O inferno deve ser melhor do que Guantánamo
Por Rui Janeiro • 5 Jun, 2008 • Categoria: Internacionais, NotíciasKhalid Sheikh Mohammed, o cérebro dos atentados do 11 de Setembro, afirmou hoje na primeira sessão do tribunal militar que o vai julgar, que deseja ser condenado à morte de modo a se “tornar um mártir do Islão”. Na sua primeira aparição em público desde 2002, recusou advogado e vai assumir a sua própria defesa.
«Khalid Sheikh foi o primeiro a tomar a palavra e, depois de ouvir as acusações, começou a cantar uma oração em honra de Alá, interrompendo apenas o canto para traduzir para inglês os versículos: “Alá é suficiente para mim, não há outro deus a não ser Alá e em Alá deposito a minha confiança”.» [Público]
Este senhor assumiu-se não só como responsável pelos ataques contra o WTC, mas também como mentor de atentados (alguns não passaram do papel) um pouco por todo o mundo, de acordo com a BBC News. Entre esses atentados destaca-se o ocorrido numa discoteca em Bali (Indonésia).
Acrescente-se o envolvimento assumido no planeamento da destruição de infraestruturas como edifícios (Big Ben, Bolsa de Nova Iorque), pontes, embaixadas de países ocidentais e mesmo do Canal do Panamá. Outros dos alvos referidos foram ex-presidentes dos EUA (Jimmy Carter), Pervez Musharraf e João Paulo II (numa visita às Filipinas).
Este homem representa a face fanática e cega de uma organização terrorista de inspiração religiosa e com objectivos políticos e económicos, inimiga das liberdades individuais e pregadora do medo e violência.
O mundo ocidental também não está isento de culpas enquanto houver prisões onde se pratica a tortura, das quais Guantánamo é a mais mediatizada.
O problema, Rui, é que para este senhor, ele não vai para o “inferno”, mas sim para o “paraíso”, onde Alá o irá receber como um herói da fé islâmica.
Quanto à tua opinião que “não estamos isentos de culpas” enquanto houver “prisões onde se pratica a tortura” ai não concordamos.
Não combater o fanatismo homicida e destrutivo dos “mártires” religiosas é o primeiro passo para a capitulação desse mesmo “mundo ocidental”.
Há que combater esse fanatismo mas respeitando a convenção de Genebra e os direitos humanos. Não estamos (falando mais dos americanos) a dar um exemplo para o mundo… Ainda para mais com os inocentes que foram presos no clima de alvoroço pós 11/9.
A acreditar que a responsabilidade pelo 11 de Setembro não se encontra nos círculos de poder dos US, uma condenação à morte só irá de acordo à vontade deste indivíduo. Não por isso, gostava de ver outra sentença. Como o Rui diz e bem, há que combater o fanatismo mas com respeito ao direitos humanos.
Acima de tudo, esse respeito pelos direitos humanos é o que nos distingue das ditaduras e regimes não democráticos que empregam a força para se imporem.
Antes do 11/9 havia relatórios dos serviços secretos sobre uma possível ofensiva de atentados envolvendo aviões. Bin Laden já era o inimigo público nº 1 dos EUA antes de isso acontecer…