Padrologia - falta de ética e conhecimento
Por Ana Valente • 3 Jun, 2008 • Categoria: Ciência & Educação, Opinião, Psicologia & SociologiaApesar da irritação e preocupação que esta situação me provoca, o que quero colocar em cima da mesa, é o termos consciencia que muitos padres prestam um serviço à comunidade sem formação especializada.E o padre faz isso? ora, pois faz.
Irritação pela postura, preocupação pelas consequências que podem advir desta postura.
Vejamos, sabemos que à igreja chegam muitas pessoas à procura de ajuda. Ora porque têm problemas familiares, procuram o padre. Se têm problemas emocionais, procuram o padre. Se têm problemas com álcool ou droga, procuram o padre. Estão deprimidos, procuram o padre…
O padre como psicólogo (mas sem formação em Psicologia, claro está).
As perguntas que vos faço são simples?
Mas sabe o padre de Psicologia? Tem uma especialização em Psicologia do Aconselhamento? Estudou o padre sinais e sintomas? Sabe ele de Personalidade? De socialização? De comportamento? De terapia? De uma série de coisas basilares a quem acha que tem o direito e o dever de “aconselhar” alguém, e pior a influência que as suas palavras têm nas pessoas que os procuram, deviam-lhes dar a responsabilidade de serem mais éticos e frequentemente encaminhar estas pessoas para especialistas da matéria.
Mas também sabemos que isto não acontece, os padres “sabedores de tudo e mais alguma coisa”, gostam de ter e usar este poderzinho e ao encaminhar na ideologia deles, estavam a por em causa a sua “ciência”, que se devia chamar padrologia.
Não se irrite Ana, faz-lhe mal. Mas realmente deve ser uma chatice para o seu negócio…
Pois,
este meu feitio de me preocupar com as pessoas e pelo “tratamento que lhes dão” é de facto uma coisa que não quero mudar… Por isso vivo com estas minhas irritações!
Sejamos humanos que é para isso que somos pessoas…
Quanto ao meu negócio, nada de chatices, aconselhamento nem é a minha área. E, ao contrario de tantos, trabalho no que tenho formação e não “engano” ninguém.
Cumprimentos
Não é à toa que muitos eram informadores da PIDE. Sabiam muito mais do que os ficheiros da polícia…
Já para não falar que, para além dos conhecimentos de psicologia, os padres sabem também (muito) mais que; cosmólogos, evolucionistas, médicos, advogados, políticos, sociólogos, antropólogos, etc etc…
Já ouvi dizer que no curso de teologia estuda-se a vida…. e portanto dá muitas competências em psicologia.
Ana Valente
“este meu feitio de me preocupar com as pessoas e pelo “tratamento que lhes dão””
As pessoas que lá vão não se queixam do tratamento. E só lá vai quem quer. Logo, é melhor não se preocupar.
Viva,
Uma coisa é contribuir positivamente para a discussão (como o faz sempre de forma brilhante, por exemplo, o Bernardo Mota), outra, bem mais fácil, é mandar umas “bocas” sem fundamento a todo e qualquer assunto que aqui é lançado, só para ser do contra. É lamentável que grande parte dos religiosos que postam no Portal optem pela segunda abordagem, mas enfim…
Lá porque as pessoas que procuram aconselhamento no padre “não se queixam”, isso não significa que a questão levantada pela Ana seja um falso problema. As crianças que são educadas segundo regimes que lhes castram perspectivas de vida, também não se queixam, e não é por isso que consideramos que tais regimes garantem os seus direitos fundamentais. Os adultos, esses são supostamente responsáveis pelas suas decisões. O problema é que o recurso ao padre como conselheiro para tudo, resulta duma decisão manifestamente desinformada e ingénua, não sendo pois assim tão diferente do que se passa com as crianças. Se estivessem na posse de alguma informação e se pudessem recorrer a ajuda realmente especializada, será que estas pessoas optariam pelo padre? Penso que algumas não. Outras, no entanto, continuariam a preferir o padre, provavelmente pelas mesmas razões que leva alguns a preferirem o Prof. Bambo a um médico convencional.
cumprimentos.
Riacrdo Sá:
“As pessoas que lá vão não se queixam do tratamento. E só lá vai quem quer.”
Eu cá para mim só lá vai quem é lorpa. Tipo, aqueles que vão ao professor Muamba, ou ao professor Fati para lhes curar as maleitas do espírito. Sabem que esses professores Muamba ou Fati ou Nandu (que até costumam aparecer em muitas páginas publicitárias dos jornais) ou o raio são tão bruxos e curandeiros como qualquer um de nós que aqui escreve neste blog (ateus ou crentes), mas vão lá na mesma para terem conforto de espirito e para se desculparem de não terem capacidade de enfrentarem e resolverem os seus próprios problemas. O mesmo se passa com o pessoal que vai ter com a padralhada para se confessar e pedir opiniões, muitas das quais o padre encerrado no seu casulo, tece juizos de valor empíricos desconhecendo a realidade como ela é e fornece conselhos completamente impreparados (e alguns inapropriados). Mas é como tudo, muitas pessoas para se sentirem seguras de si próprias e felizes precisam de uma muleta, por isso, porque não.
Eu por mim passo. E digo já, para não criar confusões, o que me define a nível pessoal não é ser eu ateu (crente) ou desateu (descrente). Sou acima de tudo Céptico.
* ateu (crente) ou desateu (descrente),
ops, é ao contrário (ateu-descrente, desateu-crente, é o que dá estar acordado até altas horas da noite a trabalhar, lol.
Ernesto Martins e J. O.
Para vocês todos os católicos serão ingénuos que caem nas mentiras da Igreja. Mais uma vez fica patente a arrogância de quem pensa que sabe tudo.
“o padre encerrado no seu casulo, tece juizos de valor empíricos desconhecendo a realidade como ela”
Também se verifica que têm muitos preconceitos com a Igreja. Conheço muitos padres e são todos pessoas muito activas na sociedade.
O padre é muito diferente do professor Bambo. Em primeiro aconselha de acordo com a perspectiva cristã, e segundo o serviço é gratuito.
Volto a dizer que só vai ao padre quem quer.
Ricardo Sá:
“Mais uma vez fica patente a arrogância de quem pensa que sabe tudo.”
Por acaso foi duvidando de muita coisa que cheguei à conclusão de que eu, pessoalmente, não acredito no conceito, que para mim é absurdo e abstracto, da existência de um Deus Omnipotente e Omnipresente. Não foi devido a alguma propensão da minha parte para a arrogância. Acredite.
“Conheço muitos padres e são todos pessoas muito activas na sociedade.”
Não digo que não os haja, sei bem que em muitas paróquias existe um empenhamento de alguns padres mais novos que pretendem dinamizar a terra onde foram colocados. Mas são uma imensa minoria. E desde já lhe digo isto: infelizmente que esses são uma minoria. Independentemente da crença que cada um tem, o simples facto de se realizar obra e ajudar quem mais precisa é de louvar. E esses, tal como todas as outras pessoas que procuram realizar o bem desinteressadamente e não porque Deus disse e por querem ganhar o Céu, independemente da discórdia de opiniões de fé que eu possa ter, têm o meu respeito.
Eu quando me refiro aos padres encerrados no seu casulo refiro-me áqueles velhos do restelo que mais não fazem do que dar a missa e a extrema unção. E como deve saber melhor do que eu, são a maioria. E refiro-me igualmente áqueles que se encontram encerrados no Vaticano e emanam aquelas leis ecumenicas aberrantes que x é pecado, y faz mal á alma, Deus manda que se realize missa na lingua mãe de cada um ou se volte ao latim, e blá, blá, blá. Percebe o meu ponto de vista? Como é que o papa recebe os desejos de Deus? Através de sonhos, telefonemas, fax? Não se esqueça que na realidade o Papa só é Papa devido à vontade humana (votação secreta entre os cardeais) e não devido à vontade divina.
E eu agora pergunto: como pode eventualmente um padre que nunca foi casado e nunca praticou sexo (se for um padre que siga os preceitos divinos á letra) tecer juizos de valor sobre algo que só ouviu da boca de terceiros e daquilo que leu ou foi-lhe dito/recomendado pelos seus superiores hierarquicos? E, claro, estou-me apenas a referir á Igreja Católica que é a com maior influência no mundo. Não me refiro á Igreja Protestante em que os padres se podem casar, ter filhos e viver uma vida como uma pessoa….hum…ia dizer normal mas não é esse o termo, uma pessoa com vida familiar, se assim o quiserem. Isto é apenas um exemplo a ilustrar o meu ponto de vista, haveria mais.
Abraço.
Estão-se aqui a esquecer que na maior parte das vezes as pessoas criam laços de amizade com os padres e falam com o padre como amigo e não como padre….Já não se pode pedir conselho e apoio aos amigos? Os amigos já não podem dar conselhos e apoio?
Poucas são as pessoas que abdicam de muitos prazeres na vida, para dedicar a vida aos outros, e mesmo assim essas pessoas são sempre vistas com uma grande desconfiança…
Pode-se concluir que o ateu não acredita que o ser humano seja bom de forma inata, visto que têm de arranjar sempre uma justificação mesquinha para qualquer boa acção. Ou é para ganhar fiéis, ou é para ganhar o céu, ou é para ganhar dinheiro, mas NUNCA pode ser por bondade…..