Missivas
Por Ricardo Silvestre • 5 Jun, 2008 • Categoria: Internacionais, NotíciasO secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon apresentou na Conferência sobre Segurança Alimentar a decorrer em Roma a “necessidade da disponibilização de 15 a 20 milhões de dólares [entre 10 e 12 milhões de euros] por ano” para o combate à fome.
Durante o encontro, o Programa Alimentar Mundial (PAM) anunciou que vai desbloquear 1,2 milhões de dólares adicionais para ajudar na luta contra a crise alimentar.
O director-geral da FAO (a organização das Nações Unidas para a alimentação e agricultura), Jacques Diouf, anunciou ainda que o Banco Islâmico de Desenvolvimento irá atribuir 1,5 milhões de dólares aos programas de desenvolvimento e de ajuda alimentar aos países mais pobres.
Ver mais aqui.
Por sua vez, a contribuição do Vaticano parece ter sido esta.
“Bento XVI afirmou esta Terça-feira que “A fome e a desnutrição são inaceitáveis num mundo que dispões em realidade de níveis de produção, de recursos e de conhecimentos suficientes para pôr termo a este tipo de dramas e às suas consequências”. Esta missiva foi entregue pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, que leu a mensagem enviada pelo Papa aos participantes na Conferência”.
E que tal um cheque assinado?
Ou já foi colocado um no correio?

A contribuição do Vaticano, é anedótica, como sempre não fazem nada para além, de dizerem coisas que qualquer pessoa está “careca” de saber.
Mas continuam a possuir fortunas colossais, e a gastar outras tantas em templos religiosos, (ex: Nova Basílica de Fátima custou cerca de 60 Milhões de Euros, e foi paga a pronto como tranquilamente disse o reitor do santuário, Monsenhor Luciano Guerra,), sem qualquer outra utilidade que não seja, “xular” mais €’s aos fiéis.
Eu sei, eu sei o que me vão dizer, só é “xulado” quem quer, mas mesmo assim, para quem anda sempre a pregar aos quatro ventos, a caridade cristã, é preciso muito descaramento, e fiéis com “palas” nos olhos diga-se em abono da verdade…
Agora, ajudar com uns milhões, isso “tá queto ó mau”, é mais barato ler umas missivas a participantes de conferências…
LOL
Caro Paulo.
Nem quis referir a questão da ostentação religiosa no artigo, mas ainda bem que o fez.
RS
O Paulo Santos diga-me quem é que tem mais voluntários em África, organizações religiosas ou ateístas?
João Ribeiro, não tenho dados para afirmar que são organizações religiosas ou ateístas, que tem mais voluntários em África, ou em qualquer outra parte do mundo, nem estou a menosprezar o valor de milhares e milhares de pessoas religiosas que entregam a sua vida em nome de nobres causas, a ajudar os que mais precisam entenda-se.
Embora o facto de os países mais miseráveis do mundo estarem juncados de organizações religiosas que se degladiam por “ajudar” os pobrezinhos e conquistar mais “ovelhas” para o seu rebanho seja um tema que bem analisado tem muito que se lhe diga.
O que eu quis frisar na minha anterior opinião, é a hipocrisia e ostentação escandalosa, por parte sobretudo das cúpulas religiosas, e a gritante cegueira por parte daqueles que lhes enchem os bolsos.
Para vos dar um pequeno exemplo de que tenho conhecimento, passou-se com pessoas da minha família numa terra perto de Abrantes:
Durante cerca de mais de 20 anos, dezenas de pessoas daquela localidade, incluindo alguns dos meus familiares, fizeram peditórios, organizaram festas, ofereceram mão de obra, materiais de construção, terreno e dinheiro, tudo para a construção de uma pequena capela para terra, o que finalmente conseguiram.
E o que é que aconteceu depois, perguntam os meus amigos?
Ora atão nem é preciso perguntar, a capela passou a ser propriedade da “xanta madre igreja”, que segundo me disseram nem um cêntimo deu, e se o povo lá do sítio, quiser fazer alguma missa ou festa lá na dita capelita, tem que pedir autorização á diocese e pagar bons €uritos, ao padre que tiver de fazer o sacrifício de lá ir…
E perguntam, certamente, os amigos do portal, mas atão o povo nã protestou?
Ná isso é qu’era bom, tirando um ou outro “balido” fraquito, o rebanho portou-se como os “pastores” gostam, aceitaram tudo como boas ovelhas, calaram as poucas e fracas “ovelhas ranhosas” que se atreveram a “balir” baixinho e no fim beijaram a mão ao xenhor padre cura.
O João Ribeiro desconversa que é uma maravilha! Em política a isto chama-se spin, é você um spin doctor?
É a ICAR que tem mais missionários?
Não é isso que este artigo fala! É de contribuições monetárias para combater a fome e da hipocrisia do faz o que eu digo não faças o que eu faço!
Sim Nuno, esse comentário foi muito fraquinho também. Vá lá a richardawkins.net, faça mais um copy paste do Zeus e do Thor e de que a fé não merece mais respeito que a política etc, para a conversa ficar mais rica.
E para além de se comentar os artigos comentam-se os outros comentários…. ou o artigo fala sobre mim e eu não reparei?
Nesta questão, eu até estou solidário com o Bento XVI, especialmente sabendo onde ele foi buscar inspiração para dizer o que disse:
http://www.youtube.com/watch?v=WALIARHHLII&feature=related
Penso que é demagógico este género de discursos sobre a ostentação da igreja. O Vaticano poderia vender todo o seu vasto património, dá-lo todo para caridade e mesmo assim o problema do fome não ficaria resolvido. Aliás estudos sugerem que este género de ajuda cria na realidade dependência e que não ajuda a combater o problema da fome. As pessoas que sofrem dessas privações necessitam ser direccionadas no sentido de se ajudarem sustentávelmente; e isso não é realizável atirando baldes de dinheiro.
Luís Pedro Nascimento, concordo plenamente consigo, como dizem, e na minha opinião muito bem, os Chineses,
“Se vires um homem com fome na beira de um rio, não lhe dês um peixe, ensina-o antes a pescar”.
Também sabemos que o Vaticano nunca venderia o seu vasto património, nem que disso depende-se a salvação do resto da humanidade.
E obviamente, também não tem interesse nenhum em ensinar ninguém a “pescar”, porque nunca iria estragar a sua melhor fonte de “ovelhas”, que como todos nós sabemos, é directamente proporcional ao grau de fome, desespero e ignorância.
Caro Luís Nascimento.
Não era preciso “vender o património” (alias, segundo as suas próprias palavras “vasto”) para ser de auxílio. Não acha que o Vaticano podia facilmente ajudar com alguns milhões de Euros?
Não é por muito, é apenas porque para quem se mostra tão preocupado, como o Sr. Ratzinger fez parecer no seu comunicado, seria de esperar mais do que palavras nesta acção em particular.
O artigo mantém-se actual, porque até hoje não houve qualquer notícia de um apoio financeiro à ONU por parte do Vaticano.E tenho a certez que se tivesse havido tal iniciativa não faltariam as notícias de tal.
Mais significativo do que um cheque ou qualquer mensagem, seria um cardeal, um bispo, ou o Papa tomar a iniciativa, arregaçar as mangas, levantar o rabiosque da poltrona de veludo e trocar o ar condicionado das Basílica de São Pedro pelo pó e o calor das terras africanas. Falar é fácil, os nossos comentários são a prova disso, difícil é fazer algo em prol da luta contra a fome, a pobreza e a miséria.
Eu não sei porque é que nessa visão estereotipada que o ser humano tem do “indivíduo que luta contra a fome”, tem de aparecer sempre o missionário-médico da AMI visitando aldeias de África. Isso é absurdo!
Seremos bem mais eficazes a lutar contra a fome e a miséria tentando não compactuar no dia a dia, com todo um sistema económico que potencia o aparecimento dessa miséria. Vejam por exemplo, os filmes “O Fiel Jardineiro” ou “Diamantes de Sangue” e perceberão o que digo. Só podemos lutar contra as iniquidades se estivermos bem informados e procurarmos essa informação. Sempre que vou a um supermercado, por exemplo, exerço constantemente um boicote a produtos ou empresas que tenho conhecimento de estarem a desenvolver actividades ilícitas (se eu soubesse de tudo, provavelmente viria de carrinho de compras vazio!). Pergunto eu: quem se dá ao trabalho de equacionar isso? Prevalece quase sempre o “preço mais barato” ou a “marca” como motivação de escolha. Seria bom comerçamos a “eticizar” as nossas escolhas - em função de outros valores.
“E obviamente, também não tem interesse nenhum em ensinar ninguém a “pescar”, porque nunca iria estragar a sua melhor fonte de “ovelhas”, que como todos nós sabemos, é directamente proporcional ao grau de fome, desespero e ignorância.”
Realmente mesmo que as intenções sejam boas, a mente humana é tão mesquinha que tem de tentar imediatamente distorcer as coisas. Se calhar é muita bondade para si Paulo Santos, se calhar o senhor é que faz tudo à espera de receber algo em troca, e é-lhe um bocado difícil de conceber a noção de altruísmo.
Claro que interessa imenso à Igreja católica, ter crentes em África, especialmente porque eles dão contribuições monetárias imensas, sem as quais a igreja não pode viver. E mais, ensinam os miúdos a ler a escrever etc… para os manter ignorantes!
A verdade é que uma ONG secular consegue fazer o mesmo, se não melhor, do que qualquer missão religiosa; e fá-lo sem qualquer endoutrinação. Não se deve duvidar dos motivos, quando qualquer boa acção cometida tem como corolário uma evangelização quase forçada?
Ricardo, estava só a referir que esse tipo de doações não resolve o problema. As pessoas têm de ser elevadas do seu estado de pobreza. Isso deve ser feito através da educação, aí a igreja católica poderia contribuir se tivesse interesse nisso já que dispõe de rede”embaixadas” sem paralelo, e não são precisos muitos recursos financeiros como aliás provou Muhammad Yunus. No caso africano um ajuste nas políticas de tarifas, da UE por exemplo, seria muito mais útil do que qualquer doação monetáriado Vaticano.
Excelente argumentação, Luís.
Concordo com a parte que me endereça.
“Não se deve duvidar dos motivos, quando QUALQUER boa acção cometida tem como corolário uma evangelização quase forçada?
Realmente isto é mesmo de quem não faz ideia do que está a falar, para além de entrar no campo da desonestidade…
Fique só sabendo que a maior parte do voluntariado em África é feito por Cristãos, assim como a maior parte das doações monetárias ( em que aqui não há qualquer evangelização).
O número de cristãos voluntários não me elucida de todo sobre os seus motivos. De resto gostaria de ver números que comprovem afirmações tão categóricas, não vá ser acusado de desonestidade.
Desde quando o pastor é o alimento das suas ovelhas, o papa não tem que dar de papar a ninguém, ele é papa para papar e não para ser papado, cada um com o seu papel, o pastor conduz o rebanho até as pastagens, com os seus cães de guarda para protegê-lo dos lobos maus, e as ovelhas ranhosas tem é que levar dentadas raivosas dos cães protectores, para aprenderem a obdecer e para servirem de alimento quando já não houver mais pastagens, os ateus incomodam porque são as ovelhas desgarradas, carnivoras até, para defenderem-se dos lobos e a procurarem alimento mesmo sem pastor.
Só que os ateus atacam a religião e não a fome.
Você não quer ser elucidado. Se as famílias de cristãos dão mais dinheiro para caridade do que as famílias não religiosas (até quando os rendimentos são menores) , é porque querem ajudar, não é para evangelizar nada….
Procure por “Who Cares”….Livro sobre os verdadeiros cristãosm os praticantes…
É inegável que a Igreja Católica faz mais do que pode em África e no resto do mundo, com padres, freiras e outros voluntários que dão a vida pelos outros. Mas aqui no portal, não conseguem admitir isso, o que é lamentável e ridículo, visto que são todos inteligentes e muito racionais.
A Igreja tem uma hierarquia, em que cada um têm as suas funções, e o papa tem as suas.
Já agora, em vez de criticarem, também se podem voluntariar.
Só blá, blá, blá de quem não faz nada…
[...] já tinha escrito aqui, é de estranhar que as igrejas cristãs não tenham anunciado nenhuma contribuição financeira [...]