou será que é preferível ameaçar as crianças com as chamas do Inferno ou dizer-lhes que Jesus não gosta delas? Nenhuma destas últimas opções contribui para eliminar a auto-estima deplorável que constitui imagem de marca do português típico.

No fim, tudo isto é triste, tudo isto é Fátima.

Fica aqui uma sugestão: todos os anos, a Associação Ateísta Portuguesa deveria tentar marcar presença em Fátima e denunciar esta pouca vergonha nas televisões nacionais. Façam marcação homem a homem a cada televisão que tente violar a integridade de uma criança sempre que quiser “entrevistá-la”: “estás a gostar de ouvir a mensagem do menino Jesus?” Não dêem descanso a esta impunidade vergonhosa que arrasta para a lama da ignorância Portugal inteiro.

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36 Respostas »

  1. Caro Lucas

    Obrigado pelo seu contributo. Verdadeiramente impressionante a sua prosa.

    1, A evangelização encapotada de divertimento para crianças é verdadeiramente ofensiva para qualquer pessoa que preze o seu lugar no mundo moderno: com tantos estudos sobre como se forma (ou disforma) a personalidade de uma criança, toda esta contra-informação com intuito de prolongar a irracionalidade e o obscurantismo é muito preocupante.

    2. O ponto que o Lucas levanta sobre a imprensa portuguesa é mais do que fulcral, é imperativo. A imprensa portuguesa age de uma forma absolutamente parcial, conivente e propagandista da “agenda religiosa”. Tudo é floreados é concordâncias quando se trata da religião católica em Portugal (em especial), abdicando do mínimo de deontologia jornalística.

    3. Totalmente de acordo com a sua opinião sobre as tríades “culturais” portuguesas: agora temos futebol, florbela, e fátima. Uma tristeza muito grande, uma desolação enorme. Uma cultura que faz passar gerações inteiras ao lado das belezas do mundo natural, do treino na ciência e tecnologia, do gosto pela descoberta e conhecimento.

    Parabéns pela coragem, Lucas. Tem em mim um “companheiro de luta”.

  2. Caro Lucas,
    Provavelmente a maior parte destas crianças abandonará a sua fé religiosa quando chegar à juventude, como tem acontecido no passado. O que prova que a ‘lavagem ao cérebro’ não é assim tão eficaz como receias.

    Caro Ricardo,
    O cristianismo não é “uma cultura que faz passar gerações inteiras ao lado das belezas do mundo natural, do treino na ciência e tecnologia, do gosto pela descoberta e conhecimento.” Muitas destas crianças, quer venham a declarar-se ateias no futuro, quer mantenham a sua fé religiosa, poderão trabalhar lado a lado num qualquer lanbortaório de investigação científica.

    Cordiais saudações,

    Alfredo Dinis

  3. Primeiro que tudo chamo a atenção para algo curioso. Há uma referência no texto da Ecclesia a um tal de “Padre Armindo Janeiro”, Coordenador da Comissão da Peregrinação das Crianças.

    Esse senhor não é da minha família nem nunca me foi apresentado.

    As crianças gostam sempre de um programa com gente simpática e com prendas no fim. Estou certo que tal lhes ficará na memória, nomeadamente o senhor vestido de branco a entoar coisas non-sense.
    À medida que evoluem passam para outro tipo de programas, como carrocéis e montanha russa na Eurodisney aos 10, peregrinação a Lloret del Mar aos 17 com as bebedeiras incluídas.

    ““Jesus, só Tu és a verdade” é o título do livro oferecido a todos os meninos e meninas que participaram na Peregrinação das Crianças 2008. ”

    Os livros da Saga “Jesus, só Tu és…” farão sucesso entre os mais novos ao estilo das “aventuras dos 5″ ou da colecção “Uma Aventura”.
    Os volumes que se seguem são “Jesus, só Tu és Jesus”, Jesus, só Tu és o Nazareno”, “Jesus, só Tu és uma pedra no sapato”, “Jesus, só Tu és azia”, “Jesus, só Tu és o gajo na Cruz”, “Jesus, só Tu és a Luz”, etc…

    “No final da publicação, e sempre em sinal do merecido agradecimento a Mons. Luciano Guerra, são publicados alguns dos cartazes de cada peregrinação, desde o último, da edição deste ano, da autoria Inês do Carmo, filha do conhecido comunicador Júlio Isidro, até aos primeiros. ”

    E eu que pensava que Raul Solnado era o único…

    Quanto à presença da AAP em Fátima, eu proponho um programa que inclua almoço ou jantar na “Tia Alice”, o único espaço que merece uma visita naquela santa terra.

  4. Que artigo mais estúpido….

  5. Hmmm…também querias um livrinho daqueles à borla não é Sá? ;)
    Olha que a inveja é pecado mortal…

  6. A maior parte do trabalho comunitário vem dessas crianças que foram lavadas cerebralmente, que horror! Isto tem que parar.
    Claro que um ateu também podia fazer o mesmo trabalho comunitário, mas na maior parte das vezes não faz…e porquê?, porque deu maior importânciar a outros valores na vida (a começar em criança) , como o individualismo (egóismo? ) etc..
    … Isso na teoria é muito bonito de dizer que a religião não é precisa para se praticar boas acções, mas na prática vê-se quem as faz.

    Agora quanto ao “abuso” de crianças, mais uma expressão ridícula do Dawkins, o Dawkins que também foi uma criança abusada… e que hoje em dia é o herói de muitos vós.

    Os pais têm todo o direito de ensinar às crianças as suas crenças e os valores a seguir que consideram ser os mais correctos, qual é o abuso disto?

    O problema dos ateus e que na sua arrogância se consideram donos da verdade, ( talvez quisessem que em Fátima a mensagem fosse ” o Dawkins é a verdade” ), é que consideram que os ensinamentos religiosos são baseados em “histórias da carochinha”, porque se Jesus tivesse mesmo ressuscitado não havia problema nenhum em ensinar este facto às crianças pois não? Só se poderá ensinar às crianças factos unânimes? É que senão não se pode ensinar nada…a começar pela história, onde nós dizemos que ganhámos uma batalha os espanhóis dizem que foram eles (o que dá origem a nacionalismos etc..) , e temos de deixar as crianças serem autodidactas a quase tudo…

  7. Bem…como o Ribeiro, excepcionalmente, até foi educado nas suas observações, vou-lhe responder de forma igualmente educada.

    “A maior parte do trabalho comunitário vem dessas crianças que foram lavadas cerebralmente”. Sob este ponto de vista, os cristãos, são as únicas criaturas à face da Terra habilitadas para o “trabalho comunitário”; logo, são as únicas criaturas através das quais, o bem se torna possível e o planeta, um sítio melhor. Tudo o resto é egoísmo e decadência. A isto eu chamo “chauvinismo religioso”. A “pura raça dos bondosos cristãos” deveria criar um império do bem no mundo (cruzadas, cruzadas: tentativa falhada para espalhar a caridade cristã universal…). Como qualquer um pode constatar, com tanto chauvinismo, daqui até ao Reich, a distância é mínima.

    “Os pais têm todo o direito de ensinar às crianças as suas crenças e os valores a seguir que consideram ser os mais correctos, qual é o abuso disto?”. Nenhum, se tirares “crenças” da frase. E mesmo em relação aos valores, nem tudo lhes será permitido: se os valores dos pais forem uma treta, deve entrar em campo a Assistência Social do Estado – para não termos os miseráveis episódios de violência familiar infantil que assolam tantos lares. Essa história que a Igreja tanto propaga acerca da imprescindibilidade da “família” é pura hipocrisia! Que me interessa a mim “A FAMIÍLIA”: interessa-me antes “UMA BOA FAMÍLIA”.

    “Agora quanto ao “abuso” de crianças, mais uma expressão ridícula do Dawkins, o Dawkins que também foi uma criança abusada… e que hoje em dia é o herói de muitos vós.” Que belo argumento! Pela mesma lógica, teria de defender o Apartheid: só esse regime segregacionista nos daria heróis como Nelson Mandela!

    E quanto a que os ateus “talvez quisessem que em Fátima a mensagem fosse ” o Dawkins é a verdade”…hmmmm. Dispenso mensagens de Nossas Senhoras interessadas em politiquice da treta (a mãe de Deus, preocupada com o comunismo na Rússia? Ahahahah…) No caso “deste ateu”, ele queria que Fátima nem sequer existisse, quanto mais, “a mensagem”.

  8. Dizer que Richard Dawkinns “foi uma criança abusada” é a demonstração final de que o João Ribeiro se está a meter em temáticas das quais não sabe nada: Richard Dawkins foi criado num lar anglicano, e também ele respeitou alguns rituais dessa religião, mas como ele já teve oportunidade de dizer repetidamente, nunca lhe foi “forçada” a religião por parte dos pais. O “abuso” que ele define como abuso de crianças é o facto de as crianças serem rotuladas como cristãs, ou muçulmanas ou católicas, e com isso serem vitimas de uma tribalização onde “somos nós contra eles” por questões religiosas.

  9. Caro Alfredo

    Estava a usar uma hipérbole, claro. Quando digo “gerações” não me refiro a toda a gente dessa geração: eu sou um bom exemplo, educado e criado como uma criança católica, sou hoje ateu, cientista e naturalista. E tal como eu conheço pessoas que tem a mesma formação académica e pessoal, e que não conseguem aceitar que não exista uma força superior que regula o Universo. São panteístas ou deistas, exactamente porque se conseguiram libertar de toda esta gramática religiosas de “santos e milagres, preces e benesses”.

    Mas, Alfredo, não concorda comigo que seriamos mais avançados como país se tivéssemos mais informação técnica, científica, naturalista na educação das nossas crianças? Espero que concorde, porque sei que não irá concordar com o seguinte: a razão de estarmos 30 anos atrasados em relação ao resto do mundo tecnológico podemos agradecer a uma ditadura que fazia o “elogio da ignorância” e onde, lamento ter de o irritar com este argumento, a igreja dominante teve muitas culpas.

    Agradeço-lhe a cordialidade dos seus comentários.

  10. Ricardo Silvestre, não me faça rir se faz favor. Você é que parece não entender o que o Dawkins diz…. a questão das “etiquetas” faz parte do abuso… Assim com a ” lavagem cerebral” a que as crianças são sujeitas , que as “impede” de pensar por elas próprias e que lhe lhes pode causar danos irreversíveis para o resto da vida, a mesma a que Dawkins foi sujeito, visto que ele chegou a fazer a confirmação ou crisma…

    O Ricardo que começe a ter mais atenção ao que os seus gurus dizem antes de vir dizer que os outros é que não sabem nada..

    Para além que devia ir ver quem é que se safa melhor na escola nas áreas de ciência e tecnologia…

    Lucas Samuel,

    Fui educado como sempre sou….se você continuar “bem comportado” eu também farei o mesmo.

    “é que consideram que os ensinamentos religiosos são baseados em “histórias da carochinha”, porque se Jesus tivesse mesmo ressuscitado não havia problema nenhum em ensinar este facto às crianças pois não?”

    Aqui está o ponto principal, você não acredita por isso acha mal que se ensine.. é tão simples quanto isso.
    Mais uma vez desde que não haja fundamentalismos, como negar factos científicos óbvios, a Terra ser redonda, ou a teoria da evolução, não há abuso nenhum. E assim como as pessoas têm o direito de achar que uma determinada batalha ocorreu historicamente de determinada maneira, também têm o direito de acreditar que a ressurreição de Cristo foi um acontecimento histórico, e de ensinar aos seus filhos.
    Claro que se os filhos tiverem alguma inteligência irão investigar com mais afinco na idade adulta…. no caso de serem fantoches é indiferente a posição que tomem….pode dar para o torto de qualquer modo

    Cumprimentos.

  11. Para o João Ribeiro

    Mau! Está de propósito a fingir que não entende o que eu escrevi, ou escrevi numa língua que não fosse a nossa, ou está a inventar “factos” à medida que vai escrevendo?

    Acabei de lhe explicar que Dawkins não teve nada a ver com uma “”lavagem cerebral” a que as crianças são sujeitas, que as “impede” de pensar por elas próprias e que lhe lhes pode causar danos irreversíveis para o resto da vida, a mesma a que Dawkins foi sujeito, visto que ele chegou a fazer a confirmação ou crisma…”.

    O facto de ele ter passado por rituais anglicanos foi, pelas palavras dele, uma questão cultural, e não por necessidade de continuação do dogma cristão, ou de lhe ter sido incutida a obrigatoriedade de ser crente, ou de o terem ameaçado com castigos se ele não o fizesse por parte dos pais ou dos seus pares.

    De qualquer maneira, e se, pelos vistos me está a dar uma “lição” sobre como “interpretar o que diz” o Prof. Dawkins, faça o favor de me dizer qual foi o estudo exaustivo que fez sobre a pessoa em questão para poder saber o que afirmou

  12. Caro Ricardo,
    Há quem diga que uma das causas do nosso atraso cultural foi a supressão pelo Marquês de Pombal dos 30 colégios que os Jesuítas tinham em Portugal quando ele ‘reinava’. É uma tese discutível. Há também quem louve o Marquês por ter feito isso e por ter criado o ensino público em Portugal.

    No que se refere à colaboração de alguma parte da Igreja Católica com Salazar, isso é inegável, como o é o sofrimento de muitos católicos, incluindo padres e bispos, por se terem oposto ao antigo regime.

    No que se refere ao ensino da ciência aos nossos jovens, estou de acordo consigo em que isso será benéfico, e que há hoje um défice nesse ensino. Muita superstição, não apenas religiosa, poderia ter sido já evitada. Mas também se deverá ensinar mais arte, música, poesia…. E, tenho que acrescentar para ser coerente com as minhas convicções, não fará nenhum mal ensinar uma fé religiosa que nada tenha contra a ciência e a arte, e que promova o espírito crítico, a justiça, a fraternidade, a tolerência e o respeito pela natureza. Sou dos que acreditam que há muito disparate que se diz e faz por esse mundo fora em nome da religião. O mesmo acontece em relação à ciência. Aos ateus que quiserem passar o resto da sua vida a denunciar estes disparates, não lhes faltará matéria!

    Um abraço,

    Alfredo Dinis

  13. Caro Alfredo

    Dé-me dois exemplos do que é para si um “disparate que se diz e faz por esse mundo fora” que seja em “nome da ciência”.

    Não é um desafio torcista, é uma pergunta séria para saber a sua opinião neste tema e assim continuar o debate.

  14. Ricardo, mau maria!

    Eu usei o termo lavagem cerebral ironicamente, isso devia ser óbvio….e o usei porque o ateu no geral usa este termo de forma muito abrangente e não só nos casos (raros) em que as crianças são ensinadas à força e com ameaça… usam sempre! Portanto visto que o Dawkins acreditou num Deus segundo palavras dele, terá sido abusado como criança só isso…Mas parece-me que o Ricardo não usa o tal conceito de lavagem cerebral de forma tão abusiva, o que é bom…

    “De qualquer maneira, e se, pelos vistos me está a dar uma “lição””

    Nunca quis dar lições a ninguém e não fui eu a dizer que outros não sabem nada…..

    “Innocent children are being saddled with demonstrable falsehoods,” It’s time to question the abuse of childhood innocence with superstitious ideas of hellfire and damnation. Isn’t it weird the way we automatically label a tiny child with its parents’ religion?”

    Oiça isto está por todo o lado…. o abuso que ele fala não é restrito à “labelling”, é abrangente também aos ensinamentos religiosos….eu já li muito sobre o Dawkins e não me considero totalmente desprovido de razão, pelo que agradeço mais respeito antes de ouvir esse género de bocas.

  15. Que grande confusão vai nesse raciocínio João Ribeiro…

    “é que consideram que os ensinamentos religiosos são baseados em “histórias da carochinha”, porque se Jesus tivesse mesmo ressuscitado não havia problema nenhum em ensinar este facto às crianças pois não?” Aqui está o ponto principal, você não acredita por isso acha mal que se ensine… é tão simples quanto isso.”

    Não tem nada a ver com crença, mas sim, com as características perniciosas da crença para a formação moral da criança! Eu não conheço ninguém que deseje anular do imaginário de uma criança a figura fantasiosa do Pai Natal; só que o Pai Natal “oferece” prendas por bom comportamento e não condena ninguém ao Inferno! Enquanto um mecanismo ficcional funciona como a extensão da educação moral dada pelos pais, o outro mecanismo ficcional funciona como um agente ao serviço de interesses corporativos e interesseiros cujo único intento, é a angariação de almas (para não falar de outras coisas). E esqueça lá essa história de que os cristãos são protótipos dos “missionários da caridadezinha”! Quem quer ser “bom”, não precisa da Igreja para isso! A esse tipo de gente eu chamaria, “oportunista”. Quanto ao Pai Natal, ele é e será sempre uma figura ficcional provisória (tal como o são as fadas e os dragões): Deus, ao contrário, é uma prisão permanente.

  16. “o outro mecanismo ficcional funciona como um agente ao serviço de interesses corporativos e interesseiros cujo único intento, é a angariação de almas”

    Aqui está patente que é grandemente o carácter “ficcional” que o incomoda. Por exemplo se você visse um pai que dissesse à sua filha para vir para a casa antes das 2 da manhã porque depois fica perigoso, e ela arrisca-se a ser violada, você provavelmente não teria problemas certo?
    Da mesma maneira não seria condenável se as pessoas que realmente acreditam no Inferno não o ensinassem aos seus filhos?
    Elas só estão a fazer o que acham correcto, assim como o Lucas…

  17. Só falta dizerem que as criancinhas devem ser educadas por robôs que não transmitam opiniões e façam-nas pensar sozinhas. Quem é que imagina uma criança a ser educada sem que lhe transmitam valores e bom senso. Porque é que dizer às crianças que Jesus é a Verdade e que a verdade de Jesus é o amor entre os homens é errado?

    Além do mais os pais educam os filhos de acordo com as suas crenças e ninguém tem nada com isso. E os próprios filhos imitam o que os pais fazem. Se formos a pensar desta maneira é melhor nem deixar os pais darem nome aos filhos. É melhor que eles próprios decidam por si.

    “todos os anos, a Associação Ateísta Portuguesa deveria tentar marcar presença em Fátima e denunciar esta pouca vergonha nas televisões nacionais. Façam marcação homem a homem a cada televisão que tente violar a integridade de uma criança”
    Façam isso. Assim o ateísmo português passa de racional a maluquice.

  18. João Ribeiro,

    A comparação que fez é infeliz:
    As estatísticas criminais documentam e quantificam casos concretos de violações e de crimes horrendos contra inúmeras raparigas. Excepto na época da caça às bruxas, não conheço hoje em dia, nenhum caso documentado em nenhuma esquadra de polícia de alguém que tenha sido violada pelo Diabo ou que tenha sido dada como desaparecida no Inferno! (e coitada da polícia: muitas dificuldades teria em iniciar as suas buscas a um sítio que nem sequer existe…).

    Ricardo Sá,

    A sua mentalidade parece a de um esclavagista antes da abolição da escravatura. Há pessoas que simplesmente se recusam a aceitar que é possível evoluir…

  19. Caro Ricardo Silvestre,
    Os exemplos abundam. Basta ir à astrologia, à parapsicologia, à ‘memória da água’, etc., etc. Dir-me-á que isto nada tem a ver com a ciência. Eu também penso assim. Mas as pessoas que têm estas práticas ‘científicas’ dizem que o fazem em nome da ciência. Algo de semelhante se passa com os que fazem e dizem todo o tipo de disparates em nome da religião. Perder tempo com as inúmeras caricaturas da religião por esse mundo fora equivale a perder tempo com o combate à astrologia e à parapsicologia. Não é por aqui que se faz uma crítica inteligente da ciência, uma vez que nenhum ramo do saber humano está acima de qualquer suspeita, incluindo o discurso teológico.
    Cordiais saudações,

    Alfredo Dinis,sj

  20. Lucas Samuel, você acertou exactamente no meu ponto. A questão é você não acreditar no Cristianismo. Porque para questões objectivamente reais, você não teria problema em chamar as crianças à realidade, não falar com estranhos, o caso da Maddie etc.. ninguém tem gosto em assustar as crianças..

    Mas também já agora deixe-me que lhe diga, que eu andei na catequese e tive EMRC…. e não me lembro sequer de me terem falado no Inferno. Num dos meus livros de EMRC até falava da evolução e dizia que o Adão e Eva não tinham existido literalmente.
    Falávamos mais de assuntos palpáveis, paz, amizade, a importância de ajudar os outros etc… Como eu já disse, não é por acaso que a maior parte do trabalho comunitário vem da religião, e não é pelas pessoas religiosas nascerem com maior predisposição à bondade, é porque aprendem a valorizá-la desde crianças… E claro que é possível ser-se bom sem religião, nunca disse o contrário… mas olhe para as estatísticas.

    Este link é interessante: http://www.godandscience.org/apologetics/religion_as_child_abuse.html
    E recomendo a todos os ateus aqui no site…. principalmente os gráficos de um estudo feito numa Universidade da Carolina do Norte…

  21. Lucas Samuel

    Evoluir é amor e reconciliação entre os homens (provavelmente o que diz no livrinho).

  22. Caro Lucas Samuel

    Dando o meu testemunho pessoal de participação em encontros idênticos a estes, enquanto criança, digo, que não considero “lavagem cerebral” .
    Hoje tenho 44 anos e um espírito critico em relação a tudo, inclusive à religião q pratico.

    “Lavagem cerebral” considero eu, esse teu discurso.
    Ana Vaz

  23. Tenho 4 filhos e como eu e a minha esposa temos militância católica, só faz sentido educar os nossos filhos segundo as nossas crenças e não em quaisquer outras.

    Não me parece que se deva esperar para que alguém seja adulto para poder então fazer as suas escolhas a partir do zero. Não teria nome, nem hábitos, nem valores, nem cultura…
    Não seria pessoa. Isso é o que vemos nos meninos selvagens.

    Claro que os filhos dos ateus deverão ser educados como os seus pais entenderem. E os dos agnósticos idem. Como pai sinto-me responsável pela educação dos meus filhos segundo os valores que aceito para mim, em conjugação com a minha esposa.

    Não me parece que alguém que seja educado numa crença religiosa, ou num ateísmo militante esteja condicionado à partida para não exercer uma racionalidade questionante e crítica. Isso só acontecerá se os seus pais e o seu meio não o dotarem de cultura nesse sentido.

    Parece-me que uma pessoa para tomar decisões tem sempre de partir de algo. Para aceitar ou rejeitar.
    Não nos podemos esquecer que tomar a decisão de não veicular algo, é já manifestação de uma crença e moldagem segundo valores.

    Estive com os meus filhos em Fátima no dia 10.
    Tal como vou com eles a outros sítios, e a determinados não vou, e eles não vão nem com a escola porque não se coadunam com os nossos valores familiares (quartéis; zoológicos; circos com animais;etc) …Devo educar os meus filhos segundo os valores que acho correctos - é pelos meus valores que mais tarde tenho que responder-lhes.

    Claro que existem crianças enquanto seres humanos em crescimento, numa perspectiva universal, mas essas crianças são uma abstração: as crianças reais, essas de todo o mundo, existem sempre em determinada cultura e horizonte de valores.

    Sabem o que fazem os Livres Pensadores ? : deixam os outros pensarem livremente.

    Os meninos não concordam… não mandem lá as vossas crianças, era o que faltava eu não poder levar as minhas, ou o que faltava era obrigar os filhos dos ateus e dos agnósticos a receberem doutrinação religiosa forçada.

    Tenham calma e não proponham cerceamentos da liberdade.
    Com que então querem estados controladores e doutrinadores da criançada contra os valores das suas famílias!!!!!?

    Para livres pensadores andam muito limitados.

  24. Lembro-me que quando fiz a Primeira Comunhão desisti logo da catequese. Tenho orgulho em dizer que nunca acreditei em Deus, nem mesmo quando tinha 7 anos e tinha a disciplina obrigatória de EMRC.

  25. Ou seja, segundo o João Ribeiro os pais devem ensinar aos filhos aquilo em que acreditam. Mesmo que acreditem na realidade do Inferno, na arca de Noé como facto histórico, na fada dos dentes ou noutro disparate qualquer. Enfim…

    Mas isto até é o menos grave. O pior, como disse o Lucas Samuel, é o efeito potencial que as convicções incutidas podem ter sobre o desenvolvimento da mentalidade do jovem. Por exemplo em relação à homosexualidade: se a igreja católica não aceita a homossexualidade é bem provável que a doutrinação católica seja uma boa rampa de lançamento para a homofobia.
    Já muito se insistiu aqui sobre a fé religiosa não ser um obstáculo ao exercicio da racionalidade, o que para mim não é nada evidente. Primeiro nunca é demais sublinhar que, uma coisa é não ser um obstáculo, e outra é promover o espírito crítico, algo que a igreja definitivamente não faz. Depois, como é que se pode dizer que a fé não condiciona a inquirição se tudo nela são enigmas, dogmas, proposições sem possibilidade de confirmação?
    “Jesus é salvação” ou “Jesus precisa de vós como precisou do pequenito Francisco” são exemplos de um tipo de afirmações que as crianças vão reconhecendo como transcendentes e que, como tal, não apelam ao pensamento critico.
    De forma consciente ou não incute-se a noção de que existe algo - o sagrado - que não está aberto à discussão. Não porque os pais não permitam a discussão, mas sim porque a natureza dos assuntos não se presta a um diálogo racional.

    A ideia de que podemos cultivar valores humanísticos sem a ajuda de nenhuma muleta religiosa é uma noção que devia ser promovida junto dos jovens com a mesma força com que lhes são transmitidas as crenças religiosas dos pais. Estou certo que, desta forma, muitos abandonariam mais cedo a sua herança religiosa.

    cumprimentos.

  26. “Ou seja, segundo o João Ribeiro os pais devem ensinar aos filhos aquilo em que acreditam”

    De um modo geral acho que sim…Claro que ensinar como realidade a fada dos dentes seria absurdo, mas ao contrário da fada dos dentes, eu acho que existem evidências sobre a ressurreição de Cristo, ver Gary Habermaas por exemplo.
    Acredito também que terá acontecido alguma coisa de especial em Fátima e digo isto, porque tive uma parente lá presente, mesmo que não acreditem, já agora agradeço que não lhe faltem ao respeito.

  27. Ahhhhh! os eternos argumentos dos crentes

    “eu acho que existem evidências”

    “não faltem ao respeito a quem acredita”

    “Eu acho” não chega. E não chega que Habermaas ache também. Ou o Ratzinger ou o Policarpo. Evidências não há nenhumas da ressurreição, a não ser o que se encontra escrito na bíblia. Alias, a bíblia diz que na altura desse “acontecimento” as campas se abriram e os mortos vaguearam por Jerusalém, numa demonstração que afinal a ressureição de Jesus até não teria nada de especial: a “evidência é que não há nenhum relato histórico, por duas civilizações (a Judaica e a Romana) que eram muito boas a fazer registos de ocorrências durante o seu período. Mas os crentes preferem ignorar estas evidências por outras “evidências”

    E a parte do respeito é de uma cobardia mental atroz. Porque é crente, tem de ser respeitado na sua crença. É uma condição a priori. Quem esteve em Fátima, e que jure a pés juntos que viu o sol a mover-se no céu, e acredite piamente que foi o sol que se moveu merece “respeito” a sua crença. É a sua fé, e como tal, merece “respeito”.Não, não merece. Não merece respeito essa crença da mesma forma que não merece respeito a crença de quem acredita que a terra é plana, ou que é o Universo que gira à volta da Terra.

  28. O Ricardo Silvestre começa a entrar na idiotice… não faltar ao respeito porque a minha parente já não está cá para se defender. Sempre a ver quando papagear o Dawkins e depois não acerta uma….

    É óbvio que o Sol não terá se mexido realmente, mas mesmo que tenha sido uma alucinação é algo a ter em conta, porque uma alucinação de centenas de pessoas é obra.
    Você já leu Habermaas? Você está a par das fontes extra bíblicas?

  29. Caro João Ribeiro,

    Não confunda o respeito pelas pessoas com o respeito pelas crenças ou ideias das mesmas. São coisas completamente diferentes. O facto de eu o respeitar a si não implica ter que respeitar as suas ideias ou crenças. O facto de eu não respeitar as suas ideias ou crenças não implica que eu não respeite o seu total direito a tê-las.

    Cumprimentos.

  30. Desde já, embora o Ricardo Silvestre tenha vindo a mudar a sua postura inicialmente mais tolerante, peço desculpa pela minha rude introdução na minha mensagem anterior. As conversas têm sido civilizadas e produtivas e assim espero que continuem.

    Exactamente Hélder e estou completamente de acordo consigo, o que eu pedi foi para respeitar a pessoa e não a crença.
    O único ponto que eu espero que tirem, é que algo de especial terá acontecido em fátima, mesmo que não tenha sido nada de sobrenatural, deviam aceitar que se passou algo de convincente para aquelas pessoas, e que fátima não é apenas uma história inventada para ganhar dinheiro.

  31. Foram os cogumelos da cova da iria…

  32. Em relação às objecções dos “educadores”:

    “Dando o meu testemunho pessoal de participação em encontros idênticos a estes, enquanto criança, digo, que não considero “lavagem cerebral”. Hoje tenho 44 anos e um espírito critico em relação a tudo, inclusive à religião q pratico”.

    Claro, claro…inclusive em relação à religião que praticas; imagino a capacidade crítica que não terá sido desenvolvida: “eu estou bastante receptiva à aceitar que Jesus tenha sido louro ou negro, que tenha andado na brincadeira com a Maria Madalena ou que tenha permanecido virgem! não sou nada fundamentalista e até sou uma mente aberta! Agora…que ele ressuscitou, lá isso ressuscitou!”

    “Não me parece que se deva esperar para que alguém seja adulto para poder então fazer as suas escolhas a partir do zero. Não teria nome, nem hábitos, nem valores, nem cultura”.

    Portanto…se a Igreja não existisse, você provavelmente ensinaria o seu filho a matar, a violar, a roubar e a desrespeitar os outros? Que estreiteza de espírito…

    “Com que então querem estados controladores e doutrinadores da criançada contra os valores das suas famílias!!!!!? Para livres pensadores andam muito limitados.”

    Quando as suas crianças vão à escola para aprender a tabuada e o abecedário, o que é que isso tem de doutrinador e controlador?? Se o “valor da família” consiste em acreditar que um tipo qualquer há 2000 anos atrás ressuscitou dos mortos, desculpe-me que lhe diga, isso não tem nada a ver com valores: tem a ver com idiotice.

    Em relação às “visões de Fátima”:

    “algo de especial terá acontecido em fátima, mesmo que não tenha sido nada de sobrenatural, deviam aceitar que se passou algo de convincente para aquelas pessoas, e que fátima não é apenas uma história inventada para ganhar dinheiro”

    Absolutamente! Ninguém faz dinheiro à conta de Fátima; à conta de um fenómeno que talvez nem “tenha sido nada de sobrenatural”. É só porque o povo português gosta de ajuntamento, cantarolar uns disparates, ver velas acesas à noite e arranhar os joelhos. Tem todo o direito a isso. Agora…deixem as crianças fora desse circo!

  33. Será um avanço quando um dia se deixar de pensar que sem religião o nosso mundo seria um caos, sem uma “supervisão divina” seriamos todos uns selvagens, sem a “bondade dos religiosos” não haveria solidariedade, e sem “líderes espirituais” não haveria uma interpretação de qual o melhor guia para a moral.

    Este tipo de “convicção” que certos crentes têm, so justifica ainda mais aqueles que têm a opinião que este estilo de dogmatismo nunca trará nada de bom para as relações entre as próprias religiões, para o funcionamento de uma sociedade secular, e principalmente para a segurança e progresso da civilização.

  34. Lá continuamos nós a bater na mesma tecla: os crentes são estúpidos! Os crentes são broncos! Os crentes são atrasados! …

    Mas não poderiam mostrar a excelência das vossas ideias de um modo mais consistente, isto é: mostrando a inteligência superior das posições ateias mostrando o que podemos ganhar com elas?!

    Olhando para a história e para a actualidade, pondo os olhos em vultos tão grandiosos da história universal, passada e comtemporânea,e crentes, e os biliões de crentes do planeta, teremos, segundo essa ordem de ideias, que aceitar que existe apenas um reduto de Eleitos, os Únicos a verem a verdade, os escolhidos pela Divina Razão… os ateus.

    Mas isto soa-me tanto a sentimento religioso!!! É um Ateísmo deveras Religioso.

    Claro que não se deve afirmar: ‘ou a religião, ou a barbárie’. Não é claramente verdadeira a asserção.
    Conheço muitos ateus que são pessoas dotadas de excelentes valores humanos. E não lhes posso tirar o mérito com saídas idiotas do género: ‘ no fundo, tu não sabes, mas és crente, por isso és bom !’. Isso seria abusivo.

    Mas afirmar que a crença e as religiões implicam obrigatoriamente a barbárie, o mal e o obscurantismo, é falso.

    E não é honesto igualmente, quando não se pode deixar de considerar que um crente é culto e inteligente, declarar que é um crente especial, um quase não crente, que é diferente dos outros crentes…

    Quem pede respeito para ser olhado como ser dotado de razão e capacidade de auto-determinação- sendo ateu - tem de de respeitar e olhar os crentes como seres humanos iguais, e por isso capazes de auto-determinação e racionalidade.

    Como é possível que gente que defende o princípio do Livre Pensamento pretenda limitar, ou olhar como limitados, aqueles que escolheram crer !????

    Senão, é pouca a confiança no Homem e na sua capacidade racional - e então voltamos ao pequeno rebanho eleito…

    Não entendo porque não conseguem alguns ateus encontrar nada de bom nas realizações religiosas ao longo da história - isso é falta: ou de formação cultural ou falta de honestidade intelectual.

    Erros graves das religiões. Algum crente se recusa a reconhecê-los ? Mas e os erros dos ateísmos e os seus crimes tão recentes, tão presentes e tão massivos !!!! ??? Conseguem reconhecê-los, falar deles, nomeá-los!??

    É que foram cometidos em nome do ateísmo - dito até ‘positivo’, ‘científico’, ‘rácico’, ‘libertador’, ‘iluminado’, racional’, ‘progressista’, e sei lá que mais…
    Não podemos também esquecer essa parte da história da humanidade. Foram (e são) indivíduos e organizações declarada e militantemente ateus que os levaram a efeito.

    E não chega dizer que não foram estes crimes cometidos pelos próprios: não estão sempre a atirar uma parte da História à cara dos crentes ?!! Então assumam a história do ateísmo também. A boa e a má!
    E nem sequer espero que só se assuma a parte menos boa, que é o que exigem aos crentes.

    A força das ideias não pode ser suportada por uma visão manipulada e sem reciprocidade em relação àqueles a quem nos opomos.

    Não podemos reconhecer nos que discordamos valores, ainda que os achemos insuficientes para nós? ???!
    É que para gente que pretende negar o Absoluto, consideram, afinal, que existe o absolutamente mau - que são as religiões… e isto é algo de travo muito religioso.

    Estou curioso para ver se, por exemplo, haverá um artigo, da parte de um enviado especial, ao próximo acampamento dos Pioneiros do Partido Comunista … gostaria de ver os comentários a essa doutrinação ateia de crianças - ou não pode ser: não é doutrinação, é ciência!!!

  35. Caro Carlos Reis,

    Tanto texto e tão pouca objectividade. Falou de tanta coisa e não falou de nada…
    Acabou por ser perder em generalidades, divagações e lamúrias, sem tocar em nenhum dos pontos da discussão. Valha-me deus… :-)

    cumprimentos.

  36. Viva Ernesto,

    Poderia então mostrar que entendeu, e como se deve fazer!!!!????

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