Pobres crianças

Por Rui Janeiro • 3 Jun, 2008 • Categoria: Internacionais, Notícias

Uma comunidade mórmon no Canadá está sob suspeita da ocorrência de abusos sexuais e casamentos polígamos. 

O New York Times conta que, apesar das evidências que as autoridades têm há vários anos, ainda têm alguma relutância em avançar com acusações devido à legislação canadiana.

Este caso tem algum paralelismo com o ocorrido no Texas, em Abril. Conta o semanário Sol que as crianças resgatadas do rancho habitado por uma seita poligâmica mórmon foram devolvidas aos pais por ordem de um juíz.

«Os membros da seita estão a ser investigados por alegados abusos sexuais aos menores, ainda que o Supremo Tribunal tenha falhado em provar que as crianças estivessem de facto em perigo. (…) A ordem, no entanto, colocava condições aos pais para o seu reencontro com as crianças – não poderão levá-los para fora do estado e terão de assistir a aulas de ‘como ser pai’. Serão ainda obrigados a não interferir com as investigações sobre abusos sexuais e a consentir exames médicos às crianças se for necessário.»

Não sei como é que se explica a uma alma destas como se deve educar uma criança, mas creio que se deve começar por uma deslavagem ao cérebro.

Para além dos abusos físicos cometidos há que considerar que a indoctrination, a imposição de ideias e princípios, os quais não devem ser questionados, também é um atentado aos direitos das crianças. Richard Dawkins chama-lhe mesmo “child abuse”.

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19 Respostas »

  1. Sinceramente não percebo o fascínio que alguns religiosos e ateístas têm pela pedofilia. É revoltante a monstruosidade da acção de tirar partido da vulnerabilidade de uma criança mas também a sofreguidão vampírica de degustar a cobardia alheia e insistir no recado de que: se pertences a uma religião és provavelmente pedófilo. Shame on you.

  2. “Para além dos abusos físicos cometidos há que considerar que a indoctrination, a imposição de ideias e princípios, os quais não devem ser questionados, também é um atentado aos direitos das crianças. Richard Dawkins chama-lhe mesmo “child abuse”.”

    O Richard Dawkins é um idiota…mas toda a gente sabe o que ele pensa, quando é que o Rui nos vai começar a dizer o que o Rui Janeiro pensa? Ou estará a precisar de uma deslavagem cerebral também?

  3. Edgar,
    Ninguém aqui diz que quem pertence a uma religião é pedófilo. Apenas nos indignamos com algumas injustiças e abusos que, por incrível que pareça, envolvem membros de congregações religiosas. E pode crer que enquanto continuar a acontecer será destacado neste espaço.

    João Ribeiro,
    Se tem interesse nisso basta ler os artigos que forem saindo…

  4. “Apenas nos indignamos com algumas injustiças e abusos que, por incrível que pareça, envolvem membros de congregações religiosas.”
    Esta frase estica a corda do razoável. Se as injustiças e os abusos cometidos pelas congregações religiosas provocam indignação, as injustiças e os abusos provocados pelas congregações não religiosas, o que provocam elas? Indignação? Indiferença? Descrédito?
    Acho que há para aí qualquer coisa colada a cuspo que dá pouca solidez a tamanha indignação.
    Se quer promover o ateísmo, comecem por valorizar porque é que ser ateu é mais gratificante do que ser religioso. Se o Rui acha que ser ateu é há “congregações religiosas” que praticam a pedofilia, posso lhe dar três parâmetros que podem obrigá-lo a não seguir o caminho da oposição contrapondo com um argumento negativo. Em primeiro lugar, porque efectivamente, nem todos os religiosos são pedófilos, em segundo porque, infelizmente, haverá ateus pedófilos, e em terceiro, será que com um argumento como “há congregações religiosas que são pedófilas” que demovem os religiosos da sua fé? Seria o mesmo que perguntar a um ateu se deixaria de o ser se o Dawkins ou o Hittchens andassem a divertir-se com crianças.

  5. Tenha em conta que o crime citado provoca indignação vindo de quem venha. Mas é pior no caso dos clérigos, pois são pessoas que convivem com crianças e a quem os pais confiam os seus rebentos, sendo mesmo responsáveis por algumas instituições de acolhimento. Não nos esqueçamos que nos EUA a hierarquia da ICAR protegeu e transferiu os padres de paróquia em paróquia, o que os torna cúmplices e e estende a responsabilidade dos crimes à instituição em si e não apenas ao indivíduo que comete o crime.

    «Se o Rui acha que ser ateu é há “congregações religiosas” que praticam a pedofilia,»

    Se esta é a sua definição de ser ateu… aconselho-o a informar-se melhor. Para isso equipare-nos ao ministério público ou à ASAE.
    Não sou ateu por causa do que aponta, não precisava destes factores negativos… Bastou-me pensar um bocado.

    Claro que os clérigos pedófilos são uma minoria, mas uma minoria que se repete um pouco por todo o mundo e que lança o debate à volta do celibato dos padres.
    Não disse que quem é religioso é pedófilo. Tenhamos em conta que os pedófilos não são todos ateus nem são todos religiosos.
    E também não disse que «“há congregações religiosas que são pedófilas” que demovem os religiosos da sua fé?» Não sei onde a foi buscar. Os escândalos não demovem os religiosos da sua fé. Quanto muito afastam-nos da igreja.

    E não precisaria de factores negativos para deixar de ser ateu.

  6. Caro Rui, eu não afirmei nada, eu levantei perguntas. Às quais, se preocupou em responder, e eu agradeço por isso.
    Aproveitava para lançar mais uma pergunta. Um crime torna-se mais grave quando praticado ao abrigo de uma religião, do que um crime cometido a titulo não-religioso?
    Quanto à minha frase que transcreveu, devo referir que falta “correcto porque” entre o é o há. De facto não fazia sentido.
    O Rui argumenta que é ateu porque pensa um bocado. Bom, eu gostaria que me explicasse que raciocínio brilhante é que pode levar uma pessoa a ser ateu, porque efectivamente eu não consigo chegar a esse pensamento. Presumo que ser ateu seja um bocadito mais do que ser uma ASAE religiosa. E olhe que “não vale” fazer copy paste das expressões de outrem.

  7. “O Rui argumenta que é ateu porque pensa um bocado”

    Adorei essa frase também, o problema é que quando só se pensa um bocado corre-se o risco de se tirar conclusões precipitadas, eu não quero que o Rui Janeiro pense que estou a imbirrar consigo. Eu vim para este site essencialmente para ouvir a opinião contrária. Mas simplesmente não tolero, esse tipo de bocas que os crentes não pensam….

  8. João Ribeiro,
    Pensar é relativo também a reflectir, abstrair. Não disse que os crentes não pensam.
    Faz muito bem em vir discutir para este espaço e opiniões contrárias sao bem-vindas. Aprende-se muito com os nossos adversários ideológicos.

    Edgar,
    Respondendo à sua pergunta… Dentro do código penal as sanções variam de acordo com as motivações do crime. Um homicídio qualificado tem uma pena maior do que um homicídio por negligência. Não interessará quem o comete, mas o que o move. Mas é mais grave para os casos de idivíduos que tiram partido da sua posição social ou hierárquica dentro de uma instituição (não necessariamente religiosa) para cometer crimes ou para ordenar a sua prática. Tanto vale para um Charles Manson como para um Ayatollah que manda os fiéis explodir-se em nome de Deus.

    A fé é irracional e pressupõe uma crença numa entidade para a qual não há provas científicas da sua existência. Para mim cristo é equivalente a Odin ou Osiris, mas estes tiveram dificuldades em “sobreviver”. Cada ser humano pode inventar n teorias para as origens de tudo que não saíamos do mesmo sítio. Carecem todas de fundamento, estão adaptadas ao seu tempo (Zeitgeist) e obrigam à aceitação de premissas que não se podem questionar.

  9. “Para mim cristo é equivalente a Odin ou Osiris”
    Odin ou Osiris eram os deuses de determinadas civilizações, e portanto, só existem se acreditarmos na sua existência.
    Jesus Cristo, é uma realidade que existiu de facto na história. É irracional negar a sua existência.

  10. Ora bem, não é minha intenção me meter com alguém ou ser estranho à “discussão”, apenas dar a minha humilde e sincera opinião.
    Ora então… ser ateu não é pensar apenas um bocado, mas no minimo “pensar bem”, ou seja, pensar com a razão e não simplesmente com o “coração”. Ser ateu ou se tornar ateu, pode e deve demorar anos, dependendo de imensos factores, tais como “grau de crença” anteriormente ou como o “grau da razão” no pensamento posterior.
    Quanto a existência de cristo, é um facto histórico, e o unico paralelismo que vejo ou comparo, é de tal como outros… moisés, abraão, etc… “grandes oradores” apenas e mais nada.
    Qunato a mim, ateu… com muito gosto. :)))

  11. Ricardo Sá,
    Não ponho em questão JC como personagem histórica, apenas como “divindade”.

    Vítor Teixeira,
    Esteja à vontade para entrar nas discussões sempre que tenha algo a acrescentar.

  12. Viva,

    Este é um crime hediondo independentemente do perpetrador ser religioso ou não. O facto de gerar na sociedade uma indignação acrescida quando origina no seio duma igreja é perfeitamente natural, não só pelo motivo já citado pelo Rui, como também pelo facto de vir daqueles que insistem em se auto-proclamar publicamente, através das suas mais altas instâncias, como principal fonte inspiradora de valores morais, e que são vistos por muitos dos seus mais subservientes fieis como imagem de virtude.

    João Ribeiro,
    Desde quando é que citar alguém é sinal de lavagem cerebral? Pelo que depreendi a citação foi apenas usada para reforçar uma posição sobre o assunto em apreço. No entanto, sempre que isto acontece lá vem o João reclamar de falta de originalidade. Ou o Dawkins o incomoda mesmo (”idiotas” como ele são sempre bemvindos) ou então é só vontade de implicar!

    cumprimentos.

  13. Sim, eu nem tenho mais nada que fazer senão implicar… O Ernesto sabe perfeitamente que isso não são meras citações ocasionais… E você em razão sempre que isso acontece, eu reclamo, e para você ter notado… é porque já aconteceu muitas vezes.. . só veio confirmar o meu ponto.

  14. Entendo que houve um salto qualitativo na argumentação do Rui. “Apenas nos indignamos com algumas injustiças e abusos que, por incrível que pareça, envolvem membros de congregações religiosas.” a 4 Junho, 2008 às 12:40 pm: para
    ”Não interessará quem o comete (o crime), mas o que o move. Mas é mais grave para os casos de idivíduos que tiram partido da sua posição social ou hierárquica dentro de uma instituição (não necessariamente religiosa).” Em 4 Junho, 2008 às 4:22 pm. Chegamos a acordo.
    Mas a questão do pensamento que resulta no “ateu” é que continua uma incógnita.

  15. Edgar,
    «A fé é irracional e pressupõe uma crença numa entidade para a qual não há provas científicas da sua existência. Para mim cristo é equivalente a Odin ou Osiris, mas estes tiveram dificuldades em “sobreviver”. Cada ser humano pode inventar n teorias para as origens de tudo que não saíamos do mesmo sítio. Carecem todas de fundamento, estão adaptadas ao seu tempo (Zeitgeist) e obrigam à aceitação de premissas que não se podem questionar.»

    Posso acrescentar:
    A religião é a maneira mais barata e fácil de explicar a “origem de tudo”. Eu exijo um bocado mais do que fábulas e lendas da idade do Bronze.
    Ninguém pode ter a arrogância de se afirmar como dono da “Verdade”.

  16. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16 …

  17. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
    pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;
    antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,
    a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

    Filipenses 2:5,6,7,8.

  18. …Eu? Ser como ele? Ter um coração igual ao dele? Ó obra tremenda dos céus! Ó Espírito Santo! Me aprisiona propósito de Deus! Quero conquistar aquilo para o qual fui conquistado. Não é essa a tua obra meu Deus? Não é para isso que vieste morar dentro de mim com toda tua humildade e mansidão? Não é a tua vida a minha porção e a tua santidade e obediência a minha herança? O teu coração não é agora o meu, para que eu venha a viver como tu viveste? Ó minha glória! Meu tesouro! Minha herança! Quero falar-te junto com Davi: “O senhor é a porção da minha herança e do meu cálice…é mui linda a minha herança” (Sl 16.5,6). Enquanto ainda não sou como Jesus, duas coisas me consolam o coração e me animam a seguir adiante. A primeira é o teu perdão e paciência, meu Deus, meu amor e minha esperança. A Segunda é o perdão e a paciência de meus irmãos, os notáveis que há na terra (Sl 16.3). Estes santos que te amam e que, por suas vidas, me ensinaram a te amar. A eles o teu consolo e o teu ânimo, meu Deus, e a ti, meu amado, minha vida no teu altar.

    Marcos Moraes.

  19. Gostava apenas de fazer uma ressalva que nestes casos mais graves de “escrituro-dependência” passaremos simplesmente a apagar os textos dos “comentários”. Caso o autor insista, recorreremos a outra solução.

    Já agora, se por acaso aparecer algum ateu a colocar simplesmente textos de Nietzsche em sites cristãos acho que os administradores do site devem proceder da mesma maneira.

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