Se nos EUA se vêem muitas adoloscentes a recorrer à cirurgia plástica, nomeadamente aos implantes mamários, uma nova onda cresce na Europa nas jovens mulheres muçulmanas. A Himenoplastia ou restauração do hímen, com o propósito de se garantir uma virgindade nova.
“In my culture, not to be a virgin is to be dirt”
(Na minha cultura, não ser virgem representa ser suja)
A reportagem do New York Times mostra uma rapariga de 23 anos, descendente de marroquinos, que recorreu à cirurgia numa clínica privada em Paris pela quantia de cerca de 1900€. Refere-se ainda o aumento do número de pedidos de atestados de virgindade a ginecologistas por parte da população muçulmana nos últimos anos como percussor desta onda. O medo de retaliações por parte das famílias (dos dois lados) também as empurra para a operação.
“Right now, virginity is more important to me than life.”
(Neste momento, a virgindade é mais importante para mim do que a vida)
A entrevistada fala do recente caso da mulher rejeitada pelo seu marido na noite de núpcias pelo facto de esta ter mentido em relação à sua virgindade como um dos factores que a levaram a fazer a cirurgia. Apesar de nunca ter tido relações sexuais, descobriu numa dessas consultas para obter o “atestado” a apresentar à famíla do namorado que não estava em conformidade, apontando um acidente aos 10 anos como a possível causa.
O caso mencionado tem feito algum barulho devido a envolver tribunais civis, tal como foi referido neste espaço. A meu ver, apesar da noiva ter mentido sobre uma suposta “qualidade essencial”, tal não constitui motivo suficiente para que um tribunal laico anulasse o casamento, ao abrigo da igualdade entre os sexos, um princípio que penso que será constitucional.
O sexo feminino sempre foi o elo mais fraco dentro das religiões, feitas à medida das sociedades da altura, patriarcais e machistas, apresentando a mulher como propriedade do homem. Se um pouco por todo o mundo muçulmano acontecem tragédias em nome da honra das famílias ou do marido, este caso representa uma espécie de retrocesso civilizacional, ainda por cima em solo europeu. Estas mulheres estão adaptadas ao european lifestyle e muitas nasceram cá, mas as comunidades em que se inserem ainda não ultrapassaram muitos dos atrasadismos das sociedades de onde são originários.
Não sei onde é que isto irá desaguar, mas é certo que a desconfiança aumentará. E citando o Bruno Miguel Resende, os muçulmanos que exigem os seus produtos femininos com certificados de qualidade divina e com vaginas por estrear têm aqui um bicho de sete cabeças para resolver, pois muitos desses certificados vão perder a sua qualidade divina.
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Uma vergonha numa sociedade que se quer progressita e livre.
Incrível, jamais acreditaria nisto senão tivesse ido investigar!
Que vergonha para ao ser humano!