Encapotamentos

Por Ricardo Silvestre • 11 Jun, 2008 • Categoria: Informação Jurídica, Opinião

Após uma leitura atenta dos “ensinamentos” de outro dos “lideres espirituais” de “rebanhos” que é o “Bispo” Edir Macedo, da igreja protestante “Igreja Universal do Reino de Deus”, acho que seria interessante traçar algumas considerações sobre o que andam a dizer estas pessoas aos nossos vizinhos.

Para uma leitura completa da “mensagem do bispo” terão de visitar este sítio.

Ficam aqui apenas alguns detalhes.

“Quando a Bíblia fala em Senhor dos Exércitos, está a referir-se a Deus como Comandante Supremo dos Exércitos de Anjos. Isto traz a ideia de guerra, já que a actividade principal de um exército é defender a sua pátria, o seu povo. Ao identificar-Se como Senhor dos Exércitos, Deus está a colocar-Se como Defensor da saúde, da prosperidade e do bem-estar do Seu povo, da Sua nação, e do Seu Reino.”

Este estilo de argumentação é algo dúbia, o que é um pouco encontrado em todas as religiões (por exemplo, na islâmica o conceito de Jihad - ou “guerra santa”, pode ser interpretado de várias formas, o que dá espaço para os fanáticos e para os seus apologistas). Se dá a ideia de guerra, é uma “guerra” de prosperidade e bem estar? É preciso um exercito para isso? E é preciso uma designação como a de “Comandante Supremo”? Estes são termos belicistas misturados com conceitos religiosos numa óptica secular.

“Quando o assunto é financeiro, não se trata somente de um pouco mais ou um pouco menos de prosperidade, mas de uma disputa entre a Luz e as trevas. Porque, no Jardim do Éden, depois de ter criado toda a riqueza maravilhosa na Terra, Deus entregou-a a Adão e a Eva para a sua administração, com autoridade divina. A desobediência deles fez com que o diabo tomasse posse dessa autoridade que haviam recebido e passasse a dominá-la.”

Aqui, a promiscuidade de termos atinge uma gramática economicista com floreado teológico. Se o assunto é financeiro, trata-se de uma “disputa entre a luz e as trevas”? Não é “ser um pouco mais ou menos de prosperidade”, mas sucesso financeiro baseado num dicotomia religiosa de bem e mal, que alias é suportada pelo facto de “a desobediência” a decretos divino é o caminho para a entrega da “autoridade sobre a riqueza e a prosperidade ao diabo” (leia-se forças do mal).

“O fiel zela não apenas por viver afastado do pecado, mas também por conside¬rar o Senhor dos Exércitos como Senhor da sua vida. (…)O que agrada a Deus é a obediência à Sua Palavra, pela fé. O Senhor tem colocado os Seus Exércitos sob o próprio comando, para lutar contra os devoradores que ousam tocar nas riquezas conferidas aos obedientes. Os Exércitos do Altíssimo estão sempre de prontidão para defender aqueles que têm considerado-O como Senhor da sua vida”

Nestas duas perspectivas, de belicismo para atingir valores não relacionáveis com questões militares (saúde, bem estar, felicidade) são depois associados termos económicos (a riqueza, a prosperidade).
Claro que pode ser argumentado que essas riquezas são as mesmas que se podem incluir nos espólios da “guerra”, ou seja, riqueza espiritual, riqueza moral… mas então porque a referência anterior a “assuntos financeiros”?

Parece-me que este estilo de linguagem causa uma identificação de termos reais com imaginários: preservação de valores materiais recorrendo à ajuda de “forças protectoras divinas”, com a incomodativa assumpção que quem pode ajudar os crentes da IURD nas suas questões económicas… são exactamente os bispos dessa igreja.

Parece ser um encapotamento de algo que pode ser chamado por outro nome.

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Uma Resposta »

  1. A IURD é um negócio. Entre os brasileiros é considerada uma espécie de “religião de segunda divisão B”.

    Tal como uma empresa de entretenimento que oferece um serviço, esse deve ser pago. Só que nenhuma empresa deste tipo nos obriga a descontar 10% do salário e nos persuade à oferta de apartamentos e outros bens.

    Para a banha da cobra já nos chegam os professores bambos e alexandras solnados…

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